Psicoterapeuta. - CRT 42.156

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Fernando Cesar Ferroni de Freitas

segunda-feira, 20 de maio de 2013


Campanha para detecção de hepatite C é realizada em Santos
Público alvo são os trabalhadores portuários da cidade.
Campanha do Ogmo com o Grupo Esperança é realizada há cinco anos.

Portuários participam de ação em Santos
(Foto: Reprodução/TV Tribuna)

Os trabalhadores portuários de Santos, no litoral de São Paulo, podem participar da campanha de detecção, prevenção e orientação contra a hepatite C que acontece até o dia 19 de abril na cidade. Também serão atendidos pela campanha familiares dos, maiores de 12 anos, dos trabalhadores. Os exames são gratuitos.
Durante esse período, os trabalhadores portuários avulsos (TPAs) passarão pelo exame que detecta a doença. Após a testagem rápida de triagem realizada no Orgão Gestor de Mão de Obra (OGMO), os trabalhadores que tiveram contato com o vírus serão encaminhados para confirmação do diagnóstico e, caso necessário, tratamento no ambulatório especializado da Beneficência. Não é necessário estar em jejum para fazer o exame.
Segundo o presidente do "Grupo Esperança", Jeová Pessin Fragoso, que realiza os testes, em cinco anos de campanha o índice de trabalhadores diagnosticados no teste de triagem caiu 7,2%, número registrado em 2008, para menos de 2% na campanha do ano passado. Para Jeová, a campanha de prevenção teve uma grande influência nessa queda, pois durante os atendimentos os portuários obtêm informações sobre formas de prevenção da doença.
A campanha promovida pelo OGMO, em parceria com o Grupo Esperança, acontece há cinco anos. O atendimento é realizado de segunda a sexta- feira, das 11h às 19h, no Posto de Escalação 3, na Avenida Mário Covas, s/nº, esquina com canal 6, no bairro Ponta da Praia.

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Defensoria Pública tem dificuldade para internar dependentes químicos
Defensor diz que faltam médicos para emitir laudo exigido pelo estado.
Órgão já entrou com mais de 130 ações em 2013
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Carolina Sanches

Mãe de dependente químico procura defensor público Fabricio Souto (Foto: Carolina Sanches/ G1)


A dificuldade para que familiares de dependentes químicos consigam uma internação compulsória preocupa a Defensoria Pública de Alagoas. De acordo com o defensor público Fabrício Leão Souto, um dos problemas é que, para dar entrada em processos com pedido de internação, a família precisa de um laudo médico sobre o paciente, mas o difícil é encontrar profissional capacitado.

Para o defensor público, o Estado e o Município ainda não se sensibilizaram com esta questão da internação compulsória. “A Justiça exige que seja anexado ao pedido de internação compulsória um laudo médico. O problema acontece, muitas vezes, porque faltam profissionais que façam essa avaliação ou a família não tem como levar o dependente para o exame. As ações da defensoria acabam perdendo o efeito logo no início”, explica o defensor público.

Este é o caso de Jaqueline de Oliveira Fernandes, que tenta há mais de um mês internar o filho em uma clínica para dependentes químicos no estado. Ela contou que seu filho, de 22 anos, já passou seis meses internado por causa do vício em maconha, mas um mês depois de sair da clínica voltou a usar droga.
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“Vim na Defensoria porque estou desesperada. Meu filho acabou se tornando um funcionário do tráfico para conseguir comprar a droga. Se ele não for internado a situação da minha família pode piorar muito”, diz a mãe, ao informar que o maior problema nesse caso está em conseguir o laudo médico.

Jaqueline disse que a médica do Posto de Saúde próximo a sua casa tem receio de que ao emitir o laudo sofra represálias. “Também não consigo fazer com que meu filho vá em um médico. Só se uma equipe for a minha casa isso vai poder ser feito”, afirma.

Segundo Fabrício Leão Souto, situações como a de Jaqueline são comuns de aparecer na defensoria pública. Somente na semana passada, ele recebeu 11 pessoas que possuem parentes com problemas de dependência química. “A situação é muito preocupante porque a dependência não afeta somente o usuário, mas a família e a comunidade em que vive. E el Alagoas existe um descaso muito grande com relação ao tratamento. As famílias ficam sem apoio”, ressaltou o defensor.
Estou desesperada. Meu filho acabou se tornando um funcionário do tráfico "
Jaqueline Fernandes

Além de pessoas que procuram a Defensoria Pública para conseguir internamento existem casos de quem precisa manter o dependente na clínica e não consegue. A dona de casa Célia Januária está com o filho internado em uma clínica na cidade de Girau do Ponciano, no Agreste alagoano, há três meses. Ela diz que, apesar do tempo estipulado para o tratamento ser de seis meses, a direção da clínica informou que vai liberar o paciente porque não está recebendo o pagamento do estado.

Célia também recorreu a defensoria pública. “Meu filho não pode voltar para casa sem o tratamento completo. Ele é dependente de drogas há 15 anos e três meses não é suficiente para que deixe o vício”, reclama.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que, de acordo com a Constituição Brasileira, é preciso de um laudo médico para internar o doente compulsoriamente. Ainda segundo a Sesau, uma equipe com representantes da Secretaria da Paz e do município fazem o trabalho de acompanhamento e são responsáveis por avaliar os casos.

Sobre a denúncia de que o Estado não vem fazendo o repasse para o tratamento do paciente que está internado na clínica de Girau do Ponciano, a secretaria informou que existe uma dívida com a clínica do município, mas isso acontece poque o estabelecimento não está com a documentação regular. Ainda segundo a Sesau, assim que isso for providenciado, o Estado vai efetuar o pagamento.

Demanda
O juiz substituto da 14ª Vara da Fazenda Municipal, Cláudio José Gomes Lopes, explica que a segunda maior demanda que chega relacionada à saúde se refere a internação de dependentes químicos. Ele informou que a maioria delas é proveniente da Defensoria Pública Estadual. E esse dado é confirmado pela Defensoria que afirma que, só em 2013, já entrou com mais de 130 ações.

“A demanda de pedidos é grande, mas só os que estão com o laudo médico são atendidos. Como se trata de uma internação contra a vontade da pessoa, é preciso que um especialista ateste essa necessidade”, explica.

Para o magistrado, além do internamento, é preciso que haja medidas para que o dependente seja atendido depois que sai da clínica. “A internação é apenas paliativa e feita em casos de urgência. Se o usuário não continuar com um tratamento, ele poderá voltar para as drogas”, complementa
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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Encontro em Apucarana discute Atenção à
Saúde Mental
O objetivo do evento é refletir a respeito da Rede de Atenção Psicossocial (RAP)

De amanhã (16) e sexta-feira Apucarana promove o 2º Encontro da Rede de Atenção à Saúde Mental: “A Rede em Pauta”. As atividades marcam o Dia da Luta Antimanicomial, celebrado no dia 18 de maio. A organização é da Autarquia Municipal de Saúde (AMS), Centro de Atendimento Psicossocial Infanto Juvenil de Apucarana (CAPS i), Centro de Atendimento Psicossocial de Apucarana Álcool e Drogas (CAPS AD) e CAPS Regional de Cambira.

O objetivo do encontro é refletir a respeito da Rede de Atenção Psicossocial (RAP), criando um espaço de “Educação em Saúde”, capacitação sobre sinais, sintomas e acolhimento na Saúde Mental, bem como promoção do trabalho das instituições envolvidas. “Este evento também visa estimular a humanização nos serviços, promovendo a transformação do imaginário social acerca da “Loucura” e fortalecimento da participação popular e da convivência familiar e comunitária”, informa o prefeito Beto Preto (PT). De acordo com ele, o evento também visa a divulgação da recém criada Associação de Usuários, Familiares, Trabalhadores e Amigos da Saúde Mental de Apucarana (AUFTASMA). Constituída em março deste ano, através dela são realizas assembleias todas as segundas sextas-feiras de cada mês no CAPS i de Apucarana.
Segundo a coordenadora do CAPS i, assistente social Eliane Fernandes Cherritte, no dia 16, das 8 às 10 horas, no salão nobre da prefeitura, o evento será direcionado aos médicos, dentistas e técnicos de saúde. A abertura, com café da manhã, será feita às 8h30 pelo prefeito Beto Preto (PT) e secretário de Saúde, Dr. Hélio Kissina. Às 9 horas acontece palestra “Sinais e Sintomas de transtorno mental grave” com a médica psiquiatra Drª Juliana Brum. Às 10 horas tem a fala: “Rede em Pauta”, com a psicóloga Tânia Tanus Salvatori e a enfermeira Lilian Ferreira Domingues.
No dia 17, às 8h30, nas dependências do prédio Presencial de Apucarana do Polo da UAB (Praça Rui Barbosa, 12) as atividades serão voltadas aos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), com apresentação da rede de serviços e estudos de casos. Na ocasião, por volta das 10h30, haverá palestra sobre “Acolhimento da Saúde Mental no PSF e Humaniza SUS. Na parte da tarde, a partir das 13 horas, no mesmo local, o público será composto por usuários da Saúde Mental. Está previsto um “bate-papo” sobre a importância da participação popular, apresentação da Associação dos Usuários, Familiares, Amigos e Trabalhadores da Saúde Mental de Apucarana, “Dinâmica do barbante”, Roda de Terapia e, finalizando, a promoção de um “Samba de Roda”.

