Psicoterapeuta. - CRT 42.156

Psicoterapeuta. - CRT 42.156
Fernando Cesar Ferroni de Freitas

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Sexo químico vira hábito entre a juventude

Pois além do risco da dependência química, o método pode aumentar o número de contágio do vírus HIV entre os jovens.
Você já ouviu falar no "Chemsex"? Do inglês "chemical sex", significa o mesmo que sexo químico. Consiste no uso intencional de drogas ou substâncias químicas durante a relação sexual em um longo período de tempo.
De acordo com especialistas, entre as drogas mais usadas estão o GHB (gama-hidroxibutirato), a mefedrona (a mais viciante) e a metanfetamina. Estas podem ou não ser consumidas junto da cocaína, do speed, da ketamina, do ectasy ou do MDMA. Quando as drogas são injetadas o termo utilizado é "slamsex". Saiba mais!
Segundo relatos, esta combinação não é algo novo. Além disso, não se trata apenas de hábitos vindos do universo homossexual, por exemplo. Já sua incidência maior é nas capitais europeias.
Para profissionais, a prática preocupa bastante. Pois além do risco da dependência química, o método pode aumentar o número de contágio do vírus HIV entre os jovens.
Na cidade de Londres, o Chemsex já é considerado um problema de saúde pública. Há clínicas que chegam a tratar até 100 casos por mês de pessoas com transtornos ocasionados pelo consumo de drogas vinculado ao sexo químico.
Já na Espanha, os números não são tão claros. Porém, segundo especialistas, em cidades como Madri e Barcelona houve registros de casos decorrentes do Chemsex.
Algumas ONGs já estariam atuando como interlocutores dos afetados, ajudando-os a divulgar o problema para que profissionais de saúde compreendam a dimensão do problema, agindo enquanto é tempo.
Festas do sexo atraem os jovens
Na opinião de profissionais, condutas sexuais de risco sempre chamaram a atenção dos jovens. Agora, tornou-se uma preocupação não só para os pais como, também, para epidemiologistas, por causa do consumo exagerado de drogas.
Para especialistas, nessas festinhas sexuais é muito comum encontrar substâncias que causam euforia e desinibição. Assim, como a intenção é focar no sexo, provocam longas sessões sexuais, que podem durar horas ou dias.
Por conta disso, sua prática repercute negativamente na saúde, causando vícios, comprometendo a saúde mental e, ainda, contribuindo para a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, entre elas a AIDS.
Para usuários, efeitos colaterais são favoráveis.
De acordo com informações da ABC, os efeitos descritos pelos usuários são euforia, aumento da energia, estado de alerta, urgência por falar, melhora da função mental, aumento da percepção da música, diminuição de sentimentos hostis e aumento do desejo sexual.
Em compensação, a médio e longo prazo o consumo dessas drogas provoca efeitos ruins como dores de cabeça, depressão, ansiedade, sensação de enjoo, fraqueza muscular, olhos vermelhos e problemas de vasoconstrição.
Há ainda quadros de vermelhidão na pele e nas articulações, além de dor abdominal e nos rins, ataques de pânico, depressão e psicose, disfunções cardiovasculares e vício.
Uma recente pesquisa ouviu 387 homens que mantêm relações homossexuais com pacientes HIV positivos sexualmente ativos e, ainda, são adeptos do "Chemsex" ou do "Slamsex".
De acordo com os resultados, 50,6% dos participantes consumiram drogas de uso recreativo nos últimos três meses. Destes, 21% consumiram cinco ou mais simultaneamente. Enquanto que 47% consumiram três ou mais.
Para profissionais, manter relações sexuais usando mefedrona e flaka, por exemplo, novas drogas com efeitos estimulantes, é uma conduta irresponsável e letal. Além disso, estas práticas também interferem no tratamento antirretroviral.
Isso porque os principais riscos do consumo de drogas são a baixa aderência ao tratamento, o desenvolvimento de resistências, o risco de interações medicamentosas e o aumento da transmissibilidade.
Um exemplo disso é que 35% dos pacientes afirmam adiar algumas doses intencionalmente, quando sabem que vão consumir as drogas. Então, pressupõe-se que o vírus HIV não é o único risco.
Existem outras infecções que também podem ser contraídas durante as relações sexuais como a sífilis e a gonorreia, por exemplo, cujo número de casos aumentou assustadoramente nos últimos dez anos, é o que afirmam os pesquisadores.
Então, concluiu-se que todas as organizações envolvidas com esse âmbito da AIDS e outras doenças venéreas advertem que fenômenos sociais como este podem ser responsabilizados por uma piora no cenário mundial, uma vez que os jovens teriam esquecido a gravidade do problema.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Lei 13.281/2016 e as consequências diante da recusa em se submeter ao bafômetro

O que acontece se o indivíduo dirigir veículo automotor sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência?

Neste caso, ele poderá responder por duas sanções:

1) INFRAÇÃO DE TRÂNSITO (infração administrativa) prevista no art. 165 do Código de Trânsito, que sujeita o infrator a pagar multa e a ficar sem dirigir pelo período de 12 meses.

Durante a blitz, ao constatar a embriaguez, a autoridade de trânsito já recolhe o documento de habilitação do condutor.

O veículo só poderá sair do local se uma outra pessoa com habilitação for até lá para retirá-lo.

Veja a redação do dispositivo:

Art. 165. Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa (dez vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 (doze) meses.

Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação e retenção do veículo, observado o disposto no § 4º do art. 270 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 - do Código de Trânsito Brasileiro.

Parágrafo único. Aplica-se em dobro a multa prevista no caput em caso de reincidência no período de até 12 (doze) meses.

2) CRIME previsto no art. 306 do CTB:

Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência:

Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Qual é o meio de se provar a embriaguez do condutor?

O principal instrumento para isso é o etilômetro, mais popularmente conhecido como "bafômetro", que mede o teor alcoólico no ar alveolar.

No entanto, o CTB prevê que é possível essa constatação por outros meios, como por exemplo:

• exame clínico;

• perícia;

• vídeo

• prova testemunhal.

Onde esse tema está previsto no CTB?

Regras para comprovar a prática da infração de trânsito do art. 165 do CTB:

Art. 277. O condutor de veículo automotor envolvido em acidente de trânsitoou que for alvo de fiscalização de trânsito poderá ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que, por meios técnicos ou científicos, na forma disciplinada pelo Contran, permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa que determine dependência.

(...)

§ 2º A infração prevista no art. 165 também poderá ser caracterizada mediante imagem, vídeo, constatação de sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade psicomotora ou produção de quaisquer outras provas em direito admitidas.

Regras para comprovar a prática do crime do art. 306 do CTB:

Art. 306 (...)

§ 1º As condutas previstas no caput serão constatadas por:

I - concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar; ou

II - sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade psicomotora.

§ 2º A verificação do disposto neste artigo poderá ser obtida mediante teste de alcoolemia ou toxicológico, exame clínico, perícia, vídeo, prova testemunhal ou outros meios de prova em direito admitidos, observado o direito à contraprova.

§ 3º O Contran disporá sobre a equivalência entre os distintos testes de alcoolemia ou toxicológicos para efeito de caracterização do crime tipificado neste artigo.

Com o advento da Lei nº 12.760/2012, o art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro foi alterado de forma a tornar dispensável a realização do teste do bafômetro para a constatação do estado de embriaguez do condutor do veículo. Assim, a alteração da capacidade psicomotora do condutor do veículo poderá ser verificada mediante exame clínico, vídeo, prova testemunhal ou outros meios de provas admitidos, observado o direito à contraprova (STJ. 5ª Turma. HC 322.611/RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 01/10/2015).

