Psicoterapeuta. - CRT 42.156

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Fernando Cesar Ferroni de Freitas

terça-feira, 18 de junho de 2013


Ciência & Saúde Coletiva
Por que é relevante a ambientação e a aculturação visando pesquisas qualitativas em serviços para dependência química?

Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas.

Este trabalho realizado no Ambulatório de Substâncias Psicoativas do Hospital das Clínicas da Unicamp, objetivou relatar uma experiência de entrada em campo como fator de facilitação do estudo das vivências de sujeitos dependentes químicos vistos em um serviço universitário especializado. As observações surgiram a partir das vivências da pesquisadora em fase de ambientação e aculturação, ou seja, a partir da inserção no ambulatório, em fase preliminar à coleta de dados para uma pesquisa qualitativa. A experiência foi importante, pois permitiu compreender melhor o universo psicocultural da população atendida e como se dão as relações profissional-paciente, ampliando o conhecimento do campo onde depois foi realizada a pesquisa. A partir desta entrada inicial em campo, delimitou-se melhor o tema e a população a ser pesquisada, adequando às necessidades e à realidade observada naquele serviço, bem como refletir sobre o método de pesquisa (clínico-qualitativo) que melhor serviria para compreender as questões levantadas, e, inclusive, elaborar um roteiro para as futuras entrevistas do estudo. Conclui-se ser muito útil esse momento preliminar como fase habitual em novas pesquisas que usem a mesma metodologia nos settings clínicos.

Introdução

O presente artigo pretende discutir a relevância da aproximação do objeto de uma pesquisa e do lugar onde esta se desenvolverá, através de estratégias de ambientação e de aculturação. Optamos por vivenciar um primeiro momento de ambientação e aculturação em um ambulatório universitário para dependentes de substâncias psicoativas (SPA), visando posterior pesquisa utilizando o método clínico-qualitativo.

A antropologia e a psicanálise, dentre outras áreas do conhecimento científico, têm feito uso, historicamente, dos chamados métodos qualitativos, desde o início do Século 20. Posteriormente, as disciplinas científicas da área da educação, das ciências sociais, das ciências da saúde e da psicologia também passaram a se valer desses métodos. Essas disciplinas são consideradas pertencentes ou associadas às Ciências Humanas, as quais visam compreender e interpretar os nexos de significados presentes nos fenômenos individuais e sociais1.

Um amplo estudo de revisão bibliográfica apontou que, ao longo dos anos, constituiu-se um representativo campo para estudos sobre a construção científica na área das ciências sociais em saúde. Na década de 60 surgiram no Brasil importantes cientistas sociais, muitos como autodidatas em questões da Saúde, começando trabalhos multiprofissionais especialmente voltados para a comunidade. O material que surge desses trabalhos – e que incorpora tanto um conhecimento dos aspectos médicos, assim como sociais, culturais e psicológicos – pretendia ser uma aproximação interdisciplinar e conduzia a um retrato biopsicossocial2-3.

Ao buscar um refinamento da compreensão de significados pessoais atribuídos aos diversos fenômenos observados, especificamente em settings da Saúde, e considerando a experiência clínica do pesquisador, o método eleito para este estudo conduzido em serviço ambulatorial universitário de referência, é o clínico-qualitativo. Este nasce da necessidade de uma estruturação metodológica específica com os cuidados clínicos com a saúde, nomeadamente ao sofrimento existencial e psicológico, associados às manifestações no processo saúde-doença4.

Quando se pretende utilizar uma metodologia qualitativa, na compreensão de um fenômeno ou setting, faz-se fundamental antes de qualquer intervenção, conhecer bem o campo em que se dará a coleta dos dados, ainda que não lacemos mão do trabalho etnográfico propriamente dito.

"Na virada do século XIX para o XX, localiza-se o projeto de uma Antropologia do indivíduo e da singularidade cultural, projeto que se opõe à anterior tendência de buscar a universalidade do homem nos estudos comparativos das diferentes culturas. É, ainda nesta virada de séculos que a Antropologia moderna, se institui como ciência"5.

Nesse momento surge então, o interesse em conhecer o indivíduo imerso em sua cultura. Essa Antropologia moderna exige então uma postura do pesquisador de observação participante, dando origem aos métodos atuais de pesquisa etnográfica, na qual o observador é também inserido na cultura que pretende pesquisar5.

A pesquisa etnográfica privilegia a observação sistemática das situações reais no local onde os fenômenos ocorrem. Esse tipo de pesquisa não se configura como uma aplicação de uma técnica, mas vai se desenvolvendo "na medida em que o pesquisador vai se imbricando no campo, vai se relacionando com os sujeitos e construindo um processo reflexivo sobre suas vivências e impressões"6.

O antropólogo Bronislaw Malinowiski se tornou referência primordial para estudos clássicos, desenvolvidos pioneiramente em trabalho de campo com nativos em cultura do extremo oriente. Para ele, o trabalho de campo deveria produzir uma visão autêntica da vida da comunidade em estudo, devendo-se ultrapassar alguns obstáculos, tais como a falta de domínio da língua nativa, os preconceitos e opiniões de pessoas externas ao grupo observado. O trabalho de campo também deveria estar integrado a problematizações teóricas ao propiciar um contato, o mais íntimo possível, na perspectiva do grupo estudado7.

Trabalhos em campo constituem-se etapa central da pesquisa qualitativa em saúde. Nesse tipo de pesquisa, é crucial uma relação de intersubjetividades e de interação social com o pesquisador, que resulte em conhecimentos novos, que podem ser confrontados com a realidade concreta e com pressupostos teóricos, gerando uma construção mais ampla de saberes8.

Este artigo trata de descrever as experiências de entrada em campo, as quais são chamadas de aculturação e ambientação, mas que não se trata de uma etnografia, mas parte da importância destacada em trabalhos etnográficos ao conhecimento prévio da população e ambiente a serem estudados.

É descrito em literatura como etapa anterior ao trabalho da pesquisa de campo propriamente dita, a fase exploratória, na qual serão definidos: o espaço da pesquisa, o grupo a ser pesquisado, os critérios de amostragem e a estratégia de entrada em campo8. Sempre considerando que a pesquisa qualitativa preocupa-se com o aprofundamento e a abrangência da compreensão seja de um grupo humano, de uma organização ou de uma instituição. É necessário à pesquisa qualitativa conhecer amplamente os sujeitos envolvidos, com idas repetidas a campo, antes do trabalho de coleta propriamente dito. Tal fase de ambientação e aculturação permite o fluir da rede de relações e possíveis correções iniciais dos instrumentos da futura coleta formal de informações8.

Pressupõe-se que, a todo pesquisador que parte para a fase da investigação em settings, é necessário essa fase de ambientação e aculturação, em espaço de tempo se não longo, porém em profundidade. O termo ambientação está aqui entendido como a adaptação geral à rotina do setting onde se coletarão os dados, bem como a aquisição de informações sobre o cotidiano das pessoas que ali trabalham e daquelas que são atendidas no local. Por sua vez, aculturação, conceito mais abrangente, pressupõe um contato com a incorporação das mentalidades, costumes e valores da população deste campo de investigação9.

Apesar de propormos os processos de ambientação e aculturação de forma simultânea e complementar, devemos apontar que, conforme definições anteriores, são conceitos diferentes e, por vezes, podem ter pesos diferentes em uma pesquisa de campo, sendo priorizado ora um, ora outro.

Turato4 acrescenta, ainda: havendo uma adaptação do pesquisador, a partir da ambientação e da aculturação, ao espaço do serviço de saúde onde ocorrerá a pesquisa, à rotina de trabalho, aos hábitos, à linguagem e à problemática vivenciada, poderá ser construído um setting, um ambiente delimitado para a realização das futuras entrevistas.

A necessidade desse momento de ambientação e aculturação surge com a necessidade de transpor barreiras que afastam pesquisador e pesquisado. Conhecer anteriormente a rotina de trabalho, a linguagem utilizada, a problemática ali exposta, é fundamental para que se possa realizar uma pesquisa qualitativa de forma mais apurada e com menos vieses4.

Na pesquisa qualitativa em Ciências Sociais, o estudo etnográfico é a principal ferramenta utilizada para se conhecer mais profundamente uma população. Este se dá exatamente a partir da inserção do pesquisador no ambiente a ser estudado, por um espaço de tempo por vezes prolongado, com contato direto com o objeto de estudo, sendo posteriormente relatado em texto, de forma sistemática10.

Verificamos na literatura a importância de se buscar uma maior aproximação do grupo a ser estudado, não apenas para se conhecer melhor as especificidades do mesmo, mas também para que o pesquisador seja previamente aceito pelos sujeitos, posto que a qualidade dos dados obtidos depende, em grande parte, de como se dá a relação entre sujeito e pesquisador. "Dessa forma é possível manter uma relação dialógica, de proximidade e confiança, baseada em princípios éticos"10.

Leite e Vasconcellos11, também apontam que a entrada em campo e o contato inicial com os informantes merecem atenção especial por determinarem o início de uma relação que pretende ser de confiança. Sendo que, quando o pesquisador consegue assimilar a linguagem e o universo cultural do grupo em estudo, ocorre uma maior aceitação por parte dos seus interlocutores e a interação entre eles pode ser aprofundada. Todavia, tal interação é um processo que demanda tempo, por isso a necessidade de uma aproximação do grupo, antes do início da pesquisa propriamente dita.

