Nos tratamentos oferecidos para usuários de drogas no âmbito das instituições de saúde mental, é possível situar a prevalência de dois modelos que, tradicionalmente, influenciam as propostas terapêuticas existentes neste campo: o modelo médico e o modelo moral (Faria & Schneider, 2009). O primeiro concebe a toxicomania como uma forma de psicopatologia, com consequente ênfase nos aspectos orgânicos e biológicos associados a este fenômeno. Os tratamentos para uso de drogas provenientes deste modelo apresentam como características ser hospitalocêntrico, com predominância da terapêutica farmacológica e tendo como principal meta a cura, que, no caso da atenção aos usuários de álcool e outras drogas, é considerada equivalente à abstenção do uso.
Já o modelo moral é de origem religiosa ou espiritualista e propõe o uso de drogas como um desvio de caráter. Os tratamentos que se encontram inseridos nesta vertente visam moldar nos usuários o comportamento desejado pela instituição, que geralmente equivale ao comportamento abstinente. Este modelo é ainda hoje adotado por algumas comunidades terapêuticas e por grande parte dos grupos de ajuda mútua, como os Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos, que propõem a dependência química como uma doença física, mental e espiritual incurável.
É comum observar que, nas instituições de saúde mental voltadas à atenção aos usuários de álcool e outras drogas, as práticas terapêuticas existentes geralmente fazem uma síntese destes dois modelos. Além disso, tais instituições inserem-se massivamente na lógica das instituições especializadas, nas quais um determinado usuário é atendido por vários especialistas, supostos detentores de um saber a priori sobre o uso de drogas, sem que haja um diálogo ou integração destes saberes a partir de cada caso singular. Nessa perspectiva, os tratamentos oferecidos costumam pautar-se em ideários científicos ou morais acerca das concepções de doença, cura, reabilitação etc.
Diferentemente, nos tratamentos oferecidos aos usuários de drogas a partir da perspectiva psicanalítica, a ênfase recai no sujeito que lança mão do recurso aos psicoativos, na dimensão do gozo atrelado às práticas de intoxicação e na ética que orienta a clínica psicanalítica, a qual se caracteriza por ser uma ética do bem-dizer e se opõe ao que Lacan ([1958/1959]/1995) chama de ética do bem-estar.
Já o modelo moral é de origem religiosa ou espiritualista e propõe o uso de drogas como um desvio de caráter. Os tratamentos que se encontram inseridos nesta vertente visam moldar nos usuários o comportamento desejado pela instituição, que geralmente equivale ao comportamento abstinente. Este modelo é ainda hoje adotado por algumas comunidades terapêuticas e por grande parte dos grupos de ajuda mútua, como os Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos, que propõem a dependência química como uma doença física, mental e espiritual incurável.
É comum observar que, nas instituições de saúde mental voltadas à atenção aos usuários de álcool e outras drogas, as práticas terapêuticas existentes geralmente fazem uma síntese destes dois modelos. Além disso, tais instituições inserem-se massivamente na lógica das instituições especializadas, nas quais um determinado usuário é atendido por vários especialistas, supostos detentores de um saber a priori sobre o uso de drogas, sem que haja um diálogo ou integração destes saberes a partir de cada caso singular. Nessa perspectiva, os tratamentos oferecidos costumam pautar-se em ideários científicos ou morais acerca das concepções de doença, cura, reabilitação etc.
Diferentemente, nos tratamentos oferecidos aos usuários de drogas a partir da perspectiva psicanalítica, a ênfase recai no sujeito que lança mão do recurso aos psicoativos, na dimensão do gozo atrelado às práticas de intoxicação e na ética que orienta a clínica psicanalítica, a qual se caracteriza por ser uma ética do bem-dizer e se opõe ao que Lacan ([1958/1959]/1995) chama de ética do bem-estar.
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