O que é a Luta Antimanicomial

O Movimento Antimanicomial, também conhecido como Luta Antimanicomial, refere-se a um processo de transformação dos serviços psiquiátricos, derivado de uma série de eventos políticos nacionais e internacionais. O Movimento Antimanicomial tem o dia 18 de maio como data de comemoração no calendário nacional brasileiro, remetendo ao Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental ocorrido em 1987, na cidade de Bauru, no estado de São Paulo. Na sua origem, esse movimento está ligado à Reforma Sanitária Brasileira da qual resultou a criação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Conheça algumas das novas doenças 
da 'Bíblia da psiquiatria'
Acumulação compulsiva de objetos ou episódios de descontrole comportamental em adolescentes são exemplos de sintomas de novos transtornos mentais.


Mesmo em luto, pacientes receberão diagnóstico de depressão após apenas duas semanas (Foto: PA/BBC)Mesmo em luto, pacientes receberão diagnóstico de
depressão após apenas duas semanas (Foto: PA/BBC
Diversas atitudes e sentimentos até agora considerados normais passarão a ser classificados como doença mental pela nova edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, ou DSM-5, na sigla em inglês), conhecido como a "Bíblia da psiquiatria", que será lançada neste fim de semana pela Associação Americana de Psiquiatria (American Psychiatric Association, ou APA, na sigla em inglês).

Usados por médicos do mundo todo, inclusive do Brasil, o DSM traz uma lista de sintomas relacionado a cada doença e estabelece quantos
são necessários para que um paciente seja diagnosticado com determinado transtorno mental.
Segundo críticos, a nova edição reduz o número de sintomas para o diagnóstico de alguns transtornos, além de ampliar o número de doenças, o que aumentaria os diagnósticos e, consequentemente, o uso de medicamentos e o mercado para a indústria farmacêutica.
Enquanto algumas alterações no manual - que está em sua quinta edição, a primeira desde 1994 - têm sido recebidas de maneira positiva, ou pelo menos indiferente, muitas vêm provocando críticas e discussões exaltadas.
Uma das mudanças mais polêmicas está relacionada ao diagnóstico de depressão. Na edição anterior do DSM, pacientes que estavam em luto eram excluídos do diagnóstico, mesmo que apresentassem os sintomas, a não ser que o comportamento persistisse por mais de dois meses. Agora, após duas semanas, mesmo em luto, o paciente poderá receber diagnóstico de depressão.
Outra alteração controversa diz respeito aos critérios para o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.
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O número de sintomas permanece o mesmo. São 18, divididos em dois grupos - falta de atenção e hiperatividade/impulsividade -, e é preciso apresentar pelo menos seis sintomas em um dos grupos para receber o diagnóstico. No entanto, a idade para o surgimento dos sintomas, que era de até sete anos, passou a ser de até 12.
No caso da Síndrome de Asperger, a crítica é pelo fato de a doença ter sido transformada em um subtipo de autismo, incluída em uma nova categoria chamada de Transtorno do Espectro Autista.
Ao longo de sua trajetória, o DSM já foi alvo de muitas polêmicas. Até a década de 1970, por exemplo, o manual classificava a homossexualidade como doença.
Veja abaixo algumas das novas doenças classificadas pelo DSM-5:
Compulsão alimentar
O Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica, no qual a pessoa devora quantidades excessivas de comida descontroladamente e em um período delimitado, de até duas horas, passará a ser considerado uma doença mental. Pessoas que registrarem esse tipo de comportamento pelo menos uma vez por semana durante três meses poderão ser diagnosticadas com a doença.
A compulsão alimentar já aparecia no apêndice da edição anterior do DSM, o que indicava a necessidade de pesquisas adicionais antes de definir o problema como uma doença. Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, após extensas pesquisas, os resultados sustentam "a validade e a utilidade clínica" de definir o transtorno como uma nova doença.

Distúrbio de Hoarding
A acumulação compulsiva - e a incapacidade de se desfazer - de objetos, inclusive lixo, conhecida como "hoarding" em inglês, era até agora considerada um sintoma do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

A nova edição do DSM define esse tipo de comportamento como uma doença separada, caracterizada pela "dificuldade persistente de se desfazer ou se separar de suas posses, independentemente de seu valor real".

Provocar escoriação da pele
Esse transtorno, chamado de "skin-picking" em inglês, consiste em cutucar a pele constantemente, o que resulta em ferimentos. A nova doença foi incluída no capítulo sobre transtornos obsessivos-compulsivos e doenças relacionadas.

Transtorno Disfórico Pré-Menstrual
Considerado uma forma mais grave de TPM (Tensão Pré-Menstrual), o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual figurava no apêndice da edição anterior do DSM, indicando a necessidade de mais pesquisas sobre o tema. No DSM-5, é classificado como uma doença mental, com base em "sólidas evidências científicas", segundo a Associação Americana de Psiquiatria.

Os sintomas da doença incluem tensão, alterações de humor, irritabilidade, ansiedade, raiva, tristeza, letargia, mudanças no apetite e insônia, entre outros, manifestados nas duas últimas semanas do ciclo menstrual, durante a maioria dos ciclos menstruais do último ano.

Transtorno disruptivo de desregulação do humor
Crianças ou adolescentes de até 18 anos de idade que apresentam 'irritabilidade persistente e episódios frequentes de extremo descontrole comportamental' em um período de pelo menos três vezes por semana, ao longo de um ano, poderão ser diagnosticadas com esta nova doença.

A Associação Americana de Psiquiatria diz que decidiu incluir o novo diagnóstico no DSM-5 em resposta aos temores sobre a possibilidade de um excesso de diagnósticos e tratamento de transtorno bipolar em crianças - é cada vez maior o número de crianças diagnosticadas com transtorno bipolar nos EUA
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terça-feira, 14 de maio de 2013