Clifford12 aponta a importância de se construir "um mundo de experiências partilhadas, em relação ao qual todos os 'fatos', 'textos', 'eventos' e suas interpretações serão construídos". A qual se dá a partir da experiência do pesquisador em campo, com seus sentimentos intuitivos, percepções e inferências.

A observação participante exige um bom aprendizado da língua ou mesmo da linguagem do grupo estudado em sentido amplo, o que favorece ainda certo grau de envolvimento. Também é preciso algum despojamento das expectativas pessoais e culturais do observador12.

Paul Rabinow13, também demonstra em seus trabalhos etnográficos um cuidado com as pessoas envolvidas. Buscando estar "separado o suficiente para evitar uma identificação fácil, próximo o suficiente para compreender de uma forma benevolente, embora crítica".

O antropólogo Roberto da Mata14 afirma que para escrever uma boa etnografia é necessário aproximar-se empaticamente das pessoas do grupo estudado, mas também perceber-se solitário em seu trabalho de observação. Podendo entrar em contato com os sentimentos despertados ao relacionar-se com essas pessoas. Ele propõe também a tarefa de transformar o "exótico em familiar e o familiar em exótico". O primeiro caso corresponde ao movimento original da Antropologia, mas a segunda transformação proposta visa estranhar algo em nosso quotidiano familiar, "o exótico no que está petrificado dentro de nós pela reificação e pelos mecanismos de legitimação".

A partir do que conhecemos em estudos anteriores, apontados nesta revisão bibliográfica, compreendemos ser fundamental haver um contato prévio com o grupo a ser estudado, sem ambicionarmos o trabalho de um etnógrafo, treinado para esses fins, mas ainda buscando nos familiarizar com o grupo a ser pesquisado, sua linguagem e seu modo de funcionamento. Acreditando que o conhecimento acerca de um grupo se dá de forma constante, como uma construção, que inclusive só se faz possível com a figura do pesquisador inserida naquele grupo e atento aos seus próprios movimentos internos, por isso propõe-se a aculturação e a ambientação.

Entre as subáreas que compõe a saúde mental, algumas se beneficiam particularmente da aproximação do objeto em função de especificidades relacionadas aos sujeitos, ao contexto e à visão social do tema, entre outras. Neste sentido o estudo de temas relacionados ao consumo de substâncias psicoativas merece particular atenção.

O uso de substâncias psicoativas, com maior repercussão social, é um fenômeno relativamente recente. Embora o consumo de drogas psicoativas seja milenar, seu uso só se tornou um problema social amplo, na maior parte dos países ocidentais, a partir do quarto final do século XIX, com a criminalização e a medicalização dessas substâncias. Tal ocorreu inicialmente nos EUA, em função de movimentos religiosos e sociais, e, principalmente, por interesses de ordem econômica15.

A dependência de Substâncias Psicoativas (SPA) é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um transtorno mental e do comportamento. A Classificação Internacional das doenças (CID–10) e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais norte-americano (DSM–IV) discriminam os principais quadros relacionados ao uso de SPA, bem como a dependência, caracterizada de forma semelhante em ambos, a saber: um desejo pronunciado de tomar a substância; dificuldade em controlar o uso; estado de abstinência fisiológica; tolerância; relegar a um segundo plano as necessidades, interesses e atividades prazerosas; e uso persistente, não obstante os danos causados à própria pessoa e aos outros; e por fim, um critério que descreve um padrão intermediário entre uso e dependência que é o uso nocivo ou abuso16-17.

Para a compreensão dos diversos aspectos da dependência de SPA faz-se necessária a existência de um enfoque abrangente, que leve em consideração a diversidade de usos e de comportamentos, tanto em relação aos produtos como em relação ao contexto social em que ocorrem. A especificidade das dependências químicas procede do encontro do indivíduo com uma SPA em um determinado contexto sociocultural. O uso indevido de drogas, como dito, constitui fenômeno de grande complexidade, não podendo ser reduzido a componentes biológicos, nem compreendido apenas a partir de aspectos da conduta dependente ou da psicodinâmica envolvida, mas pensando que todos estes enfoques estão presentes concomitantemente e se influenciam mutuamente18. Sendo que, em função de tais especificidades, a dependência química se faz presente não apenas no campo da saúde, mas também em campos como o jurídico e o sociológico.

A dependência química, também é uma área envolta em preconceitos, e mesmo entre os especialistas há divergências nas formas de compreender a problemática e atuar junto a essa população. Assim sendo, uma aproximação anterior do objeto de estudo, pode ser fundamental para minimizar a possibilidade de haver uma imposição de um olhar contaminado com ideias preconceituosas, ao trabalho de pesquisa propriamente dito.

Portanto, o olhar antropológico sobre a forma de se fazer pesquisa em saúde, pode ser muito útil nos estudos em dependência de SPA. Ele favorece aqueles voltados para as relações entre saúde e condições de vida, incorporando também a visão do sujeito, por exemplo, o usuário de um serviço de saúde. Deve buscar um redimensionamento dos limites da ciência, ampliando a sua interação com outras formas de apreender a realidade. Com isso, abre-se espaço para novas formas de construção científica que expliquem a realidade19.

Neste relato, mencionamos a experiência da ambientação e da aculturação da pesquisadora em ambulatório universitário especializado, voltado para tratamento de dependência de SPA. Fundamental foi conhecer intimamente a realidade de um serviço de saúde, a linguagem das pessoas ali atendidas e as dinâmicas das relações envolvidas a fim de se ter inserção suficiente para o subsequente trabalho de pesquisa na abordagem qualitativa.

Buscamos com este trabalho relatar uma experiência de entrada em campo como fator de facilitação do estudo das vivências de sujeitos dependentes químicos vistos em um serviço universitário de especialidade psiquiátrica.

Relato de vivências da pesquisadora frente à estruturação do campo (percurso dos procedimentos)

Contextualizando a descrição do campo, o trabalho aqui apresentado deu-se a partir da inserção da pesquisadora, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, no serviço assistencial de seu hospital público de referência. O Ambulatório de Substâncias Psicoativas (ASPA) é parte do conjunto de ambulatórios psiquiátricos do Hospital das Clínicas de Campinas (HC/UNICAMP) e atende principalmente à população do Município e Região. Os atendimentos são semanais para os habitantes locais, enquanto pessoas vindas de municípios distantes ou mesmo de outros estados são atendidas para devida avaliação e encaminhamento a serviços próximos à localidade de origem. O atendimento é integralmente gratuito e a entrada no serviço é ágil, todos que procuram o serviço são imediatamente inseridos no ambulatório, já iniciando participação em grupos. A inserção no ambulatório independe de encaminhamentos via rede básica de saúde.

A população ambulatorial é composta principalmente por adultos que têm o diagnóstico de dependência de álcool, tabaco e/ou drogas ilícitas, sendo frequente a existência de comorbidades clínicas e/ou psiquiátricas. Os pacientes participam inicialmente de um grupo de recepção onde se trabalha a motivação para o tratamento, sendo propostas reflexões sobre as consequências da droga em sua vida, o real desejo de mudança, de deixar ou de diminuir o uso de substâncias. Os pacientes também são atendidos individualmente por médicos residentes de psiquiatria, para devida avaliação clínica e possível farmacoterapia. Após estas etapas, alguns grupos são oferecidos, conforme o indicado a cada pessoa. Para álcool e outras drogas, há o grupo que trabalha técnicas de prevenção à recaída e o grupo no qual são fornecidas informações sobre as drogas, sua constituição e efeitos a curto e longo prazo, bem como o grupo de apoio para familiares. Para tabagistas, há um grupo onde se trabalha a motivação para o tratamento e o abandono do hábito de fumar, e um grupo terapêutico. Além dos médicos residentes, atuam nos atendimentos: psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e auxiliares de enfermagem; todos, de algum modo, vinculados à Unicamp, como funcionários, estagiários ou voluntários. Lembrando que se trata de um hospital-escola e, assim sendo, os atendimentos geralmente são acompanhados por alunos-observadores.

Este período de ambientação e aculturação foi uma fase preliminar à coleta de dados de uma pesquisa qualitativa, marcada pela observação do campo. A pesquisadora esteve presente no ambulatório uma vez por semana, no período da manhã, durante seis meses consecutivos, até o início da pesquisa propriamente dita. Acompanhou as discussões de casos clínicos conduzidas por equipe multiprofissional, e também frequentou seminários teóricos. Participando do ASPA, a pesquisadora teve ainda a oportunidade de dirigir um grupo informativo, a cada dois meses, sendo responsável por discutir aspectos psicológicos da dependência de SPA em reuniões. Também conduziu um grupo motivacional misto, de frequência semanal. Nele, pacientes são atendidos antes mesmo de passarem por consulta médica, sendo um momento de recepção, uma primeira escuta sobre o que os levou a buscar esta ajuda. É desempenhada uma tarefa que, além de oferecer uma escuta para as angústias trazidas, visa fortalecer a motivação para o tratamento.

Reflexões acerca da experiência de ambientação e aculturação do pesquisador

O primeiro ponto que merece reflexão trata-se do emprego dos conceitos de ambientação e aculturação. Em pesquisa qualitativa, não lançamos mão dos chamados pré-testes ou das entrevistas-piloto, cujo objetivo, equivalentemente, é assegurar-se de que os instrumentos de investigação estão 'regulados' para a aplicação e a coleta validadas visando o alcance dos objetivos do empreendimento. Nas pesquisas qualitativas, nas quais o pesquisador é o próprio instrumento, o entrevistador deve adquirir experiência prévia em coletar os dados adequadamente planejados4.

