Psicoterapeuta. - CRT 42.156

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Fernando Cesar Ferroni de Freitas

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Lotus Tratamento: As drogas e seus efeitos.

Lotus Tratamento: As drogas e seus efeitos.: Álcool: Provoca dependência alcoólica, tonturas, distúrbio do sono, náuseas e vômitos, fala incompreensível, comportamento violento, dep...

As drogas e seus efeitos.

Álcool:
Provoca dependência alcoólica, tonturas, distúrbio do sono, náuseas e vômitos, fala incompreensível, comportamento violento, depressão respiratória, e morte por overdose.
O álcool é a droga que mais mata no mundo, pois tem comercio livre.Os jovens começam a experimentar por volta dos 8 anos de idade. O alcoolismo é uma intoxicação cronica. Ocasiona danos no aparelho digestivo e sistema nervoso. O figado do alcoólico apresenta diversas lesões. Apresenta ainda dores de cabeça, vertigens, cãibras, anestesias parciais e alucinações. ouvido e olhos também são afetados.

Benzodiazepínicos:
essas substancias produzem depressão na atividade do sistema nervoso central, que se caracteriza por diminuição da ansiedade, indução do sono, relaxamento muscular.Provocam apagamentos com perda de memoria, risco de coma e parada respiratória, tontura e desorientação, náuseas e dificuldade com movimento e com a fala.

Cocaína:
Extraída das folhas da Erythrxylon coca, mais conhecida como coca, epadu, ou cocaína.
Encontrada em forma de pó é misturada com outras substancias, fazendo-a mais impura e mais estragos ao organismo.
Produz euforia, excitação, desinibição, agressividade, paranóia, insonia, sensação de poder, produz forte dependência física e psíquica.
As primeiras sensações de prazer são substituídas por por sintomas de intolerância, ansiedade,enxaquecas, náuseas, vômitos, boca seca, elevação dos batimentos cardíacos, da pressão arterial,da frequência respiratória, dilatação das pupilas, alucinações, perda de apetite. O uso prolongado pode levar a destruição do tecido cerebral.

Cigarro:
De consumo legalizado, o cigarro é a forma mais cruel de dependência, pois é responsável por 80% das mortes de câncer nos pulmões e provoca outras doenças dolorosas e letais, como o enfisema pulmonar.
Provoca moléstias cardíacas e cardiovasculares, câncer de boca, laringe, faringe, estomago,pâncreas,rins e bronquite cronica.
Prejudica tanto o fumante quanto o não fumante( fumante passivo).
Mulheres que fumam durante a gravidez tem em geral filhos com peso a baixo do normal.

Maconha:
Maconha é um conjunto de folhas e flores do canhamo( Cannabis sativa).
Muito utilizada pelos povos primitivos de diversas partes do mundo, foi proibida durante os anos 60 devido abuso de usuários. Apesar de ter seu uso indicado para o tratamento de diversas doenças, os efeitos maléficos, contra indicam qualquer liberação da droga, segundo a opinião de especialistas.
Os principais efeitos são boca seca, olhos avermelhados, taquicardia, diminuição do fluxo de sangue para o coração.
Causa: bronquite, angustia, tremores, suores, perda de memoria, da atenção e da motivação, e quadros de esquizofrenia, ilusões e delírios.
Afeta a produção do hormônio masculino ( testosterona) ocasionando esterilidade e distúrbio do ciclo menstrual feminino ( interferência na ovulação) câncer de pulmão, dependência física e psíquica.

LSD:
É uma substancia sintética, produzida em laboratório. Talvez seja a substancia mais ativa que age sobre o cérebro. Pequenas doses causam alucinações que podem durar de quatro a doze horas.
Pode ocorrer a "má viagem" com visões terrificantes, deformação do corpo, causa ansiedade, panico, delírio e sensação de perseguição. Provoca dilatação das pupilas, sudorese,taquicardia, aumento da temperatura, náusea e vomito.Causa dependência física e psíquica , coma e morte.

A DROGA PODE ESTAR MAIS PRÓXIMA DO JOVEM DO QUE VOCÊ PODE IMAGINAR.
A MAIORIA DOS ADULTOS DEPENDENTES QUÍMICOS DE HOJE TIVERAM CONTATO COM O VICIO NA JUVENTUDE.
A PREVENÇÃO É O MELHOR CAMINHO.