Sob o ponto de vista da sanção administrativa (INFRAÇÃO DE TRÂNSITO), o que acontece caso o condutor se recuse a fazer o teste do "bafômetro" e/ou os exames clínicos?

Agora, o CTB prevê que esta recusa configura uma infração de trânsito autônoma, prevista no art. 165-A:

Art. 165-A. Recusar-se a ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa, na forma estabelecida pelo art. 277:

Atenção: o condutor que recusa fazer o teste não mais responderá pela infração do art. 165, mas sim pelo art. 165-A.

Vale ressaltar que, na prática, não muda nada. Isso porque as sanções do art. 165-A são idênticas às do art. 165, ou seja, para fins administrativos, o condutor continuará respondendo como se tivesse sido constatada a sua embriaguez.

Previsto no novo § 3º do art. 277 do CTB:

§ 3º Serão aplicadas as penalidades e medidas administrativas estabelecidas no art. 165-A deste Código ao condutor que se recusar a se submeter a qualquer dos procedimentos previstos no caput deste artigo. (Redação dada pela Lei 13.281/2016)

Veja a nova infração de trânsito prevista no art. 165-A:

Art. 165-A. Recusar-se a ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa, na forma estabelecida pelo art. 277:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa (dez vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 (doze) meses;

Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação e retenção do veículo, observado o disposto no § 4º do art. 270.

Parágrafo único. Aplica-se em dobro a multa prevista no caput em caso de reincidência no período de até 12 (doze) meses.

Qual foi a razão desta mudança?

O objetivo velado do legislador foi o de evitar questionamentos judiciais que anulavam as antigas autuações. Explico. Antes da Lei nº 13.281/2016, o condutor era punido pela infração do art. 165 do CTB (dirigir sob a influência de álcool/substância psicoativa) mesmo sem prova de que ele estava sob a influência dessas substâncias. A punição era feita com base em uma presunção legal absoluta. Recusou-se a fazer o teste, logo, presumo que praticou o art. 165 e determino a aplicação de suas sanções.

Ocorre que esse sistema de presunção era de constitucionalidade extremamente duvidosa, o que gerava questionamentos junto ao Poder Judiciário que, em não raras oportunidades, anulou autuações administrativas firmadas neste dispositivo.

A nova redação do § 3º do art. 277, promovida pela Lei nº 13.281/2016, não mais pune o condutor com base em uma presunção. Ele cria nova infração administrativa e agora sanciona o indivíduo que se recusa a cumprir a obrigação legal prevista no art. 277.

Melhor explicando. O art. 277 do CTB impõe uma obrigação legal a todos os condutores de veículos automotores: em caso de uma fiscalização de trânsito (blitz), você poderá, a critério da autoridade, "ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que, por meios técnicos ou científicos" "permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa que determine dependência". Caso não cumpra esse dever, receberá uma punição administrativa, não por ter dirigido sob a influência de álcool, mas sim por não ter atendido à determinação da autoridade de trânsito.

Direito à não autoincriminação

A nova infração de trânsito prevista no art. 165-A do CTB irá continuar gerando polêmica. Isso porque certamente surgirão vozes defendendo a sua inconstitucionalidade pela suposta violação ao princípio da ampla defesa.

O princípio da ampla defesa é uma garantia fundamental insculpida no art. , incisos LV e LXIII, da CF/88.

A ampla defesa abrange: defesa técnica: exercida por advogado ou defensor público; autodefesa: exercida pelo próprio réu. Por conta da autodefesa, o réu não é obrigado a se autoincriminar.

O Pacto de San José da Costa Rica, que vige em nosso ordenamento jurídico com caráter supralegal, estabelece em seu art. 8º, inciso II, alínea g, que “toda pessoa tem direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a declarar-se culpada”.

Trata-se do princípio do nemo tenetur se detegere.

Por força desse princípio, a doutrina e a jurisprudência entendem que o Estado não pode constranger a pessoa a produzir provas contra si próprio.

Isso significa que o art. 165-A do CTB é inconstitucional? Penso que não. O princípio da não autoincriminação tem aplicação mitigada quando estamos fora da esfera penal. O suspeito ou acusado de ilícito administrativo não tem o dever de produzir provas contra si, no entanto, esta sua recusa poderá sim ser punida com sanções administrativas decorrentes de sua omissão. Imagine, por exemplo, que determinado contribuinte tenha recebido altos valores decorrentes de atividades ilícitas. A fim de não produzir provas contra si mesmo, ele decide não descrever tais valores no imposto de renda. Ocorre que é um dever do contribuinte declarar todos os rendimentos recebidos. Caso esta situação seja descoberta, ele irá receber uma sanção administrativa (multa de ofício) aplicada pela Receita Federal e não poderá invocar o princípio da não autoincriminação como argumento para isentá-lo da punição administrativa.

Renato Brasileiro, analisando a redação anterior do § 3º do art. 277 do CTB, também conclui nele não haver qualquer inconstitucionalidade. Veja os argumentos por ele deduzidos:

"O fato de o art. 277, § 3º, do CTB, prever a aplicação de penalidades e medidas administrativas ao condutor que não se sujeitar a qualquer dos procedimentos previstos no caput do referido artigo é perfeitamente constitucional. Ao contrário do que ocorre no âmbito criminal, em que, por força do princípio da presunção de inocência, não se admite eventual inversão do ônus da prova em virtude de recusa do acusado em se submeter a uma prova invasiva, no âmbito administrativo, o agente também não é obrigado a produzir prova contra si mesmo, porém, como não se aplica a regra probatória que deriva do princípio da presunção de inocência, a controvérsia pode ser resolvida com base na regra do ônus da prova, sendo que a recusa do agente em se submeter ao exame pode ser interpretada em seu prejuízo, no contexto do conjunto probatório, com a consequente imposição das penalidades e das medidas administrativas previstas no art. 165 do CTB." (LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Salvador: Juspodivm, 2015, p. 81-82).

Sob o ponto de vista da sanção penal (CRIME), o que acontece caso o condutor se recuse a fazer o teste do "bafômetro" e/ou os exames clínicos?

A recusa do condutor não poderá ser utilizada nem como presunção nem como argumento para a sua condenação criminal. Isso porque aqui vigoram, em sua plenitude, dois importantes princípios: o da não autoincriminação e o da presunção de inocência.

Assim, a recusa do condutor deve ser considerada como um dado completamente irrelevante para o processo penal.

Recusando-se o condutor a submeter-se ao bafômetro ou demais exames, cumpre ao Estado angariar outros meios de prova para atestar que ele praticou o delito previsto no art. 306 do CTB.

O § 2º do art. 306 indica, exemplificativamente, quais seriam estes outros meios de prova, devendo ser destacados dois deles: vídeo e prova testemunhal. Se o condutor, parado na blitz, mal consegue andar, fala coisas desconexas e no interior do veículo é encontrada lata de cerveja aberta, tais circunstâncias configuram indícios de que ele estava dirigindo alcoolizado. Sendo esta situação filmada ou havendo testemunhas oculares do ocorrido, tais elementos informativos poderão ser levados ao processo onde, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, poderão se tornar provas suficientes para uma condenação.



Fonte: Márcio André Lopes Cavalcante.

Burnout: A Sindrome De Exaustão No Trabalho

A síndrome de burnout (literalmente, “algo que queima até não sobrar nada”), também chamada de exaustão ou esgotamento, vem sendo cada vez reconhecida nas diversas profissões, sendo consequência do excesso ou sobrecarga de trabalho, embora não seja ainda reconhecida como doença pela Organização Mundial da Saúde.