Neste período, de ambientação e aculturação, pôde-se conhecer de perto, além do funcionamento operacional do serviço de ambulatório, enquanto campo físico desenhado para a pesquisa, também o universo psicocultural da população atendida e como se dão as relações profissional-paciente; bem como aspectos relevantes para serem aprofundados na investigação clínico-qualitativa.

Durante o processo de ambientação e aculturação é importante destacar como foi a experiência da inserção da pesquisadora no serviço. No ASPA, foi bem aceita pelos profissionais responsáveis, sendo prontamente incluída nas discussões e atividades. Também não teve dificuldade em adaptar-se à rotina do ambulatório e compreender a linguagem ali utilizada.

Os profissionais, particularmente os residentes, demonstraram essa boa receptividade em relação à pesquisadora, principalmente ao procurarem sua opinião nos casos atendidos por ela e também encaminhando pacientes para seu grupo. Percebeu-se nos profissionais um real propósito de ajudar seus pacientes, embora lidassem com a frustração das constantes recaídas.

As mais importantes reflexões e conclusões acerca do que era observado e experimentado em campo ocorriam, efetivamente, a posteriori. Durante a vivência no ambulatório, a pesquisadora envolvia-se de tal modo com o serviço e a agitada rotina dos atendimentos, discussões e encaminhamentos, que se sentia como membro da equipe, não como mero observador.

Verificou-se que para profissionais e pacientes uma nova ajuda, uma visão adicional sobre a problemática atendida era bem-vinda. Não se pode esquecer que se tratava de um ambulatório dentro de um hospital-escola, onde as pessoas tenderiam a ser mais receptivas a qualquer nova informação. Todavia, podemos compreender que os profissionais demonstravam uma angústia semelhante à de seus pacientes, talvez identificados com eles em seus sofrimentos, no desejo de cessar a dor. Mas, por outro lado, talvez sentindo a necessidade de dividir as angústias e os questionamentos despertados pelos atendimentos.

Conforme anteriormente descrito, a pesquisadora teve contato com os pacientes do ambulatório em dois grupos, sendo que o motivacional, por ser de frequência semanal e com menos participantes, foi o campo onde se fez a maior parte das observações. Dessa forma, é importante compreender o processo deste grupo, no qual a pesquisadora desempenhava um duplo papel, o de observadora e o de terapeuta.

O que seria então motivação? Miller e Rollnick20 falam de motivação como um "estado de prontidão para mudança", que varia de pessoa a pessoa, é mutável e influenciável. Portanto, um paciente pode estar mais ou menos pronto para a proposta do tratamento, mas, com um trabalho específico, pode-se favorecer a tal prontidão. Isto pode ser alcançado através de algumas estratégias propostas pelos autores anteriormente citados, a saber: oferecer orientação, remover barreiras, proporcionar escolhas, diminuir o aspecto desejável do comportamento, praticar a empatia, proporcionar feedback, esclarecer objetivos e ajudar ativamente20.

No referido grupo motivacional, conduzido pela pesquisadora, buscava-se oferecer um momento de reflexão inicial sobre o porquê dos pacientes buscarem o tratamento e o que esperavam receber no ambulatório. Seguia-se pelo questionamento de como estava o envolvimento com a substância, quais as perdas acumuladas no decorrer do tempo de uso, quais objetivos de cada um com o tratamento, que atitudes poderiam ajudá-los a atingir seus objetivos. No papel de terapeuta, procurava ser empática com os problemas trazidos pelo grupo, oferecia alguns esclarecimentos sobre as substâncias e seus efeitos no organismo, e sobre os atendimentos oferecidos no ASPA, mas deixava claro que respeitaria as escolhas individuais. No decorrer do processo a terapeuta também passou a discutir com os médicos possíveis encaminhamentos.

Este papel desempenhado pela pesquisadora foi bastante enriquecedor, pois dessa forma pôde, ao mesmo tempo, estar mais próxima dos pacientes e vivenciar um pouco os papéis exercidos pelos profissionais envolvidos no serviço. Isso favoreceu uma maior compreensão das reais demandas e necessidades do ambulatório e da população nele atendida.

Essa integração entre papéis assistenciais e de investigação científica consiste em rica estratégia, já que usa este meio disponível e a condição de favorecimento com o fim de alcançar o objetivo específico da pesquisa. Pode-se considerar uma forma de se conhecer mais profundamente este campo, inclusive tendo um papel definido em um grupo, com as mesmas características da população a ser pesquisada.

Como vimos na literatura, é um elemento central em pesquisa de metodologia qualitativa a incorporação do campo, não partindo de um pressuposto dado, mas sim da construção de seu sentido, do mergulho em suas singularidades21.

Enquanto observadora do serviço em questão, a pesquisadora adotou uma postura mais ativa, não somente a de escuta, mas também participando e opinando a respeito dos casos atendidos. Ela pôde ter uma compreensão mais ampla, não apenas da dinâmica do serviço, mas também sobre a de cada paciente ali atendido. Tal compreensão, mais global e profunda, favoreceu o trabalho terapêutico da pesquisadora no grupo motivacional que coordenava, tendo obtido mais ferramentas para discutir as dificuldades trazidas pelo grupo, descrever a eles o serviço ali oferecido e a importância do tratamento.

Ocupando o lugar de observadora/terapeuta a pesquisadora pôde se aproximar do grupo, buscando tornar familiar o ambiente (ambulatório) ainda parcialmente desconhecido, mas também buscava descobrir não necessariamente pontos "exóticos" em meu familiar papel de terapeuta, mas perceber aquela realidade em toda sua complexidade. Como visto na teoria, o processo de "estranhar o familiar" ocorre quando confrontamos intelectualmente, e mesmo emocionalmente, diferentes versões e interpretações pré-existentes. Haja vista que "o que sempre vemos e encontramos pode ser familiar, mas não é necessariamente conhecido e o que não vemos e encontramos pode ser exótico, mas, até certo ponto, conhecido"22.

Através desse recurso de observação participante, constatou-se que o papel de terapeuta precisa ser flexível, ora acolhendo o sofrimento, ora ensinando conceitos (como efeitos e consequências do uso de substâncias), ora motivando, ora esclarecendo ao paciente uma realidade que ele não consegue ou não quer ver. Vivenciou-se ainda o sentimento de frustração em situação de abandono do tratamento, ou recaídas dos pacientes, bem como a necessidade do terapeuta buscar em si mesmo a referida "motivação" para transmitir ao paciente.

Com relação às observações da população atendida pelo ASPA, destaca-se a importância dada pelos pacientes ao apoio sentido por parte da equipe técnica e do grupo. Na pesquisadora ficou a impressão de que, em um espaço no qual os pacientes pudessem falar livremente de seu sofrimento frente à substância e ouvir relatos de companheiros que vivenciam situações semelhantes, seria uma ajuda fundamental.

Percebeu-se ser frequente o abandono do tratamento, sendo grande a rotatividade no grupo. Muitos retornavam algum tempo depois e relatavam os motivos do abandono. Verificou-se que tais motivos passavam por processos de recaída do uso, porém, foi constatado também o abandono em função da melhora do paciente, que interrompia o tratamento e seguia reconstruindo sua vida com a família e o trabalho. Havendo o retorno ao ambulatório em um momento posterior quando novamente sentiam que precisavam de ajuda.

Outro ponto rapidamente observado, foi que no grupo motivacional conduzido pela pesquisadora, havia uma quantidade maior de homens do que mulheres (cerca de sete homens para cada mulher), sendo mais frequente o abandono por parte das mulheres. Percebeu-se que estas interagiam menos nos grupos, falando quando estimuladas e demonstrando certo enfado com as falas dos companheiros homens.

Devido às diferenças constatadas durante o processo de aculturação e ambientação entre a população masculina e feminina atendida no ambulatório, decidiu-se o tema da futura pesquisa clínico-qualitativa. Percebeu-se a necessidade de compreender o significado do tratamento ali oferecido para as pacientes mulheres. Inicialmente pensamos em estudar apenas uma população de mulheres dependentes de cocaína e crack, mas com o conhecimento prévio do serviço, percebemos que não haveria um número suficiente de sujeitos para a pesquisa. Assim sendo, propusemos um estudo sobre as significações psicológicas da adesão ao tratamento de mulheres dependentes de SPA.

Considerações finais

A experiência de ambientação e aculturação foi entendida como momento importante para um trabalho de investigação clínico-qualitativo, devendo ser indicado como fase habitual em novas pesquisas que utilizem a mesma metodologia nos settings clínicos. No tocante à ambientação, percebemos que um serviço ambulatorial, dentro de um hospital-escola, possui particularidades que o diferencia de outros serviços especializados em dependência. Pôde-se conhecer as limitações e as vantagens de um serviço como este, bem como perceber que a população que busca o ASPA também tem suas condições. Quanto à aculturação, esta se mostrou importante para facilitar a aproximação da pesquisadora das mulheres a serem pesquisadas, como por exemplo, ao conhecer e utilizar a linguagem verbal e gestual da referida população, que em parte servem para criar uma cultura própria de comunicação (que por vezes exclui o profissional) e por outro lado, uma vez entendida, permite uma maior compreensão de sentidos.

