O discurso de gestores sobre intervenções para o stress em empresas ganhadoras do Prêmio Nacional de Qualidade de Vida no Estado de São Paulo:
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Hoje, Estação Brás da CPTM realiza controle de colesterol gratuito
Estão sendo distribuídas 300 senhas para medição de colesterol, triglicérides e glicemia
A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) promove hoje, quinta-feira, 8, uma campanha contra doenças cardiovasculares na Estação Brás. A ação marca o Dia Nacional de Controle do Colesterol. Os atendimentos serão realizados das 9h às 15h, no Espaço Cultural Brás, mediante apresentação de senha. Serão distribuídas 300 senhas. A campanha é promovida pela SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia).
Profissionais de saúde estarão à disposição dos usuários que passarem pela estação para aferir níveis de colesterol, triglicérides e glicemia, medir a pressão arterial e o teor de monóxido de carbono, além de conferir peso, altura e circunferência abdominal.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Vacina contra a Aids criada na USP será testada em macacos.
Imunizante foi desenvolvido e patenteado pelos pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
A vacina contra o vírus HIV desenvolvida por brasileiros começará a ser testada em macacos no segundo semestre deste ano. Com duração prevista de 24 meses, os experimentos têm o objetivo de encontrar o método de imunização mais eficaz para ser usado em humanos.
Denominado HIVBr18, o imunizante foi desenvolvido e patenteado pelos pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Edecio Cunha Neto, Jorge Kalil e Simone Fonseca. Atualmente, o projeto é conduzido no Instituto de Investigação em Imunologia, um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
Uma versão anterior da vacina, desenvolvida por pesquisadores da USP, já havia sido testada em camundongos, mostrando que a técnica era eficaz. No teste mais recente, feito com os camundongos e ainda não publicado, os pesquisadores avaliaram a capacidade dessa nova vacina de reduzir a carga viral no organismo.
De acordo com o professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos pesquisadores, Edecio Cunha Neto, "o HIV normalmente não infecta camundongos, então foi utilizado um vírus chamado vaccínia, que é aparentado do causador da varíola, e colocamos dentro dele antígenos do HIV". Nos animais imunizados, a quantidade do vírus modificado encontrada foi 50 vezes menor que a do grupo controle.
Segundo Cunha Neto, a HIVBr18 também poderia ser usada para fortalecer o efeito de outras vacinas contra a Aids, como a desenvolvida pelo grupo do imunologista Michel Nussenzweig, da Rockefeller University, de Nova York, feita com uma proteína do HIV chamada gp140.
A última etapa do teste pré-clínico será realizada na colônia de macacos Rhesus do Instituto Butantan. A vantagem dos testes em primatas é a semelhança com o sistema imunológico humano e o fato de eles serem suscetíveis ao SIV, vírus que deu origem ao HIV.
Se a vacina for bem-sucedida nessa etapa, ela pode despertar interesse comercial. Os cientistas esperam atrair investidores privados, uma vez que o custo estimado para chegar até a fase seguinte dos testes clínicos é de R$ 250 milhões. Até o momento, somando o financiamento da Fapesp e do governo federal, foi investido cerca de R$ 1 milhão no projeto.
Estação Brás da CPTM terá controle de colesterol gratuito na 5ª
Serão distribuídas 300 senhas para medição de colesterol, triglicérides e glicemia.
A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) promove nesta quinta-feira, 8, uma campanha contra doenças cardiovasculares na Estação Brás. A ação marca o Dia Nacional de Controle do Colesterol. Os atendimentos serão realizados das 9h às 15h, no Espaço Cultural Brás, mediante apresentação de senha. Serão distribuídas 300 senhas. A campanha é promovida pela SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia).
Profissionais de saúde estarão à disposição dos usuários que passarem pela estação para aferir níveis de colesterol, triglicérides e glicemia, medir a pressão arterial e o teor de monóxido de carbono, além de conferir peso, altura e circunferência abdominal.
Também serão passadas orientações sobre a importância de uma alimentação saudável, de prática de exercício físico e da realização de exames preventivos. Ao fim, a pessoa atendida ganhará uma cartilha com informações adicionais (que pode ser visualizada online), uma camiseta e uma fruta pela parceria com a Ceagesp.
Serão distribuídas 300 senhas para medição de colesterol, triglicérides e glicemia.
A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) promove nesta quinta-feira, 8, uma campanha contra doenças cardiovasculares na Estação Brás. A ação marca o Dia Nacional de Controle do Colesterol. Os atendimentos serão realizados das 9h às 15h, no Espaço Cultural Brás, mediante apresentação de senha. Serão distribuídas 300 senhas. A campanha é promovida pela SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia).
Profissionais de saúde estarão à disposição dos usuários que passarem pela estação para aferir níveis de colesterol, triglicérides e glicemia, medir a pressão arterial e o teor de monóxido de carbono, além de conferir peso, altura e circunferência abdominal.
Também serão passadas orientações sobre a importância de uma alimentação saudável, de prática de exercício físico e da realização de exames preventivos. Ao fim, a pessoa atendida ganhará uma cartilha com informações adicionais (que pode ser visualizada online), uma camiseta e uma fruta pela parceria com a Ceagesp.
A ação quer alertar a população sobre os riscos da doença considerada "silenciosa". O colesterol pode desencadear até infarto, levando à morte. Cerca de 20% das crianças e adolescentes apresentam níveis elevados de colesterol, revela a SBC. Um em cada cinco jovens, entre 2 e 19 anos, já tem colesterol elevado, entre os quais 8% têm altos valores de LDL ("colesterol ruim") e 45% apresentam baixos níveis de HDL ("colesterol bom").
SERVIÇO
Dia Nacional de Controle do Colesterol na Estação Brás da CPTM
Dia 8 de agosto, das 9h às 15h (ou até encerrar as 300 senhas distribuídas)
Espaço Cultural Brás
Praça Agente Cícero, s/nº, Brás, capital
SERVIÇO
Dia Nacional de Controle do Colesterol na Estação Brás da CPTM
Dia 8 de agosto, das 9h às 15h (ou até encerrar as 300 senhas distribuídas)
Espaço Cultural Brás
Praça Agente Cícero, s/nº, Brás, capital
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Agenda em Destaque
Clubes da Leitura – Roda de leituras
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Como estão divididos os recursos da Saúde Mental no Fundo
Nacional de Saúde?
Primeiramente, destacamos que osrecursosrepassados pelo FundoNacional de Saúde
para os Fundos Estaduais ou Municipais de Saúde (modalidade de repasse Fundo a Fundo –
FaF) estão sendo marcados de acordo com cada Rede. No caso da Rede de Atenção
Psicossocial (RAPS), os recursos podem ser identificados em dois grandes blocos. O bloco
Gestão do SUS e o bloco Média Alta Complexidade Hospitalar (MAC). A divisão é feita por
componentes, e cada componente possui Ação/Serviço/Estratégia diferentes.
No bloco Gestão do SUS, estão identificados os incentivos para implantação de novos
pontos de atenção da RAPS. Portanto, nesse bloco são identificados os recursos para
implantação / qualificação de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), de Serviços Residenciais
Terapêuticos (SRT), Unidades de Acolhimento (Adulto e Infanto Juvenil), Leitos de Saúde
Mental e projetos de Reabilitação Psicossocial. Os recursos que são repassados nesse bloco
são emparcela única, e estão identificados comos nomes dos próprios pontos de atenção (Ex.:
CAPS I – PSICOSSOCIAL).
No bloco Média Alta Complexidade Hospitalar (MAC) estão identificados os recursos
de custeio dos pontos de atenção habilitados pelo Ministério da Saúde. Nesse bloco estão
identificados os repasses para os Tetos MAC Municipais e Estaduais, no componente LIMITE
FINANCEIRO DA MÉDIA E ALTA COMPLEXIDADE AMBUL. E HOSPITAR ‐ MAC. No caso da
RAPS, são: TETO ESTADUAL REDE SAUDE MENTAL (RSME) e/ou TETO MUNICIPAL REDE
MENTAL (RSME) e PSICOSSOCIAL (RSM‐CRAC). Nos casos dosrepasses dos pontos de atenção
integrantes do Programa Crack, é Possível Vencer (os CAPS AD III, osleitos de saúde mental e
as Unidades de Acolhimento), os repasses estão identificados na Ação RSM‐CRAC. Os demais
pontos de atenção da RAPS (CAPS I, II, III e ad; SRT) estão na Ação RSME Estadual ou Municipal.
Acompanhem....interesse publico...é nosso dinheiro....
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/PASSOAPASSO_acesso_FNS.pdf
Nacional de Saúde?
Primeiramente, destacamos que osrecursosrepassados pelo FundoNacional de Saúde
para os Fundos Estaduais ou Municipais de Saúde (modalidade de repasse Fundo a Fundo –
FaF) estão sendo marcados de acordo com cada Rede. No caso da Rede de Atenção
Psicossocial (RAPS), os recursos podem ser identificados em dois grandes blocos. O bloco
Gestão do SUS e o bloco Média Alta Complexidade Hospitalar (MAC). A divisão é feita por
componentes, e cada componente possui Ação/Serviço/Estratégia diferentes.
No bloco Gestão do SUS, estão identificados os incentivos para implantação de novos
pontos de atenção da RAPS. Portanto, nesse bloco são identificados os recursos para
implantação / qualificação de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), de Serviços Residenciais
Terapêuticos (SRT), Unidades de Acolhimento (Adulto e Infanto Juvenil), Leitos de Saúde
Mental e projetos de Reabilitação Psicossocial. Os recursos que são repassados nesse bloco
são emparcela única, e estão identificados comos nomes dos próprios pontos de atenção (Ex.:
CAPS I – PSICOSSOCIAL).
No bloco Média Alta Complexidade Hospitalar (MAC) estão identificados os recursos
de custeio dos pontos de atenção habilitados pelo Ministério da Saúde. Nesse bloco estão
identificados os repasses para os Tetos MAC Municipais e Estaduais, no componente LIMITE
FINANCEIRO DA MÉDIA E ALTA COMPLEXIDADE AMBUL. E HOSPITAR ‐ MAC. No caso da
RAPS, são: TETO ESTADUAL REDE SAUDE MENTAL (RSME) e/ou TETO MUNICIPAL REDE
MENTAL (RSME) e PSICOSSOCIAL (RSM‐CRAC). Nos casos dosrepasses dos pontos de atenção
integrantes do Programa Crack, é Possível Vencer (os CAPS AD III, osleitos de saúde mental e
as Unidades de Acolhimento), os repasses estão identificados na Ação RSM‐CRAC. Os demais
pontos de atenção da RAPS (CAPS I, II, III e ad; SRT) estão na Ação RSME Estadual ou Municipal.
Acompanhem....interesse publico...é nosso dinheiro....
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/PASSOAPASSO_acesso_FNS.pdf
Como proceder para obter recurso para implantar um Ponto de Atenção
(serviço) da Saúde Mental
Valores de incentivo para implantação de pontos de atenção:
CAPS I R$ 20.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 20 mil habitantes)
CAPS II R$ 30.000,00 (para municípios ou regiões com população entre 20 mil e 70 mil
habitantes)
CAPSi R$ 30.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 200 mil habitantes)
CAPS III R$ 50.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 200 mil habitantes)
CAPSad R$ 50.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 70 mil habitantes)
CAPS ad III R$150.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 200 mil
habitantes)
Obs: No caso de qualificação (mudança de tipo de CAPS), o município receberá apenas a
diferença de valor para completar o valor do serviço solicitado.