Como o próprio nome diz, a pessoa se sente literalmente exausta, esgotada física e psicologicamente, seja por causa do número de horas trabalhadas, seja pelo estresse provocado pelas condições de trabalho. Burnout provavelmente sempre existiu, basta lembrar as condições de trabalho dos operários na Revolução Industrial, no século XIX, chegando a 16-18 horas diárias, sem um período estipulado de descanso. Ao longo do século XX, leis foram criadas para proteger o trabalhador e regrar a duração do dia de trabalho, os horários de descanso e os dias de folga, bem como a utilização de equipamentos para reduzir o risco de acidentes.

Na atualidade, o uso crescente de recursos tecnológicos e da informática mudou novamente o modo de trabalhar; a aceleração da velocidade de comunicação e a integração global trouxe novamente a demanda por muitas horas de trabalho em geral sob forte pressão de desempenho. Nestas condições surge novamente a exaustão, caracterizada pelo desanimo, dificuldade de raciocínio, ansiedade, preocupação, irritabilidade, sensação de incapacidade ou inferioridade, alterações do sono, diminuição da motivação e da criatividade, aparecimento de transtornos mentais e doenças físicas.

Uma consequência frequente é o uso de drogas (álcool, tabaco, além das drogas ilícitas) como forma de alívio. É importante estar alerta a esta situação que agravará ainda mais a condição física e mental do indivíduo. O mesmo pode ser dito da automedicação.

Além das condições adversas e estressantes de trabalho, algumas características da personalidade são consideradas importantes para o aparecimento da síndrome de exaustão. Pessoas muito competitivas, ambiciosas, com dificuldade para delegar, absorvendo tudo para si, fazendo do trabalho sua única atividade tem maior chance de desenvolver exaustão. Por outro lado, pessoas inseguras, necessitadas de reconhecimento pelos outros, com dificuldade de colocar limites e abrindo mão de suas próprias necessidades também estão mais vulneráveis ao Burnout.

Bem, e o que fazer para prevenir a síndrome de exaustão? A primeira e óbvia recomendação é – descanso físico e mental. O equilíbrio entre o trabalho e as atividades física, de lazer, o encontro com os amigos e outras é o primeiro passo. Mudanças de atitudes, de expectativas, de hábitos de vida podem também auxiliar na prevenção.

Nos casos em que a síndrome de burnout já está instalada, recomenda-se buscar auxílio médico especializado, para avaliação do quadro e orientação quanto ao tratamento. Especialmente no caso das pessoas cujas características de personalidade as tornam mais propensas ao Burnout, a psicoterapia é um complemento importante, pois o problema está muitas vezes ‘dentro’ da pessoa e não tanto em suas condições de trabalho.


Prof. Dr. Mario Louzã é médico psiquiatra, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Fez Residência Médica em Psiquiatria Geral no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas da FMUSP. É Especialista em Psiquiatria Geral pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Fez Pós-graduação (Doutoramento) na Clínica Psiquiátrica da Universidade de Würzburg, Alemanha, e Pós-doutorado no Instituto Central de Saúde Mental em Mannheim, Alemanha. É Médico Assistente e Coordenador do Programa de Esquizofrenia (PROJESQ) e do Programa de Déficit de Atenção e Hiperatividade (PRODATH) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. É Bacharel em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
 
Por Prof. Dr. Mario Louzã, médico psiquiatra, doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, Alemanha, e Membro Filiado do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Marcha da Maconha reúne mais de mil pessoas no Rio

Crianças que dependem de remédios feitos à base de maconha participaram do ato
Com crianças e pessoas que dependem de remédios feitos à base de maconha, a Marcha da Maconha saiu, neste sábado (7), na orla da praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. É a 13a vez que ativistas se reúnem em defesa da descriminalização da droga para uso terapêutico e recreacional e fazem uma caminhada em direção à praia do Arpoador, na zona sul da cidade. Mais de mil pessoas participaram.

O tema desta edição foi “A proibição mata todo dia”, em referência às vítimas de confrontos com a polícia, por causa da atual política de repressão. Nas contas da Campanha da Proibição Nasce o Tráfico, 230 mil pessoas morreram na guerra às drogas entre 2009 e 2013.

Apesar de vendida e consumida em toda a cidade, a repressão à maconha tem caráter classista e racista, disse o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, André Barros, um dos organizadores. “A repressão só acontece onde moram os negros e pobres”, denunciou. “Nossa luta não é só pela legalização, é contra essa guerra”, completou.

Ao lado de famílias com pessoas que dependem de medicamentos à base de maconha, a mãe de uma criança que faz uso de um remédio com canabidiol e de THC, Gabriela Mendes cobrou pesquisas e a produção das substâncias no Brasil. Hoje, ela gasta cerca de R$ 5 mil por mês com os medicamentos para a filha de 8 anos, que são subsidiados por um plano de saúde. Caso a produção fosse feita nacionalmente, a estimativa de custo seria de 45 dólares por mês – cerca de R$ 157.

A filha de Gabriela tem síndrome de Rett e sofre crises de epilepsia de difícil controle. A menina chegou a usar cinco tipos de remédios para as convulsões, mas sem efeitos satisfatórios. “No primeiro mês de uso da maconha medicinal, com canabidiol e baixo índice de THC, conseguimos reduzir as crises em 90%”, revelou a mãe.

Pesquisas mostram que a maconha tem efeitos positivos no tratamento de esclerose múltipla, glaucoma, epilepsia e doenças crônicas, mas o preconceito contra droga trava a liberação da produção nacional, alegam os ativistas. Para fins terapêuticos, a droga já foi liberada no Canadá e Estados Unidos, por exemplo. No Brasil, é permitida apenas a importação do canabidiol.

Guerra às drogas

A marcha contou ainda como uma ala feminina, que protestava contra a criminalização de usuários e o encarceramento de mulheres por causa do tráfico. “Representamos as mulheres presas por causa da droga, as que sofrem com a perda de seus filhos na guerra ao tráfico e aquelas que passam por violência para comprar a droga em áreas perigosas”, disse Graziela Areas.

Manifestantes também defenderam a legalização como forma do fim do estigma ao usuário. “Fumo maconha há 40 anos e não aguento mais ser preso, perseguido e chamado de criminoso”, desabafou Ricardo Vieira, que foi preso, chegou a ser julgado esta semana e absolvido.

O vereador Renato Cinco (Psol), um dos criadores da marcha, acrescentou que o movimento também é contra a internação compulsória de usuários. Ele advertiu que um projeto neste sentido tramita no Congresso Nacional, em desacordo com a política de saúde mental.

Por conta do histórico de confronto com a polícia em edições anteriores, os organizadores do protesto fizeram um acordo com a Polícia Militar que apenas acompanhou o protesto. Também foi pedido para que os participantes não fumassem a substância durante a marcha.

Ministro demite coordenador da saude mental criticado por entidades movimentos sociais.



BRASÍLIA

O ministro da Saúde substituto, José Agenor Álvares, exonerou o Coordenador de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, Valencius Wurch, do cargo. Valencius estava nessa coordenação desde o final do ano passado e sua nomeação foi duramente criticada por entidades e movimentos sociais ligados à área. Em protesto, manifestantes chegaram a ocupar sua sala de trabalho. Em todo o país, militantes desses movimentos realizaram campanhas de "Fora Valencius". A exoneração foi publicada no Diário oficial desta segunda-feira.

Essas entidades afirmam que as experiências de Valencius se limitam às clínicas manicomiais tradicionais, o que o coloca em desalinho com as medidas de reforma da Política Nacional da Saúde Mental. Segundo o grupo, entre os anos de 1993 e 1998, período em que foi diretor da Casa de Saúde Doutor Eiras, em Piracambi (RJ), até então o maior manicômio da América Latina, a gestão de Valencius Wurch se sustentava à base de violações dos direitos humanos, como o uso de eletrochoques, alimentação escassa e água não potável, fatos que provocavam óbitos com frequência. Ainda de acordo com o documento, ao longo de seus 33 anos de carreira, Wurch nunca teve experiência de trabalho em instituições extra-hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS), além de não ter participação em projetos em equipamentos da Rede de Atenção Psicossocial.