A pesquisadora registrou, já no primeiro contato com a população do ASPA, a importância de se oferecer uma recepção cuidadosa a pacientes que procuram tratamento em função do uso de drogas, a fim de ajudá-los a superar medos de exporem-se e de serem julgados como estão habituados. Demonstraram a necessidade de serem ouvidos e auxiliados na melhor compreensão de seus problemas.

A partir da vivência de aculturação e ambientação da pesquisadora, verificamos um aspecto relevante a ser bem estudado que é o perfil de atitudes diferentes entre os gêneros, notadamente conhecer as especificidades de um atendimento necessário a mulheres. Por conseguinte, a vivência da fase preliminar à coleta de dados em campo de pesquisa confirmou a relevância científica de se empreender o estudo das representações psicossociais e significações simbólicas sobre a adesão de mulheres ao tratamento especializado para dependência de SPA.

Fonte:
Ciência & Saúde Coletiva
Print version ISSN 1413-8123.

domingo, 16 de junho de 2013

http://tvbrasil.ebc.com.br/webtv

Esclarecimento sobre eplepsia

16h00
NO AR
PAPO DE MÃE
Conversa sobre os mais importantes temas envolvendo a maternidade e a criação de filhos, de um jeito informal, interativo, bem humorado e inclusivo.


O HOMEM PRIMITIVO
A ideia de que existiu, há muito tempo atrás, um homem primitivo é um recurso muito utilizado para falar sobre a natureza e a origem do homem. Freud, no texto "Totem e Tabu", nos conta sobre um tempo mitológico, pré-civilizatório, em que os agrupamentos humanos eram dominados por um macho mais forte. A principal característica deste líder é o uso a força para manter o seu domínio, com o direito de matar qualquer um que o rivaliza-se. Outro aspecto importante, é o de ser o único a dispor de todas as fêmeas do grupo, independentemente dos laços de parentesco. As mulheres eram dele.
Tal figura terrível era, de tempos em tempos, substituída por um outro homem mais jovem e forte que conseguia vencê-lo em uma batalha mortal. Nos conta Freud que uma determinada vez, os homens se reuniram contra este pai ditador e decidiram matá-lo juntos; e para evitar que a tirania continuasse optaram por compartilhar o poder e as mulheres. Surge o primeiro pacto social a partir do assassinato do "pai da horda primitiva" e se instituiu a lei do incesto como modo de garantir fêmeas a todos os membros da tribo.
Festas e rituais foram criados para lembrar este dia e garantir o compromisso assumido entre os homens, revivendo o assassinato do pai. Com o tempo, o pai primitivo foi substituído por animais sagrados que por sua condição só podiam ser caçados e ingeridos em rituais; depois tornou-se um deus, em seguida vários deuses e novamente um Deus único.
Hoje, tempo em que valores são relativizados, cerimônias e ritos capitalizados, a lei e a hierarquia escrachados, perdemos recursos simbólicos para lidar com a agressividade. Resultado: mata-se porque era negro, porque era gay, porque era judeu, porque era mulçumano, porque era pobre, porque era rico, em geral, mata-se porque era diferente. Enfim, mata-se por falta de um importante anteparo psíquico para que o desejo de matar seja diferente do ato de matar. O homem primitivo é um mito vivo dentro de cada um de nós. Somos o homem primitivo

Fonte:

Inspiração etílica é mais antiga que a Bíblia.

O álcool é ligado à inspiração para escrever desde que o mundo é mundo.

Ou, pelos menos, desde que a história cultural do Ocidente começou a ser escrita, segundo o historiador Henrique Soares Carneiro, da USP, autor de "Bebida, Abstinência e Temperança na História Antiga e Moderna" (Senac).
"Essa relação está presente desde os antigos gregos. Você encontra isso em Platão, quando ele fala no [diálogo] Fedro' que há quatro formas de loucuras boas, inspiradas pelos deuses", diz Carneiro.
As loucuras platônicas são a inspiração poética (dada pelas musas), a profética (por Apolo), a erótica (por Afrodite) e a dionísica --a inspiração da embriaguez.
"O tema da inspiração dionísica será encontrado em toda a história do pensamento ocidental. É a ideia da criação como arrebatamento, de que é preciso sair do controle estrito da razão, perder o juízo, dar vazão a uma dimensão pouco acessível do ego", explica o historiador.
Em suas pesquisas para "O Último Copo", Daniel Lins diz ter se surpreendido com o papel do rei Salomão, destacado personagem da Bíblia, como um verdadeiro sábio em assuntos etílicos.
"Há nos textos dele indícios importantíssimos para compreender o que é um alcoólatra, alguém que entra em parafuso quando começa a não ter mais o álcool. Ele era adicto e já entendia tudo, inclusive usava o amanhã vou parar de beber'."

sábado, 15 de junho de 2013


Maranhão,
São Luís

Jovens encontram dificuldades para
tratar dependência química na capital
CAPs infantil está fechado desde o início do ano.

Demanda também é grande entre pacientes de hospitais psiquiátricos.



Nas ruas, nos semáforos e em regiões da cidade conhecidas como ‘cracolândias’, tem sido cada dia mais comum encontrar crianças e adolescentes em situação de risco, por causa do uso de drogas. E para tratá-las, as dificuldades são maiores ainda. Em São Luís, a única instituição apropriada para a internação ou tratamento de crianças e adolescentes dependentes de drogas, na rede pública, está fechada.
Há três anos, Édson Ferreira conheceu um mundo cruel. Da maconha passou pro crack e a dependência química começou a mostrar os sinais. “Começava a fazer besteiras, não obedecia mais pas ordens de pai e mãe. No trabalho também comecei a faltar", disse o montador industrial, que há pouco mais de um mês ele começou o tratamento para acabar com a dependência. Segundo ele próprio, graças à mãe, seu destino foi diferente: “No CAPs do município não foi possível. Aí vim para cá e já evoluí 99%, podemos dizer"
Os Centros de Apoio Psicossocial (CAPs) existem exatamente para não só curar o dependente químico, mas também para reinseri-lo na sociedade, no mercado de trabalho e, muitas vezes, até na própria família. De acordo com o Ministério da Saúde, os municípios são responsáveis pela administração dos CAPS. O problema é que, em São Luís, quem procura atendimento hoje em dia encontra muita dificuldade.
A situação é pior para dependentes menores de idade. O CAPs infantil está fechado desde o início do ano.
De acordo com a Secretaria de Saúde de São Luís (Semus), a paralisação no atendimento a crianças e adolescentes se deve à interdição do prédio onde o CAPs funcionava. “Quando recebsmos a casa no início da gestão, ela estava em uma situação estrutural não adequada. Então a Vigilância [Sanitária] condenou a unidade e nós tivemos que fechar temporariamente", disse Marcelo Matos, assessor da Coordenação de Saúde Mental da Semus.
De acordo com a coordenação de saúde mental do município, atendimentos a menores de idade foram remanejados a outros centros. “As crianças que apresentavam situação de transtorno mental, nós as transferimos. E agora os adolescentes que tinham problemas com drogas, nós os transferimos para o CAPs do Monte Castelo", completou Matos
Aumento na demanda
A demanda por tratamento também cresceu em outros lugares, como no Hospital Nina Rodrigues, que trata pacientes psiquiátricos. O problema, segundo a direção do hospital, se agrava quando meninos e meninas dividem espaço com pessoas de várias idades e diferentes patologias. “Elas não têm local específico para serem acolhidos. No Hospital da Criança não existem vagas e os CAPs municipais não estão funcionando de maneira adequada. Isso faz com que elas venham para cá, para a urgência, passem por observação e fiquem assistidas em um ambiente onde há adultos, idosos, que não é o adequado", explicou Rui Cruz, diretor do Nina Rodrigues.
O mesmo problema é relatado pela direção do CAPs-AD, que a rede estadual de saúde administra em na capital maranhense. O centro, que hoje atende a cerca de 220 pacientes, recebe os menores encaminhados pelo poder judiciário ou pelo Ministério Público. “O Estatuto da Criança e do Adolescente é bem claro, definindo que uma criança deve ser tratada em um ambiente específico para crianças. Isso tem que ser respeitado. Tem que existir um CAPs infantil para tratar essa demanda específica", afirmou o diretor Marcelo Costa.
A promotoria de justiça da Infância e Juventude conhece a situação e diz que, neste momento, busca um diálogo com o poder municipal. Mas não descarta a hipótese de abrir uma ação contra o município caso o problema não seja resolvido. “Hoje em dia há um faz de conta para atender essa demanda. É uma demanda reprimida e infelizmente quando você vai aos locais e vê a situação como está, você acha que tudo aquilo que está nas leis não existe e certamente foi rasgado por alguém", disse a promotora de Justiça Fernanda Helena Nunes.
O prazo para que o CAPs infantil volte a funcionar foi dado pela própria secretaria municipal de saúde. “A residência escolhida por nós teve uma pendência com a documentação e atrasou nosso processo de licitação. Mas até o final de junho e início de julho, acho que está resolvido", finalizou Marcelo Matos.