SRT Tipo I e Tipo II – R$20.000,00 (não há critério populacional)
LEITOS – R$4.000,00 POR LEITO
UAi - R$70.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 100 mil habitantes).
Deve estar vinculada a um CAPS de referência, já habilitado e em funcionamento.
UAa – R$70.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 200 mil habitantes).
Deve estar vinculada a um CAPS de referência, já habilitado e em funcionamento.
Voce acredita?
Eu não.
Tem gente pasando a mão na verba que deveria ser destinada a saúde mental.
Ta na hora de começar um movimento em função da Saúde Mental no Estado, como os médicos fizeram , os motoboys.....enfim é absurdo isso.
(serviço) da Saúde Mental
Valores de incentivo para implantação de pontos de atenção:
CAPS I R$ 20.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 20 mil habitantes)
CAPS II R$ 30.000,00 (para municípios ou regiões com população entre 20 mil e 70 mil
habitantes)
CAPSi R$ 30.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 200 mil habitantes)
CAPS III R$ 50.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 200 mil habitantes)
CAPSad R$ 50.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 70 mil habitantes)
CAPS ad III R$150.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 200 mil
habitantes)
Obs: No caso de qualificação (mudança de tipo de CAPS), o município receberá apenas a
diferença de valor para completar o valor do serviço solicitado.
SRT Tipo I e Tipo II – R$20.000,00 (não há critério populacional)
LEITOS – R$4.000,00 POR LEITO
UAi - R$70.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 100 mil habitantes).
Deve estar vinculada a um CAPS de referência, já habilitado e em funcionamento.
UAa – R$70.000,00 (para municípios ou regiões com população a partir de 200 mil habitantes).
Deve estar vinculada a um CAPS de referência, já habilitado e em funcionamento.
Voce acredita?
Eu não.
Tem gente pasando a mão na verba que deveria ser destinada a saúde mental.
Ta na hora de começar um movimento em função da Saúde Mental no Estado, como os médicos fizeram , os motoboys.....enfim é absurdo isso.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Reforma Psiquiátrica?
• É a ampla mudança do atendimento público em Saúde Mental, que garante o acesso da população aos serviços e o respeito a seus direitos e liberdade;
• É amparada pela lei 10.216/2001, conquista de uma luta social que durou 12 anos;
• Significa a mudança do modelo de tratamento: no lugar do isolamento, o convívio com a família e a comunidade;
• O atendimento é feito em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Residências Terapêuticas, Ambulatórios, Hospitais Gerais, Centros de Convivência;
• As internações, quando necessárias, são feitas em hospitais gerais ou nos Caps/24 horas. Os hospitais psiquiátricos de grande porte vão sendo progressivamente substituídos.
Política Nacional de Saúde Mental
O Governo brasileiro tem como objetivos:
- reduzir de forma pactuada e programada os leitos psiquiátricos de baixa qualidade,
- qualificar, expandir e fortalecer a rede extra-hospitalar formada pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs) e Unidades Psiquiátricas em Hospitais Gerais (UPHG),
- incluir as ações da saúde mental na atenção básica,
- implementar uma política de atenção integral voltada a usuários de álcool e outras drogas,
- implantar o programa "De Volta Para Casa",
- manter um programa permanente de formação de recursos humanos para reforma psiquiátrica,
- promover direitos de usuários e familiares incentivando a participação no cuidado,
- garantir tratamento digno e de qualidade ao louco infrator (superar o modelo de assistência centrado no Manicômio Judiciário),
- avaliar continuamente todos os hospitais psiquiátricos por meio do Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares - PNASH/ Psiquiatria.
Cenário atual
• Tendência de reversão do modelo hospitalar para uma ampliação significativa da rede extra-hospitalar, de base comunitária;
• Entendimento das questões de álcool e outras drogas como problema de saúde pública e como prioridade no atual governo;
• Ratificação das diretrizes do SUS pela Lei Federal 10.216/01 e III Conferência Nacional de Saúde Mental.
Dados importantes
• 3% da população geral sofre com transtornos mentais severos e persistentes;
• mais de 6% da população apresenta transtornos psiquiátricos graves decorrentes do uso de álcool e outras drogas;
• 12% da população necessita de algum atendimento em saúde mental, seja ele contínuo ou eventual;
• 2,3% do orçamento anual do SUS é destinado para a Saúde Mental.
Desafios
• Fortalecer políticas de saúde voltadas para grupos de pessoas com transtornos mentais de alta prevalência e baixa cobertura assistencial;
• Consolidar e ampliar uma rede de atenção de base comunitária e territorial promotora da reintegração social e da cidadania;
• Implementar uma política de saúde mental eficaz no atendimento às pessoas que sofrem com a crise social, a violência e desemprego;
•Aumentar recursos do orçamento anual do SUS para a Saúde Mental.
• É a ampla mudança do atendimento público em Saúde Mental, que garante o acesso da população aos serviços e o respeito a seus direitos e liberdade;
• É amparada pela lei 10.216/2001, conquista de uma luta social que durou 12 anos;
• Significa a mudança do modelo de tratamento: no lugar do isolamento, o convívio com a família e a comunidade;
• O atendimento é feito em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Residências Terapêuticas, Ambulatórios, Hospitais Gerais, Centros de Convivência;
• As internações, quando necessárias, são feitas em hospitais gerais ou nos Caps/24 horas. Os hospitais psiquiátricos de grande porte vão sendo progressivamente substituídos.
Política Nacional de Saúde Mental
O Governo brasileiro tem como objetivos:
- reduzir de forma pactuada e programada os leitos psiquiátricos de baixa qualidade,
- qualificar, expandir e fortalecer a rede extra-hospitalar formada pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs) e Unidades Psiquiátricas em Hospitais Gerais (UPHG),
- incluir as ações da saúde mental na atenção básica,
- implementar uma política de atenção integral voltada a usuários de álcool e outras drogas,
- implantar o programa "De Volta Para Casa",
- manter um programa permanente de formação de recursos humanos para reforma psiquiátrica,
- promover direitos de usuários e familiares incentivando a participação no cuidado,
- garantir tratamento digno e de qualidade ao louco infrator (superar o modelo de assistência centrado no Manicômio Judiciário),
- avaliar continuamente todos os hospitais psiquiátricos por meio do Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares - PNASH/ Psiquiatria.
Cenário atual
• Tendência de reversão do modelo hospitalar para uma ampliação significativa da rede extra-hospitalar, de base comunitária;
• Entendimento das questões de álcool e outras drogas como problema de saúde pública e como prioridade no atual governo;
• Ratificação das diretrizes do SUS pela Lei Federal 10.216/01 e III Conferência Nacional de Saúde Mental.
Dados importantes
• 3% da população geral sofre com transtornos mentais severos e persistentes;
• mais de 6% da população apresenta transtornos psiquiátricos graves decorrentes do uso de álcool e outras drogas;
• 12% da população necessita de algum atendimento em saúde mental, seja ele contínuo ou eventual;
• 2,3% do orçamento anual do SUS é destinado para a Saúde Mental.
Desafios
• Fortalecer políticas de saúde voltadas para grupos de pessoas com transtornos mentais de alta prevalência e baixa cobertura assistencial;
• Consolidar e ampliar uma rede de atenção de base comunitária e territorial promotora da reintegração social e da cidadania;
• Implementar uma política de saúde mental eficaz no atendimento às pessoas que sofrem com a crise social, a violência e desemprego;
•Aumentar recursos do orçamento anual do SUS para a Saúde Mental.
Opinião Pessoal:
Teoricamente é perfeito, mas é uma ofensa pelo menos a minha capacidade intelectual, e dos usuários do SUS, e da sociedade como um todo que tem que ler isto,e fingir que acredita, enquanto eles fingem que fazem e não fazem nada, e digo isso particularmente eu Fernando Cesar porque assisto o descaso e maus tratos aos usuários do Caps de Ermelino Matarazzo, onde se presta um serviço de assistencialismo social, que faz com que o paciente desenvolva outra dependência , "que é ser usuário do Caps", e carregar o estigma do doente sem condições de produzir socialmente falando.... pois não é oferecido nenhum projeto de capacitação profissional, cultural, social, familiar,... tratamento onde o paciente passa o dia comendo e assistindo televisão, dormindo nos sofás, e a noite vão para os albergues, que futuro esta sendo oferecido a essas pessoas, viverem dependentes independente se é de droga ou não, eternos dependentes....isso é no minimo ridículo.
Fernando Cesar.
01/08/2013.
Estado de São Paulo.
Mazelas da Saúde Pública.
Há um dado que serve muito bem para demonstrar por que o Sistema Único de Saúde (SUS), cuja situação se torna cada dia mais precária, não tem condições para atender os milhões de brasileiros que a ele recorrem, e que passam horas ou mesmo dias em filas diante de hospitais ou centros de saúde. Segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), com base em dados do Ministério da Saúde, 42 mil leitos de internação do SUS foram desativados entre outubro de 2005 e junho de 2012.
Em números absolutos, os Estados mais populosos foram os mais afetados. Em São Paulo houve uma redução de 10.278 leitos e em Minas Gerais, de 5.177. E não é verdade, como se alega, que isso tenha sido compensado pela criação de novos leitos no Pará (723), Rondônia (622) ou Amazonas (360). O quadro só não é mais grave por causa do papel decisivo desempenhado pelas Santas Casas e hospitais filantrópicos.
A questão central é o subfinanciamento do SUS. Como as verbas alocadas à saúde são insuficientes, os serviços prestados por hospitais e postos médicos públicos são aqueles minimamente recomendados. O fornecimento de remédios gratuitos é limitado. O paciente deve, portanto, arcar com gastos adicionais, inclusive para exames clínicos mais abrangentes, se tiver meios para tanto. Os pacientes atendidos pelo SUS em hospitais privados têm tratamento algo melhor, mas o reembolso das despesas fica muito aquém dos custos, além de ser feito com atraso.
Os planos do governo nada mencionam sobre a falta de infraestrutura física, ou seja, de hospitais, casas de saúde ou, pelo menos, unidades capazes de funcionar também como prontos-socorros. Nada também sobre as condições de trabalho e remuneração dos profissionais da rede pública. Reportagem do Estado (14/7) mostrou que a reivindicação de muitos municípios, em diversas regiões do País, não é de mais médicos, mas de uma estrutura para atendimento local, de forma a evitar o deslocamento para os grandes centros em emergências. Em muitos casos, as prefeituras não dispõem nem de ambulâncias e o transporte de pacientes tem de ser feito por ônibus.
Em cidades menores, não existe nem o atendimento básico. O que diz a prefeita Daniela Brito, do município paulista de Monteiro Lobato (5 mil habitantes), mostra o descompasso entre os planos do governo e os anseios da população: "Não queremos hospitais nem médico estrangeiro. O que nós precisamos é de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e recursos para pagar melhor".
Quanto ao aumento proposto de 11 mil novas vagas nos cursos de Medicina, nada se falou sobre a qualificação dos futuros médicos. O anúncio dos planos do governo praticamente coincidiu com a divulgação de um documento de coordenadores de faculdades de Medicina, criadas nos últimos dez anos, em universidades federais, e que não dispõem de hospitais-escola. As residências são feitas em hospitais da região, às vezes localizados em cidades próximas à faculdade, sem preceptores capacitados.