O ex-ministro da Saúde Marcelo Castro, que deixou a pasta há duas semanas, sempre defendeu a permanência de Valencius, com elogios a seu currículo e trajetória profissional.


Leia mais:http://extra.globo.com/noticias/brasil/ministro-demite-coordenador-da-saude-mental-criticado-por-entidades-movimentos-sociais-19260750.html#ixzz48BhmcA76

quinta-feira, 28 de abril de 2016


Profissionais da Segurança participam de capacitação sobre dependentes químicos

Começou nesta segunda-feira (24), na Central de Polícia Civil, em João Pessoa, as aulas do curso de capacitação sobre Identificação e Encaminhamento de Dependentes Químicos, que está sendo promovido por meio de uma parceria entre a Secretaria Estadual de Segurança e Defesa Social (Sesds) e o Serviço Nacional de Segurança Pública (Senasp), órgão ligado ao Ministério da Justiça.

O curso também recebe o apoio da Academia de Polícia Civil da Paraíba (Acadepol).

A capacitação é voltada para policiais civis e militares, e se estende também para Núcleos de Saúde destas instituições, além de servidores da Secretaria de Educação do Estado.

Para a agente de investigação e chefe do Núcleo de Saúde da Secretaria de Segurança e Defesa Social (Sesds), Susicleide Dantas, a necessidade do curso é clara, já que os profissionais da Segurança Pública devem estar sempre prontos para o cuidado e a orientação de pessoas que são consideradas dependentes químicos.

leia mais :

http://paraibaonline.net.br/profissionais-da-seguranca-participam-de-capacitacao-sobre-dependentes-quimicos/

quinta-feira, 7 de abril de 2016

A (in) constitucionalidade da internação compulsória dos dependentes de crack

...ao mesmo passo em que institui a internação compulsória como medida eficaz para tratamento da dependência química, a Lei 10.216/01 objetiva também a reinserção social do paciente em seu meio. Afinal, um processo de desintoxicação sem um processo de ressocialização, ocasionaria uma lacuna na vida daquele indivíduo, propiciando até, um ulterior retorno às drogas.

Não há que se falar em um ambiente asilar, tão pouco em instituição manicomial. A internação compulsória apresenta-se como um meio, e não com um fim. Em verdade, não restam dúvidas acerca da restrição da liberdade de ir e vir, de forma mitigada, visto que, conforme abordado anteriormente é explicita a colisão entre garantias/direitos constitucionais, todavia, o direito à uma vida digna apresenta-se como “princípio-mor”, em se tratando da pessoa humana.

Estabelecidos os fatores, bem como os métodos adotados, tem-se então o objetivo traduzido na tentativa primordial de pôr em prática a medida excepcional discutida, qual seja, a internação compulsória, no intuito de combater a dependência do crack e extirpá-lo da sociedade. Afinal, agir com brevidade e efetividade traduz o sentimento de que é possível vencer.



leia mais ...

http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=16864

quarta-feira, 6 de abril de 2016

É virose comum ou é dengue, zika ou chicungunha?



Gripe, diarreia e doenças transmitidas pelo Aedes deixam as emergências lotadas no Recife



Médicos pedem que a população não faça uso da automedicação.

As emergências permanecem lotadas de pessoas que adoecem com sintomas de dengue, chicungunha e zika. Não bastassem as doenças do Aedes aegypti, outras também causadas por vírus e consideradas sazonais, voltam a se tornar mais incidentes e merecem os mesmos cuidados das doenças transmitidas pelo mosquito. O problema é que muitas das viroses têm sintomas parecidos, mas que precisam ser diferenciados para que possam ser prescritos medicamentos adequados e recomendações que amenizam o sofrimento dos pacientes. 

“Tenho notado atualmente que mais pessoas aparecem gripadas. Os quadros têm começado a aparecer mais em crianças, que são mais suscetível ao adoecimento. Também estão comuns os casos de diarreia viral. São condições bem comuns neste pós-Carnaval”, diz a infectologista e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Vera Magalhães. Ela explica que, na gripe, as manifestações comuns são febre, dores musculares, espirro, tosse, congestão nasal e dor de garganta. 

“A questão é que, diante da tríplice epidemia de dengue, chicungunha e zika, as pessoas costumam achar que estão com uma das três doenças pelo fato de apresentarem febre e dor muscular. Além desses sinais, caso apareçam sintomas do aparelho respiratório, dificilmente se pensa em arboviroses (doenças causadas por mosquito)”, diz Vera. Um ponto delicado é que, ao se queixar de congestão das vias aéreas superiores, o paciente pode pensar em resfriado. “A diferença é que, nessa condição, geralmente não aparecem febre e dor muscular. O resfriado é basicamente caracterizado por sintomas do aparelho respiratório.”


DIANTE DA TRÍPLICE EPIDEMIA DE DENGUE, CHICUNGUNHA E ZIKA, AS PESSOAS COSTUMAM ACHAR QUE ESTÃO COM UMA DAS TRÊS DOENÇAS PELO FATO DE APRESENTAREM FEBRE E DOR MUSCULAR
Entre as recomendações médicas para qualquer uma das viroses, uma é fundamental: não fazer uso da automedicação, que pode mascarar a doença, dificultar um diagnóstico preciso do médico e complicar o quadro clínico. Uma pessoa, por exemplo, pode achar que está gripada e, na realidade, pode estar com dengue. Para cada uma das viroses, o tratamento precisa ser diferenciado, a fim de evitar agravamentos, especialmente nos grupos de risco, como crianças, idosos, gestantes e pessoas que apresentam defesa imunológica baixa.


Durante o Carnaval, o turismólogo Ednilson Veras, 39 anos, teve uma gripe muito forte, que durou uma semana. Senti febre, dor de cabeça e nos músculos. Não tive manchas no corpo, mas tive tosse muito seca, o que me fez achar que não seria dengue, chicungunha e zika. Estou recuperado”, conta.

Membro da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital das Clínicas da UFPE e do Jayme da Fonte, o infectologista Danylo Palmeira reforça que a diarreia viral também tem se tornado mais comum. “Ela aparece com náuseas, febre e vômitos. O detalhe é que, nesse caso, a diarreia não melhora tão rapidamente; é mais duradoura do que nos quadros de arboviroses, que podem vir com diarreia apenas no início da doença”, diz Danylo. Apesar de perceber que as viroses clássicas não deixam de ser frequentes nas emergências, ele destaca que atualmente 90% dos pacientes atendidos nas urgências de Pernambuco relatam sintomas de arboviroses. “E nesse universo, 80% dos casos são de chicungunha”, registra o infectologista.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Quais são os resultados de políticas de redução de danos para usuários de crack

Por que programas como o De Braços Abertos conseguem diminuir o uso da droga entre populações vulneráveis

FOTO: MARCO GOMES/FLICKR/CREATIVE COMMONS
 
NA CRACOLÂNDIA, USUÁRIOS DA DROGA GERALMENTE VÊM DE UM CONTEXTO DE VULNERABILIDADE SOCIAL 

A prefeitura de São Paulo divulgou os resultados mais recentes do programa social De Braços Abertos, que tem como objetivo dar moradia em hotéis, ofertas de emprego, alimentação e capacitação profissional para usuários de crack que se reuniam no centro de São Paulo para usar a droga.
Segundo os dados oficiais, 88% dos participantes do programa afirmaram ter reduzido o consumo de crack em média em 60% - de 42 pedras por semana para 17. A pesquisa foi feita com 400 pessoas.
Para especialistas em políticas de redução de danos, o resultado é positivo porque leva em conta que o uso nocivo da droga para aqueles usuários é resultado de vulnerabilidades sociais.