OPAS / OMS considera inadequada e ineficaz a adoção da internação compulsória de usuários de drogas
A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS), emitiu na quarta-feira (8) nota técnica sobre internação involuntária e compulsória de pessoas que usam drogas. A OPAS/OMS “considera inadequada e ineficaz a adoção da internação involuntária ou compulsória como estratégia central para o tratamento da dependência de drogas”.
“As agências recomendam claramente que seja priorizada a implantação de ações e serviços de saúde comunitários com características voluntárias. As internações compulsórias só devem ser utilizadas em circunstâncias claramente definidas como excepcionais e, mesmo assim, devem respeitar os direitos humanos previstos na legislação internacional”.
“A internação compulsória é considerada uma medida extrema, a ser aplicada apenas a situações excepcionais de crise com alto risco para o paciente ou terceiros, e deve ser realizada em condições e com duração especificadas em Lei. Ela deve ter justificativa clara e emergencial, além de ter caráter pontual e de curta duração”, diz o documento.
Nota Técnica da OPAS/OMS no Brasil sobre internação involuntária e compulsória de pessoas que usam drogas
Nos últimos anos, as consequências negativas do consumo de álcool e outras drogas no Brasil têm sido identificadas como um problema prioritário para o setor saúde. Bebidas alcoólicas e tabaco ocupam as primeiras posições entre as substâncias mais consumidas, enquanto maconha e crack apresentam percentuais mais baixos. O Brasil priorizou a implantação de serviços comunitários para o tratamento da dependência de álcool e outras drogas e o resultado foi a expansão da rede de atendimento e do acesso ao tratamento. Ainda que a lei 10.216 de 2001 descreva a internação como uma das estratégias possíveis para o tratamento dos transtornos mentais, ultimamente, alguns Estados e Municípios tem utilizado a internação como principal forma para lidar com a dependência de drogas. A OPAS/OMS no Brasil considera inadequada e ineficaz a adoção da internação involuntária ou compulsória como estratégia central para o tratamento da dependência de drogas.
Documento elaborado pela OMS, em conjunto com o Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC), em 2008, descreve dez princípios gerais que orientam o tratamento da dependência de drogas. Um deles, intitulado “Tratamento da dependência de drogas, direitos humanos e dignidade do paciente” explicita que o direito à autonomia e autodeterminação, o combate ao estigma, ao preconceito e à discriminação e o respeito aos direitos humanos devem ser observados em qualquer estratégia de tratamento para a dependência de drogas. O documento também recomenda que o tratamento não deve ser forçado aos pacientes. A internação compulsória é considerada uma medida extrema, a ser aplicada apenas a situações excepcionais de crise com alto risco para o paciente ou terceiros, e deve ser realizada em condições e com duração especificadas em Lei. Ela deve ter justificativa clara e emergencial, além de ter caráter pontual e de curta duração.
Diante da preocupação com a garantia dos direitos humanos e com o respeito ao processo legal para autorizar e manter a internação compulsória, 12 agências das Nações Unidas, entre elas a OMS, emitiram em 2012 comunicado conjunto sobre os Centros de Detenção e Reabilitação Compulsória. Esta iniciativa recomendou aos países que estes centros sejam fechados, ou, na impossibilidade do fechamento imediato, que sejam seguidas recomendações descritas no documento.
As agências recomendam claramente que seja priorizada a implantação de ações e serviços de saúde comunitários com características voluntárias. As internações compulsórias só devem ser utilizadas em circunstâncias claramente definidas como excepcionais e, mesmo assim, devem respeitar os direitos humanos previstos na legislação internacional.
O Conselho Diretor da OPAS aprovou resoluções em 1997 e 2001 que defendem a ênfase na implantação de serviços comunitários de saúde mental e de atenção psicossocial aos transtornos mentais. Mais recentemente, em 2011, resolução que aprova o Plano de Ação sobre Uso de Substâncias Psicoativas e Saúde Pública, diz textualmente que “os recursos financeiros e humanos devem ser usados, em primeiro lugar, nos serviços ambulatoriais de base comunitária da atenção básica e que sejam integrados no sistema de saúde geral”.
A OPAS no Brasil, em consonância com as referências citadas, acredita que o fortalecimento da rede de atenção psicossocial é prioritário e se constitui como opção mais adequada como resposta do setor saúde para o consumo de drogas. A perspectiva da rede pressupõe em si a necessidade de articulação dos diversos dispositivos e estratégias de trabalho – que incluem a internação – como forma a oferecer a melhor resposta sanitária para as demandas das pessoas que usam drogas.
A priorização de medida extrema como a internação compulsória, além de estar na contramão do conhecimento científico sobre o tema, pode exacerbar as condições de vulnerabilidade e exclusão social dos usuários de drogas.

ÁLCOOL E DROGAS
Saúde vai liberar R$ 53 mi para atenção psicossocial no ABC


Durante evento de inauguração de UPA 24h em São Bernardo do Campo, ministro anuncia construção de centros de atendimento para dependentes químicos no ABC paulista

O Ministério da Saúde vai investir R$ 53 milhões para a construção de uma rede de tratamento e acolhimento psicossocial no ABC paulista para o atendimento de pessoas com dependência química. Serão construídos 20 Centros de Atendimento Psicossociais (Caps) e oito unidades terapêuticas. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em cerimônia de inauguração de uma UPA 24 horas em São Bernardo do Campo (SP) no domingo (12). “Ninguém vai resolver sozinho o problema do crack. Os jovens que se perderam nas drogas precisam ter centros de saúde, igrejas, clubes de esportes para acolhê-los e dizer a eles que é possível uma outra vida”, disse o ministro.

No estado de São Paulo, há 303 CAPs atualmente, sendo 68 porte I, 84 porte II, 30 porte III, 47 infantis, 77 destinado aos usuários de álcool e drogas -- quatro destes 24 horas. O porte está relacionado ao tamanho da unidade, de acordo com a demanda local. O Brasil conta com 1.981 CAPs com capacidade de realizar 40,15 milhões de atendimentos por ano. Só os Caps Álcool e Drogas (CAPSad) têm capacidade de realizar 7,8 milhões de atendimentos -- número 25% superior a 2011, quando a capacidade era de 6,2 milhões.

Os CAPSad oferecem tratamento continuado a pessoas com problemas relacionados ao uso abusivo e/ou dependência de álcool, crack e outras drogas.

SAÚDE TODA HORA - O Ministério da Saúde liberou R$ 2 milhões para construção e compra de equipamentos necessários para o funcionamento da UPA inaugurada no bairro Silvina do domingo. A unidade atenderá também moradores dos bairros Ferrazópolis, Montanhão e Parque Selecto, beneficiando até 300 pacientes diariamente. Contará com até 12 leitos, prestando atendimento emergencial de baixa e média complexidade 24 horas por dia. O município também receberá incentivos anuais de R$ 2,1 milhões para custeio e manutenção dos serviços. Com a nova unidade, o município passa a contar com nove UPAs para melhor atendimento à população.

Com esta nova unidade, já são 276 UPAs funcionando em todo o país. O estado de São Paulo conta com 52 UPAs 24 horas em funcionamento. Além disso, o Governo Federal está investindo na construção de outras 155 UPAs e de seis ampliações no estado. Serão investidos R$ 286,7 milhões até 2014. Atualmente existem 274 UPAs em todo o país, funcionando 24h por dia, contando iniciativas federais, estaduais e municipais. Outras 602 estão em obras – construção ou ampliação.

As UPAs 24h estão inseridas na rede Saúde Toda Hora, que está reorganizando a atenção às urgências e emergências no Sistema Único de Saúde (SUS). A estratégia de atendimento está diretamente relacionada ao trabalho do Serviço Móvel de Urgência (SAMU), que organiza o fluxo de atendimento e encaminha o paciente ao serviço de saúde adequado à situação. Nas unidades, os pacientes são avaliados de acordo com uma classificação de risco, podendo ser liberados, permanecer em observação por até 24 horas ou, se necessário, removidos para um hospital de referência.

sábado, 11 de maio de 2013



Saiba o que é o Cartão Recomeço
O que é?
É um benefício que será usado para a recuperação de dependentes químicos em entidades especializadas.

Como funciona?
O benefício será para os dependentes que procurarem recuperação voluntariamente. O paciente receberá um cartão com os seus dados, o Cartão Recomeço. Este servirá para controlar a sua presença ao longo do tratamento.

O dependente ou sua família recebem algum valor em dinheiro?
Não. O pagamento será realizado diretamente às entidades de recuperação especializadas.

Qual o valor disponibilizado?
O valor disponibilizado para a recuperação do usuário é o equivalente ao tempo necessário para sua recuperação. Serão R$ 1.350,00 por mês.

Por quanto tempo?
A duração do benefício é de até 180 dias (seis meses), considerado por especialistas o tempo adequado para a recuperação do dependente.

Quantas pessoas serão atendidas?
Nesta primeira fase do projeto, serão atendidos 3 mil dependentes químicos.

Em quais cidades?
São 11 cidades participantes desta primeira etapa. São elas: Diadema, Sorocaba, Campinas, Bauru, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, São José dos Campos, Osasco, Santos e Mogi das Cruzes.

E a capital?
Na capital o Programa Recomeço já atende os dependentes químicos por meio do Cratod e do convênio com a Missão Belém.

O que mais o Estado está fazendo para combater o crack?
Além do Programa Recomeço, com o Cratod e a Missão Belém, há o atendimento realizado pela Comunidade Terapêutica Bairral em Itapira. Ao todo, o Estado conta com 910 leitos para o tratamento de dependentes químicos. Saiba mais: Programa Recomeço intensifica combate ao crack.