Hospitais psiquiátricos têm mais dependentes químicos

Mais de uma década após a aprovação da Lei da Reforma Psiquiátrica, o perfil dos pacientes atendidos nos hospitais psiquiátricos públicos de Belo Horizonte teve uma alteração significativa: pela primeira vez, esses hospitais passaram a registrar mais atendimentos e internações relacionados ao uso de álcool e outras drogas do que referentes a transtornos psicóticos, como esquizofrenia e transtornos delirantes, que por muito tempo foram maioria dos casos encaminhados a essas instituições.






A psiquiatra Vivian Coelho analisou atendimentos e internações entre 2002 e 2011, nos hospitais psiquiátricos conveniados ao SUS, em BH. Foto: Bruna Carvalho.

A proporção de atendimentos nos hospitais relativos à esquizofrenia, transtornos esquizotípicos ou delirantes caiu de 34,2% em 2002 para 28,2% em 2011. Por outro lado, os atendimentos de transtornos mentais e de comportamento relacionados ao uso de álcool e outras drogas subiram de 23,6% do total, no início do período analisado, para 28,7% em 2011. Os dados estão na dissertação de mestrado defendida no dia 22 de maio na Faculdade de Medicina da UFMG pela psiquiatra Vivian Andrade Araújo Coelho. A autora do estudo analisou os atendimentos e internações entre 2002 e 2011 no Instituto Raul Soares e no Hospital Galba Veloso, os únicos hospitais psiquiátricos conveniados ao SUS em Belo Horizonte.

Para Vivian Coelho, essa inversão pode ser um reflexo da estrutura dos sistemas de saúde comunitários para atender cada um desses tipos de casos. “Talvez os dependentes químicos estejam procurando esses hospitais pela escassez de serviços comunitários voltados para eles”, afirma Vivian. “Ao mesmo tempo, a melhor estrutura dos serviços voltados para a saúde mental na comunidade provavelmente tem absorvido boa parte da clientela que antes se dirigia aos hospitais”.
Apesar do total de atendimentos no período ter diminuído de 18.114 por ano em 2002, logo após a aprovação da lei, para 12.618 em 2011, o número de internações nesses hospitais acabou subindo, cerca de 83 internações a mais por ano. Além da maior procura por parte de dependentes químicos, que podem necessitar de um período de internação, outro motivo pode explicar essa aparente contradição. “Com o melhor trabalho feito no atendimento comunitário, provavelmente o encaminhamento para o hospital tem sido dos casos mais graves, que ainda precisam do hospital. ”, aponta Vivian Coelho.

Reforma psiquiátrica

A Reforma Psiquiátrica constitui um movimento político e social complexo, iniciado na década de 1970 e oficializado pela Lei Federal nº. 10.216/2001, com a intenção de tirar o hospital do foco da assistência em saúde mental. Esse processo levou à construção de uma estrutura que pudesse atender esses pacientes, como a criação de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Centros de Referência em Saúde Mental (Cersams), serviços que incluem a saúde mental na atenção primária e tornam a internação indicada apenas quando se esgotarem os recursos extra-hospitalares. A hospitalização, no entanto, é criticada pelo movimento antimanicomial, que defende a ampliação da rede de apoio e tratamento dos pacientes na sociedade e a extinção dos hospitais psiquiátricos.
Informação importante:

SÃO JOSE DO RIO PRETO EM BREVE ESTÁ SIM COM UM CENTRO SOCIAL TERAPEUTICO FEMININO TREVO DA VIDA.

CONTATO (17) 30337022

Rita de Cássia Pavani Apolinario.

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sexta-feira, 14 de junho de 2013


Hepatite C

Características

A hepatite C é uma doença do fígado causada pelo vírus da hepatite C, e pode ser transmitida pelo sangue. É muito comum e também pode ser uma doença silenciosa, sem apresentar sintomas. Pode levar a problemas graves como cirrose, câncer de fígado e insuficiência hepática.
A forma aguda tem curta duração e ocorre nos primeiros 6 meses após a exposição ao vírus. Algumas pessoas são capazes de eliminar o vírus da hepatite C e não há problemas a longo prazo. Entretanto, em cerca de 8 entre 10 pessoas que contraem hepatite C, o vírus permanece no organismo por muitos anos: esta é a forma crônica da doença, que debilita e elimina as células do fígado, levando à cirrose e atrapalhando seu funcionamento normal.4
O vírus pode ser transmitido por lâminas de barbear, escova de dentes, manicure, “piercings” e tatuagens (instrumentos compartilhados) transfusão de sangue e relações sexuais. A mãe infectada também pode transmitir para o bebê.

Sintomas.
Os sintomas podem não se manifestar durante anos. Inicialmente, as pessoas infectadas podem apresentar sintomas semelhantes aos da gripe, como cansaço, náuseas e dores abdominais. Na forma crônica, a morte das células do fígado leva à cirrose e a pessoa infectada pode apresentar sintomas como: icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), dor nos músculos e articulações, perda de apetite e urina escura.
A hepatite C pode levar a outros problemas graves, como câncer de fígado e insuficiência hepática.

Prevenção.
O primeiro passo é buscar informação sobre a hepatite C, pois é mais fácil prevenir quando você sabe como a doença é transmitida, os principais sintomas etc. Quanto mais informado você estiver, mais entenderá as suas opções.

A hepatite C crônica pode levar a problemas graves de saúde, por isso, o melhor caminho é a prevenção. Muitas pessoas não sabem que são portadoras do vírus e acabam transmitindo a doença involuntariamente.
O contato com o sangue de outras pessoas deve ser evitado, pois este é o principal meio de contágio. Portanto:
• Evite compartilhar instrumentos cortantes como barbeadores e escovas de dente;
• Se for colocar “piercing” ou fazer tatuagem, observe se os materiais são esterilizados e a higiene do local;
• Leve seu próprio alicate à manicure/pedicure;
• Não compartilhe agulhas e seringas;
• Use preservativo nas relações sexuais.

A hepatite C é mais comum do que você imagina. Qualquer pessoa pode contrair hepatite C – desde que tenha entrado em contato com sangue infectado pelo vírus. Reserve alguns minutos para responder às perguntas a seguir (seja o mais honesto(a) possível).

Pense em uma consulta ao médico em que tenha ido recentemente ou no passado. Durante alguma dessas consultas, você:apresentava cansaço que seu médico não conseguiu explicar?foi informado sobre resultados de exames de enzimas hepáticas (ALT) elevadas?
foi diagnosticado com HIV?
foi diagnosticado com hepatite B?

Atualmente existem procedimentos mais rigorosos para a triagem do sangue e higienização de utensílios médicos. Mas você:já fez transfusão de sangue antes de 1992?já fez transplante de órgão antes de 1992?já recebeu derivados do sangue para hemofilia antes de 1987?já foi submetido a diálise renal?

Você pode ter entrado em contato com o sangue de uma pessoa infectada se alguma vez compartilhou:instrumentos para colocação de “piercing” ou realização de tatuagem (tinta/agulhas contaminadas)instrumentos de manicure/pedicure

Existem outras coisas que você pode ter feito – ainda que anos atrás – e que poderiam colocá-lo(a) em risco. 

No passado, ou recentemente, você:teve relações sexuais sem proteção c/ alguém infectado?sim (  ) não (  )

Compartilhou agulhas com uma pessoa infectada (mesmo se foi apenas uma vez)?  sim   (  )  -  não  (  )

Você trabalha com sangue, derivados do sangue ou agulhas?    sim   (  )  -  não  (  )

Você já prestou serviço militar?  sim   (  )  -  não  (  )

Algum membro de sua família já foi diagnosticado com hepatite C ou já vivenciou algum dos eventos acima?
sim   (  )  -  não  (  )

Se você respondeu “sim” a qualquer uma dessas perguntas, converse com seu médico. 
Lembre-se: tomar atitude é um primeiro passo importante.

Diagnóstico.

O diagnóstico é feito com base nos exames físico e de sangue para determinar o valor das transaminases (aminotransferases, segundo a nova nomenclatura médica), e a presença de antígenos do vírus na detecção do DNA viral. Em alguns casos, pode ser necessário realizar biópsia de fígado.

Até ter um diagnóstico definitivo, é importante tomar algumas precauções:
• Não doe seu sangue, órgãos do corpo, outro tecido, ou esperma;
• Não compartilhe escovas de dente, navalhas, ou outros artigos de cuidado pessoais que podem ter seu sangue;
• Cubra seus cortes e feridas abertas;
• Se você tiver um parceiro sexual fixo a longo prazo, há poucas chances de transmitir HCV ao mesmo, e você não precisa mudar seus hábitos sexuais. Se você quiser minimizar a chance, ainda que pequena, use preservativos de látex (a eficácia é desconhecida, mas o uso pode reduzir a transmissão);
• Não engravide.

Lembre-se que hepatite C não é transmitida com:
• Amamentação
• Espirros
• Tosse
• Abraço
• Compartilhamento de pratos, copos ou talheres
• Comida ou água
• Contato casuaDeu positivo, e agora?

Tratamento.

A hepatite C é muito mais comum do que se imagina: 1% a 1,5%,5 dos brasileiros são portadores crônicos do vírus causador da doença, o HCV.

O tratamento está indicado principalmente para os pacientes com alterações das enzimas hepáticas, nas análises de sangue e biópsia hepática demonstrando inflamação e sinais de fibrose, sugerindo risco de progressão para cirrose.

Atualmente o tratamento mais comum é uma associação de dois tipos de Medicamentos: a alfapeginterferona 2a e a alfapeginterferona 2b e a ribavirina. Inicialmente dura por um período de 12 ou 24 semanas, podendo ser prolongado por até 48 semanas. Depende da medicação utilizada e do perfil de cada paciente.