“No caso do usuário de crack em situação de rua, não estamos só falando de pessoas que estão assoladas pelo flagelo de uma droga. Tem a questão da vulnerabilidade social. Se você oferece uma política pública de inclusão social, percebe uma redução na quantidade de uso e até no número de usuários”, diz o médico psiquiatra Luís Fernando Tófoli, professor do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

A área no centro de São Paulo onde usuários de crack se reúnem para comprar e usar a droga ficou conhecida como Cracolândia. Para Tófoli, o contexto específico do local só poderia ser quebrado com políticas públicas integradas.
“Trata-se de um grupo de pessoas majoritariamente egresso do sistema prisional ou socioeducativo. Ele [o usuário] é muito vulnerável socialmente, usa a droga, é preso como traficante, sai, usa de novo e entra em um ciclo vicioso que precisa ser quebrado.”

A redução de danos leva em conta que a gravidade do uso da droga não deve ser avaliada somente pela quantidade. Também são analisadas suas metas sociais e profissionais, seus objetivos de vida e o impacto do uso na saúde mental, por exemplo. “Colocar todo usuário no mesmo balaio é aumentar o estigma”, explica.
Redução de danos troca abstinência pelo uso equilibrado#

A redução de danos aplicada ao uso de drogas é representada por uma série de medidas pragmáticas que têm por objetivo cuidar da saúde de pessoas que não conseguem ou não desejam abstinência como solução para resolver um problema com drogas.
Nesse caso, a redução de danos considera que existe um meio termo possível entre ser usuário de drogas com problemas sociais e psicológicos em decorrência do uso e não usar droga nenhuma: o uso equilibrado através de práticas responsáveis do consumo.
Trata-se de uma estratégia controversa para combater os problemas sociais causados pelo uso de drogas e que costuma gerar debate na sociedade. No entanto, costuma ser defendida por especialistas nas áreas de políticas públicas de saúde e organizações sociaisespecializadas no tema.
Como as políticas públicas de combate ao uso de drogas costumam priorizar a abstinência, a ideia de que é possível buscar saúde mesmo sem interromper completamente o uso é um paradigma. “As pessoas nem sabem que existe uma alternativa [à abstinência para tratar problemas com drogas]”, explica Tófoli.
Programa da prefeitura sofre críticas#

O programa De Braços Abertos tem mostrado alguns resultados positivos, mas também sofre críticas pela falta de transparência nos resultados, planejamento adequado e estrutura.

Em artigo no site do jornal “O Estado de S. Paulo”, o jornalista e cientista político Bruno Paes Manso afirma que o programa ainda tem uma equipe reduzida e treinamento insuficiente dos profissionais para lidar com os usuários de drogas da maneira planejada originalmente.

Segundo Manso, também falta transparência e avaliações mais detalhadas dos resultados do programa. Outra reportagem, esta da revista “Veja São Paulo”, relata condições insalubres de alguns dos hotéis fornecidos pela prefeitura.

Nova Lei das Drogas tem polêmica em torno da descriminalização do uso

A Comissão de Educação (CE) promoveu nesta quarta-feira (30) o primeiro de dois debates sobre o projeto (PLC 37/2013) que altera o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas. Especialistas estão divididos sobre criminalizar ou não o uso de drogas. A questão foi levantada pelo senador Lasier Martins (PDT), designado pela comissão como relator da matéria, que afirmou ser o artigo 28 da Lei 11.343 o mais polêmico e questionado por parte da sociedade.
Senador Lasier Martins é o relator da matéria.

Os especialistas Ronaldo Laranjeira, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o médico Sérgio de Paula Ramos, psiquiatra especialista em Álcool e Drogas, concordam com o artigo 28 da forma como está no projeto. Sérgio de Paula, que ressaltou estar em ascendência o uso da maconha, explicou que a diferença entre traficante e usuário é a quantidade, o que segundo ele não é um bom parâmetro, que as circunstâncias de cada caso é que caracterizam se o indivíduo é traficante ou apenas usuário. “Não se pode partir de um princípio de que um juiz não tem o bom senso de diferenciar usuário de traficante. Todas as tentativas mundo afora de especificar usuário e traficante levaram a grandes equívocos”, afirmou. Sobre os efeitos da maconha disse: “Afeta o desempenho escolar e que, portanto, emburrece o jovem usuário”.

O professor da Unifesp, Ronaldo Laranjeira, afirmou que 90% da população brasileira não quer a descriminalização e disse que nos Estados Unidos, nas localidades onde o consumo foi liberado, como em Colorado, houve aumento do uso e do tráfico. 

Já o professor da Unicamp, Luís Tófoli, lembrou que quando se fala em descriminalização é preciso discutir o que causa menos dano. “A discussão desse assunto deve ter um enfoque de redução de danos quando a abstinência não é alcançada e isso ocorre em muitos casos”, observou Tófoli, que apresentou o dado de que ¼ da população carcerária do país está associada ao tráfico de drogas.

O deputado Osmar Terra (PMDB/RS), autor do projeto, defendeu que a descriminalização é um estágio para a liberação de drogas.

“Medidas fortes devem ser tomadas para combater essa epidemia de drogas que vive o país. Os países que melhoraram os índices relacionados a violência e drogas, como Japão e China, foram aqueles que agirem com rigor contra as drogas”, disse o deputado.

O debate terá continuidade nesta quinta-feira (31). Os convidados serão: Valencius Wurch Duarte Filho, coordenador-Geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde – MS, Mauro Leno, membro da Coalizão Latino Americana de Ativistas Canábicos – CLAC, Leandro da Costa Fialho, coordenador-Geral de Educação Integral do Ministério da Educação – MEC, Sérgio Vidal, presidente da Associação Multidisciplinar de Estudos sobre Maconha Medicinal (AMEMM) e o advogado Emílio Figueiredo.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Entenda a diferença entre dengue, zika e chikungunya
A Dengue não é a única doença transmitida pelo mosquito aedes aegypti, conheça os sintomas das "primas" da doença.



O Brasil vive uma epidemia de dengue com mais de 745 mil casos só neste ano. Mas esta não é a única doença transmitida pelo mosquito aedes aegyptique tem trazido dor de cabeça às autoridades brasileiras.
Nos últimos meses, o país passou a registrar casos de duas “primas” da dengue. Elas atendem pelos nomes exóticos de chikungunya e zika, são transmitidas pelo mesmo mosquito e têm alguns sintomas semelhantes.
Mas não se engane: as doenças são diferentes. Veja a seguir quais são os sintomas de cada uma delas.
Dengue
Doença: Dentre as três, é a mais conhecida e presente no Brasil. O país vive hoje uma epidemia da doença com 367,8 casos para cada 100 mil habitantes registrados até o dia 18 de abril.


Transmissão: O vírus da dengue é transmitido pela picada do mosquito aedes aegypti. 
Sintomas: Febre alta (geralmente dura de 2 a 7 dias), dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. Nos casos graves, o doente também pode ter sangramentos (nariz, gengivas), dor abdominal, vômitos persistentes, sonolência, irritabilidade, hipotensão e tontura. Em casos extremos, a dengue pode matar - até 18 de abril foram registrados 229 óbitos.