Informações do Portal do Governo de São Paulo
Com Cartão Recomeço, Governo Paulista amplia tratamento a dependentes químicos
O governador Geraldo Alckmin lançou nesta quinta-feira, 9, o Cartão Recomeço, destinado à recuperação voluntária de dependentes químicos no Estado. O benefício faz parte do compromisso assumido pelo Governo de São Paulo de combater o crack e investir na recuperação da dependência química como doença e o dependente como ser humano.

Inicialmente, serão distribuídos três mil cartões que irão custear o atendimento em entidades escolhidas pelo Estado por meio de edital. A coordenação do programa será feita por um grupo gestor formado por representantes das secretarias de Desenvolvimento Social, da Justiça e Defesa da Cidadania e da Saúde.

De acordo com o governador, o benefício não será pago ao dependente ou à sua família. Será destinado diretamente à entidade de recuperação por meio do cartão, que também servirá para controle de comparecimento à recuperação. “Existem casos que o dependente químico não precisa ser internado, mas precisa de apoio para restabelecer o vínculo familiar. Esse é um trabalho importante das comunidades terapêuticas”, disse.

Alckmin afirmou que mesmo após a internação e os 45 dias de desintoxicação, o problema não está resolvido e é necessário o acompanhamento, a reinserção na sociedade e o convívio familiar. “O que estamos fazendo são parcerias com as entidades da sociedade civil que têm uma larga expertise para fazer esse trabalho.”

A primeira fase do programa será desenvolvida em 11 cidades: Diadema, Sorocaba, Campinas, Bauru, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, São José dos Campos, Osasco, Santos e Mogi das Cruzes. Para a escolha dos municípios foram utilizados os critérios de tamanho da rede de referência em assistência social e saúde, além da localização nas regiões-polo.
SP Contra o Crack: Plano de ampliação do tratamento a dependentes químicos  anunciado nesta quinta.


São Paulo anuncia nesta quinta-feira, 9, uma parceria com entidades especializadas em serviços de acolhimento, recuperação e inserção social com usuários de droga para ampliar o tratamento a dependentes químicos. O Estado vai custear a recuperação dos usuários que buscarem ajuda voluntariamente.
O benefício não será pago diretamente ao dependente ou à sua família. Será destinado diretamente à entidade de tratamento por meio do Cartão Recomeço, que servirá para controle de que o dependente está comparecendo ao tratamento. Inicialmente, 3 mil pessoas com dependência química devem ser atendidas.
Diadema foi uma das 11 cidades escolhidas pelo governo do Estado para receber o programa estadual que prevê uma bolsa-auxílio no valor de R$ 1.350 mensais para dependentes químicos que desejam, de forma voluntária, ficar internados para se recuperar.
De acordo com a Prefeitura de Diadema, a cidade foi escolhida pelo governo por ser "referência em saúde e assistência social e ter uma rede de atendimento de boa qualidade". O município atende os usuários de drogas e famílias em uma rede, formada por UBS (Unidade Básica de Saúde), CR (Consultório de Rua) e os CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas).
Segundo a Prefeitura, os Consultórios de Rua atendem especificamente usuários de droga, em sua maioria em situação de rua. As equipes dos CRs são compostas por psicólogos, terapeutas ocupacionais e educadores físicos para reabilitar e reinserir o usuário na sociedade.

quarta-feira, 8 de maio de 2013



'Bolsa crack' de R$ 1.350 vai pagar internação de viciados do Estado de SP
Governador Geraldo Alckmin vai apresentar nesta quinta-feira, 9, plano de ajuda financeira para famílias de dependentes. Dinheiro poderá ser sacado apenas para tratamento em clínica particular



Famílias com parente dependente de crack vão receber uma bolsa do governo do Estado de São Paulo para custear a internação do usuário em clínicas particulares especializadas. Chamado "Cartão Recomeço", o programa deve ser lançado na quinta-feira, com previsão de repasses de R$ 1.350 por mês para cada família de usuário da droga.

Segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia, a proposta é manter em tratamento pessoas que já passaram por internação em instituições públicas. "São casos de internações em clinicas terapêuticas, pelo período médio de seis meses", afirma.

Os dez municípios que receberão o programa piloto devem ser definidos nesta quarta-feira. Ainda não há data para o benefício valer em todo o Estado. As clínicas aptas a receber os pacientes ainda vão ser credenciadas, mas ficará a cargo das prefeituras identificar as famílias que receberão a bolsa. "Saúde pública é sempre para baixa renda. Os Caps (Centros de Atendimento Psicossocial das prefeituras) já têm conhecimento das famílias e fará a seleção", diz Garcia, sem detalhar quais serão esses critérios.

Como antecipou o site da revista Época, o pagamento da bolsa será feito com cartão bancário. A ideia do Cartão Recomeço é ampliar a rede de tratamento para dependentes e, principalmente, a oferta de vagas para internar usuários. O trabalho desenvolvido pelo governo sofre críticas por causa da falta de vagas, especialmente após a instalação de um plantão judiciário no Centro de Referência de Tabaco, Álcool e Outras Drogas (Cratod), no Bom Retiro, centro da capital, ao lado da cracolândia - entre janeiro e abril, segundo o governo, cerca de 650 pessoas foram internadas após o atendimento no Cratod.

Para o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas na Faculdade de Medicina da Unifesp, que participou da criação do Cartão Recomeço, a vantagem do modelo é descentralizar o financiamento do tratamento. "Muitas famílias, mesmo de classe média, estouram o orçamento tentando pagar tratamento para o familiar dependente."

Com o cartão, diz Laranjeira, as famílias terão uma "proteção" para o caso de o parente ficar viciado. "A família poderá ter dinheiro para oferecer ajuda caso o dependente aceite uma internação."

Inspiração

O programa que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) vai lançar é semelhante ao desenvolvido em Minas. Apelidado de "bolsa crack", o cartão de lá é chamado Aliança Pela Vida e dá ajuda de R$ 900.

A assessoria do Palácio dos Bandeirantes rejeitou o termo "bolsa crack" - segundo o secretário Garcia, o apelido é "maldoso". O governo também ressalta que o recurso é carimbado e só pode ser sacado para pagamento em clínicas credenciadas. O plano envolve técnicos das Secretarias de Desenvolvimento Social, da Saúde e da Justiça. O pagamento sairá do orçamento da Secretaria de Desenvolvimento.

terça-feira, 7 de maio de 2013


Tratamento para Dependentes Químicos.
Perguntas mais frequentes:



Dentre as pessoas que usam drogas, quem deve ser tratado?

O tratamento deve ser dirigido basicamente às pessoas que se tornaram dependentes de drogas. Da mesma forma que não há qualquer sentido em propor tratamento a alguém que usa álcool apenas ocasionalmente, também não devemos falar em tratamento para usuários experimentais ou ocasionais de outras drogas.

O que é diminuição de prejuízos relacionados ao uso de drogas?

"Prejuízos" pode ser entendido como danos, riscos, perigos. Dessa forma, diminuição de prejuízos é um conjunto de medidas dirigidas a pessoas que não conseguem ou não querem parar de consumir drogas. Essas estratégias têm por objetivo reduzir as conseqüências negativas que o uso de drogas pode ocasionar. Um exemplo seriam as campanhas orientando as pessoas a não dirigirem após consumir bebidas alcoólicas. Outro exemplo seriam os programas de troca de seringas dirigidos a usuários de drogas injetáveis. Sabemos que a forma de transmissão mais perigosa do vírus da AIDS é a passagem de sangue contaminado de uma pessoa para outra.
Nos programas de troca de seringas, são recolhidas as usadas e colocadas novas à disposição. Por meio desses procedimentos ocorre redução importante da infecção pelo vírus da AIDS, assim como de outras doenças contagiosas. Ao contrário do que se temia inicialmente, os programas de troca de seringas não induzem as pessoas a utilizar drogas injetáveis. Além disso, eles constituem uma medida de saúde pública da maior importância para o controle da epidemia mundial da AIDS.


Que tipos de ajuda terapêutica existem para os dependentes

Existem diversos modelos de ajuda a dependentes de drogas: tratamento médico; terapias cognitivas e comportamentos; psicoterapias; grupos de auto-ajuda (do tipo Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos); comunidades terapêuticas; etc. Em princípio pode-se dizer que nenhum desses modeles de ajuda consegue dar conta de todos os tipos de dependências e dependentes. Se alguns podem se beneficiar mais de um determinado modelo outros necessitam de diferentes alternativas. É muito difundido o modelo que utiliza ex-dependentes de drogas como agentes "terapêuticos" já que uma pessoa que passou pelo mesmo problema pode ajudar o dependente a se identificar com ela e compreender melhor seus problemas. É importante, porém observarmos que os efeitos positivos de uma abordagem dependem essencialmente da capacitação técnica dos profissionais envolvidos.