A alfapeginterferona 2a e a alfapeginterferona 2b são proteínas mensageiras produzidas pelo organismo em reação à infecção causada por um vírus. Acredita-se que inibam a reprodução dos vírus e melhorem as atividades protetoras do sistema imunológico. A ribavirina age de forma direta no vírus e tem uma ação imunomoduladora (atua no sistema imune).

Recentemente, dois novos tratamentos para hepatite C foram aprovados: o boceprevir e o telaprevir. Diferentemente da alfapeginterferona 2a, da alfapeginterferona 2b e da ribavirina, que modulam o sistema imune6, o boceprevir e o telaprevir atuam diretamente no vírus. Em associação à alfapeginterferona 2a, à alfapeginterferona 2b e à ribavirina, o chamado "tratamento triplo", há aumento da chance de cura do paciente. Porém, há também aumento do número de eventos adversos7.

O objetivo do tratamento duplo ou triplo é eliminar o vírus da circulação. É considerada cura da hepatite C quando o vírus continua indetectável no sangue por mais de 6 meses após suspensão dos medicamentos. Quando o dano hepático é grande, pode ser necessário um transplante de fígado. Porém, fígados transplantados são infectados novamente pelos vírus que ainda persistem na circulação sanguínea. Um transplante não cura a hepatite C.

O único tratamento cientificamente comprovado para hepatite é o descrito acima. Tenham cuidado com os chamados tratamentos naturais, pois podem piorar o quadro, já que muitas dessas ervas são hepatotóxicas (tóxicas para o fígado).

É importante saber que muitos fatores, próprios de cada indivíduo, podem influenciar na resposta que será obtida com o tratamento, devendo ser levados em consideração. Entre os mais significativos, temos os seguintes:
• Pessoas de raça branca obtêm melhores resultados ao tratamento do que pessoas de raça negra;
• Descendentes de raças latinas respondem melhor do que os anglo-saxões;
• A idade é um fator primordial – quanto mais jovem o paciente, melhor a resposta ao tratamento;
• O tempo de contaminação influi na resposta ao tratamento;
• Pessoas recentemente contaminadas têm melhor resposta ao tratamento;
• A quantidade de vírus é um indicador do prognóstico do tratamento;
• O dano hepático é fundamental – com menor dano no fígado, a resposta é muito melhor. Pessoas cirróticas conseguem uma resposta muito menor que aqueles com uma fibrose leve;
• A contaminação com mais de um genótipo ou a coinfecção com hepatite B ou HIV/AIDS diminuem as chances de resposta ao tratamento.

Procure seu médico para mais informações.

Hepatite B

Características

É uma doença do fígado causada pelo vírus da hepatite B (HBV) e é encontrada em todo o mundo. Muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas, mas a hepatite B também pode ser fatal.
Alguns grupos têm maior probabilidade de contrair a doença: pessoas com comportamento sexual de risco (sexo sem proteção, múltiplos parceiros etc.), parentes e parceiros de pessoas portadoras do HBV, usuários de drogas injetáveis, pessoas que precisam de transfusão de sangue com frequência, moradores e turistas de regiões com altas taxas de infecção.
A hepatite B é transmitida pelo sangue e outros fluidos do corpo, incluindo sêmen, secreções vaginais e saliva. A infecção ocorre quando esses fluidos contaminam os olhos e/ou a boca ou penetram no organismo por meio de um corte na pele ou contato sexual.

Sintomas.

Embora a hepatite B possa ser muito grave e até fatal, muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas. Outras podem apresentar sintomas semelhantes aos da gripe, incluindo fadiga, febre baixa, dores musculares e nas articulações, dor abdominal e diarreia ocasional. Algumas podem desenvolver icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos).
A maior parte das pessoas que contraem hepatite B se recupera, entretanto, aproximadamente 10% podem se tornar portadores crônicos.3 De modo geral, essas pessoas não apresentam sintomas, mas podem desenvolver doenças hepáticas graves, como cirrose ou câncer primário do fígado.
Prevenção
A hepatite B se transmite através do sangue e dos fluidos orgânicos. Há várias medidas que podem ajudar a prevenir a infecção:
• Evitar partilhar objetos pessoais como navalhas, escovas de dente, brincos e cortador de unhas;
• Assegurar-se que são usadas agulhas limpas para fazer tatuagens e colocar “piercings”;
• Se for ao barbeiro, assegurar-se que ele usa uma navalha limpa;
• Usar preservativos quando tem relações sexuais, principalmente se tiver múltiplos parceiros sexuais;
• Nunca partilhar agulhas ou seringas.

Existem outros meios de prevenção. Para mais informações, procure seu médico.
Diagnóstico.
O diagnóstico é feito com base nos exames físico e de sangue para determinar o valor das transaminases (aminotransferases, segundo a nova nomenclatura médica), e a presença de antígenos do vírus na detecção do DNA viral. Em alguns casos, pode ser necessário realizar biópsia de fígado.
Até ter um diagnóstico definitivo, é importante tomar algumas precauções:
• Não doe seu sangue, órgãos do corpo, outro tecido, ou esperma;
• Não compartilhe escovas de dente, navalhas, ou outros artigos de cuidados pessoais que possam ter seu sangue;
• Cubra seus cortes e feridas abertas;
• Se você tiver um parceiro sexual fixo a longo prazo, há poucas chances de transmitir HBV ao mesmo, e você não precisa mudar seus hábitos sexuais. Se você quiser minimizar a chance, ainda que pequena, use preservativos de látex (a eficácia é desconhecida, mas o uso pode reduzir a transmissão);
• Não engravide.

Tratamento.

Atualmente existem dois tipos de medicamentos comercializados que tratam a hepatite B: os antivirais e as interferonas.
Os antivirais impedem os vírus de replicarem-se ou de fazerem cópias de si próprios. As interferonas ajudam o sistema imunitário do organismo a lutar contra a infecção. Nem todas as pessoas infectadas com o vírus da hepatite B precisam de medicação. Só o seu médico pode decidir isso.
Os medicamentos eficazes para tratamento da hepatite B só estão disponíveis através de receita médica e o paciente nunca deve tomar outros produtos para tratar a hepatite B, como ervas ou vitaminas, sem falar com o seu médico.

Contraindicações.
Todos os medicamentos citados possuem diferentes contraindicações. Para mais informações, leia a bula dos medicamentos e/ou procure seu médico.
Hepatite A.

Características

A hepatite A é uma doença do fígado altamente contagiosa e algumas vezes fatal. É comum em muitas partes do mundo, principalmente em locais com baixos padrões de saneamento. Estima-se que 70% da população brasileira já teve contato com o vírus, que é encontrado nas fezes dos portadores da hepatite A.1 A transmissão é principalmente pela via fecal-oral, ou seja, ingestão de água ou alimentos contaminados e contato entre pessoas.
A hepatite A geralmente é transmitida por pessoas que não sabem que estão doentes, inclusive crianças. A medida mais importante para evitar a transmissão é lavar as mãos de forma adequada após ir ao banheiro ou manusear materiais que possam estar contaminados pelo vírus, inclusive fraldas sujas.Sintomas
Sintomas.

A hepatite A pode causar sintomas variados, que vão desde uma infecção leve, que não apresenta sintomas, até a forma grave da doença e morte. Os sintomas mais comuns incluem febre, calafrios e sensação de fraqueza. A pessoa contaminada também pode apresentar anorexia, náuseas, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), urina escura, fezes de cor clara, dor abdominal e fadiga.
Geralmente, a hepatite A não evolui para infecção crônica, embora a recuperação completa possa levar várias semanas. Entre 10% e 15% dos pacientes podem ter recaída e os sintomas podem perdurar por até 6 meses.

Diagnóstico.

Além de levar em conta os sintomas, o diagnóstico da hepatite A é feito por meio da detecção de anticorpos contra o vírus VHA no sangue ou pela presença de seus fragmentos nas fezes.
Até ter um diagnóstico definitivo, é importante tomar algumas precauções:
• Não coma frutos do mar crus ou mal cozidos. Moluscos, especialmente, filtram grande volume de água e retêm os vírus, se ela estiver contaminada;
• Evite o consumo de alimentos e bebidas dos quais não conheça a procedência nem saiba como foram preparados;
• Procure beber só água clorada ou fervida, especialmente nas regiões em que o saneamento básico possa ser inadequado ou inexistente;
• Lave as mãos cuidadosamente antes das refeições e depois de usar o banheiro. A lavagem criteriosa das mãos é suficiente para impedir o contágio de pessoa para pessoa;
• Não ingira bebidas alcoólicas durante a fase aguda da doença e nos três meses seguintes à volta das enzimas hepáticas aos níveis normais;
• Verifique se os instrumentos usados para fazer as unhas foram devidamente esterilizados ou leve consigo os que vai usar no salão de beleza.

Prevenção.

Para prevenir a hepatite A é importante adotar medidas higiênicas, como:
• Lavar bem as mãos antes de comer ou manipular alimentos;
• Lavar os alimentos antes de comê-los;
• Usar água potável ou fervida para beber e cozinhar;
• Saneamento básico de qualidade, com tratamento de águas e esgotos.
Tratamento.