No texto, encaminhado ao Ministério da Educação, os coordenadores afirmam que cursos médicos podem ser cancelados em 2014 ou simplesmente fechados por falta de condições adequadas de funcionamento, se o governo não tomar medidas urgentes para aperfeiçoar a formação dos profissionais. "Nas condições atuais", diz o documento, "só é possível a gestão dos cursos de medicina sem hospital por meio de práticas de gestão negligentes e irregulares, se não legalmente questionáveis". O documento considera inviável colocar em prática a proposta de aumento da oferta de vagas para graduação médica no País por aquelas faculdades, criadas nos últimos dez anos como forma de interiorização do ensino médico.
Os planos do governo, porém, não contemplam a construção de hospitais-escola nas novas faculdades federais localizadas em cidades do Centro-Sul, Nordeste e Norte. Implantar escolas de Medicina por decreto, sem lhes dar a infraestrutura indispensável, não pode dar certo.
Mazelas da Saúde Pública.
Há um dado que serve muito bem para demonstrar por que o Sistema Único de Saúde (SUS), cuja situação se torna cada dia mais precária, não tem condições para atender os milhões de brasileiros que a ele recorrem, e que passam horas ou mesmo dias em filas diante de hospitais ou centros de saúde. Segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), com base em dados do Ministério da Saúde, 42 mil leitos de internação do SUS foram desativados entre outubro de 2005 e junho de 2012.
Em números absolutos, os Estados mais populosos foram os mais afetados. Em São Paulo houve uma redução de 10.278 leitos e em Minas Gerais, de 5.177. E não é verdade, como se alega, que isso tenha sido compensado pela criação de novos leitos no Pará (723), Rondônia (622) ou Amazonas (360). O quadro só não é mais grave por causa do papel decisivo desempenhado pelas Santas Casas e hospitais filantrópicos.
A questão central é o subfinanciamento do SUS. Como as verbas alocadas à saúde são insuficientes, os serviços prestados por hospitais e postos médicos públicos são aqueles minimamente recomendados. O fornecimento de remédios gratuitos é limitado. O paciente deve, portanto, arcar com gastos adicionais, inclusive para exames clínicos mais abrangentes, se tiver meios para tanto. Os pacientes atendidos pelo SUS em hospitais privados têm tratamento algo melhor, mas o reembolso das despesas fica muito aquém dos custos, além de ser feito com atraso.
Os planos do governo nada mencionam sobre a falta de infraestrutura física, ou seja, de hospitais, casas de saúde ou, pelo menos, unidades capazes de funcionar também como prontos-socorros. Nada também sobre as condições de trabalho e remuneração dos profissionais da rede pública. Reportagem do Estado (14/7) mostrou que a reivindicação de muitos municípios, em diversas regiões do País, não é de mais médicos, mas de uma estrutura para atendimento local, de forma a evitar o deslocamento para os grandes centros em emergências. Em muitos casos, as prefeituras não dispõem nem de ambulâncias e o transporte de pacientes tem de ser feito por ônibus.
Em cidades menores, não existe nem o atendimento básico. O que diz a prefeita Daniela Brito, do município paulista de Monteiro Lobato (5 mil habitantes), mostra o descompasso entre os planos do governo e os anseios da população: "Não queremos hospitais nem médico estrangeiro. O que nós precisamos é de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e recursos para pagar melhor".
Quanto ao aumento proposto de 11 mil novas vagas nos cursos de Medicina, nada se falou sobre a qualificação dos futuros médicos. O anúncio dos planos do governo praticamente coincidiu com a divulgação de um documento de coordenadores de faculdades de Medicina, criadas nos últimos dez anos, em universidades federais, e que não dispõem de hospitais-escola. As residências são feitas em hospitais da região, às vezes localizados em cidades próximas à faculdade, sem preceptores capacitados.
No texto, encaminhado ao Ministério da Educação, os coordenadores afirmam que cursos médicos podem ser cancelados em 2014 ou simplesmente fechados por falta de condições adequadas de funcionamento, se o governo não tomar medidas urgentes para aperfeiçoar a formação dos profissionais. "Nas condições atuais", diz o documento, "só é possível a gestão dos cursos de medicina sem hospital por meio de práticas de gestão negligentes e irregulares, se não legalmente questionáveis". O documento considera inviável colocar em prática a proposta de aumento da oferta de vagas para graduação médica no País por aquelas faculdades, criadas nos últimos dez anos como forma de interiorização do ensino médico.
Os planos do governo, porém, não contemplam a construção de hospitais-escola nas novas faculdades federais localizadas em cidades do Centro-Sul, Nordeste e Norte. Implantar escolas de Medicina por decreto, sem lhes dar a infraestrutura indispensável, não pode dar certo.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
"A saúde é a vida no silêncio dos órgãos". Esta frase indica como a doença é, em última instância, o que faz o corpo falar. É a experiência da doença que rompe uma certa imanência silenciosa entre o sujeito e o seu próprio corpo; é ela que transforma o corpo em um "problema" que determina exigências de saber e configura necessidades de cuidado e intervenção. Desde há muito, ouvimos que "o homem que pensa é um animal doente". A frase se presta a, pelo menos, duas interpretações: não apenas que o pensar é uma doença que marca o ponto de exílio em relação a uma naturalidade perdida, mas, principalmente, que a doença é o que provoca o pensar. Pois, se é verdade que toda ciência procede do espanto, então não haveria como esquecer desta afirmação maior :
"o espanto verdadeiramente vital é a angústia suscitada pela doença"
"o espanto verdadeiramente vital é a angústia suscitada pela doença"
Promoção cultural e pedagógica em espaços culturais
#MaisCulturaNasEscolas
Inscrições até dia 10 de agosto.
Acesse:
http://ow.ly/i/2KOOn/original
#MaisCulturaNasEscolas
Inscrições até dia 10 de agosto.
Acesse:
http://ow.ly/i/2KOOn/original
Teia São Paulo 2013
30 de julho de 2013
Vem aí a Teia Paulista, o maior encontro de Pontos de Cultura do país, que será realizado de 8 a 11 de agosto, no centro da cidade de São Paulo. A Teia irá celebrar a cultura do estado com inúmeras atrações, tais como oficinas culturais e arte digital, cortejo de abertura, exposição de artes, feira de economia solidária e o III Fórum Paulista dos Pontos de Cultura.
Está sendo aguardado um público de cerca de 30 mil pessoas, formado por integrantes das redes dos Pontos de Cultura do estado de São Paulo, por visitantes de outros estados, por produtores e difusores culturais contemplados nas ações e prêmios do Programa Cultura Viva e a população interessada em prestigiar o evento e trocar experiências.
A Teia SP 2013 é um grande encontro que irá reunir a diversidade cultural do estado, com a participação de cerca de 700 Pontos de Cultura conveniados com as redes do Ministério da Cultura (MinC), dos estados e dos municípios. É um evento organizado pela Comissão Paulista de Pontos de Cultura em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, MinC e Prefeitura Municipal de São Paulo.
As Teias Regionais acontecem desde os primeiros anos do Programa Cultura Viva e têm o objetivo de proporcionar a troca de saberes e fazeres entre os integrantes dos Pontos de Cultura, além de fortalecerem os marcos legais do programa, as políticas públicas para o setor e a articulação institucional entre os pontos, a sociedade e o governo. O evento deve contar com a presença da ministra Marta Suplicy e da secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural, Márcia Rollemberg.
Serviço:
Evento: Teia São Paulo 213
Data: 8 a 11 de agosto
Local: Praça das Artes, Galeria Olindo, Vale do Anhangabaú, SP/Capital
Mais informações no blog da Teia SP
PrevFumo – Tratamento do Tabagismo
Descrição: O Núcleo de Prevenção e Cessação do Tabagismo – PrevFumo oferece tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar. Os atendimentos são realizados em grupo ou individualmente por uma equipe multiprofissional, formada por médicos, fisioterapeutas e psicólogos.
Quem pode participar: O atendimento é aberto para o público em geral. O Núcleo atende, em média, quatro mil pacientes por ano.
Maiores informações contate-nos.
Fernando Cesar.
....Olhar Psicanalítico, com números em % alarmantes...que monstra que as drogas licitas são oferecem maior risco devido a facilidade de compra e uso e o conceito cultural do nosso pais em relação a bebida alcoólica.
DEPENDÊNCIA QUÍMICA: PREVENÇÃO E TRATAMENTO
Olhar Psicanalítico, com números em % alarmantes...que monstra que as drogas licitas oferecem maior risco devido a facilidade de compra e uso e o conceito cultural do nosso pais em relação a bebida alcoólica.
A história da dependência química acontece desde o início da humanidade, embora a atenção à essa condição só tenha ocorrido no último século. Dependência química é o uso freqüente e exagerado da droga, com ruptura dos vínculos afetivos e sociais, é a perda da liberdade de dizer não à droga à qual o organismo se adaptou, seja droga lícita ou ilícita.
Segundo o dicionário Aurélio, droga é “qualquer substância capaz de modificar a função dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento”. Na definição da OMS é “qualquer produto, lícito ou ilícito que afeta o funcionamento mental e corporal do indivíduo e que pode causar intoxicação ou dependência”.
As drogas são classificadas em três categorias, de acordo com a sua ação no sistema nervoso: Depressores do Sistema Nervoso Central, englobando o álcool, benzodiazepínicos, inalantes, opiáceos naturais, sintéticos e semi-sintéticos; Estimulantes do Sistema Nervoso Central, englobando anfetaminas, cocaína e seus derivados; e ainda os Perturbadores do Sistema Nervoso Central, onde encontra-se vegetais (mescalina, maconha, psilocibina, trombeteira) e sintéticos (LSD, ecstasy).
Precede a Dependência, o fenômeno conhecido como tolerância, no qual o organismo sempre pede uma quantidade maior da droga para obter o efeito de prazer antes obtido com menor quantidade. Tal fenômeno é devido a sobrecarga dos sistemas enzimáticos do fígado, principalmente o citocromo P450 que desempenha uma função adaptativa, transformando produtos estranhos ao organismo em substâncias menos ativas.
No Brasil, segundo estatísticas, 10% da população adulta é acometida pelo alcoolismo e 2% é dependente de outras drogas. Não incluindo o tabagismo, pois se assim fosse, teríamos o número assustador de um dependente para cada dois habitantes (Busnello). Temos portanto um quadro preocupante e merecedor de atenção na Saúde Mental.
Nos últimos anos, devido ao aumento da incidência da enfermidade, muito se tem explorado para tentar compreender a gênese da dependência química, assim como criar mecanismos eficazes de prevenção.
O sujeito propenso ao uso de drogas, segundo a OMS, é uma pessoa sem informação adequada sobre os efeitos da droga; com saúde deficiente; insatisfeito com sua qualidade de vida (falta ou excesso); com personalidade deficientemente integrada; com fácil acesso às drogas. Segundo Zaitter, o vício tem início sob quatro aspectos principais:
Problemas emocionais – 65%
Curiosidade – 20%
Exibicionismo ou auto-afirmação – 10%
Problemas mentais – 5%
Segundo Hawkins, quatro elementos tem se mostrado protetores contra a adicção: forte ligação com os pais; compromisso escolar; envolvimento regular em atividades religiosas; crença em normas e valores da sociedade.