Sutiã e macarronada com drogas são apreendidos em presídios de SP

20/02/2018
São Paulo -  SAP (Secretaria de Administração Penitenciaria).
Em um dos casos, a mulher foi descoberta pelos agentes da penitenciária de Guarulhos ao passar por um scanner, que indicou algo estranho no sutiã.
Sutiã com maconha foi encontrado com visitante de presídio em Guarulhos
Sutiã com maconha foi encontrado com visitante de presídio em Guarulhos
Uma mulher foi flagrada com maconha escondida dentro do sutiã por agentes da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) neste domingo (18) no Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos. 
A mulher foi descoberta ao passar pelo aparelho de scanner, que indicou algo estranho dentro do sutiã. Ao ser revistada pelos agentes, foi encontrada a droga na lingerie. Ela foi conduzida ao 4º Distrito Policial de Guarulhos.
Macarrão com maconha flagrado em Franco da Rocha
Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, "os visitantes foram suspensos do rol de visitantes e os presos que receberiam os ilícitos foram isolados e respondem a Procedimento Apuratório Disciplinar".

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Prefeitura de Jundiaí amplia atendimento contra uso de álcool e drogas

Caps AD oferece atendimento multidisciplinar com psicóloga, terapeuta ocupacional, artesão, médico e enfermagem.


Marlê de Lima é assistida pelo Caps AD há 15 anos; mudou de vida e reconhece o que perdeu com os vícios.

A Prefeitura de Jundiaí ampliou o atendimento para pessoas com histórico de abuso de álcool e de drogas em 16,5% em 2017, em relação ao realizado nos 12 meses anteriores, no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) III, órgão da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS). No ano passado, foram realizados 1.711 atendimentos com oferta de tratamento multidisciplinar. Os bons exemplos encontrados entre os assistidos demonstram a mudança de vida conseguida a partir dos cuidados ofertados pela UGPS, o que tem atraído mais pessoas em busca de apoio para deixar os vícios.
Marlê de Lima, 50 anos, moradora no bairro da Vila Cristo, é assistida há 15 anos pelo Caps AD. Livre do consumo de álcool e das drogas desde o ano passado, comemora os novos rumos que trilha. “Hoje sou uma pessoa diferente. Tenho orgulho do que sou. As pessoas conversam comigo. Consigo manter um diálogo. Sou respeitada. Fiz curso para cuidadora de idosos e vou fazer uma entrevista de emprego para trabalhar na área. Estou muito feliz com o que consegui conquistar. Tenho certeza que isso só foi possível por causa do atendimento que tive durante todo este tempo aqui no Caps AD. Aqui tive o apoio e o tratamento necessário para conseguir me livrar dessa condição, que era uma doença”, conta a assistida.
Ela é apenas um dos casos de pessoas que optaram por deixar o vício e seguir uma vida diferente, longe das ruas. “As pessoas precisam querer deixar de beber ou de usar drogas. Não adianta alguém da família, filho, amigo ou parente querer por ela. É a pessoa que precisa decidir, precisa entender que aquele caminho não a levará a lugar algum”, aponta.
Segundo a terapeuta ocupacional Raquel Kubitza Valente, do Caps AD III, o cuidado ofertado pelo órgão engloba atendimento multidisciplinar com psicóloga, terapeuta ocupacional, médico, enfermagem e com artesão. "O Centro de Atenção Psicossocial oferta o cuidado, basta o usuário do serviço desejar. É um cuidado em liberdade, junto do território que a pessoa pertence. Tem como diretrizes o respeito aos direitos humanos, garantia da autonomia, da liberdade e o exercício da cidadania, a promoção da equidade reconhecendo suas determinantes sociais e da saúde”, detalha. A sensibilização de mais pessoas com a adesão ao trabalho também é mérito dos assistidos. Marlê, que chegou a viver nas ruas, usa seu exemplo para conscientizar os conhecidos que encontra. “Eu converso com eles e falo do trabalho, do que eu consegui deixando o vício. Uma hora eles vão ser tocados. Por isso falo sempre que os encontro”, conta.
No Caps AD III, também foram realizados cerca de 289 procedimentos de hospitalidade noturna (equivalente à internação para o cuidado em momento de crise) por mês. “A saúde do município de Jundiaí segue atenta às necessidades, considerando inclusive o crescimento populacional e o aumento na prevalência de determinados agravos, sem esquecer a necessidade de integração dos diversos atores envolvidos para o enfrentamento desta questão tão complexa”, explica o coordenador de Saúde Mental, Álcool e outras drogas, Alexandre Moreno Sandri.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Entenda o processo de Somatização, as consequencias do desequilibrio emocional.