Tratamento: A pessoa com sintomas da dengue deve procurar atendimento médico. As recomendações são ficar de repouso e ingerir bastante líquido. Não existem remédios contra a dengue. Caso apareçam os sintomas da versão mais grave da doença, é importante procurar um médico novamente.
Chikungunya
Doença: Até 18 de abril deste ano, foram registrados 1.688 casos de chikungunya. Os primeiros casos “nativos” da doença no Brasil apareceram em setembro do ano passado em Oiapoque, no Amapá. Antes disso, já haviam sido detectados casos de pessoas que contraíram a virose fora do país. A origem do nome chikungunya é africana e significa “aqueles que se dobram”. É uma referência à postura dos doentes, que andam curvados por sentirem dores fortes nas articulações.


Transmissão: É transmitida pelos mosquitos aedes aegypti (presente em áreas urbanas) e aedes albopictus (presente em áreas rurais).

Sintomas: O principal sintoma é a dor nas articulações de pés e mãos, que é mais intensa do que nos quadros de dengue. Além disso, também são sintomas: febre repentina acima de 39 graus, dor de cabeça, dor nos músculos e manchas vermelhas na pele. Cerca de 30% dos casos não chegam a desenvolver sintomas. Segundo o Ministério da Saúde, as mortes são raras.


Tratamento: Como no caso da dengue, não há tratamento específico. É preciso ficar de repouso e consumir bastante líquido. Não é recomendado usar o ácido acetil salicílico (AAS) devido ao risco de hemorragia.
Zika

Doença: A doença pode ter sido detectada na Bahia, mas ainda não está confirmada. A suspeita é de que ela tenha sido trazida para o Brasil durante a Copa do Mundo.

Transmissão: Mais uma vez, o aedes aegypti é o vilão da história. Mas o vírus também é transmitido pelo aedes albopictus e outros tipos de aedes.

Sintomas: O vírus não é tão forte quanto o da dengue ou da chikungunya e os pacientes apresentam um quadro alérgico. Os sintomas, porém, são parecidos com os das doenças “primas”: febre, dores e manchas no corpo. Quem é infectado pelo zika também pode apresentar diarreia e sinais de conjuntivite.

Tratamento: Assim como nas outras viroses, o tratamento consiste em repouso, ingestão de líquidos e remédios que aliviem os sintomas e que não contenham AAS.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Lótus Palestras Orientação e Aconselhamento no Tratamento de Dependência Quimica e Alcoolismo: Projeto Sintonia reúne líderes religiososObjetiv...


Projeto Sintonia reúne líderes religiosos

Objetivo é capacitar os segmentos religiosos sobre prevenção às drogas (Foto: Fábio Guimas)


BARRA MANSA

O auditório do Centro de Educação Integral (CEI) Vieira da Silva foi palco da terceira edição do Projeto Sintonia, que visa capacitar os segmentos religiosos sobre prevenção às drogas. A ação foi idealizada pela Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas, da Secretaria de Ordem Pública. O encontro, realizado da manhã de ontem, reuniu representantes de igrejas católicas; das Secretarias de Assistência Social e Direitos Humanos e de Saúde; do Conselho Tutelar e do Centro Especializado de Atendimento a Mulher (Ceam).

O Projeto Sintonia é parte da Patrulha da Prevenção, cujo objetivo é debater sobre prevenção às drogas nos variados segmentos da sociedade. Segundo a coordenadora da Compod, Emília Nascimento, as igrejas têm um importante papel a ser cumprido no que diz respeito ao uso de drogas. Neste mês de março, o encontro será entre representantes de igrejas evangélicas e em abril entre espíritas, budistas e umbandistas. “Queremos levantar a importância da religião nesse contexto”, afirmou Emília.

Durante o encontro, a coordenadora apresentou algumas ações desenvolvidas pela Compod, como o projeto Força Tarefa Escolar, que acontece mensalmente nas escolas. Este ano, a primeira unidade a receber o programa foi o Colégio Municipal Marcello Drable. Um grupo de voluntários visitou a escola para conversar com os professores e alunos. O objetivo é ouvir a demanda dos profissionais e entender o contexto no qual a escola se encontra. A partir daí, a situação é encaminhada pelo setor responsável. A ação é realizada pelo Compod e pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), o Programa Saúde Mental e pela Guarda Municipal.

A coordenadora do Ceam, Maria da Penha Silva, frisou que 70% das mulheres atendidas pelo Centro Especializado foram vítimas de violência por causa das drogas. “É um fator que contribui para a violência doméstica. Nosso trabalho está mais complexo do que antes e, por isso, acredito ser importante estar juntos com o Compod e demais segmentos da sociedade”, completou.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Centro de tratamento, recuperação e reinserção social Casa Dia.

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Fernando Cesar.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

ESTUDANTE DA UNESP QUE MORREU APÓS FESTA TINHA 4,6 GRAMAS DE ÁLCOOL POR LITRO DE SANGUE

Quarta, 01 Abril 2015 

Jornal O Estado de S. Paulo
CHICO SIQUEIRA - ESPECIAL PARA O ESTADO

Segundo Sociedade Brasileira de Toxicologia, a partir de 3 gramas de álcool por litro de sangue a pessoa já tem confusão mental e perda da consciência
ARAÇATUBA - Laudo do exame toxicológico divulgado nesta terça-feira, 31, pela Polícia Civil confirma que o estudante Humberto Moura Fonseca, de 23 anos, que morreu de coma alcoólico em 28 de fevereiro deste ano, após participar de um concurso para ver quem bebia mais, tinha 4,6 gramas de álcool por litro de sangue. Segundo a Sociedade Brasileira de Toxicologia, a partir de 3 gramas de álcool por litro de sangue a pessoa já pode ter confusão mental e perda da consciência (veja quadro abaixo). A festa, da Universidade Estadual de São Paulo, ocorreu em Bauru, no interior do Estado.
Segundo o delegado Kleber Granja, que preside o inquérito sobre o caso, o exame servirá para embasar o inquérito, que corre em segredo de Justiça ainda não foi concluído.
Outro inquérito, civil, tramita no Ministério Público. Há ainda uma sindicância aberta pela Unesp para punir os estudantes infratores, que também não foi concluída.
Fonseca entrou em coma e morreu após beber cerca de 30 doses de vodca em uma competição que media a resistência dos participantes a bebida. Além dele, outras cinco pessoas também passaram mal, três delas também entraram em coma alcoólico, foram internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de hospitais de Bauru e receberam alta dias depois.

O mineiro Humberto Moura Fonseca fazia engenharia elétrica na Unesp de Bauru e morreu após ingerir 25 doses de vodca em festa universitária
A festa, que era uma união das repúblicas de estudantes de Bauru, reuniu mais de 2 mil pessoas, mas os organizadores não tinham alvará para realização do evento e para comercializar bebidas alcoólicas. Além disso, a segurança e a assistência de saúde aos frequentadores, eram falhas. Quatorze pessoas estão sendo investigadas, entre elas, dois estudantes da Unesp que se apresentaram como organizadores - eles chegaram a ser presos, mas foram soltos e respondem pelos crimes de homicídio com dolo eventual e lesões corporais, também com dolo eventual.

domingo, 29 de março de 2015

Reiki contribui para acelerar a recuperação do paciente e promove o reequilíbrio físico, mental e espiritual Terapia é considerado um instrumento importante para vários tipos de tratamento


O arquiteto Fábio Abreu de Queiroz tem um sono tranquilo, se sente equilibrado e muito bem-disposto. Mas nem sempre foi assim. Ele morou fora do Brasil e, ao retornar, passou por uma fase de difícil adaptação, o que gerou ansiedade e insônia, problemas que, a princípio, ele tentou controlar com a ajuda de medicamentos indicados por um psiquiatra. A psicóloga Gláucia Friaça Maciel, de 46 anos, se sente leve, otimista, saudável e de bem com a vida. Mas nem sempre foi assim. Há 10 anos, ela passava por grandes dificuldades emocionais ligadas ao estresse. Além da superação dos problemas, Fábio e Gláucia têm uma coisa em comum: eles se tratam com reiki, método natural de harmonização e reposição energética que mantém ou recupera a saúde física, mental e espiritual.