É uma patologia que atinge todas as classes sociais e todo tipo de família. Porque algumas famílias são bem sucedidas na criação de seus filhos, evitando assim a adicção e outras não? Segundo Baurind (1968), os pais são classificados em quatro categorias: pais competentes, pais autoritários, pais negligentes e pais ausentes. Os pais competentes demonstram confiança em si próprios, como pais e como pessoas. São confortadores e afetuosos mas estabelecem limites e padrões de conduta. Disciplinam os filhos quando esses padrões são rompidos, explicando a lógica da disciplina e tendem a não utilizar força física como punição. Exercem a autoridade sem serem autoritários. Seus filhos tendem a ser maduros, independentes, auto-confiantes e com auto estima elevada. Os pais autoritários são os que dizem aos filhos o que fazer sem explicar as razões, estabelecem padrões de conduta rígidos sem levar em conta a necessidade dos filhos, consideram a obediência uma virtude absoluta, quando os padrões são rompidos a punição é insensata e sem explicação, não encorajam discussões. Seus filhos tendem a apresentar baixa auto-estima e dependência. Os pais negligentes são inseguros como educadores, geralmente são afetivos e calorosos mas exercem pouco controle, como se tivessem medo de serem autoritários, organizam a familia como uma pseudo-democracia abdicando do poder de decisão e responsabilidade. Seus filhos tendem a ser inseguros, imaturos e dependentes. Já os pais ausentes manifestam rejeição através da ausência de atenção e afeto, privando a criança de limites definidos e do alimento afetivo necessário para o reconhecimento de sua própria existência. Seus filhos têm dificuldades no convívio social e é comum encontrar esse tipo de característica nos adolescentes usuários de drogas.
Além do desenvolvimento e criação adequada, é no mínimo irresponsável negar o papel da exposição do indivíduo ao ambiente como elemento influenciador ao estabelecimento da adicção. A mídia enquanto “mãe substituta” pode modificar comportamentos. Estudos mostram que nos Estados Unidos, uma criança entre 6 e 17 anos gasta 18.000 horas exposta à televisão e 12.000 horas na sala de aula. Em média, a TV nos EUA veicula por ano 14.000 propagandas com referência sexual, 2.000h com referência à bebidas alcoólicas e 1.000h com referência a assassinatos, estupros e assaltos. Um adolescente ouve rádio, em média, 18,5h durante a semana e 12,8h durante o fim de semana. Em revistas, carros são os primeiros, cigarros os segundos produtos mais anunciados. Bebidas alcoólicas também são muito divulgadas. Em Washington, 1988, uma pesquisa mostrou que crianças entre 8 a 12 anos conseguiam lembrar de mais nomes comerciais de bebidas do que de presidentes americanos.
Várias abordagens psicológicas tentam explicar a dependência química por diversos fatores. Nenhuma delas consegue explicar tal fenômeno na sua totalidade. Talvez, a forma mais compreensível seja a complementação que uma teoria pode ser à outra. Deve-se compreender a Dependência Química considerando as teorias como includentes e complementares e não excludentes.
A Psicanálise contribui para a compreensão da gênese dessa condição com algumas hipóteses. São elas: teoria das gratificações narcísicas, teoria da oralidade, teoria das perversões, e teoria das relações maníacas
A história da dependência química acontece desde o início da humanidade, embora a atenção à essa condição só tenha ocorrido no último século. Dependência química é o uso freqüente e exagerado da droga, com ruptura dos vínculos afetivos e sociais, é a perda da liberdade de dizer não à droga à qual o organismo se adaptou, seja droga lícita ou ilícita.
Segundo o dicionário Aurélio, droga é “qualquer substância capaz de modificar a função dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento”. Na definição da OMS é “qualquer produto, lícito ou ilícito que afeta o funcionamento mental e corporal do indivíduo e que pode causar intoxicação ou dependência”.
As drogas são classificadas em três categorias, de acordo com a sua ação no sistema nervoso: Depressores do Sistema Nervoso Central, englobando o álcool, benzodiazepínicos, inalantes, opiáceos naturais, sintéticos e semi-sintéticos; Estimulantes do Sistema Nervoso Central, englobando anfetaminas, cocaína e seus derivados; e ainda os Perturbadores do Sistema Nervoso Central, onde encontra-se vegetais (mescalina, maconha, psilocibina, trombeteira) e sintéticos (LSD, ecstasy).
Precede a Dependência, o fenômeno conhecido como tolerância, no qual o organismo sempre pede uma quantidade maior da droga para obter o efeito de prazer antes obtido com menor quantidade. Tal fenômeno é devido a sobrecarga dos sistemas enzimáticos do fígado, principalmente o citocromo P450 que desempenha uma função adaptativa, transformando produtos estranhos ao organismo em substâncias menos ativas.
No Brasil, segundo estatísticas, 10% da população adulta é acometida pelo alcoolismo e 2% é dependente de outras drogas. Não incluindo o tabagismo, pois se assim fosse, teríamos o número assustador de um dependente para cada dois habitantes (Busnello). Temos portanto um quadro preocupante e merecedor de atenção na Saúde Mental.
Nos últimos anos, devido ao aumento da incidência da enfermidade, muito se tem explorado para tentar compreender a gênese da dependência química, assim como criar mecanismos eficazes de prevenção.
O sujeito propenso ao uso de drogas, segundo a OMS, é uma pessoa sem informação adequada sobre os efeitos da droga; com saúde deficiente; insatisfeito com sua qualidade de vida (falta ou excesso); com personalidade deficientemente integrada; com fácil acesso às drogas. Segundo Zaitter, o vício tem início sob quatro aspectos principais:
Problemas emocionais – 65%
Curiosidade – 20%
Exibicionismo ou auto-afirmação – 10%
Problemas mentais – 5%
Segundo Hawkins, quatro elementos tem se mostrado protetores contra a adicção: forte ligação com os pais; compromisso escolar; envolvimento regular em atividades religiosas; crença em normas e valores da sociedade.
É uma patologia que atinge todas as classes sociais e todo tipo de família. Porque algumas famílias são bem sucedidas na criação de seus filhos, evitando assim a adicção e outras não? Segundo Baurind (1968), os pais são classificados em quatro categorias: pais competentes, pais autoritários, pais negligentes e pais ausentes. Os pais competentes demonstram confiança em si próprios, como pais e como pessoas. São confortadores e afetuosos mas estabelecem limites e padrões de conduta. Disciplinam os filhos quando esses padrões são rompidos, explicando a lógica da disciplina e tendem a não utilizar força física como punição. Exercem a autoridade sem serem autoritários. Seus filhos tendem a ser maduros, independentes, auto-confiantes e com auto estima elevada. Os pais autoritários são os que dizem aos filhos o que fazer sem explicar as razões, estabelecem padrões de conduta rígidos sem levar em conta a necessidade dos filhos, consideram a obediência uma virtude absoluta, quando os padrões são rompidos a punição é insensata e sem explicação, não encorajam discussões. Seus filhos tendem a apresentar baixa auto-estima e dependência. Os pais negligentes são inseguros como educadores, geralmente são afetivos e calorosos mas exercem pouco controle, como se tivessem medo de serem autoritários, organizam a familia como uma pseudo-democracia abdicando do poder de decisão e responsabilidade. Seus filhos tendem a ser inseguros, imaturos e dependentes. Já os pais ausentes manifestam rejeição através da ausência de atenção e afeto, privando a criança de limites definidos e do alimento afetivo necessário para o reconhecimento de sua própria existência. Seus filhos têm dificuldades no convívio social e é comum encontrar esse tipo de característica nos adolescentes usuários de drogas.
Além do desenvolvimento e criação adequada, é no mínimo irresponsável negar o papel da exposição do indivíduo ao ambiente como elemento influenciador ao estabelecimento da adicção. A mídia enquanto “mãe substituta” pode modificar comportamentos. Estudos mostram que nos Estados Unidos, uma criança entre 6 e 17 anos gasta 18.000 horas exposta à televisão e 12.000 horas na sala de aula. Em média, a TV nos EUA veicula por ano 14.000 propagandas com referência sexual, 2.000h com referência à bebidas alcoólicas e 1.000h com referência a assassinatos, estupros e assaltos. Um adolescente ouve rádio, em média, 18,5h durante a semana e 12,8h durante o fim de semana. Em revistas, carros são os primeiros, cigarros os segundos produtos mais anunciados. Bebidas alcoólicas também são muito divulgadas. Em Washington, 1988, uma pesquisa mostrou que crianças entre 8 a 12 anos conseguiam lembrar de mais nomes comerciais de bebidas do que de presidentes americanos.
Várias abordagens psicológicas tentam explicar a dependência química por diversos fatores. Nenhuma delas consegue explicar tal fenômeno na sua totalidade. Talvez, a forma mais compreensível seja a complementação que uma teoria pode ser à outra. Deve-se compreender a Dependência Química considerando as teorias como includentes e complementares e não excludentes.
A Psicanálise contribui para a compreensão da gênese dessa condição com algumas hipóteses. São elas: teoria das gratificações narcísicas, teoria da oralidade, teoria das perversões, e teoria das relações maníacas
Não pretendo explorar profundamente cada uma das teorias, mas superficialmente informá-las.
Teoria da Gratificação Narcísica : -Freud, em 1897 escreveu “… comecei a compreender que a masturbação é o grande hábito, o vício primário, e que é somente como seu sucedâneo e substituto dela que outros vícios – álcool, morfina, tabaco, etc. – adquirem existência.” -Enfatizava a possibilidade de, através das substâncias psicoativas, alguém conseguir prazer, sem a necessidade da colaboração de outra pessoa. Simmel (1930) endossa tal pensamento ao afirmar que ” as mães dos toxicômanos, não raro, são sedutoras e superindulgentes enquanto mãe nutrícia, retirando, elas mesmas, um prazer auto-erótico do amamentar”, concorda Knight(1937) acrescentando que: “elas procuram aplacar o bebê satisfazendo-o constantemente, de modo que o desmame eventual da criança só poderá significar traição da mãe”. Desta forma a etapa da separação com posterior individuação ( Mahler,1975) seria comprometida, favorecendo-lhes o envolvimento futuro com as drogas.
Para Rosenfeld (1960) os bebês seriam portadores de inveja primária do seio materno, o que leva o indivíduo, a precocemente preterir o seio em favor de seu próprio polegar. A droga, nesta perspectiva, seria um substituto deste polegar.
Em 1987, Olievenstein e seus colaboradores, concentraram seus estudos na questão da falta. Segundo estes autores, há a possibilidade do sentimento da falta propiciado pela maternagem inadequada se sobrepor ao prazer narcísico associado às drogas. As mães insuficientemente boas gerariam um estado de crônica falta. Uma falta descomunal e jamais saciável. Nessa perspectiva, o depender de drogas seria o resultado do deslocamento deste sentimento de falta para um objeto, com a vantagem de este ser alcançável em qualquer esquina do mundo.
Teoria da Oralidade : Freud (1905) destacou a presença de fixações orais em dependentes químicos. Escreveu em seus três ensaios sobre a teoria da sexualidade : “…da importância erógena da região labial, constitucionalmente determinada. Se esta importância persistir, estas crianças quando crescerem, torna-se-ão epicuros do beijo, inclinar-se-ão ao beijo pervertido, ou, se do sexo masculino, terão poderoso motivo para beber e fumar.”