Aumenta acesso de jovens a álcool e drogas, revela IBGE

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta sexta-feira, 26, revela o aumento do acesso precoce a bebidas alcoólicas e a drogas ilícitas entre alunos do 9º ano do ensino fundamental. Mais da metade dos jovens (55%, ou 1,44 milhão de alunos) relataram já ter tomado ao menos uma dose de bebida alcoólica, proporção superior aos 50,3% registrados em 2012. redução dos jovens que informaram ter consumido bebidas alcoólicas nos 30 dias anteriores à pesquisa. Em 2012, 26,1% disseram ter bebido recentemente, porcentual que caiu para 23,8% em 2015. O dado mais preocupante foi o que mostrou que, tanto em 2012 como em 2015, um em cada cinco jovens (21,8% e 21,4% respectivamente) tiveram pelo menos um episódio de embriaguez.
"Hábitos saudáveis e não saudáveis tendem a ser mais duradouros quando adquiridos na adolescência, no que se refere tanto a fumo e bebida alcoólica quanto à prática de esportes e boa alimentação. Por isso a Organização Mundial da Saúde recomenda pesquisas com adolescentes, para prevenção de doenças cardiovasculares, câncer e displasias", diz o pesquisador do IBGE Marco Andreazzi, gerente da Pense. 
Estados da Região Sul estão entre os que registraram maior índice de consumo de álcool nos 30 dias anteriores à pesquisa - Rio Grande do Sul, 34%, e Santa Catarina, 33,8%, seguidos de Mato Grosso do Sul (31,2%) e Paraná (30,2%) 
Uma pequena proporção, de 0,5%, revelou ter consumido crack nos 30 dias anteriores à pesquisa. No universo total de alunos do 9º ano, seriam 13 mil usuários da droga, mesmo que eventuais. Para o gerente da Pense, já é um alerta para pais e professores. 
O crack costuma retirar os alunos da escola, é a ponta do iceberg. Estamos entre os países com menor índice de consumo de drogas ilícitas entre os adolescentes, mas o uso nos últimos 30 dias indica hábito, ou vício. Se for usado antes dos 14 anos, é um risco a mais", diz Andreazzi. Revelaram ter experimentado alguma droga ilícita 9% dos alunos, ou 236,7 mil estudantes, em 2015, proporção maior que dos 7,3% de 2102. 
Houve pequena redução entre os jovens que já fumaram cigarro. A proporção dos que experimentaram pelo menos uma vez caiu de 19,6% em 2012 para 18,4% em 2015. Entre os que fumaram nos 30 dias anteriores, foi detectado pequeno aumento, de 5,1% para 5,6%.

domingo, 14 de janeiro de 2018

O uso de substâncias psicoativas permeia os vários cenários da comunidade, desde os conflitos familiares, os casos de violência, o sofrimento psíquico e a circulação comercial das substâncias. O efeito da droga no organismo de cada pessoa depende de muitos fatores, dentre os quais as questões de concentração e características da substância utilizada, da via de administração, de sua distribuição, metabolismo e eliminação no corpo. Há diferenças fundamentais no padrão de consumo, onde a experimentação, o uso, o abuso e a dependência irão determinar o diagnóstico e o tratamento, se necessário.