Maria José Marinho, de 83, aplica reiki quase todos os dias há cerca de 40 anos. De acordo com ela, a energia universal que é recebida por meio do reiki é transmitida pela imposição das mãos, que podem ou não tocar o corpo do paciente. “Primeiro, faço uma avaliação do nível de estresse do paciente, depois reconheço os pontos de maior tensão”, explica. Um exemplo da aplicação é em pessoas que estão prestes a fazer vestibular. “O reiki trabalha o cérebro. Mesmo que uma pessoa esteja intelectualmente preparada para fazer uma prova, o medo bloqueia o conhecimento. Por isso, as sessões são muito úteis para aqueles que vão fazer vestibular”, explica. Os benefícios do método, porém, vão muito além dessa situação.

“Trata-se de um medicina integrativa, que ajuda as pessoas a superar bloqueios, angústias, medo, 
depressão, insônia, nervosismo e estresse”, observa Maria José. Segundo ela, quem aplica o reiki deve ser um profissional preparado para fazer a energia do universo fluir através das suas mãos. Ela explica que, durante o processo, podem ocorrer “revelações”, que são ou não comunicadas ao paciente. Para aplicar o reiki, segundo ela, é necessário “romper” uma “tela” que existe nas mãos, responsável por bloquear a passagem de energia. “A partir daí, quem aplica também recebe a energia, que entra no topo da cabeça, desce pela coluna vertebral e expande-se pelos braços, chegando às mãos.”

HARMONIZAÇÃO 
De acordo com o terapeuta holístico Helemar de Sá, o reiki hoje é considerado um instrumento importante para vários tipos de tratamento, tanto que hospitais como o Albert Einsten e o Sírio-Libanês, em São Paulo, já o utilizam como terapia complementar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também incluiu o método em suas Orientações Normativas sobre o Tratamento da Dor, entre as modalidades de tratamento sem o uso de drogas recomendadas, junto de fisioterapia, fitoterapia, acupuntura, jugizu e musicoterapia. O documento aponta para a necessidade de se incluírem, no tratamento médico, outras dimensões biológicas, fisiológicas, sociais e espirituais. “O reiki é uma mão cheia de saúde”, resume Maria José.

Segundo Helemar, o que ocorre hoje é que, no lugar de haver competição entre a medicina e o reiki, há uma complementaridade. “A medicina tradicional cuida mais da parte química, biofísica. O reiki vai cuidar da parte energética e dos fundamentos do processo”, explica. Ele esclarece que o tratamento não tem nenhum vínculo com religião e que é um método considerado importante em pré e pós-operatórios. Para os estudiosos do reiki, toda doença tem fundamento no comportamento da pessoa. “Temos movimentos energéticos que se manifestam por meio de sentimentos, como raiva, angústia, tristeza, inveja, egoísmo e alegria. “Esse movimento vai produzir até uma alteração biofísica e bioquímica no organismo. O reiki permite retomar a harmonia do processo, entre o que se está vivendo do lado de fora e do lado de dentro.”




Zulmira FurbinoPublicação:28/03/2015

sábado, 28 de março de 2015

Como é a avaliação psicológica dos pilotos de avião



Detalhes sobre queda de avião da Germanwings levantam dúvidas sobre testes psicológicos em pilotos

Investigadores da queda do voo da Germanwings nos Alpes franceses disseram acreditar que o avião foi derrubado deliberadamente pelo copiloto Andreas Lubitz.

A Lufthansa, a empresa controladora da Germanwings, disse que não havia nenhuma indicação de que Lubitz, de 27 anos, era mentalmente instável.

Em 2009, o treinamento do piloto foi brevemente interrompido, mas retomado após Lubitz ser considerado apto novamente. O presidente-executivo da Lufthansa, Carsten Spohr, disse não estar autorizado a revelar o motivo que levou à interrupção.
Quando Lubitz retornou, "seu desempenho foi sem críticas" e "nada foi marcante" sobre seu comportamento, disse Spohr.
A imprensa alemã, no entanto, informou que Lubitz sofria de depressão e que policiais encontraram sinais de problemas mentais em buscas no apartamento dele em Duesseldorf.
A natureza inexplicável das ações do piloto lançou dúvidas sobre a forma como os pilotos são avaliados psicologicamente.
A maioria dos viajantes no mundo hoje provavelmente supõem que aqueles que comandam aviões tenham passado por avaliações mentais rigorosas, já que estes seriam responsáveis por centenas de vidas. Mas será que essa suposição corresponde à realidade?
Raio-x psicológico
O presidente-executivo da Lufthansa deu a entender que não haveria teste psicológico especial obrigatório na Europa.
Na Grã-Bretanha, por exemplo, segundo um porta-voz da Autoridade de Aviação Civil, a maioria dos pilotos começa numa escola de treinamento de voo, disse. Mas essas escolas não filtram candidatos por motivos psicológicos e, basicamente, avaliam apenas a capacidade de alguém voar.Autoridades acreditam que Lubitz derrubou avião deliberadamente

Uma avaliação médica é realizada assim que o piloto é empregado por uma companhia aérea. O capitão Mike Vivian, ex-chefe de operações de voo da Autoridade de Aviação Civil britânica, disse que esta avaliação é "muito intensa".

O processo envolve um elemento de triagem psicológica. Candidatos são questionados sobre sua história pessoal, incluindo interesses e relações familiares, histórico de depressão e pensamentos suicidas, disse Vivian.

Mas os processos de seleção parecem depender das respostas do candidato e o julgamento do examinador. "Há um elemento de confiança", disse.

Este exame é realizado por um médico de aviação especialmente treinado e é repetido todo ano ou a cada seis meses, dependendo da idade.
Mas a autoridade britânica disse que todos os procedimentos de triagem deverão ser revistos após o "trágico incidente" da Germanwings.
A maior parte dos exames é focada nos aspectos fisiológicos do piloto - altura, peso, sangue e urina. O aspecto mental ocupa uma parte secundária da avaliação - apenas seis linhas num documento de três páginas e meia definem o que o questionário "psiquiátrico" deve abordar.

"Durante a avaliação do histórico do candidato, o médico deve fazer uma investigação geral sobre a saúde mental que pode incluir humor, sono e uso de álcool".

"O médico deve observar o requerente durante o processo do exame e avaliar o estado mental do candidato sob as categorias de aparência / discurso / humor / pensamento / percepção / cognição / conhecimento. O médico também deve buscar quaisquer sinais de álcool ou uso de drogas".

Tristan Loraine, ex-capitão da British Airways, aposentado desde 2006 após 20 anos de voo, disse não ter sido avaliado psicologicamente em sua carreira. Disse que "urinou em garrafa, submeteu-se a exames de sangue", mas que a questão mental não foi avaliada.

A maior parte do teste é relacionada à capacidade técnica. Ele foi submetido a testes de simulação duas vezes por ano e a um exame no qual seu comportamento como capitão era observado durante um voo normal.

Na British Airways, ao contrário das companhias nas quais havia trabalhado anteriormente, Loraine disse ter se reunido com dois funcionários de recursos humanos. Mas, novamente, segundo ele, essas reuniões foram pouco rigorosas.

"O pessoal do RH disse: 'nos conte sobre a sua vida'. Eles não estavam fazendo um teste neuropsicológico adequado", disse:

A associação britânica de pilotos aéreos, a Balpa, rejeita essa afirmação.