Esse tipo de hepatite trata-se principalmente com repouso durante a fase aguda, até que os valores das análises hepáticas voltem ao normal. O repouso não é necessariamente permanecer na cama, mas grandes esforços físicos devem ser evitados. Não há uma dieta específica, porém a alimentação deve ser equilibrada: rica em proteínas e com baixo teor de gorduras. Aconselha-se beber muita água e nada de álcool, já que agrava a lesão do fígado.

Existem outros meios de prevenção, se apresentar sintomas , procure seu médico.


Número de pessoas infectadas com o vírus da Aids aumenta em Maceió.

Até abril deste ano já foram notificados 251 casos de pessoas com o vírus da Aids.

Com as comemorações do Dia dos Namorados, ocorrido nesta quarta-feira (12), a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) vem realizando ações para conscientizar a população sobre os riscos das Doenças Sexualmente Transmissíveis já que o número de pessoas infectadas com o vírus da Aids tem aumentado na capital.

Até o primeiro semestre, foram diagnosticados 251 casos de pessoas que estão com o HIV. Comparado ao ano passado, a SMS registrou 180. "Essas pessoas estão na faixa etária entre 20 e 34 anos", explicou Sandra Gomes, coordenadora do programa DST/AIDS.

Ela ainda disse que o objetivo de ações, como estão sendo feitas nas escolas durante esta semana, é alertar os jovens dos perigos do sexo sem camisinha. Os preservativos são distribuídos gratuitamente nas unidades de saúde e podem ser obtidos em qualquer horário e quantidade.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Região cerebral ligada à infelicidade ajuda a manter vício em cocaína.
Alterações na amígdala central induzidas pela droga contribuem para sintomas como ansiedade e outros ligados à abstinência

Cientistas do Scripps Research Institute, nos EUA, encontraram evidências de que uma região do cérebro relacionada com a emoção chamada amígdala central, que promove sentimentos de mal-estar e infelicidade, desempenha um papel importante na manutenção da dependência de cocaína.Em experimentos com ratos, os pesquisadores encontraram sinais de que alterações neste sistema cerebral induzidas pela cocaína contribuem para sintomas como ansiedade e outros ligados à abstinência da droga, que normalmente levam um viciado a continuar usando o tóxico.
Quando os pesquisadores bloquearam receptores cerebrais específicos chamados receptores opioides kappa nesta região do cérebro, sinais de dependência dos ratos diminuíram.
"Estes receptores parecem ser um bom alvo para terapia", afirma a principal pesquisadora Marisa Roberto.

O estudo foi descrito na revista Biological Psychiatry.

Segundo os pesquisadores, além de suas implicações clínicas, a descoberta representa uma alternativa para a busca do prazer, o circuito motivacional "positivo" que é tradicionalmente enfatizado no vício.
Enquanto mudanças nessas redes cerebrais de busca pelo prazer podem dominar o período de início do uso de drogas, os cientistas têm encontrado evidências de mudanças no circuito motivacional "negativo", mudanças que fazem com que uma pessoa use a droga não por seus efeitos eufóricos, mas por seu alívio (temporário) da ansiedade causada pela abstinência.
A equipe acredita que estas mudanças cerebrais ' negativas' marcam a transição para a dependência de drogas mais persistente.
Em uma série de estudos recentes, os pesquisadores têm destacado o papel de um desses atores ' negativos' : o receptor para o hormônio do estresse CRF. Encontrado em abundância na amígdala central, os receptores de CRF se tornam persistentemente hiperativos conforme o consumo de drogas aumenta, e a hiperatividade ajuda a explicar os sintomas negativos da retirada da droga.
A amígdala central também contém uma alta concentração de uma classe de neurotransmissores chamados dinorfinas, que se ligam a receptores opioides kappa. Muito parecido com o sistema CRF, o sistema dinorfina / opioide kappa mediam sentimentos negativos e disfóricos.
"Nossa hipótese era de que o sistema receptor dynorphin / opioide kappa na amígdala central também se torna hiperativo com o uso de cocaína excessivo", explica a autora do artigo Marsida Kallupi.
Essa hiperatividade seria esperada a surgir conforme o cérebro se esforça para manter a "homeostase recompensa", um equilíbrio entre prazer e desprazer. A dinorfina possivelmente atua para equilibrar os efeitos eufóricos produzidos por outros sistemas opioides durante o uso recreativo de drogas, segundo os pesquisadores.

Redução dos sinais de vício

Quando os pesquisadores deram a ratos acesso à cocaína, os ratos aumentaram sua ingestão diária como muitos usuários humanos fariam. Medidas eletrofisiológicas sensíveis revelaram sinais de hiperatividade funcional persistente do sistema GABAérgico na amígdala central.
Utilizando compostos que ativam ou bloqueiam receptores opioides kappa, os cientistas encontraram sinais de que esses receptores, como os receptores de CRF, de fato, ajudam a impulsionar a amígdala central, em hiperatividade durante o uso excessivo de cocaína.
Quando os pesquisadores bloquearam os receptores opioides kappa na amígdala central, a hiperatividade foi bastante reduzida.
A equipe espera que um tratamento semelhante possa ajudar viciados humanos em cocaína a se sentirem menos obrigados a continuar usando a droga. Bloqueadores dos receptores opioides kappa já estão sendo desenvolvidos para o tratamento de depressão e ansiedade.

Tratamento e reabilitação de dependência química são temas de debate
O programa conjunto visa a aumentar o nível de conscientização sobre a droga-dependência como doença tratável.


O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) iniciaram ontem , em Campinas (SP) as atividades da segunda fase do Projeto Global Treatnet Rede Internacional de Tratamento, Centros de Pesquisa e Reabilitação de Droga-Dependência.
O projeto tem como objetivo a prestação de assistência técnica, o treinamento, a identificação e a divulgação de boas práticas, bem como a exploração de possibilidades e o estímulo às experiências já existentes nos países. O programa conjunto visa a aumentar o nível de conscientização sobre a droga-dependência como doença tratável.


Tratamento preventivo reduz risco de Aids entre usuários de drogas
"Profilaxia"( definição de Profilaxia no final da pagina)  já havia se mostrado eficaz em transmissão da doença por via sexual




Tratamento preventivo com antirretrovirais reduziu quase à metade o risco de contrair aids entre usuários de drogas.

Um tratamento preventivo com antirretrovirais reduziu quase à metade o risco de contrair o vírus da aids entre usuários de drogas injetáveis, revela um estudo publicado nesta quinta-feira (13).
Alguns estudos realizados no passado já haviam revelado a eficácia da profilaxia pré-exposição (PrEP) na redução da transmissão do HIV por via sexual, assim como entre mãe e bebê, mas é a primeira vez que a PrEP se mostra promissora entre usuários de drogas, destaca o site da revista médica The Lancet.
Realizado na Tailândia durante quatro anos, o estudo envolveu 2.400 usuários de drogas injetáveis, dos quais a metade recebeu tratamento preventivo e a outra metade, placebo. 
O tratamento preventivo consiste em uma pastilha diária de Tenofovir, um antirretroviral utilizado contra o HIV comercializado nos Estados Unidos sob o nome de Viread.

Aids cresce 26% entre idosos em 10 anos em SP.
No final do estudo, 17 usuários tratados preventivamente estavam infectados pelo HIV, contra 33 do outro grupo, o que supõe uma redução de 48,9% no risco.
"Este estudo revela que a profilaxia pré-exposição pode ser eficaz em todas as populações de risco", comentou o doutor Michael Martin, um dos autores do trabalho.
O professor Salim Karim destaca que o tratamento deve ser acompanhado por outras medidas preventivas, como a distribuição de seringas descartáveis e de preservativos.
Segundo vários estudos realizados com heterossexuais africanos publicados em 2011, o risco de infecção pelo HIV se reduz em dois terços com o tratamento preventivo.


Profilaxia:
Termo muito utilizado na medicina , que são medidas para prevenir ou atenuar doenças. O termo profilaxia é de origem grega e significa precaução, e é também utilizado para designar estudo de outras áreas do conhecimento.
Profilaxia é muito mais utilizado na área da medicina, que são as medidas que podem ser tomadas para reverter ou evitar doenças, desde procedimentos complexos, como o uso de remédios, até os mais simples. Um grande exemplo da profilaxia, foi a criação da vacina, que faz com que o sistema imune reconheça os elementos externos que podem atingí-los e assim desencadeiam uma reação de defesa.

quarta-feira, 12 de junho de 2013


Luta Antimanicomial enfraquece o estigma da "loucura".

Por muito tempo, as pessoas que sofriam de tormentos psíquicos eram excluídas totalmente da sociedade, obrigadas a viver em regimes de clausura em manicômicos e tratadas por terapia quase que unicamente medicamentosa. A Semana de Luta Antimanicomial, comemorada anualmente de 13 a 18 de maio, lembra a mudança de paradigma no tratamento dispensado a esses cidadãos.
De loucos e perigosos, essas pessoas passaram a contar no serviço público com uma política que objetiva maior humanização no acolhimento, tratamento e acompanhamento dos seus problemas.
Prostitutas cortam relações com Ministério da Saúde depois
de cancelamento de campanha histórica.