Teoria das Relações Maníacas : Sob o efeito das substâncias psicoativas, o indivíduo experimenta sensações de enaltecimento pessoal, com conseqüente reforço da onipotência, fato que sempre chamou a atenção dos vários psicanalistas, que tentaram melhor entender a psicodinâmica dos dependentes químicos. Assim é que Freud (1917,1927) destacou a relação entre a elação alcóolica e a mania. Para Rosenfeld (1960) “a toxicomania intimamente se relaciona à doença maníaco-depressiva, conquanto não lhe seja idêntica… o ego dos toxicômanos é fraco e não dispõe de força para suportar o peso da depressão e, por isso, recorre, com facilidade, aos mecanismos maníacos, mas só alcança a reação maníaca com o auxilio das drogas …Caracteristicamente defendem-se com idealizações, identificações com o objeto ideal e o controle onipotente dos objetos”.
Clark (1919) direcionou sua atenção para a importância do exame da relação entre depressão e dependência química. Nisto foi seguido por uma infinidade de outros pesquisadores que tiveram sempre o desafio de tentar separar qual condição determinaria a outra.
Seja no entanto mania ou depressão, do ponto de vista destas contribuições, estas seriam condições prévias, onde o uso de substâncias psicoativas apareceria como subproduto.
Teoria das Perversões : Desde 1912, (Freud) a psicanálise estuda a relação da dependência química de uma forma geral, e do alcoolismo em especial, com fantasias homossexuais. Para Freud o álcool seria capaz de levantar as inibições e desfazer o trabalho da sublimação. Em conseqüência disto a libido homossexual se liberaria.
Abraham (1908) concorda com isso, sustentando que o comportamento, muitas vezes criminoso, de alcoolistas se daria devido a liberação, pelo álcool, de perversões como o sadismo e o masoquismo.
A Dependência química é uma doença crônica com danos lentos e irreversíveis física e psicologicamente. No DSM-IV-TR (Diagnostic and Statistical manual of mental disorders) aparece como transtornos relacionados a substâncias.
Cada classe de drogas conduzirá, no decorrer do tempo, a diferentes danos pois afetará diferentes sistemas de neurotransmissores.
Robinson e Berridge (1993) estudaram os diversos efeitos das drogas no organismo e concluíram que substancias psicoestimulantes levam a uma concentração maior de dopamina no núcleo accumbens resultando em um comportamento psicótico com alucinações e delírios.
Alterações comportamentais como agressividade exacerbada, comportamento anti-social e perda de memória, perda de valores morais e éticos são implicações comuns do abuso de substâncias.
Ernest Simmel (1947) afirma que o supereu é solúvel em álcool, ou seja, o superego do alcoolista, sob o abuso da substância, se torna menos permeável à censura, perdendo referências morais e éticas.
As mudanças comportamentais do adicto ocorrem na esfera bio-psicossocial. Na esfera física podem se evidenciar episódios amnésicos, sintomas de abstinência, acidentes freqüentes, reações tóxicas agudas (vômitos, estado confusional, convulsões, dores abdominais), preocupação excessiva com a saúde geral. No âmbito escolar pode-se observar queda no rendimento escolar, aumento do número de faltas, dificuldade de memória e concentração, problemas disciplinares. Em áreas legais nota-se maior incidência de acidentes/ multas de trânsito, amigos com história criminal, atividades criminais. Na atuação familiar: conflitos pais/filhos, afastamento das atividades da familia, desaparecimento de dinheiro ou objetos da casa. E ainda é possível constatação através de evidências laboratoriais, como a exemplo, pode-se dosar na urina até um certo tempo após o uso, que varia de acordo com a droga. Assim: cocaína – presente na urina de 8 a 48h. Opiáceos – presentes até 84h. Maconha – de 7 a 34 dias depois do consumo.
Frequentemente os familiares protelam ou utilizam-se do mecanismo de defesa de negação para não aceitar a possibilidade de ter um de seus membros envolvidos com drogas.
Dependendo do tempo de uso e da instalação da dependência química, muitas vezes o único tratamento possível é a internação clínica, a qual, na maior parte das vezes é involuntária num primeiro momento.
De acordo com a Federação Brasileira de Comunidades terapêuticas (FEBRACT), no estado de São Paulo, há filiação de 46 instituições, entretanto, por não ser um órgão de filiação obrigatória, é estimado a existência de um número bem maior, sem contar as clínicas e hospitais médicos especializados no tratamento da dependência química.
Escolher uma instituição que ofereça uma proposta terapêutica eficaz, que tenha instalações adequadas com profissionais devidamente treinados e ofereça uma estrutura real de trabalho terapêutico e reinserção social é, para os familiares leigos do tema e surpresos pelo acometimento da doença, um desafio que muitas vezes premedita o fracasso do objetivo a que se propõe uma internação para reabilitação.
Há, entretanto, alguns critérios que devem ser levados em conta, na escolha de uma instituição adequada. Os familiares devem preceder uma visita antes de uma escolha definitiva, quando se observa itens básicos como instalações e acomodações para o interno, higiene, estrutura de lazer, presença de profissionais diversos da área de saúde tais como psicólogos, psicanalistas, terapeutas, assistente social, monitores, professor de educação física, médico psiquiatra e médico clínico geral, possibilidades e recursos de atendimento a emergências clínicas, plano e rotina diária de atividades, cardápio diferenciado para dietas hipocalóricas ou hipoglicêmicas, programas de ressocialização na etapa final da internação, programa de assistência familiar e acompanhamento pós-internação. São critérios que determinam ou não o sucesso do tratamento.
A maioria das instituições fundamentam seus projetos terapêuticos nos passos das Irmandades Anômimas, o que tem se mostrado muito eficiente e eficaz para o sucesso do tratamento.
O primeiro momento do interno, geralmente conturbado e de maior vigilância é a desintoxicação. Nessa etapa diversos fenômenos físicos se manifestam na síndrome de abstinência. O paciente geralmente estará mais irritadiço e agressivo e deverá ser acompanhado por um médico clínico geral ou psiquiatra. O uso de neurolépticos pode abrandar os sintomas de desconforto da síndrome de abstinência e assegurar a integridade física do paciente, geralmente prescritos pelo médico psiquiatra. Uma segunda etapa deverá ser firmada no objetivo da sensibilização e conscientização concentrada num número maior de atendimentos psicológicos e psicanalíticos individuais e grupais. A terceira etapa é a de reabilitação, na qual objetiva-se a mudança comportamental e o planejamento para o futuro. Na fase seguinte, a ressocialização, assistido por profissionais, o interno deverá ser reinserido gradualmente no seu mundo e consolidar as mudanças comportamentais. A ultima etapa é o acompanhamento do paciente no seu mundo. Paralelamente ao trabalho com o interno, a família poderá ser assistida e orientada quanto a atendimentos psicoterapêuticos familiares com o propósito de gerar mudanças que quebrem o padrão de co-dependência inconscientemente instalado nos cuidadores. É um trabalho de preparação para a reinserção futura do membro internado. Não existe um tempo determinado para cada etapa do tratamento, entretanto a singularidade do indivíduo, a complexidade da patologia e estruturação familiar deverão ser consideradas na determinação do tempo de duração de cada etapa.
As instituições terapêuticas para dependentes químicos têm uma ampla gama de atividades que podem ser psicoterapia individual e grupal, psicanálise individual e grupoanálise, grupos de reflexão, grupos de AA e NA, grupos de partilha de sentimentos, palestras, videoterapia, educação física, artes marciais, laborterapia, grupos de práticas espirituais, etc…
O objetivo da internação é a priori, a quebra de padrão de abuso da substância, mas também uma preparação para a reinserção do indivíduo na sociedade, no exercício da sua cidadania e do seu papel familiar, conscientizando o de sua enfermidade e de sua cronicidade e colocando-o na posição de responsável pela manutenção constante da sua recuperação.
Findado o período de internação, faz-se importante a manutenção do tratamento através da assistência psicoterapêutica ou psicanalítica, dos grupos de apoio externos para o indivíduo e familiares, assim como acompanhamento psiquiátrico periódico.
A terapia medicamentosa poderá ser eficaz durante e pós-internação. Poderá ser o uso de neurolépticos para contenção dos impulsos e da compulsão ou também o uso de drogas aversivas específicas para o alcoolismo. Embora o Dissulfiram tenha sido, no passado, usado por muitos profissionais no combate ao alcoolismo, mostrou-se com o tempo, perigosa e obsoleta. Hoje, a industria farmacêutica oferece a naltrexona e o acamprosato no tratamento de alcoolismo. Não se tem uma evidência concreta da eficácia dessas drogas, os dados até então encontrados são inconsistentes.
A manutenção da recuperação tende a ser bem sucedida quando orientada por profissionais experientes, mas outros fatores têm se mostrado relevantes nesse processo, tais como o apoio e o acolhimento familiar; a criação de um ambiente propício à expressão de sentimentos e à pedidos de ajuda, quando necessários; a valorização do indivíduo e o respeito pelos seus direitos e liberdade e a estimulação à responsabilidade do indivíduo pelos seus atos.
A dependência química é uma doença crônica que leva o caos à estrutura familiar e que pode ser destrutiva e auto-destrutiva, portanto requer tratamento especializado e participação de todos os membros cuidadores.
Olivan Liger de Oliveira
Psicanalista
Teoria da Gratificação Narcísica : -Freud, em 1897 escreveu “… comecei a compreender que a masturbação é o grande hábito, o vício primário, e que é somente como seu sucedâneo e substituto dela que outros vícios – álcool, morfina, tabaco, etc. – adquirem existência.” -Enfatizava a possibilidade de, através das substâncias psicoativas, alguém conseguir prazer, sem a necessidade da colaboração de outra pessoa. Simmel (1930) endossa tal pensamento ao afirmar que ” as mães dos toxicômanos, não raro, são sedutoras e superindulgentes enquanto mãe nutrícia, retirando, elas mesmas, um prazer auto-erótico do amamentar”, concorda Knight(1937) acrescentando que: “elas procuram aplacar o bebê satisfazendo-o constantemente, de modo que o desmame eventual da criança só poderá significar traição da mãe”. Desta forma a etapa da separação com posterior individuação ( Mahler,1975) seria comprometida, favorecendo-lhes o envolvimento futuro com as drogas.
Para Rosenfeld (1960) os bebês seriam portadores de inveja primária do seio materno, o que leva o indivíduo, a precocemente preterir o seio em favor de seu próprio polegar. A droga, nesta perspectiva, seria um substituto deste polegar.
Em 1987, Olievenstein e seus colaboradores, concentraram seus estudos na questão da falta. Segundo estes autores, há a possibilidade do sentimento da falta propiciado pela maternagem inadequada se sobrepor ao prazer narcísico associado às drogas. As mães insuficientemente boas gerariam um estado de crônica falta. Uma falta descomunal e jamais saciável. Nessa perspectiva, o depender de drogas seria o resultado do deslocamento deste sentimento de falta para um objeto, com a vantagem de este ser alcançável em qualquer esquina do mundo.