Os especialistas em dependência vêm realizando pesquisas nos últimos anos para determinar que tipos de dependentes se beneficiam mais de um ou de outro tipo de ajuda. Entretanto deve-se destacar que as abordagens medicopsicológicas (que associam ao mesmo tempo os recursos da medicina e da psicologia) têm se mostrado mais eficazes na maior parte dos casos.

O que vai ser tratado?
Existem diversos modelos de ajuda a dependentes de drogas: tratamento médico; terapias cognitivas e comportamentos; psicoterapias; grupos de auto-ajuda (do tipo Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos); comunidades terapêuticas; etc. Em princípio pode-se dizer que nenhum desses modeles de ajuda consegue dar conta de todos os tipos de dependências e dependentes. Se alguns podem se beneficiar mais de um determinado modelo outros necessitam de diferentes alternativas. É muito difundido o modelo que utiliza ex-dependentes de drogas como agentes "terapêuticos" já que uma pessoa que passou pelo mesmo problema pode ajudar o dependente a se identificar com ela e compreender melhor seus problemas. É importante, porém observarmos que os efeitos positivos de uma abordagem dependem essencialmente da capacitação técnica dos profissionais envolvidos
Os especialistas em dependência vêm realizando pesquisas nos últimos anos para determinar que tipos de dependentes se beneficiam mais de um ou de outro tipo de ajuda. Entretanto deve-se destacar que as abordagens medicopsicológicas (que associam ao mesmo tempo os recursos da medicina e da psicologia) têm se mostrado mais eficazes na maior parte dos casos.

Quais os transtornos psiquiátricos mais associados às dependências?

A depressão é o transtorno que mais se associa ao abuso e à dependência de drogas. Outros transtornos freqüentemente encontrados entre os dependentes são o transtorno de ansiedade, o obsessivo-compulsivo, os de personalidade e, mais raramente, alguns tipos de psicoses. Mais recentemente descobriu-se que indivíduos com transtornos neurocognitivos (de aprendizagem) estão mais propensos a se tornarem dependentes de drogas. Esses podem se manifestar através de problemas de atenção, memória, concentração ou linguagem, entre outros. A grande dificuldade decorre de, com muita freqüência, esses sinais não serem identificados nem pelos familiares nem pela escola, podendo estar presentes desde a mais tenra idade. Exemplificando, muitos jovens considerados rebeldes, preguiçosos, desinteressados, vagabundos ou indisciplinados, na verdade podem apresentar um transtorno específico de aprendizagem ou de atenção. É importante ressaltar que esses transtorno prejudicam profundamente a auto-estima e o desenvolvimento das crianças e dos jovens, atrasando ou até mesmo impossibilitando o uso de suas potencialidades.
Se fossem diagnosticados de modo correto, esses distúrbios poderiam ser facilmente tratados, evitando assim as conseqüências drásticas que ocorrem quando não são identificados. Como exemplo disso, muitos dependentes de drogas que apresentavam transtorno de atenção, quando o problema foi adequadamente tratado, pararam de consumir drogas.

Os dependentes de drogas devem ser internados para tratamento?

Na maior parte dos casos, o tratamento do dependente de drogas não requer internação. Nos raros casos em que é necessária, ela deve ser decidida com base em critérios claros e definidos, estabelecidos por um especialista. A internação de um dependente de drogas sem necessidade pode levar até mesmo a um aumento do consumo. O aumento do consumo após uma internação indevida pode se dar por diversas razões, como sentimentos de revolta de um dependente ainda não suficientemente convencido da necessidade de ajuda.


Fonte: Unifesp / Cebrid

Departamento de Psicobiologia - Unifesp/EPM-Contato: cebrid@psicobio.epm.br

segunda-feira, 6 de maio de 2013


Bon Jovi relembra overdose da filha: 'foi o pior telefonema que já recebi'
Cantor disse que a filha está bem após a hospitalização - e agradeceu apoio dos fãs durante sua recuperação



O cantor Jon Bon Jovi (Getty Images)

O cantor Jon Bon Jovi relembrou, em entrevista ao programa Katie, nos Estados Unidos, a experiência vivida com a overdose de sua filha, Stephanie, por consumo de heroína. Há quatro meses, a garota de 19 anos foi encontrada desacordada em um dormitório do Hamilton College, em Nova York, onde estuda, em posse de maconha e heroína. Stephanie foi presa junto com o amigo, Ian Grant. "Foi o pior telefonema da minha vida", disse Bon Jovi, ao recordar a forma como foi avisado da overdose de sua filha.

O músico contou à entrevistadora Katie Couric, do canal CBS, que desconhecia o fato de sua filha usar drogas até aquela noite - e que o incidente o despertou para a questão do abuso de drogas na juventude. "O problema é muito mais recorrente do que eu imaginava. Não consigo superar o fato de tantas pessoas que encontrei terem me dito que 'meu filho' ou 'minha filha'... Há muita pressão nessas crianças hoje em dia", disse o cantor, ao se referir aos relatos que recebeu de pais que sofrem os mesmos problemas.

Segundo Bon Jovi, Stephanie está bem e se recupera do incidente. "Ela está ótima e agradeço os pensamentos e orações de todos", disse. O músico também lembrou o apoio que recebeu dos fãs diante do difícil momento. “Os pensamentos positivos das pessoas para mim e para minha família são muito reconfortantes. Estamos bem”, disse.

sábado, 4 de maio de 2013

 

Animações 

Ação dos Benzodiazepínicos no Sistema Nervoso Central
Ação da Cocaína e Crack no Sistema Nervoso Central





















Copyright © 1997-2002, LED-DIS - Laboratório de Ensino a Distância
Departamento de Informática em Saúde - UNIFESP.










Internação de dependentes só com autorização médica, defendem especialistas
POST 03 MAIO 2013 BY UNIAD

Acordo costurado com o governo busca viabilizar votação da proposta.
Veja a reportagem e o debate na TV Câmara sobre internação de dependentes químicos.

Especialistas em tratamento de dependência química são unânimes em defender que a internação de dependentes somente ocorra na rede pública e com autorização de um psiquiatra.

Em debate no jornal Câmara Hoje da TV Câmara, nesta quinta-feira (02), os participantes debateram o Projeto de Lei 7663/10, do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), que altera as regras para tratamento de usuários e combate às drogas.

Um dos pontos polêmicos do texto autoriza a internação involuntária de usuários com a autorização de qualquer profissional de saúde, a pedido da família, ou mesmo de um servidor público.

“Resistência ideológica”
Na opinião de Osmar Terra, a proposta “enfrenta resistência ideológica”, mas pode ajudar a resolver o problema da dependência porque é baseado em evidências científicas. O caminho para a recuperação é ficar em abstinência, mas correntes dos ministérios da Saúde e da Justiça acham que ela não é necessária”, sustenta. Na versão atual, o projeto prevê a internação por até 12 meses.

O projeto tramita em regime de urgência, aprovada em março. O projeto conta com um substitutivo aprovado pela comissão especial que analisou a matéria.

De acordo com o deputado Osmar Terra, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, se comprometeu a colocar o texto na pauta. A expectativa do deputado é que a votação ocorra na próxima quarta-feira (8).

Da Reportagem - RCA
A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'




Afastamentos: pagamento de mais de R$ 211 milhões de benefícios previdenciários

POST 04 MAIO 2013 BY UNIAD
Agência USP de Notícias - Por Júlio Bernardes


No Brasil, os transtornos mentais são a terceira causa de longos afastamentos do trabalho por doença e levaram ao pagamento de mais de R$ 211 milhões de novos benefícios previdenciários em 2011. Na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, pesquisa do médico do trabalho João Silvestre da Silva-Júnior mostra que um ambiente de trabalho com pouco apoio social, excessivas demandas e baixo controle sobre as tarefas, recompensas inadequadas ao nível de esforço do trabalhador e o comprometimento individual excessivo são fatores que aumentam a chance de ocorrência de afastamento. O trabalho recomenda uma melhor investigação sobre as condições psicossociais no ambiente de trabalho para implantação de ações de prevenção, além de maior fiscalização das empresas por parte de orgãos públicos.