Existem diferenças conceituais ao definirmos o uso e abuso de drogas. O primeiro diz respeito a qualquer consumo de substância, seja experimental, esporádico ou episódico. Já o abuso, pode ser entendido como um padrão de uso que aumenta o risco de consequências prejudiciais para o usuário, podendo chegar à dependência. Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID 10), o termo “uso nocivo” é o que resulta em dano físico ou mental, enquanto no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM - V), “abuso” engloba também consequências sociais. A partir do reconhecimento da dependência química como um problema de múltiplos fatores e considerando a dinâmica familiar um fator importante a ser analisado, percebe-se que os relatos das histórias de vida dos sujeitos dependentes de drogas, assim como de seus familiares, não apenas enriquece o processo de tratamento (compreendendo esse indivíduo em suas relações), como possibilita a busca de alternativas conjuntas para os problemas apresentados.

Na atualidade, diferentes tipos de substâncias psicoativas vêm sendo usados entre uma gama de finalidades que se estende desde o uso lúdico, com fins prazerosos no desencadeamento de estado de êxtase, como uso místico, curativo entre outros. A experimentação e o uso dessas substâncias crescem de forma consistente em todos os segmentos, gênero e idade. Em uma sociedade focada no consumo, na qual o importante é o “ter” e não o “ser”, e a inversão de crenças e valores que geram desigualdades sociais, favorece a competitividade e o individualismo, não há mais certezas religiosas, morais, econômicas ou políticas. Esse estado de insegurança e insatisfação gera um estresse constante que acaba por incentivar a busca de novos produtos e prazeres, nesse contexto, as drogas são um deles. Pode-se dizer que as características individuais e os fatores emocionais, tais como a falta de preparo ao lidar com os problemas, baixa tolerância a frustrações, inseguranças sociais, dentre outros, funcionam muitas vezes como uma mola propulsora de incentivo ao uso de qualquer droga. Torna-se de grande valia perceber qual a função que a substância química está exercendo na vida daquele sujeito, buscando escutá-lo a fim de compreender a sua relação com a droga. Um dos fatores bastante vistos, que podem contribuir, na questão familiar, é a falta ou excesso, de proteção, cuidados, regras e limites. A permissividade parental e a ausência de regras claras podem influenciar direta e indiretamente no processo da dependência.

A família é a primeira referência da pessoa, nesse ambiente, mediador entre o indivíduo e a sociedade, que aprendemos a perceber o mundo e a nos situarmos nele. Ela é a principal responsável por nossa formação pessoal e social. Atitudes como esta, podem confundir ainda mais os papéis familiares, fazendo com que o dependente químico perca a oportunidade de perceber algumas consequências de sua dependência, principalmente se a família não associar o uso das drogas como fator desencadeador de sua ausência. Como exemplo, a esposa que assume as responsabilidades sobre a casa em função do alcoolismo do marido, ou a filha mais velha cuidar dos irmãos e afazeres da casa em função da drogadição da mãe, dentre outras circunstâncias. As famílias que fazem parte dessa realidade se mostram tão fragilizadas e perdidas, quanto o próprio dependente químico, sem saber exatamente sua causa, a quem recorrer e onde erraram. Razões pelas quais se faz presente a disponibilidade de atendimento também aos familiares. O objetivo não se limita à busca de responsabilizar os culpados, mas sim à compreensão do funcionamento familiar e a potencialização de mudança de todas as partes.

Na prevenção, várias atitudes dos pais e familiares podem ajudar, tais como: amor, carinho, informações adequadas, diálogo aberto, apoiar o modo de eles serem, ajudá-los a ter objetivos e metas de vida, mesmo com a dependência instalada, desenvolvendo uma pessoa mais saudável emocionalmente. Lembre-se que o fato de um indivíduo usar ou até ser um dependente da droga não faz com que esteja condenado a nunca mais se recuperar. O tipo de tratamento a escolher depende da gravidade do uso e dos recursos disponíveis para o encaminhamento.

Eles devem ser indicados conforme os critérios previamente estabelecidos e muitas vezes se constituem em abordagens complementares para um mesmo indivíduo, e nenhum deles pode ser desprezado. Os grupos de autoajuda (Alcoólicos Anônimos/ Narcóticos Anônimos), auxílio médico (psiquiatra, especialistas), internamentos (hospitais e clínicas psiquiátricas), acolhimento em Comunidade Terapêutica, CAPS AD, tratamento ambulatorial. Individualmente, ou em conjunto, formam um todo multidisciplinar que visa a melhora do usuário.