Teoria da Oralidade : Freud (1905) destacou a presença de fixações orais em dependentes químicos. Escreveu em seus três ensaios sobre a teoria da sexualidade : “…da importância erógena da região labial, constitucionalmente determinada. Se esta importância persistir, estas crianças quando crescerem, torna-se-ão epicuros do beijo, inclinar-se-ão ao beijo pervertido, ou, se do sexo masculino, terão poderoso motivo para beber e fumar.”
Teoria das Relações Maníacas : Sob o efeito das substâncias psicoativas, o indivíduo experimenta sensações de enaltecimento pessoal, com conseqüente reforço da onipotência, fato que sempre chamou a atenção dos vários psicanalistas, que tentaram melhor entender a psicodinâmica dos dependentes químicos. Assim é que Freud (1917,1927) destacou a relação entre a elação alcóolica e a mania. Para Rosenfeld (1960) “a toxicomania intimamente se relaciona à doença maníaco-depressiva, conquanto não lhe seja idêntica… o ego dos toxicômanos é fraco e não dispõe de força para suportar o peso da depressão e, por isso, recorre, com facilidade, aos mecanismos maníacos, mas só alcança a reação maníaca com o auxilio das drogas …Caracteristicamente defendem-se com idealizações, identificações com o objeto ideal e o controle onipotente dos objetos”.
Clark (1919) direcionou sua atenção para a importância do exame da relação entre depressão e dependência química. Nisto foi seguido por uma infinidade de outros pesquisadores que tiveram sempre o desafio de tentar separar qual condição determinaria a outra.
Seja no entanto mania ou depressão, do ponto de vista destas contribuições, estas seriam condições prévias, onde o uso de substâncias psicoativas apareceria como subproduto.
Teoria das Perversões : Desde 1912, (Freud) a psicanálise estuda a relação da dependência química de uma forma geral, e do alcoolismo em especial, com fantasias homossexuais. Para Freud o álcool seria capaz de levantar as inibições e desfazer o trabalho da sublimação. Em conseqüência disto a libido homossexual se liberaria.
Abraham (1908) concorda com isso, sustentando que o comportamento, muitas vezes criminoso, de alcoolistas se daria devido a liberação, pelo álcool, de perversões como o sadismo e o masoquismo.
A Dependência química é uma doença crônica com danos lentos e irreversíveis física e psicologicamente. No DSM-IV-TR (Diagnostic and Statistical manual of mental disorders) aparece como transtornos relacionados a substâncias.
Cada classe de drogas conduzirá, no decorrer do tempo, a diferentes danos pois afetará diferentes sistemas de neurotransmissores.
Robinson e Berridge (1993) estudaram os diversos efeitos das drogas no organismo e concluíram que substancias psicoestimulantes levam a uma concentração maior de dopamina no núcleo accumbens resultando em um comportamento psicótico com alucinações e delírios.
Alterações comportamentais como agressividade exacerbada, comportamento anti-social e perda de memória, perda de valores morais e éticos são implicações comuns do abuso de substâncias.
Ernest Simmel (1947) afirma que o supereu é solúvel em álcool, ou seja, o superego do alcoolista, sob o abuso da substância, se torna menos permeável à censura, perdendo referências morais e éticas.
As mudanças comportamentais do adicto ocorrem na esfera bio-psicossocial. Na esfera física podem se evidenciar episódios amnésicos, sintomas de abstinência, acidentes freqüentes, reações tóxicas agudas (vômitos, estado confusional, convulsões, dores abdominais), preocupação excessiva com a saúde geral. No âmbito escolar pode-se observar queda no rendimento escolar, aumento do número de faltas, dificuldade de memória e concentração, problemas disciplinares. Em áreas legais nota-se maior incidência de acidentes/ multas de trânsito, amigos com história criminal, atividades criminais. Na atuação familiar: conflitos pais/filhos, afastamento das atividades da familia, desaparecimento de dinheiro ou objetos da casa. E ainda é possível constatação através de evidências laboratoriais, como a exemplo, pode-se dosar na urina até um certo tempo após o uso, que varia de acordo com a droga. Assim: cocaína – presente na urina de 8 a 48h. Opiáceos – presentes até 84h. Maconha – de 7 a 34 dias depois do consumo.
Frequentemente os familiares protelam ou utilizam-se do mecanismo de defesa de negação para não aceitar a possibilidade de ter um de seus membros envolvidos com drogas.
Dependendo do tempo de uso e da instalação da dependência química, muitas vezes o único tratamento possível é a internação clínica, a qual, na maior parte das vezes é involuntária num primeiro momento.
De acordo com a Federação Brasileira de Comunidades terapêuticas (FEBRACT), no estado de São Paulo, há filiação de 46 instituições, entretanto, por não ser um órgão de filiação obrigatória, é estimado a existência de um número bem maior, sem contar as clínicas e hospitais médicos especializados no tratamento da dependência química.
Escolher uma instituição que ofereça uma proposta terapêutica eficaz, que tenha instalações adequadas com profissionais devidamente treinados e ofereça uma estrutura real de trabalho terapêutico e reinserção social é, para os familiares leigos do tema e surpresos pelo acometimento da doença, um desafio que muitas vezes premedita o fracasso do objetivo a que se propõe uma internação para reabilitação.
Há, entretanto, alguns critérios que devem ser levados em conta, na escolha de uma instituição adequada. Os familiares devem preceder uma visita antes de uma escolha definitiva, quando se observa itens básicos como instalações e acomodações para o interno, higiene, estrutura de lazer, presença de profissionais diversos da área de saúde tais como psicólogos, psicanalistas, terapeutas, assistente social, monitores, professor de educação física, médico psiquiatra e médico clínico geral, possibilidades e recursos de atendimento a emergências clínicas, plano e rotina diária de atividades, cardápio diferenciado para dietas hipocalóricas ou hipoglicêmicas, programas de ressocialização na etapa final da internação, programa de assistência familiar e acompanhamento pós-internação. São critérios que determinam ou não o sucesso do tratamento.
A maioria das instituições fundamentam seus projetos terapêuticos nos passos das Irmandades Anômimas, o que tem se mostrado muito eficiente e eficaz para o sucesso do tratamento.
O primeiro momento do interno, geralmente conturbado e de maior vigilância é a desintoxicação. Nessa etapa diversos fenômenos físicos se manifestam na síndrome de abstinência. O paciente geralmente estará mais irritadiço e agressivo e deverá ser acompanhado por um médico clínico geral ou psiquiatra. O uso de neurolépticos pode abrandar os sintomas de desconforto da síndrome de abstinência e assegurar a integridade física do paciente, geralmente prescritos pelo médico psiquiatra. Uma segunda etapa deverá ser firmada no objetivo da sensibilização e conscientização concentrada num número maior de atendimentos psicológicos e psicanalíticos individuais e grupais. A terceira etapa é a de reabilitação, na qual objetiva-se a mudança comportamental e o planejamento para o futuro. Na fase seguinte, a ressocialização, assistido por profissionais, o interno deverá ser reinserido gradualmente no seu mundo e consolidar as mudanças comportamentais. A ultima etapa é o acompanhamento do paciente no seu mundo. Paralelamente ao trabalho com o interno, a família poderá ser assistida e orientada quanto a atendimentos psicoterapêuticos familiares com o propósito de gerar mudanças que quebrem o padrão de co-dependência inconscientemente instalado nos cuidadores. É um trabalho de preparação para a reinserção futura do membro internado. Não existe um tempo determinado para cada etapa do tratamento, entretanto a singularidade do indivíduo, a complexidade da patologia e estruturação familiar deverão ser consideradas na determinação do tempo de duração de cada etapa.
As instituições terapêuticas para dependentes químicos têm uma ampla gama de atividades que podem ser psicoterapia individual e grupal, psicanálise individual e grupoanálise, grupos de reflexão, grupos de AA e NA, grupos de partilha de sentimentos, palestras, videoterapia, educação física, artes marciais, laborterapia, grupos de práticas espirituais, etc…
O objetivo da internação é a priori, a quebra de padrão de abuso da substância, mas também uma preparação para a reinserção do indivíduo na sociedade, no exercício da sua cidadania e do seu papel familiar, conscientizando o de sua enfermidade e de sua cronicidade e colocando-o na posição de responsável pela manutenção constante da sua recuperação.
Findado o período de internação, faz-se importante a manutenção do tratamento através da assistência psicoterapêutica ou psicanalítica, dos grupos de apoio externos para o indivíduo e familiares, assim como acompanhamento psiquiátrico periódico.
A terapia medicamentosa poderá ser eficaz durante e pós-internação. Poderá ser o uso de neurolépticos para contenção dos impulsos e da compulsão ou também o uso de drogas aversivas específicas para o alcoolismo. Embora o Dissulfiram tenha sido, no passado, usado por muitos profissionais no combate ao alcoolismo, mostrou-se com o tempo, perigosa e obsoleta. Hoje, a industria farmacêutica oferece a naltrexona e o acamprosato no tratamento de alcoolismo. Não se tem uma evidência concreta da eficácia dessas drogas, os dados até então encontrados são inconsistentes.
A manutenção da recuperação tende a ser bem sucedida quando orientada por profissionais experientes, mas outros fatores têm se mostrado relevantes nesse processo, tais como o apoio e o acolhimento familiar; a criação de um ambiente propício à expressão de sentimentos e à pedidos de ajuda, quando necessários; a valorização do indivíduo e o respeito pelos seus direitos e liberdade e a estimulação à responsabilidade do indivíduo pelos seus atos.
A dependência química é uma doença crônica que leva o caos à estrutura familiar e que pode ser destrutiva e auto-destrutiva, portanto requer tratamento especializado e participação de todos os membros cuidadores.
Olivan Liger de Oliveira
Psicanalista
terça-feira, 30 de julho de 2013
Em meio a polêmica da questão da redução da maioridade penal que tem se desenrolado durante há alguns dias, vários rappers através de rimas gravadas em vídeos, tem protestado se posicionando contra a redução. A questão é bem controversa e não é de hoje que causa alvoroço ao ser discutidaEm protesto aos clamores pela redução da maioridade penal, rappers e poetas de várias cidades estão fazendo raps com argumentos contrários a mudança no código penal. O projeto começou há duas semanas e 18 vídeos já foram publicados em um canal no Youtube. A ideia,é que mais pessoas elaborem rimas e participem.