Rob Hunter, diretor de segurança de voo da Balpa, disse em comunicado: "A aplicação do certificado médico anual inclui uma exigência legal de que um piloto declare ter tido quaisquer problemas psicológicos e espera-se que o examinador avalie quaisquer sinais de problemas mentais aparentes durante o exame".

"Pilotos operam uma rigorosa cultura aberta de relatar quaisquer preocupações relacionadas a questões técnicas, de segurança ou problemas médicos ou mentais com os colegas".

Loraine, que faz campanha a favor do bem-estar dos pilotos, diz que, embora espera-se que pilotos e tripulação relatem problemas pessoais, muitas vezes isso não acontece.

"Voei com pessoas que não estavam em condições de voar. Elas tinham problemas domésticos ou financeiros", disse.

O secretário-geral da Balpa, Jim McAuslan, rejeita a introdução imediata de uma triagem mais rigorosa, mas admite que, enquanto aviões e controles de tráfego aéreo se tornaram mais seguros, "o ponto de fraqueza" agora, podem ser os pilotos.

Casos em que pilotos deliberadamente derrubam um avião podem ser difíceis de serem provados - a queda do avião da EgyptAir, em outubro de 2009, e de um voo entre Moçambique e Angola, em novembro de 2013, se encaixam neste cenário.
Qual seria a melhor resposta?

Incidentes nos quais pilotos tentam derrubar o avião são "absolutamente raros" e acontecem a cada 5 a 10 anos. Pilotos são observados o tempo todo, especialmente por seus colegas.

"Toda vez que eles entram na cabine estão sendo analisados porque alguém está sentado ao lado deles",

disse o psicólogo clínico Robert Bor.

Empresas aéreas estão revendo regras após queda de avião

Bor diz que mesmo testes psicotécnicos não poderão revelar detalhes sobre uma pessoa que acorda de forma diferente em um determinado dia. E é impossível evitar que 100% dos casos em que alguém queira abusar de sua posição de autoridade.

A triagem psicológica pode ajudar, diz Loraine. Mas isso não vai resolver tudo - a saúde mental das pessoas pode mudar ao longo da vida. No caso de Lubitz, não houve sinais de aviso, de acordo com a Lufthansa.

Em última análise, Vivian disse, não é óbvio como as companhias aéreas possam conseguir chegar a uma triagem perfeita. "Eu não conheço qualquer teste em que você consiga investigar o estado mental de uma pessoa de forma abrangente e objetiva".

A resposta é evitar que um piloto nunca esteja sozinho na cabine de comando, diz Loraine. Esta é a abordagem que a Autoridade Federal de Aviação dos EUA adotou. Agora, a Europa vai analisar se fará o mesmo.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Centro de referência LGBT é inaugurado em São Paulo

O Centro de Cidadania LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgênero), no bairro do Arouche, na região central de São Paulo, foi inaugurado nesta sexta-feira (27) pelo prefeito Fernando Haddad e pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti. No local, vão trabalhar 20 profissionais, entre psicólogos, advogados e assistentes sociais, que prestarão atendimento às vítimas de homofobia. Elas receberão orientação jurídica e psicológica gratuitamente.
Creative Commons - CC BY 3.0 - Prefeito Fernando Haddad inaugura Centro de Cidadania LGBT

Paulo Pinto/Fotos Públicas

As pessoas também poderão assistir a palestras, debates e fazer testes de HIV. O centro substituirá o serviço da prefeitura que funcionava no Pátio do Colégio (local onde foi erguida a primeira construção que deu origem à cidade de São Paulo), também no centro. O espaço fica aberto de segunda-feira a sexta-feira, das 9h às 21h. Foram investidos no centro R$ 1,2 milhão, recursos da prefeitura e do governo federal.

De acordo com o coordenador de Políticas LGBT do município, Alessandro Melchior, o Largo do Arouche é um espaço de maior frequência da população LGBT do Brasil. “Há registros de que a população LGBT frequenta o Largo do Arouche desde 1930. Uma das questões centrais da prefeitura, foi a necessidade de que os serviços públicos cheguem onde a população está. A equipe é muito grande e este talvez seja o maior centro de referência LGBT do Brasil”.

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti, destacou a situação de vulnerabilidade da população LGBT. Por isso, ela é um dos alvos das políticas públicas da secretaria. De acordo com a ministra, é necessário enfrentar o preconceito, a violência e o não reconhecimento do direito de a pessoa ser o que é.

“É um trabalho cotidiano que só pode ser feito com estrutura física e trabalho permanente de mudança da cultura. Toda forma de violência e de preconceito tem sua origem na afirmação 'eu tenho direito, ele não tem'. Há uma concepção de poder”, disse. Ideli ressaltou que essa população muitas vezes não sabe os direitos que tem, e a existência de um centro de referência é fundamental para acolher, orientar e encaminhar.

A coordenadora do Fórum Paulista LGBT, Fernanda de Moraes, avaliou que o centro será um grande instrumento no combate à homofobia e representa um avanço. “Este se tornará um polo e um ponto positivo para a população LGBT, porque reunirá serviços como o de psicologia, jurídico e assistência social. Isso será importante para agregar essa população que precisa desse atendimento para ter seus direitos garantidos”. 

Segundo a Coordenadoria de Políticas LGBT do município, entre 2012 e 2013, a capital paulista registrou 450 casos de violação de direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.
Criado em 27/03/15 17h25 e atualizado em 27/03/15 17h41
Por Flávia Albuquerque Edição:Aécio Amado Fonte:Agência Brasil


TAGS: CENTRO LGBT, DIREITOS HUMANOS

Depressão, bipolaridade e ansiedade são maioria em tratamentos de saúde mental

Depressão, bipolaridade e ansiedade são os principais diagnósticos feitos no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) Psiquiatria, na Vila Maria, zona leste da capital paulista, de acordo com levantamento da Secretaria Estadual de Saúde. A maioria dos pacientes (52%) atendidos na unidade apresentaram algum desses transtornos, chamados de afetivos. Desde a inauguração do ambulatório, em agosto de 2010, quase 15 mil pessoas foram atendidas.
Para a psiquiatra Denise Amino, diretora técnica do serviço, o número é esperado, diante dos padrões da sociedade, tendo em vista que a incidência da depressão é em torno de 20%. “Não há um estudo para a sociedade em geral que mostre qual o percentual da depressão em relação aos transtornos mentais. Mas, com certeza, ela é maioria, se pensarmos que 20% é um número expressivo, enquanto a esquizofrenia, por exemplo, é 1% da população”, comparou.
O ambulatório oferece cinco linhas de cuidados. Em relação aos transtornos afetivos, que representam mais da metade dos atendimentos, 38% são casos de depressão. A psiquiatria geriátrica corresponde a 17% dos casos; psiquiatria da infância e adolescência, 12%; transtornos psicóticos e esquizofrenia, 11%; e transtornos ligados ao uso de álcool e outras drogas (8%).
De acordo com a secretaria, mais do que um quadro de desânimo ou tristeza, a depressão é quando sentimentos negativos deixam de ser passageiros e começam a afetar de forma negativa a vida da pessoa em diversas áreas, seja no trabalho, no sono, no aspecto físico ou em suas relações pessoais. “São outros sintomas, para além da tristeza, perdurando por um período maior e causando prejuízos tanto na vida pessoal quanto profissional”, descreveu a psiquiatra.

Denise alerta que o preconceito em relação à depressão e a dificuldade em identificar os sintomas prejudicam a busca de uma ajuda especializada. “Se não tiver um atendimento adequado, a doença acaba se tornando crônica ou evoluindo para um quadro mais grave”, apontou.

Por Camila Maciel - Repórter da Agência Brasil Edição:Stênio Ribeiro Fonte:Agência Brasil
Editor Stênio Ribeiro