Não queime seu tempo, valorize a sua vida.

sábado, 23 de dezembro de 2017

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, empossou hoje (19) novos integrantes do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), responsável por acompanhar e atualizar a Política Nacional sobre Drogas, além de avaliar a gestão dos recursos do Fundo Nacional Antidrogas e o desempenho dos programas relacionados ao uso de entorpecentes. Durante a solenidade, o ministro ressaltou que a política deve seguir com foco na capacitação e pesquisa. Ele sugeriu ainda que a gerência do Conselho passe do Ministério da Justiça para os Ministérios da Saúde ou do Desenvolvimento Social. Observou que, se o objetivo principal do conselho é a reinserção social dos dependentes químicos, então sua atuação está mais relacionada à área de saúde e social do que policial. “Eu vejo segurança pública como uma consequência de uma política nacional de drogas. Uma segurança pública que seja instrumento de efetivação e materialização de mecanismos de diminuição de consumo e recuperação do dependente. Segurança pública é ataque ao centro de produção, à distribuição [de drogas], não é tratamento no sentido lato da questão de drogas”, explicou Torquato. O ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, um dos conselheiros com direito a voto no Conad, também defendeu mudanças na atual política de combate às drogas. Para ele, o momento atual é de reavaliação das ações feitas nos últimos anos.


Epidemia


“O que foi feito até agora não teve resultado, só agravou o problema das drogas no Brasil. O número de pessoas doentes, a violência, tudo o que está acontecendo no Brasil hoje tem de alguma maneira relação direta ou indireta com a epidemia das drogas”, declarou Terra.Ressaltou que é preciso revisar a metodologia na forma de capacitação e atendimento às pessoas com dependência química, reavaliar o impacto da rede montada para colocar em prática a política de drogas e rediscutir algumas diretrizes da política que permitam a ressocialização dos dependentes, além de basear melhor a política em evidências científicas e em resultados Durante a primeira reunião do Conad com os novos conselheiros, o ministro criticou a eficácia dos Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas. “Temos que nos preocupar com a eficácia das políticas das drogas. O resultado é pífio. (…) O que se gasta com os Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas, estruturas caríssimas, e o resultado é zero”, declarou.O ministro já se manifestou publicamente de forma contrária à descriminalização das drogas e à internação compulsória de dependentes químicos. A partir da  reunião de hoje, os conselheiros retomaram as atividades do Conad e discutiram a formação de grupos de trabalho que deverão tratar de diferentes temas, como a autorização do uso de substâncias psicotrópicas para fins culturais e religiosos e a atuação das comunidades terapêuticas, entre outros.O Conad é composto por pesquisadores acadêmicos, representantes de vários ministérios e diferentes conselhos, como o de medicina, enfermagem e psicologia, além de integrantes do Ministério Público e organizações da sociedade civil, como a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Estou procurando uma vaga social para um senhor alcoolista em situação de RUA bem debilitado, 49 anos ...disposto  a se tratar,  o número do meu telefone está aqui no blog-
lotustratamento.blogspot.com
quem puder ajudar me liga por favor.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Reunião da comunidade com a Secretaria da Saúde


Reunião da comunidade com a Secretaria da Saúde sobre a implantação do CAPS não foi bem recebida

Na noite de quinta-feira (23/11), o Conselho Local de Saúde do Glória recebeu a comunidade e uma equipe da Secretaria da Saúde para realizar a apresentação do projeto da nova UBS e CAPS-AD. A reunião foi realizada no Centro XV ao lado das futuras instalações da nova UBS, na rua Brigada Lopes.
Sergio Duprat, presidente do Conselho de Saúde fez a abertura da reunião e agradeceu a presença da comunidade manifestando a importância de que esse acompanhamento social fosse realizado com mais frequência e naturalidade. Duprat falou também do absenteísmo, lembrou da campanha do Novembro Azul e informou os dias de encontro do grupo de convivência.
Apresentação
Quem também participou da reunião foi o coordenador do Centro XV, Leandro Schmitz, que fez um relato sobre o renascimento da instituição e convidou a comunidade a usufruir do espaço e dos diversos cursos (gratuitos). Após a apresentação do Centro XV, a Gerente de Recursos Especiais da Secretaria da Saúde, Cinthia Friedrich, iniciou a apresentação sobre os serviços CAPS. Falou da rotina e da seleção que prescreve CAPS I (adolescente e jovens com transtornos mentais e uso de álcool e drogas), CAPS II (transtornos mentais com atvidades e terapia diurno), CAPS III (transtornos mentais com atendimento 24 horas) e CAPS AD (transtornos mentais e uso de álcool e drogas adulto com atendimento 24 horas e acolhimento).