Conheça as 10 razões da Psicologia contra a redução da maioridade penal:
Conheça as 10 razões da Psicologia contra a redução da maioridade penal:
1. A adolescência é uma das fases do desenvolvimento dos indivíduos e, por ser um período
de grandes transformações, deve ser pensada pela perspectiva educativa. O desafio da
sociedade é educar seus jovens, permitindo um desenvolvimento adequado tanto do ponto
de vista emocional e social quanto físico;
2. É urgente garantir o tempo social de infância e juventude, com escola de qualidade,
visando condições aos jovens para o exercício e vivência de cidadania, que permitirão a
construção dos papéis sociais para a constituição da própria sociedade;
3. A adolescência é momento de passagem da infância para a vida adulta. A inserção do
jovem no mundo adulto prevê, em nossa sociedade, ações que assegurem este ingresso,
de modo a oferecer – lhe as condições sociais e legais, bem como as capacidades
educacionais e emocionais necessárias. É preciso garantir essas condições para todos os
adolescentes;
4. A adolescência é momento importante na construção de um projeto de vida adulta. Toda
atuação da sociedade voltada para esta fase deve ser guiada pela perspectiva de
orientação. Um projeto de vida não se constrói com segregação e, sim, pela orientação
escolar e profissional ao longo da vida no sistema de educação e trabalho;
5. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) propõe responsabilização do adolescente
que comete ato infracional com aplicação de medidas socioeducativas. O ECA não propõe
impunidade. É adequado, do ponto de vista da Psicologia, uma sociedade buscar corrigir a
conduta dos seus cidadãos a partir de uma perspectiva educacional, principalmente em se
tratando de adolescentes;
6. O critério de fixação da maioridade penal é social, cultural e político, sendo expressão da
forma como uma sociedade lida com os conflitos e questões que caracterizam a juventude;
implica a eleição de uma lógica que pode ser repressiva ou educativa. Os psicólogos
sabem que a repressão não é uma forma adequada de conduta para a constituição de
sujeitos sadios. Reduzir a idade penal reduz a igualdade social e não a violência - ameaça,
não previne, e punição não corrige;
7. As decisões da sociedade, em todos os âmbitos, não devem jamais desviar a atenção,
daqueles que nela vivem, das causas reais de seus problemas. Uma das causas da
violência está na imensa desigualdade social e, conseqüentemente, nas péssimas
condições de vida a que estão submetidos alguns cidadãos. O debate sobre a redução da
maioridade penal é um recorte dos problemas sociais brasileiros que reduz e simplifica a
questão;
8. A violência não é solucionada pela culpabilização e pela punição, antes pela ação nas
instâncias psíquicas, sociais, políticas e econômicas que a produzem. Agir punindo e sem
se preocupar em revelar os mecanismos produtores e mantenedores de violência tem como
um de seus efeitos principais aumentar a violência;
9. Reduzir a maioridade penal é tratar o efeito, não a causa. É encarcerar mais cedo a
população pobre jovem, apostando que ela não tem outro destino ou possibilidade;
10. Reduzir a maioridade penal isenta o Estado do compromisso com a construção de políticas
educativas e de atenção para com a juventude. Nossa posição é de reforço a políticas
públicas que tenham uma adolescência sadia como meta.
Psicanálise de bebês e crianças pequenas – Entrevista
30/07/13 - 09:31
POR LUCIANA SADDI
POR LUCIANA SADDI
A psicanálise de crianças começou a se desenvolver a partir da segunda década do século XX. Seus dois maiores expoentes iniciais foram Anna Freud e Melanie Klein, que criou a técnica da ludoterapia. Quase cem anos depois, observamos um desenvolvimento assombroso dessa disciplina e hoje, podemos tratar de bebês e crianças pequenas, favorecendo a profilaxia de transtornos mentais graves. Vamos conversar com, Maria Cecília Pereira da Silva*, que coordena um curso** sobre a clínica de 0 a 3 anos, no Centro de Atendimento Psicanalítico da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
Luciana: Como foi que você se interessou pelo trabalho analítico com bebês e crianças pequenas?
Maria Cecília: Ao estudar Psicopatologia do Bebê, com Serge Lebovici, descobri como intervenções nas relações iniciais pais/bebês, em poucas consultas, podiam fortalecer as funções parentais e solucionar sintomas de sofrimento emocional no bebê.
Evitar que dificuldade vinculares e sintomas se cristalizem é extremamente preventivo e profilático. E isso é apaixonante. Assim podemos ajudar psicanaliticamente, em poucas consultas, muitas pessoas.
Luciana: Quais as especificidades desse trabalho?
Maria Cecília: O trabalho se realiza preferencialmente nos primeiros 3 anos do bebê conjuntamente com os pais e outros irmãos. Eventualmente trabalhamos com os avós e babás também. As sessões duram entorno de 1 hora e podem ocorrer entre 4 e 10 sessões ou mais, dependendo da situação, e não, necessariamente, são semanais. Muitas vezes atendemos em co-terapia. Ou seja, 2 terapeutas para favorecer a continência oferecida à família. Às vezes propomos uma puericultura emocional e vamos acompanhando de tempos em tempos a interação e o desenvolvimento emocional do bebê.
Luciana: Quando pais, profissionais e cuidadores devem procurar a avaliação de um psicanalista?
Maria Cecília: Quando há dificuldades vinculares, dificuldades no sono ou alimentação, problemas com controle esfincteriano, irritabilidade, excesso de agitação, dificuldades na interação afetiva e intersubjetivas
Luciana: O que mudou no campo da clínica de 0 a 3 anos, considerando os últimos 50 anos?
Maria Cecília: Cada vez mais cedo somos capazes de identificar transtornos do espectro autista e intervir precocemente muitas vezes impedindo a cristalização dos sintomas mais sérios.
Luciana: Por que o diagnóstico de transtornos do espectro autista (TEA) vem crescendo no mundo todo?
Maria Cecília: Em primeiro lugar porque aumentou o número de crianças com TEA e com isso os pesquisadores começaram a buscar sinais precoces desses transtornos. Estudam-se filmes caseiros de crianças diagnosticadas com TEA e a qualidade das interações intersubjetivas entre pais e bebês, assim como a disponibilidade emocional materna.
Antigamente, os pediatras só encaminhavam quando os sintomas se mantinham após os 3 anos e alguns, após os 6 anos ou quando os pais identificavam algo estranho e comparavam seus filhos com as outras crianças da escola. Hoje, as pesquisas mostram que a plasticidade cerebral permite que intervenções precoces transformem neurológica e emocionalmente quadros que mais tarde se tornariam crônicos.
Luciana: Como vê a influência do mundo atual nos sintomas das crianças?
Maria Cecília: Cada vez mais cedo as crianças são expostas a brinquedos e atividades tecnológicas em detrimento do contato humano e algumas acabam estabelecendo uma preferência maior por objetos do que pela interação com seres humanos, dificultando o desenvolvimento de relações intersubjetivas e a mediação dos sentimentos e emoções.
A falta de redes parentais nas cidades grandes também deixa as mães muito desamparadas com a chegada de um bebê. Tanto os pais quanto os avós e comadres são importantes para embalar a dupla mãe-bebê nos momentos de estresse da mãe.
A disponibilidade emocional materna entra em disputa com as demandas cotidianas e contemporâneas, além das demandas profissionais, exigindo que as crianças se tornem rapidamente independentes e autônomas. Essa precocidade, muitas vezes, se transforma em sintomas como: fobias, obesidade, ecoprese, retraimento ou momentos de explosividade.
*Maria Cecília Pereira da Silva é Psicanalista, membro efetivo, analista de criança e adolescente e docente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, filiada à International Psychanalytic Association. Especialista em Psicopatologia do Bebê pela Université Paris XIII. Pós doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Membro do Departamento de Psicanálise de Criança e Professora do Instituto Sedes Sapientiae. Coordenadora da Clínica 0 a 3 do Centro de Atendimento Psicanalítico da SBPSP. Autora dos livros, A paixão de formar e Herança Psíquica (casa do psicólogo), A construção da parentalidade em mães adolescentes (honoris causa) e Organizadora do livro, Sexualidade começa na infância (casa do psicólogo).
**Curso aberto a profissionais e estudantes das áreas de educação e saúde (psicólogos, pediatras, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, enfermeiros, terapeutas ocupacionais entre outros). Será ministrado durante o segundo semestre de 2013, em 8 aulas, com uma hora e meia de duração e frequência quinzenal, às sextas-feiras das 13h00 às 14h30. Informações: (11) 3661-9822 ramal 1, de 2ª a 6ª das 9h00-16h00.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Medicalização em um serviço público de saúde mental: um estudo sobre a prescrição de psicofármacos.
Resumo
Notícias de que a quinta versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSMV) deverá trazer uma ampliada listagem das possibilidades diagnósticas têm aquecido o debate sobre
uma tendência, reconhecível em práticas psiquiátricas contemporâneas, de enquadrar em diagnósticos
psiquiátricos mal-estares comuns da vida cotidiana e submetê-los a tratamento psicofarmacológico.
Este artigo traz a essa discussão dados de uma pesquisa de campo sobre a prescrição de
psicofármacos no atendimento psiquiátrico de um serviço público de saúde mental. Os resultados
mostram que a psiquiatria do serviço mantém sob prescrição de psicofármacos praticamente todos os
seus usuários e que as altas são raríssimas. O artigo organiza elementos críticos a essa prática e conclui
por sua inadequação face aos objetivos de promoção de cuidados personalizados atentos à autonomia
e aos preceitos de cidadania presentes nas atuais diretrizes nacionais das políticas públicas de saúde
mental.
Resumo
Notícias de que a quinta versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSMV) deverá trazer uma ampliada listagem das possibilidades diagnósticas têm aquecido o debate sobre
uma tendência, reconhecível em práticas psiquiátricas contemporâneas, de enquadrar em diagnósticos
psiquiátricos mal-estares comuns da vida cotidiana e submetê-los a tratamento psicofarmacológico.
Este artigo traz a essa discussão dados de uma pesquisa de campo sobre a prescrição de
psicofármacos no atendimento psiquiátrico de um serviço público de saúde mental. Os resultados
mostram que a psiquiatria do serviço mantém sob prescrição de psicofármacos praticamente todos os
seus usuários e que as altas são raríssimas. O artigo organiza elementos críticos a essa prática e conclui
por sua inadequação face aos objetivos de promoção de cuidados personalizados atentos à autonomia
e aos preceitos de cidadania presentes nas atuais diretrizes nacionais das políticas públicas de saúde
mental.
"O serviço prestado por estas substâncias na luta
pela felicidade e no afastamento da desgraça é tão
apreciado como um benefício que tanto indivíduos
quanto povos lhe concederam um lugar permanente
na economia de sua libido
Freud (1930/1980, p. 86).
Quando, ainda nas primeiras décadas do
século XX, o criador da psicanálise teceu as
considerações acima, pretendia destacar o
papel auxiliar dos alteradores químicos do
psiquismo, substâncias de uso comum em
todas as culturas, no enfrentamento do
sofrimento psíquico que reputava próprio à
condição humana (Freud, 1930/1980). Não
poderia, no entanto, supor que certos tipos
desses alteradores, os psicofármacos,
viessem a se tornar uma verdadeira panacéia
no enfrentamento de todo o tipo de malestar social em nossa civilização, revelando a
propensão a substituir por pílulas coloridas
toda a reflexão que o mestre dedicava para
compreender o drama humano e minorar a
condição trágica de sofrimento que lhe
considerava inerente.
De fato, vários autores consideram que,
na contemporaneidade, qualquer sinal de
sofrimento psíquico está sujeito a ser
transformado em objeto de práticas médicas
limitadas a sumárias rotulações diagnósticas
quase sempre acompanhadas pela prescrição
de algum tipo de psicofármaco fadado a
promover sua cura (Caponi, 2012; CostaRosa, 2011; Ferrazza et al., 2010; Rabelo,
2011). À mercê desse reducionismo pouco
atento às complexidades do ser humano,
essa tendência que propala seu
embasamento na moderna neurofisiologia
tem promovido a banalização do uso de
psicofármacos como principal característica
do processo de medicalização da existência
humana na contemporaneidade (Soares &
Caponi, 2011; Tesser, 2010).
