Psicoterapeuta. - CRT 42.156

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Fernando Cesar Ferroni de Freitas

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Diagnósticos de "transtornos" como birras de criança e compulsão alimentar, significa que em breve ninguém mais vai ser classificado como normal.

Todas as pessoas tem algum tipo de transtorno.

Uma edição atualizada da "Bíblia" sobre saúde mental usada pelos médicos pode incluir diagnósticos de "transtornos" como birras de criança e compulsão alimentar, o que poderia significar que em breve ninguém mais vai ser classificado como normal.
Principais especialistas em saúde mental alertaram  que uma nova edição do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, que está sendo revisado pode significar que todas as pessoas tem algum tipo de trastorno mental.
Citando exemplos de novas atualizações, como "depressão com ansiedade leve", "síndrome de risco de psicose" e "transtorno do temperamento irregular", os especialistas disseram que muitas pessoas perfeitamente saudáveis poderiam no futuro ser informadas de que estão doentes.
"Fazer isso é reduzir de uma piscina para uma poça d'água o que é normal", disse Til Wykes, do Instituto de Psiquiatria do Kings College London.
O manual é publicado pela Associação Psiquiátrica Americana e contém descrições, sintomas e outros critérios para o diagnóstico de transtornos mentais. É visto como a Bíblia global para o campo da medicina de saúde mental.
Os critérios são estabelecidos para fornecer definições claras a profissionais que tratam pacientes com transtornos mentais e a pesquisadores e empresas da indústria farmacêutica que procuram desenvolver novas formas de tratamento.
Wykes e os colegas Felicity Callard, também do Instituto de Psiquiatria do Kings College, e Nick Craddock, do Departamento de Medicina Psicológica e Neurologia da Universidade de Cardiff, disseram que muitos na comunidade psiquiátrica estão preocupados com a expansão das orientações, pois o mais provável será que ninguém mais será classificado como normal.
"Tecnicamente, com a classificação de tantos novos transtornos, todos teremos desordens", disseram eles em declaração conjunta. "Isso pode levar a crer que muitos de nós também 'precisamos' de drogas para tratar nossas 'condições' - e muitas dessas drogas podem ter efeitos colaterais desagradáveis ou perigosos."
Os cientistas disseram que o diagnóstico da "síndrome de risco de psicose" é particularmente preocupante, pois poderia rotular falsamente jovens que podem ter apenas um pequeno risco de desenvolver a doença.
"É um pouco como dizer a 10 pessoas com um resfriado comum que elas estão "em risco de ter uma 
síndrome de pneumonia", quando apenas um tem a probabilidade de desenvolver a doença", disse Wykes.
A Associação Psiquiátrica Americana não respondeu a um pedido de comentário sobre o assunto.
Os cientistas deram exemplos usando a revisão anterior do manual, que foi chamada de DSM 4 e incluiu diagnósticos mais amplos e categorias para déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), autismo e transtorno bipolar na infância.
Isso, segundo eles, "contribuiu para três epidemias falsas", particularmente nos Estados Unidos. "Durante a última década, quantos médicos alarmaram pais a dar drogas como Ritalina para crianças sem elas realmente precisarem?", perguntou Wykes.
Milhões de pessoas em todo o mundo - muitas delas, crianças - tomam medicamentos para TDAH, incluindo Ritalina, que é conhecido genericamente como metilfenidato, e drogas afins, como Adderall e Vyvanse. Só nos Estados Unidos, as vendas desses medicamentos representavam cerca de US$ 4,8 bilhões em 2008.
Wykes e Callard publicaram comentário no Jornal de Saúde Mental expressando preocupação com a próxima revisão do manual e destacando dez ou mais documentos de outros cientistas que também estão preocupados.

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