A coordenadora do Programa de Saúde Mental de Saúde, Shirley Vicente, relatou que o projeto CAPS foi baseado num conceito Italiano e teve por meta acabar com os manicômios, a forma de tratamento e o estigma social. O projeto tem mais de 20 anos e Joinville foi pioneira e é referência nacional na área. Já Camila Silva, coordenadora do CAPS-AD, apresentou as atividades praticadas na unidade localizada hoje na rua Dr. Plácido Olímpio de Oliveira (em frente a maternidade Darcy Vargas). A última apresentação ficou por conta da Gerente de Obras da SMS, Tereza Cristina Couto. Ela apresentou o projeto das plantas arquitetônicas, com a integração entre a UBS e o Centro XV. A área total a ser construída é de 1.055,86 m², sendo 389,75m² para a área de acolhimento e 604,87m² para o CAPS AD III. O investimento da obra será de R$ 2.946.140,70 e a empresa vencedora da licitação foi a CRC Engenharia de Joinville.
Insatisfação


Ao término das apresentações, a comunidade iniciou os questionamentos. Percebeu-se claramente que os presentes já não questionavam mais as ações técnicas, que sem dúvida estavam muito bem explanadas, mas sim uma clara preocupação, com relação ao impacto do entorno e no receio de comprometimento da segurança do bairro. Além disso, havia uma manifestação de indignação pelo fato da Prefeitura não ter partilhado nada do planejamento com a comunidade. “Fomos traídos e agora nos empurram o CAPS goela abaixo”, disse um morador.




Como os questionamentos começaram a ultrapassar a área de atuação da equipe, o presidente sugeriu que não seria mais necessário que a equipe da Secretaria da Saúde ficar tentando responder por outros setores da administração. ”Não estamos mais falando de saúde. Estamos falando de segurança pública e interatividade de gestão e será mais proveitoso que todos os questionamentos sejam registrados e encaminhados formalmente à Secretaria de Saúde”, solicitou Duprat.
Antonio Debortolli, ex-presidente do Conselho Local de Saúde, lembrou que a não participação da comunidade nos assuntos da coletividade abriram caminho para que decisões fossem tomadas sem a nossa participação. O morador Reginaldo de Souza, sugeriu que fosse registrada a manifestação pelo voto dos presentes, se aprovavam ou não a implantação do CAPs junto a UBS. Dos 92 presentes no momento (algumas pessoas já haviam se retirado em virtude do horário), apenas três pessoas manifestaram-se a favor. Moradores listaram uma série de terrenos e prédios públicos que poderiam ser utilizados para a implantação de um CAPS-AD, com uma infraestrutura muito mais adequada.
Conclusão
O Click Glória também questionou a Secretaria da Saúde. Quem foi o tomador de decisão para a instalação do CAPS-AD Quando isso foi resolvido? Quem da comunidade foi consultado? Quais foram os critérios? Onde estão os dados e estudos indicativos? Infelizmente e mais uma vez, os responsáveis pela tomada de decisão não estavam presentes na reunião para responder aos diversos questionamentos da comunidade.
A reunião teve uma conclusão clara. O projeto CAPs-AD no Glória foi feito sem a consulta da comunidade, que se sentiu totalmente excluída e enganada pela tomada da decisão unilateral da Prefeitura de Joinville. As reuniões do Conselho de Saúde e da Associação de Moradores do Glória sempre foram em busca da melhoria da infraestrutura da Unidade Básica de Saúde do bairro. Há anos as entidades locais estavam lutando para que isso fosse possível. Com a retomada do terreno ao lado da atual UBS, a população viu uma luz no fim do túnel, mas, claramente o público “idosos”, foi relegado mais uma vez pelo poder público.
Comissão formada e manifestação
Ao final do encontro, foi formado um grupo de trabalho que fizesse os encaminhamentos de forma a transmitir à prefeitura o que está sendo debatido na comunidade. Os membros são: Ailson Leopoldo Simon, Claudio Roberto Paul, Eduardo Mancinelli, Fernanda Rathunde, José Giroto, Luana Piske, Marcelo Ross, Reginaldo Kock, Renato Selonke, Rolf Rathunde, Rose Mary, Vilson Huch, Zayne Farad Carminati e Sergio Duprat.