O estudo procurou discutir os fatores associados ao afastamento do trabalho por transtornos mentais. “No Brasil, estes afastamentos estão atrás apenas dos traumas e doenças osteomusculares”, afirma Silva-Júnior, lembrando que, “de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em alguns anos se tornarão o principal motivo para os trabalhadores se afastarem do trabalho em todo o mundo”. Em 2011, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mais de 211 mil pessoas foram afastadas devido ao adoecimento mental por prazo superior a 15 dias e passaram a receber benefício auxílio-doença. “O valor total gasto com pagamento de novos benefícios supera os R$ 200 milhões, o que reforça a necessidade econômica de medidas de prevenção para evitar o adoecimento”.
Silva-Junior entrevistou 385 pessoas que foram solicitar benefícios na unidade de perícia do INSS no Glicério (Centro de São Paulo), entre as quais 160 apresentaram transtornos mentais. “Os questionários incluíram perguntas sobre dados sociodemográficos, hábitos e estilos de vida, como fumar, beber e realizar atividades físicas”, conta. “Também foi perguntado o tipo de trabalho desempenhado e há quanto tempo, além da percepção da presença de fatores psicossociais que indicassem a existência de um ambiente de trabalho estressor que pudesse levar ao problema mental. Por fim, os trabalhadores foram questionados sobre sua condição de saúde atual, como excesso de peso ou outros adoecimentos associados”.
De acordo com o médico, os maiores riscos de afastamento de trabalho por doenças mentais foram verificados entre mulheres, pessoas que se referiram como de cor branca, com alta escolaridade (mais de 11 anos de estudo), que fumavam muito e apresentavam consumo elevado de bebidas alcóolicas. “Com relação ao ambiente, as pessoas que vivenciavam situações de violência no trabalho tinham mais chances de vir a se afastarem devido a distúrbios mentais”, afirma. “Também houve influência de fatores psicossociais negativos, como a realização de trabalho de alta exigência, no qual estavam envolvidas muitas tarefas, sem controle da parte do trabalhador. A presença de dois ou mais problemas de saúde também aumentava a chance”.
Apoio social
Silva-Junior ressalta que as chances dos trabalhadores pedirem afastamento são maiores em ambientes onde não há apoio social dos colegas de trabalho. “Além das relações interpessoais serem muito ruins, essas pessoas vivenciam situações onde se esforçam muito e não têm uma recompensa adequada”, observa. “Além disso, um comprometimento excessivo com o trabalho aumenta as chances de acontecerem transtornos mentais incapacitantes”.
A pesquisa sugere aos profissionais de saúde e segurança do trabalho um olhar mais atento sobre fatores psicossociais presentes nos locais de trabalho, de modo que possam realizar ações de prevenção das faltas ao trabalho por doença. “O Brasil não possui uma legislação trabalhista específica sobre o tema, considerado um risco ocupacional invisível”, alerta o médico. “A área médica das empresas precisa trabalhar em conjunto com os setores produtivos e de recursos humanos, para identificar situações de risco a fim de propocionar uma condição de trabalho adequada à apacidade do trabalhador”.
O médico afirma que os resultados do estudo podem auxiliar na elaboração de políticas públicas da relação entre saúde mental e trabalho. “A pesquisa também recomenda que os dados do Ministério da Previdência Social auxiliem os Ministérios da Saúde e do Trabalho na intensificação da fiscalizção para combater situações agressivas aos trabalhadores”, conclui. O estudo de Silva-Junior é descrito em dissertação de mestrado apresentada na FSP em agosto de 2012, com orientação da professora Frida Marina Fischer.
O trabalho foi aceito para apresentação no formato tema livre no 15º Congresso Nacional da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (http://www.anamt.org.br/15congresso/), que acontece no mês de maio, em São Paulo. Também deverá participar, no formato pôster, da 23rd Conference on Epidemiology in Occupational Health (EPICOH) (http://www.epicoh2013.org/), que ocorrerá no mês de junho na Holanda.

quinta-feira, 2 de maio de 2013


Tratamento da dependência da nicotina
Ronaldo Laranjeira e Analice Gigliotti


De acordo com a Organização Mundial da Saúde, três milhões de fumantes morrem por ano de doenças relacionadas com o tabaco.

O tabagismo é a maior causa preveniente de morbidade e de mortalidade em muitos países. Mas a dependência da nicotina é um comportamento tão virulento que embora 70% dos fumantes desejem parar de fumar, apenas 5 % destes conseguem fazê-lo por si mesmos. Isso ocorre porque o comportamento do fumar não apenas causa doenças mas é, ele mesmo, uma doença: a dependência da nicotina.

A visão do comportamento do fumar como dependência de droga causou uma verdadeira revolução nas formas de entendimento e tratamento dos fumantes. Isso foi precipitado pela publicação, em 1988, do Relatório do Cirurgião Geral Koop. Nesse, concluiu-se que o cigarro e outras formas de tabaco geram dependência; que a droga que causa dependência no tabaco é a nicotina; e que os processos farmacológicos e comportamentais que determinam a dependência ao tabaco são similares àqueles que determinam a dependência de outras drogas como a heroína e a cocaína. Dessa forma, a dependência do cigarro passou a não ser mais vista apenas como um “vício psicológico” mas como uma dependência física que deveria ser tratada como uma doença médica, nos mesmos moldes do tratamento de outras substâncias que causam dependência.1 Desde então, todo um arsenal terapêutico foi desenvolvido com o objetivo de aliviar os sintomas da síndrome de abstinência da nicotina ou a diminuir a fissura pela mesma.

O presente artigo tem como objetivo fazer uma revisão dos principais métodos de tratamento da dependência da nicotina, passando pelo uso dos adesivos, chicletes, inaladores e sprays nasais de nicotina, até a utilização de antidepressivos como a bupropiona e a nortriptilina. Descreveremos a possibilidade do uso conjunto ou isolado de cada um desses medicamentos, ressaltando que a terapia cognitivo-comportamental de suporte costuma aumentar as taxas de abstinência.

Ronaldo Laranjeira
Uniad (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas), Hospital São Paulo , Unifesp-EPM.

laranjeira@psiquiatria.epm.br

O uso de drogas psicotrópicas no Brasil.


O Brasil, maior país da América Latina, tem uma população de aproximadamente 158 milhões de habitantes e é a oitava economia mundial. Entretanto, a maioria da população não tem acesso às riquezas geradas no país. Cerca de 15% da população é composta por adultos analfabetos e grande parte das crianças não tem acesso às necessidades básicas. As diferenças regionais do país são marcantes, refletindo-se em peculiaridades culturais que envolvem desde o nível de educação às práticas religiosas (IBGE, 1997).
Essa variabilidade também se reflete no cenário do consumo de drogas psicotrópicas, chegando a ser marcante para algumas drogas específicas. O consumo de cocaína é um exemplo típico, concentrando-se em algumas regiões do país, em especial no Sudeste e no Sul do Brasil, sendo mais comum em algumas populações específicas e praticamente inexistente em outras (Nappo et al., 1996; Nappo, 1996a, Noto et al., 1998). Por outro lado, vale considerar que existem drogas cujo consumo se distribui de forma mais uniforme no território nacional, como é o caso do álcool e do tabaco (Almeida-Filho et al., 1992; Noto & Carlini, 1995; Galduróz et al., 1997).


Também merecem destaque as diferenças de padrão de consumo entre homens e mulheres, sendo as drogas ilícitas (maconha e cocaína) mais consumidas por homens, e os medicamentos psicotrópicos (ansiolíticos, anfetaminas, entre outros) preferidos pelas mulheres (Nappo & Carlini, 1993; Nappo, 1996b; Galduróz et al., 1997; Nappo et al., 1998).


O conhecimento dessas peculiaridades é essencial para subsidiar as políticas públicas. No entanto, ainda é pouco conhecida a real dimensão do uso de drogas no Brasil, bem como os problemas decorrentes desse uso, especialmente devido à carência de estudos nessa área, o que se acentua diante das dificuldades relacionadas à clandestinidade que envolve o uso de drogas ilícitas.