A Rede Brasileira de Prostitutas, liderada pela militante Gabriela Leite, conhecida como idealizadora da grife DasPu, afirmou esta semana que a entidade irá romper relações com o Ministério da Saúde, por conta da alteração sem aviso da campanha de prevenção voltada às prostitutas.
Elas participaram da campanha de prevenção à Aids, cedendo suas imagens ao lado da frase “ Eu sou Feliz sendo prostituta”, para comemorar o 2 de Junho, Dia Internacional das Prostitutas, que acabou vetada. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, suspendeu a campanha e dois dias depois relançou-a com menor alcance e alterando o slogan dos materiais. No lugar, o ministério decidiu escrever: “Prostituta que se cuida usa camisinha”. A alteração causou o pedido de demissão dos dois coordenadores do Programa Nacional de Aids.
Agora, as prostitutas, como gostam de ser chamadas, querem revogar o uso de suas imagens. Uma notificação extrajudicial deverá ainda pedir a suspensão de todas as peças da campanha. "Também vamos formalizar o fim da nossa parceria com o ministério", declarou Gabriela Leite.
A campanha havia sido aprovada em uma oficina com as trabalhadoras do sexo e visava aumentar a auto estima para promover a prevenção. Mas o ministro afirmou que a mesma não tinha sido aprovada oficialmente.
"Nossa parceria com o governo é histórica. Desde 1989 preparamos em conjunto trabalhos de prevenção, mas com a filosofia atual do governo, não há a menor condição", afirmou Gabriela, que considerou a atitude do Ministério um desrespeito e retrocesso. A atitude de censurar a campanha tem claro propósito eleitoral, assim como foi o cancelamento do programa “Escola sem Homofobia”, para evitar conflitos com os setores retrógrados da sociedade.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Anvisa proíbe venda de fitoterápico feito por empresa não autorizadaCápsulas de Ginkgo Biloba 500 mg eram fabricadas pela Natucenter Ltda. 
Empresa não tem registro na agência nem autorização de funcionamento.


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a fabricação, distribuição, propaganda, venda e o uso em todo o país do medicamento fitoterápico (à base de plantas) Ginkgo Biloba fabricado pela empresa Natucenter Ltda., que não tem registro na agência nem autorização de funcionamento.

A decisão, avaliada como "medida de interesse sanitário", foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (11).

O produto era comercializado em cápsulas, na versão de 500 mg, e indicado para melhorar a memória e a atenção e reduzir tonturas. Segundo a Anvisa, outros itens fabricados pela Natucenter também estão sujeitos à fiscalização sanitária e devem ser suspensos.
Estudo nega relação entre remédios para hiperatividade e uso de drogas

Cientistas analisaram 15 estudos, realizados entre 1980 e 2012. Uso de medicação estimulante para tratar o TDAH está em ascensão.

Crianças com transtorno de hiperatividade e déficit de atenção (TDAH) que tomam remédios estimulantes não correm um risco maior de abuso de substâncias quando forem maiores, em comparação com outras sem tratamento para o mesmo distúrbio, revelou um estudo publicado nesta quarta-feira (29) no Jornal da Associação Médica Americana, "JAMA Psychiatry".
As descobertas se basearam em uma meta-análise de 15 estudos prévios, realizados entre 1980 e 2012, e incluíram mais de 2.500 participantes com TDAH, alguns dos quais tiveram prescrita medicação e alguns, não.
Cientistas da Universidade da Califórnia afirmaram ter descoberto que crianças que tomavam remédios como a Ritalina não foram nem mais nem menos propensas a experimentar ou abusar de álcool, nicotina ou outras drogas em comparação com crianças com TDAH sem tratamento.
"Nós não encontramos associação entre o uso de medicamentos como a Ritalina e o abuso futuro de álcool, nicotina, maconha e cocaína", afirmou a principal autora do estudo, Kathryn Humphreys, doutoranda do Departamento de Psicologia da UCLA.
Uso de medicação é crescente
Como resultado, os cientistas disseram que seu trabalho fornece "uma atualização importante" ao campo de conhecimento de abuso de drogas e medicamentos contra o TDAH. O uso de medicação estimulante para tratar o TDAH está em ascensão, mas permanece controverso, devido a preocupações de que a prática possa aumentar o risco de dependência e abuso no futuro para usuários jovens.
Acredita-se que o distúrbio ocorra entre 5% e 10% das crianças americanas. Uma análise recente de dados do governo americano, feita pelo jornal "The New York Times", revelou que um em cada cinco meninos adolescentes é diagnosticado com o transtorno. A idade média das crianças estudadas foi de oito anos quando a pesquisa começou e a avaliação de acompanhamento mais recente foi realizada aos 20 anos.
Os pacientes acompanhados eram procedentes dos estados americanos de Califórnia, Nova York, Michigan, Pensilvânia e Massachusetts, além de Alemanha e Canadá.

sábado, 1 de junho de 2013

01 de Junho de 2013.
Lei antifumo entra em vigor na Rússia

Restrições ao tabaco entraram em vigor na Rússia neste sábado e o presidente russo, Vladimir Putin, espera que a medida crie uma mão de obra mais saudável e ajude a reverter o declínio da população, embora haja forte resistência no país em que quatro em cada dez pessoas fumam.
A medida, parte de uma lei que Putin sancionou em fevereiro, inclui a proibição de fumar em escolas e universidades, museus, instalações desportivas, hospitais e transportes públicos, alguns dos locais onde fumar já era proibido.
Um preço mínimo para cigarros deverá ser definido em janeiro e o maior desafio para a cultura do cigarro na Rússia virá em junho de 2014: a proibição de fumar em cafés, restaurantes e hotéis, e a suspensão das vendas de cigarro em quiosques de rua.
Quase 40 por cento dos russos fumam, em comparação a 27 por cento nos Estados Unidos e a 30 por cento na França, de acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS).
A esperança de vida média na Rússia é de 69 anos, contra 79 anos nos Estados Unidos e 82 anos na França, de acordo com o Banco Mundial.
Há dúvidas sobre o cumprimento da lei e um amplo debate entre os russos sobre o impacto da nova legislação. Adotar a lei foi a coisa certa a fazer, disse Alexander, um morador de Moscou. "Eu pretendo parar de fumar e espero que isso ajude."
Mas os contrários à medida dizem que não vai funcionar e que atenta contra os direitos dos fumantes. "Nosso país não está preparado para essa lei", disse o proeminente jurista Mikhail Barshchevsky, comparando-a ao esforço impopular do ex-líder soviético Mikhail Gorbachev para reprimir o consumo de bebidas alcoólicas durante sua reforma "perestroika" no fim dos anos 1980.
"Esta não é uma lei sobre o combate ao fumo, é uma lei sobre genocídio de fumantes."
A lei tem o objetivo de alinhar gradualmente o país a um pacto internacional de controle do tabaco e desestimular os cidadãos ao hábito que, segundo o primeiro-ministro Dmitry Medvedev, mata quase 400 mil russos a cada ano.
A população da Rússia caiu para 142 milhões de habitantes em 2011, ante 149 milhões em 1991, o ano do colapso da União Soviética, e especialistas alertam que diminuirá ainda mais.
Putin, que poderá se candidatar a outro mandato de seis anos em 2018, quer que a população aumente e pediu que os russos, principalmente os jovens, tenham uma vida mais saudável.
As restrições que entraram em vigor neste sábado também incluem a proibição de fumar dentro de 15 metros das entradas de aeroportos, metrô, trem e estações de ônibus, e nas escadas de prédios de apartamentos.

(Reportagem de Steve Gutterman)

Estudo nega vínculo entre remédios para hiperatividade e uso de drogas.

Crianças com transtorno de hiperatividade e déficit de atenção (TDAH) que tomam remédios estimulantes não correm um risco maior de abuso de substâncias quando forem maiores, em comparação com outras sem tratamento para o mesmo distúrbio, revelou um estudo publicado nesta quarta-feira (30).
As descobertas, publicadas no Jornal da Associação Médica Americana (JAMA) Psychiatry, se basearam em uma meta-análise de 15 estudos prévios, realizados entre 1980 e 2012, e incluíram mais de 2.500 participantes com TDAH, alguns dos quais tiveram prescrita medicação e alguns, não.
Cientistas da Universidade da Califórnia afirmaram ter descoberto que crianças que tomavam remédios como a Ritalina não foram nem mais nem menos propensas a experimentar ou abusar de álcool, nicotina ou outras drogas em comparação com crianças com TDAH sem tratamento.
"Nós não encontramos associação entre o uso de medicamentos como a Ritalina e o abuso futuro de álcool, nicotina, maconha e cocaína", afirmou a principal autora do estudo, Kathryn Humphreys, doutoranda do Departamento de Psicologia da UCLA.
Como resultado, os cientistas disseram que seu trabalho fornece "uma atualização importante" ao campo de conhecimento de abuso de drogas e medicamentos contra o TDAH.
O uso de medicação estimulante para tratar o TDAH está em ascensão, mas permanece controverso, devido a preocupações de que a prática possa aumentar o risco de dependência e abuso no futuro para usuários jovens.
Acredita-se que o distúrbio ocorra entre 5% e 10% das crianças americanas. Uma análise recente de dados do governo americano, feita pelo jornal The New York Times, revelou que um em cada cinco meninos adolescentes é diagnosticado com o transtorno.
A idade média das crianças estudadas foi de oito anos quando a pesquisa começou e a avaliação de acompanhamento mais recente foi realizada aos 20 anos.
Os pacientes acompanhados eram procedentes dos estados americanos de Califórnia, Nova York, Michigan, Pensilvânia e Massachusetts, além de Alemanha e Canadá.