A comissão já tem a sua primeira reunião prevista. Será nessa terça-feira (28) no Centro XV, com o objetivo de deliberar sobre a reunião da quinta-feira com a Secretaria da Saúde. Outras ações serão discutidas. Haverá uma manifestação da comunidade que será realizada no próximo domingo (2) em frente ao prédio da nova UBS na rua Brigada Lopes. O horário será definido na reunião.
O que os moradores pensam


Dulce Helena de Oliveira – Psicóloga e Presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Glória (AMAG) e moradora há 20 anos
“Infelizmente a Associação que representa os Moradores do Glória não foi chamada (AMAG) e nem convidada para participar de qualquer reunião sobre a instalação do CAPs-AD no bairro. Nos últimos dois anos, participamos de várias etapas do processo da retomada do prédio, o qual a nova UBS será instalada. Tudo isso em conjunto com o Conselho Local de Saúde. Se tivéssemos sido consultados antes, certamente a comunidade teria feito a sua escolha e não teríamos esse embate. Agora a Prefeitura terá que reverter essa situação pois a população está claramente indignada com essa tomada de decisão unilateral e o pior, vieram com tudo pronto para a reunião. Esse é um exemplo de como não se deve fazer uma política pública, ainda mais na área da saúde”, afirmou Helena.

Reginaldo Afonso de Souza Koch, aposentado e morador do Glória há 66 anos

Ficou bastante contente com a apresentação sobre a nova Unidade Básica de Saúde. “A nova UBS será uma boa. Agora, honestamente, sempre vi no Glória uma pobreza, nunca tivemos ajuda em nada e querem colocar o CAPS aqui, sem consultar a população. Já trouxeram o projeto pronto só para o povo engolir. Não é assim que se faz. Somos um país democrático, temos que ser consultados. Apenas 3 pessoas foram a favor e o restante tudo contra”, enfatizou Souza.

Rolf Rathunde, aposentado e residente no Glória há 50 anos.
Ele achava que na reunião as pessoas poderiam opinar sobre a instalação do CAPS. “Viemos em peso na reunião, mas a prefeitura veio com o projeto pronto para empurrar goela abaixo, o dinheiro está aqui, vamos ter que gastar, vai ser feito e acabou-se. O bairro Glória tem muitas pessoas de idade e não tem nada para eles. Com certeza essa não é a nossa necessidade”, disse Rathunde indignado.

Fernanda Rathunde, técnica em eletrônica é residente no Glória há 31 anos,
“Não acho o CAPS uma ideia ruim, mas a forma como tudo foi apresentado. Mesmo não dominando o assunto, não gostei da proposta, pois veio um projeto já montado: data de construção, verba, licitação, quem vai construir. Nada foi discutido com a comunidade. Há muitas outras necessidades para o bairro”.


Eduardo Mancinelli – Engenheiro e morador do Glória há 25 anos.

“Para ele, a apresentação do trabalho foi muito boa, no entanto isso traz um impacto para a comunidade. “A prefeitura não tratou absolutamente nada disso, inclusive vieram despreparados achando talvez, que esse e outro assunto que faz parte, passasse batido, mas todo mundo na verdade tem grande preocupação com isso”, afirmou.

*Até o fechamento dessa publicação, recebemos mais de 40 mensagens dos leitores manifestando-se sobre o assunto. Elas foram reenviadas para o Conselho de Saúde do Glória para serem anexadas ao documento que será enviado à Secretaria da Saúde e Prefeitura de Joinville.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

CEBRID - Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas

Aspectos históricos

Toda a história da humanidade está permeada pelo consumo de álcool. Registros arqueológicos revelam que os primeiros indícios sobre o consumo de álcool pelo ser humano datam de aproximadamente 6000 A.C., sendo portanto, um costume extremamente antigo e que tem persistido por milhares de anos. A noção de álcool como uma substância divina, por exemplo, pode ser encontrada em inúmeros exemplos na mitologia, sendo talvez um dos fatores responsáveis pela manutenção do hábito de beber ao longo do tempo.