Entre os poucos estudos epidemiológicos até hoje realizados no Brasil, destacam-se os levantamentos realizados pelo Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre drogas Psicotrópicas) entre estudantes de dez capitais brasileiras, nos anos de 1987, 1989, 1993 e 1997, os quais indicam o álcool e o tabaco, como os psicotrópicos mais consumidos. Entretanto, excetuando estes, 24,7% dos estudantes entrevistados em 1997 relataram já ter ao menos experimentado drogas. Os inalantes (solventes) foram os psicotrópicos mais citados (13,8%), seguidos pela maconha (7,6%), pelos medicamentos ansiolíticos (5,8%), anfetamínicos (4,4%) e pela cocaína (2%) (Galduróz et al., 1997).


Paralelamente, estudos realizados nos anos de 1987, 1989, 1993 e 1997 entre crianças e adolescentes em situação de rua de seis capitais brasileiras têm indicado um consumo de psicotrópicos muito superior aos valores observados entre estudantes. No ano de 1997, 88,1% dos entrevistados relataram já ter usado drogas pelo menos uma vez na vida, sendo os inalantes e a maconha as drogas mais citadas (excetuando o álcool e o tabaco). No que diz respeito às demais drogas, foram observadas diferenças regionais, aparecendo em destaque a cocaína nas capitais do Sul e do Sudeste, e os medicamentos psicotrópicos nas capitais do Nordeste. Esses estudos também têm apontado uma estreita relação entre o consumo de psicotrópicos e outras atividades ilícitas como a prática de furtos (Forster et al., 1992, 1996; Noto et al., 1997, 1998).


No que diz respeito aos atendimentos hospitalares provocados pelo abuso de psicotrópicos, levantamentos realizados junto a hospitais e clínicas psiquiátricas apontam o álcool como responsável por cerca de 90% das internações por dependência. Esses estudos também mostram que as internações por cocaína vêm aumentando gradativamente desde 1987, bem como as por maconha vêm diminuindo. Essas mudanças alteraram o perfil das internação e, atualmente, a cocaína ocupa o primeiro lugar entre as drogas ilícitas, posto este ocupado pela maconha até 1991 (Noto & Carlini, 1995).


As drogas psicotrópicas também assumem um papel de destaque no cenário dos acidentes de trânsito. Um estudo da Associação Brasileira dos Departamentos de Trânsito (Abdetran), envolvendo quatro capitais brasileiras: Salvador, Recife, Brasília e Curitiba, detectou que em 27,2% dos casos analisados de vítimas de acidentes de trânsito, a dosagem de álcool no sangue excedia o valor de 0,6g/l, limite permitido pelo novo Código Nacional de Trânsito. Entre os demais psicotrópicos, destacaram-se a maconha (detectada em 7,7% dos casos), os benzodiazepínicos (3,4%) e a cocaína (2,3%) (Abdetran, 1997).


Em relação ao tráfico de drogas, ao serem analisadas as apreensões realizadas pela Polícia Federal ao longo dos últimos anos, verifica-se que, enquanto as apreensões de maconha diminuíram a partir do final da década de 80, as de cocaína aumentaram de maneira considerável. Embora as quantidades de drogas apreendidas tenham sido grandes, o número de inquéritos e indiciamentos foi pequeno quando comparado com outros países (Galduróz et al., 1994; Noto et al., 1995).


Segundo o Drug Enforcement Administration, o Brasil é atualmente a principal rota de tráfico de cocaína na América Latina, situação que acarreta problemas sociais consideráveis para o nosso país, como a disseminação da Aids e a violência.


Nesse contexto, torna-se evidente a crescente participação da cocaína no cenário brasileiro, situação que merece atenção especial das políticas públicas na área (Carlini et al., 1995; Dunn et al., 1996; Fonseca & Issy, 1996; Nappo et al., 1996).


É importante assinalar que o álcool, o tabaco e alguns medicamentos psicotrópicos (especialmente ansiolíticos e anfetaminas), embora não tão alardeados, continuam sendo as drogas mais consumidas e as que trazem os maiores prejuízos à população brasileira. No entanto, ainda são muito pouco consistentes as intervenções preventivas voltadas para essas drogas, deixando aberto espaço para campanhas publicitárias cada vez mais sofisticadas para a promoção do consumo que mascaram os inúmeros problemas sociais que envolvem o abuso do álcool e do tabaco.


Num país como o Brasil, onde a maioria da população tem a mídia como principal fonte de informações, o que é divulgado pelos meios de comunicação de massa passa a ser padrão de verdade. Assim, em contrapartida à negligência política no que diz respeito às drogas lícitas, para estas imperam os alardes da mídia, que vêm criando um "pânico", inclusive dificultando algumas intervenções específicas (Carlini-Cotrim et al., 1995).


Ainda vale ressaltar que a violência relacionada ao uso abusivo de drogas não fica restrita aos acidentes de trânsito, às cenas de brigas em bares ou entre traficantes, mas também envolve o ambiente familiar de forma considerável. Ainda são raros os estudos sobre essa questão no Brasil.






A estrutura governamental e a política nacional na área


As incoerências citadas anteriormente são reflexos das inúmeras divergências que envolvem a questão dos psicotrópicos e, especialmente, da falta de uma política pública integrada. Os órgãos governamentais, na maioria das vezes, atuam isoladamente e dificilmente conseguem traduzir suas propostas em ações práticas. Dessa maneira, embora sejam relativamente freqüentes os discursos políticos, as palestras, os simpósios e, até mesmo os encontros científicos sobre o tema, são poucas as intervenções preventivas implementadas de fato. Nesse contexto, as poucas propostas governamentais que conseguiram atingir um estágio mais avançado de implementação ficaram fragilizadas no processo de mudança de governo, ou até mesmo acabaram sendo totalmente substituídas sem qualquer fundamento científico, como, por exemplo, o Projeto Valorização da Vida(Rio Grande do Sul) e o Projeto Escola é Vida (São Paulo). No entanto, parece estar em curso um processo de mudança nesse contexto, uma vez que o número e a qualidade das intervenções vêm aumentando, ainda que discretamente, ao longo dos últimos anos.


Considerando a estrutura política no nível nacional, o Conselho Federal de Entorpecentes (Confen), ligado ao Ministério da Justiça, foi o órgão responsável pela coordenação das políticas públicas na área de drogas psicotrópicas no período de 1980 a 1998. Recentemente, foi criada a Secretaria Anti-drogas (Senad), subordinada diretamente à Presidência da República, que está dando os primeiros passos para estabelecer uma nova política pública no campo das drogas, tendo como desafio integrar as diferentes ações nessa área.


No que diz respeito especificamente à área da educação, o Ministério da Educação tem a responsabilidade de estabelecer campanhas e atividades de prevenção ao uso de drogas psicotrópicas dentro de um sistema formal de educação. No entanto, embora seja crescente o interesse nessa área, na prática ainda pouco se tem avançado.


Na área de saúde, o Ministério conta com a Coordenação Nacional de Saúde Mental (Cosam) e ainda com a Coordenação Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids. Ambas coordenam projetos voltados para prevenção, tratamento e, mais recentemente, redução de danos relacionados ao uso de drogas psicotrópicas.


Confrontando a política nacional e o cenário epidemiológico no Brasil ao longo dos últimos anos, é possível concluir que embora mudanças políticas tenham ocorrido, o quadro epidemiológico não sofreu grandes alterações. As poucas que aconteceram, em geral, foram para pior, especialmente no que se refere ao aumento do consumo e problemas relacionados às drogas ilícitas. Esse contexto sugere que as medidas adotadas nestes últimos anos não parecem ter tido a eficácia esperada e, portanto, torna-se essencial estudar formas alternativas de lidar com a questão.