Nessa perspectiva, questões relativas ao
cotidiano e que envolvem aspectos comuns
relacionados à subjetividade e à existência
humana vêm sendo transformadas em
queixas de âmbito médico-psiquiátrico, em
sintomas de supostos transtornos e,
finalmente, em categorias diagnósticas que
sustentariam as indispensáveis prescrições
psicofarmacológicas, fenômeno que muitos
autores consideram relacionado a uma trama
de interesses corporativos que envolvem a
medicina e indústria de medicamentos
(Amarante & Carvalho, 2000; Angell, 2007;
Baroni et al., 2010; Caponi, 2009; Cosgrove
& Krimsky, 2012).
Esta preocupação tem-se acentuado com
as notícias sobre a iminente publicação do
novo Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais (DSM-V). Considerado
a “bíblia” da psiquiatria moderna, a nova
versão de tal manual deverá estabelecer a
ampliação do número de possibilidades
diagnósticas e poderá trazer um aumento
expressivo das possibilidades de
enquadramento psiquiátrico e das
consequentes prescrições de psicofármacos....."
pela felicidade e no afastamento da desgraça é tão
apreciado como um benefício que tanto indivíduos
quanto povos lhe concederam um lugar permanente
na economia de sua libido
Freud (1930/1980, p. 86).
Quando, ainda nas primeiras décadas do
século XX, o criador da psicanálise teceu as
considerações acima, pretendia destacar o
papel auxiliar dos alteradores químicos do
psiquismo, substâncias de uso comum em
todas as culturas, no enfrentamento do
sofrimento psíquico que reputava próprio à
condição humana (Freud, 1930/1980). Não
poderia, no entanto, supor que certos tipos
desses alteradores, os psicofármacos,
viessem a se tornar uma verdadeira panacéia
no enfrentamento de todo o tipo de malestar social em nossa civilização, revelando a
propensão a substituir por pílulas coloridas
toda a reflexão que o mestre dedicava para
compreender o drama humano e minorar a
condição trágica de sofrimento que lhe
considerava inerente.
De fato, vários autores consideram que,
na contemporaneidade, qualquer sinal de
sofrimento psíquico está sujeito a ser
transformado em objeto de práticas médicas
limitadas a sumárias rotulações diagnósticas
quase sempre acompanhadas pela prescrição
de algum tipo de psicofármaco fadado a
promover sua cura (Caponi, 2012; CostaRosa, 2011; Ferrazza et al., 2010; Rabelo,
2011). À mercê desse reducionismo pouco
atento às complexidades do ser humano,
essa tendência que propala seu
embasamento na moderna neurofisiologia
tem promovido a banalização do uso de
psicofármacos como principal característica
do processo de medicalização da existência
humana na contemporaneidade (Soares &
Caponi, 2011; Tesser, 2010).
Nessa perspectiva, questões relativas ao
cotidiano e que envolvem aspectos comuns
relacionados à subjetividade e à existência
humana vêm sendo transformadas em
queixas de âmbito médico-psiquiátrico, em
sintomas de supostos transtornos e,
finalmente, em categorias diagnósticas que
sustentariam as indispensáveis prescrições
psicofarmacológicas, fenômeno que muitos
autores consideram relacionado a uma trama
de interesses corporativos que envolvem a
medicina e indústria de medicamentos
(Amarante & Carvalho, 2000; Angell, 2007;
Baroni et al., 2010; Caponi, 2009; Cosgrove
& Krimsky, 2012).
Esta preocupação tem-se acentuado com
as notícias sobre a iminente publicação do
novo Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais (DSM-V). Considerado
a “bíblia” da psiquiatria moderna, a nova
versão de tal manual deverá estabelecer a
ampliação do número de possibilidades
diagnósticas e poderá trazer um aumento
expressivo das possibilidades de
enquadramento psiquiátrico e das
consequentes prescrições de psicofármacos....."
Segue a reportagem pelo link abaixo em PDF.
Legalizar não é melhor saída contra dependência química, aponta SBPC
Pesquisadores acreditam que ideal é país criar políticas consistentes.
Pesquisadores acreditam que ideal é país criar políticas consistentes.
Ronaldo Laranjeira apresentou o mais recente levantamento Nacional de Álcool e Drogas.
A legalização das drogas não é o melhor caminho para enfrentar a dependência química na opinião de especialistas , dentro da programação da 65° Reunião Anual da SPBC, realizada na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife. Para os pesquisadores, o ideal é criar políticas consistentes, baseadas em evidências científicas, rejeitando o princípio de guerra às drogas e a solução da legalização, vista como "derrotismo".O professor titular de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ronaldo Laranjeira, mostrou o mais recente Levantamento Nacional de Álcool e Drogas. O estudo indica que os brasileiros estão bebendo mais álcool e consumindo mais drogas. Questionado pelo público, não apresentou dados científicos que diferenciam dependentes dos usuários recreativos. Ele pontuou que o caminho é prevenir o início da experimentação, principalmente com público abaixo dos 18 anos. "Legalizar só vai deixar a droga mais barata [para ser comprada]. A dependência transforma-se numa doença do cérebro e pode ser prevenida, tratada e deve-se estimular a recuperação", disse.
Ele citou as ações necessárias para operacionalizar essa política. "Colocar o foco da prevenção na comunidade, controlar o mercado de drogas (produção e distribuição), facilitar o diagnóstico e acesso rápido ao tratamento, expandir as possibilidades de recuperação, alternativas à relação de uso de drogas e prisão, como uma justiça terapêutica, e melhorar o treinamento profissional e o sistema de informação para melhorar tomada de decisão."Laranjeira ainda apontou como exemplo positivo políticas públicas que usam como princípio básico intervenções no meio ambiente para inibir o consumo. "Não vamos convencer alguém a parar de fumar, mas criar constrangimentos sociais para evitar que ele fume, como leis que restringem locais para fumantes. Atuar também no preço e promoção do produto", argumentou.
Amadeu Rosseli afirmou que o Brasil nunca teve uma política consistente nem sistêmica de prevenção às drogas
Tanto Laranjeira quanto Amadeu Roselli, professor de psicofarmacologia e drogas de abuso da Universidade Federal de Minas Gerais, acreditam que o Brasil nunca teve uma política consistente nem sistêmica de prevenção às drogas. "Faltam projetos bem planejados, com metodologias adequadas, e sobra marketing, por isso não dão resultados. Também não há local para tratar todos os dependentes que precisam de atendimento e não há vagas para todos os que dele necessitam", complementou Roselli.O docente da UFMG classificou as políticas públicas brasileiras de "autistas". "Uma não conversa com a outra por falta de planejamento e gestão. Políticas sobre drogas do Brasil são coerentes ao não funcionar, pois seguem a forma como outras políticas são feitas no País, imediatas, ao remendo, nunca levadas ao final", explicou.O especialista emocionou a plateia mostrando um lado do crack que está apenas no começo: a perda da guarda familiar pelo consumo da droga. O efeito são crianças órfãs e o medo das pessoas em adotar os "filhos do crack". "Existe esse preconceito, mas eu adotei, legalmente, duas 'filhas do crack'. São lindas e saudáveis", comentou.
Araci Asinelli falou sobre a experiência do Núcleo
Interdisciplinar de Enfrentamento à Drogadição
Mediadora da mesa, a professora da Universidade Federal do Paraná, Araci Asinelli, mostrou a experiência do Núcleo Interdisciplinar de Enfrentamento à Drogadição, criado em 2012, que usa como lema a prevenção como princípio para o enfrentamento. Ela ressaltou a importância da prevenção, com ênfase à prevenção primária, junto à criança e ao adolescente, e apontou como necessário potencializar a atuação da universidade na demanda por políticas públicas no enfrentamento da problemática da prevenção, tratamento, redução de danos e repressão do abuso de drogas junto à sociedade brasileira.A SBPC segue na Universidade Federal de Pernambuco até 26 de julho.
A legalização das drogas não é o melhor caminho para enfrentar a dependência química na opinião de especialistas , dentro da programação da 65° Reunião Anual da SPBC, realizada na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife. Para os pesquisadores, o ideal é criar políticas consistentes, baseadas em evidências científicas, rejeitando o princípio de guerra às drogas e a solução da legalização, vista como "derrotismo".O professor titular de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ronaldo Laranjeira, mostrou o mais recente Levantamento Nacional de Álcool e Drogas. O estudo indica que os brasileiros estão bebendo mais álcool e consumindo mais drogas. Questionado pelo público, não apresentou dados científicos que diferenciam dependentes dos usuários recreativos. Ele pontuou que o caminho é prevenir o início da experimentação, principalmente com público abaixo dos 18 anos. "Legalizar só vai deixar a droga mais barata [para ser comprada]. A dependência transforma-se numa doença do cérebro e pode ser prevenida, tratada e deve-se estimular a recuperação", disse.
Ele citou as ações necessárias para operacionalizar essa política. "Colocar o foco da prevenção na comunidade, controlar o mercado de drogas (produção e distribuição), facilitar o diagnóstico e acesso rápido ao tratamento, expandir as possibilidades de recuperação, alternativas à relação de uso de drogas e prisão, como uma justiça terapêutica, e melhorar o treinamento profissional e o sistema de informação para melhorar tomada de decisão."Laranjeira ainda apontou como exemplo positivo políticas públicas que usam como princípio básico intervenções no meio ambiente para inibir o consumo. "Não vamos convencer alguém a parar de fumar, mas criar constrangimentos sociais para evitar que ele fume, como leis que restringem locais para fumantes. Atuar também no preço e promoção do produto", argumentou.
Amadeu Rosseli afirmou que o Brasil nunca teve uma política consistente nem sistêmica de prevenção às drogas
Tanto Laranjeira quanto Amadeu Roselli, professor de psicofarmacologia e drogas de abuso da Universidade Federal de Minas Gerais, acreditam que o Brasil nunca teve uma política consistente nem sistêmica de prevenção às drogas. "Faltam projetos bem planejados, com metodologias adequadas, e sobra marketing, por isso não dão resultados. Também não há local para tratar todos os dependentes que precisam de atendimento e não há vagas para todos os que dele necessitam", complementou Roselli.O docente da UFMG classificou as políticas públicas brasileiras de "autistas". "Uma não conversa com a outra por falta de planejamento e gestão. Políticas sobre drogas do Brasil são coerentes ao não funcionar, pois seguem a forma como outras políticas são feitas no País, imediatas, ao remendo, nunca levadas ao final", explicou.O especialista emocionou a plateia mostrando um lado do crack que está apenas no começo: a perda da guarda familiar pelo consumo da droga. O efeito são crianças órfãs e o medo das pessoas em adotar os "filhos do crack". "Existe esse preconceito, mas eu adotei, legalmente, duas 'filhas do crack'. São lindas e saudáveis", comentou.
Araci Asinelli falou sobre a experiência do Núcleo
Interdisciplinar de Enfrentamento à Drogadição
Mediadora da mesa, a professora da Universidade Federal do Paraná, Araci Asinelli, mostrou a experiência do Núcleo Interdisciplinar de Enfrentamento à Drogadição, criado em 2012, que usa como lema a prevenção como princípio para o enfrentamento. Ela ressaltou a importância da prevenção, com ênfase à prevenção primária, junto à criança e ao adolescente, e apontou como necessário potencializar a atuação da universidade na demanda por políticas públicas no enfrentamento da problemática da prevenção, tratamento, redução de danos e repressão do abuso de drogas junto à sociedade brasileira.A SBPC segue na Universidade Federal de Pernambuco até 26 de julho.
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