Veja mais:
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, Departamento de Psicobiologia, Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, Rua Botucatu 862, 1oandar, 04023-062 São Paulo, SP, Brasil.cebrid@psicobio.epm.br


http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S1413-81231999000100012&script=sci_arttext

domingo, 28 de abril de 2013


Internação compulsória e discriminação na saúde podem ser formas de tortura, diz especialista da ONU
março 11, 2013 em Destaques por Gabriele Carvalho
disponível em Frente Nacional Drogas e Direitos Humanos  da ONU Brasil





Relator especial apresentou relatório em Genebra alertando para práticas abusivas em todo mundo como detenção compulsória em condições médicas, violações dos direitos reprodutivos, negação de tratamento contra a dor e discriminação contra pessoas com deficiência psicossocial e outros grupos marginalizados.
Os chamados centros de tratamento de drogas ou centros de ‘reeducação através do trabalho’ podem se tornar locais para a prática da tortura e de maus-tratos, além de serem em muitos casos instituições controladas por forças militares ou paramilitares, forças policiais ou de segurança, ou ainda empresas privadas.
O alerta foi feito nesta terça-feira (5) pelo Relator Especial da ONU sobre a tortura, Juan. E. Méndez, que propôs um debate internacional sobre os abusos em cuidados de saúde, que podem atravessar um limiar de maus-tratos equivalentes à tortura ou a tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
“É comum a internação compulsória de usuários de drogas em supostos centros de reabilitação. Em alguns países, há relatos de que uma vasta gama de outros grupos marginalizados, incluindo crianças de rua, pessoas com deficiência psicossocial, profissionais do sexo, pessoas desabrigadas e pacientes com tuberculose, sejam detidos nesses centros”, afirmou Méndez.




“Cuidados médicos que causam grande sofrimento sem nenhuma razão justificável podem ser considerados um tratamento cruel, desumano ou degradante, e se há envolvimento do Estado e intenção específica, é tortura”, alertou Méndez durante a apresentação do seu mais recente relatório para o Conselho de Direitos Humanos da ONU, que ilustra algumas dessas práticas abusivas de cuidados de saúde e lança luz sobre práticas abusivas muitas vezes não detectadas apoiadas por políticas de saúde.


O relatório inovador analisa todas as formas de abuso rotulados como “tratamento de saúde”, que tentam ter como premissa ou justificativa políticas de saúde. Ele também identifica o âmbito das obrigações do Estado de regular, controlar e fiscalizar as práticas de cuidados de saúde, com objetivo de prevenir maus-tratos sob qualquer pretexto, as políticas que promovem essas práticas e as lacunas de proteção existentes.


“Existem desafios únicos em parar os maus-tratos nos tratamentos de saúde devido, entre outras coisas, a uma percepção de que, apesar de nunca justificadas, certas práticas de cuidados de saúde podem ser defendidas pelas autoridades por motivos de eficiência administrativa, modificação de comportamento ou necessidade médica”, ressaltou o especialista.


Em seu relatório, Méndez explora um entendimento novo de diferentes formas de abusos contra os pacientes e indivíduos sob supervisão médica. Saiba abaixo:



Detenção compulsória em condições médicas

“É comum a internação compulsória de usuários de drogas em supostos centros de reabilitação. Às vezes chamados de centros de tratamento de drogas ou de centros ou campos de ‘reeducação através do trabalho’, estas são instituições geralmente controladas por forças militares ou paramilitares, forças policiais ou de segurança, ou empresas privadas.”

“Em alguns países, há relatos de que uma vasta gama de outros grupos marginalizados, incluindo crianças de rua, pessoas com deficiência psicossocial, profissionais do sexo, pessoas desabrigadas e pacientes com tuberculose, sejam detidos nesses centros.”
Violações dos direitos reprodutivos

“Os exemplos de tais violações incluem o tratamento abusivo e humilhação em contextos institucionais de esterilização involuntária; negação de serviços de saúde legalmente disponíveis, como aborto e pós-aborto; esterilizações e abortos forçados; mutilação genital feminina; violações de sigilo e confidencialidade médica em contextos de saúde, como denúncias de mulheres feitas por pessoal médico quando uma evidência de aborto ilegal é encontrada; e a prática de tentar obter confissões como condição de potencialmente fornecer tratamento médico para salvar vidas após um aborto.”
Negação de tratamento contra a dor


“Os governos devem garantir medicamentos essenciais – que incluem, entre outros, analgésicos opioides – como parte de suas obrigações mínimas essenciais sob o direito à saúde, bem como tomar medidas para proteger as pessoas sob sua jurisdição de tratamento desumano e degradante.”
Pessoas com deficiência psicossocial


“Abusos graves, como negligência, abuso físico e mental e violência sexual, continuam a ser cometidos contra pessoas com deficiência psicossocial e pessoas com deficiência intelectual em situações de cuidados de saúde.”


“Não pode haver nenhuma justificativa terapêutica para o uso de confinamento solitário e restrição prolongada para pessoas com deficiência em instituições psiquiátricas; tanto a reclusão prolongada quanto a contenção podem constituir tortura e maus-tratos.”


“A institucionalização não consensual, imprópria ou desnecessária de indivíduos pode constituir tortura ou maus-tratos, bem como o uso da força para além do que é estritamente necessário.”
Grupos marginalizados


“Há relatos de pessoas que vivem com HIV/aids sendo recusadas por hospitais, sumariamente exoneradas, tendo acesso negado a serviços médicos a menos que aceitem a esterilização, e tendo recebido atendimento médico tanto de má qualidade quanto degradante e prejudicial para o seu já frágil estado de saúde.”


“Uma forma particular de maus-tratos e possivelmente tortura a usuários de drogas é a negação de tratamento de substituição por opiáceos, inclusive como uma forma de extrair confissões criminosas através da indução de sintomas dolorosos de abstinência.”


“Há uma abundância de relatos e depoimentos de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e transsexuais tendo tratamento médico negado, sendo submetidas a abuso verbal e humilhação pública, avaliação psiquiátrica, uma variedade de procedimentos tais como a esterilização forçada, exames anais forçados patrocinados pelo Estado para confirmar suspeitas de atividades homossexuais, e exames de virgindade invasivos realizados por profissionais de saúde, terapias hormonais e cirurgias genitais normalizadoras sob o pretexto de chamadas ‘terapias reparativas’.”


“As pessoas com deficiência são particularmente afetadas por intervenções médicas forçadas e continuam a ser expostas a práticas médicas não consensuais. As mulheres que vivem com deficiência, com rótulos psiquiátricos em particular, estão sob risco de múltiplas formas de discriminação e abuso em cuidados de saúde.”


Para o relator especial, o significado de categorizar os abusos em tratamentos de saúde como a tortura e maus-tratos, assim como examinar estes abusos a partir de uma ótica de proteção à tortura, “oferece a oportunidade para solidificar o entendimento dessas violações e destacar as obrigações positivas que os Estados têm de prevenir, reprimir e corrigir tais violações”.


O relatório será discutido em um evento paralelo sobre “Prevenção a tortura e maus-tratos em cuidados de saúde”.Acesse o relatório na íntegra, em inglês, em http://bit.ly/ZcZXRm

Parceria prevê que Samu faça resgate de usuário de crack em SP

Convênio entre Prefeitura e Estado pretende ampliar combate à droga.
Número de unidades de acolhimento para usuários também deve crescer.
Márcio Pinho Do G1 São Paulo

Uma parceria que será anunciada nesta sexta-feira (26) pelo governo do estado e a Prefeitura de São Paulo irá ampliar o programa do combate ao crack na capital paulista. O Programa Recomeço, que auxilia usuários da drogas e seus familiares, vai contar agora com equipes do Serviço Móvel de Urgência (Samu) preparadas para o atendimento psiquiátrico de urgência.
Também está prevista a ampliação do número de Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps Ad). Dez novas unidades do serviço ambulatorial 24 horas para usuários de drogas devem começar a funcionar ainda este ano. Outras 20 unidades que atualmente funcionam apenas durante o dia terão o horário ampliado.
Os Caps Ad ficarão responsáveis por receber os pacientes, identificar o quadro clínico do usuário e apontar a necessidade de tratamento para os dependentes químicos. Esses centros também poderão receber os familiares dos usuários, mesmo dos que não estiverem presentes e em tratamento. Agentes comunitários e de proteção social irão abordar os usuários de crack moradores de rua, na tentativa de encaminhá-los para um serviço de saúde adequado.
Há cerca de um ano, a Prefeitura de São Paulo e o governo estadual intensificarem as ações contra o crack no Centro da capital paulista, na chamada Cracolândia. O Programa de Enfrentamento ao Crack na cidade foi lançado em janeiro pelo governador Geraldo Alckmin.
Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo mostrou que o Brasil é o maior mercado mundial do crack, onde 2% da população faz uso da droga, número equivalente a quase 3 milhões de pessoas. De acordo com o estudo, o Sudeste concentra 46% dos usuários.