Inicialmente, as bebidas tinham conteúdo alcoólico relativamente baixo, como por exemplo o vinho e a cerveja, já que dependiam exclusivamente do processo de fermentação. Com o advento do processo de destilação, introduzido na Europa pelos árabes na Idade Média, surgiram novos tipos de bebidas alcoólicas, que passaram a ser utilizadas na sua forma destilada. Nesta época, este tipo de bebida passou a ser considerado como um remédio para todas as doenças, pois “dissipavam as preocupações mais rapidamente do que o vinho e a cerveja, além de produzirem um alivio mais eficiente da dor”, surgindo então a palavra whisky (do gálico “usquebaugh”, que significa “água da vida”).

A partir da Revolução Industrial, registrou-se um grande aumento na oferta deste tipo de bebida, contribuindo para um maior consumo e, consequentemente, gerando um aumento no número de pessoas que passaram a apresentar algum tipo de problema devido ao uso excessivo de álcool.

 Aspectos gerais

Apesar do desconhecimento por parte da maioria das pessoas, o álcool também é considerado uma droga psicotrópica, pois ele atua no sistema nervoso central, provocando uma mudança no comportamento de quem o consome, além de ter potencial para desenvolver dependência.

O álcool é uma das poucas drogas psicotrópicas que tem seu consumo admitido e até incentivado pela sociedade. Esse é um dos motivos pelo qual ele é encarado de forma diferenciada, quando comparado com as demais drogas.

Apesar de sua ampla aceitação social, o consumo de bebidas alcoólicas, quando excessivo, passa a ser um problema. Além dos inúmeros acidentes de trânsito e da violência associada a episódios de embriaguez, o consumo de álcool a longo prazo, dependendo da dose, frequência e circunstâncias, pode provocar um quadro de dependência conhecido como alcoolismo. Desta forma, o consumo inadequado do álcool é um importante problema de saúde pública, especialmente nas sociedades ocidentais, acarretando altos custos para sociedade e envolvendo questões médicas, psicológicas, profissionais e familiares.

 Efeitos agudos

A ingestão de álcool provoca diversos efeitos, que aparecem em duas fases distintas: uma estimulante e outra depressora.

Nos primeiros momentos após a ingestão de álcool, podem aparecer os efeitos estimulantes como euforia, desinibição e loquacidade (maior facilidade para falar). Com o passar do tempo, começam a aparecer os efeitos depressores como falta de coordenação motora, descontrole e sono. Quando o consumo é muito exagerado, o efeito depressor fica exacerbado, podendo até mesmo provocar o estado de coma.

Os efeitos do álcool variam de intensidade de acordo com as características pessoais. Por exemplo, uma pessoa acostumada a consumir bebidas álcoólicas sentirá os efeitos do álcool com menor intensidade, quando comparada com uma outra pessoa que não está acostumada a beber. Um outro exemplo está relacionado a estrutura física; uma pessoa com uma estrutura física de grande porte terá uma maior resistência aos efeitos do álcool.

O consumo de bebidas alcoólicas também pode desencadear alguns efeitos desagradáveis, como enrubecimento da face, dor de cabeça e um mal estar geral. Esses efeitos são mais intensos para algumas pessoas cujo organismo tem dificuldade de metabolizar o álcool. Os orientais, em geral, tem uma maior probabilidade de sentir esses efeitos.

Álcool e Trânsito

A ingestão de álcool, mesmo em pequenas quantidades, diminui a coordenação motora e os reflexos, comprometendo a capacidade de dirigir veículos, ou operar outras máquinas. Pesquisas revelam que grande parte dos acidentes são provocados por motoristas que haviam bebido antes de dirigir. Neste sentido, segundo a legislação brasileira (Código Nacional de Trânsito, que passou a vigorar em Janeiro de 1998) deverá ser penalizado todo o motorista que apresentar mais de 0,6 gramas de álcool por litro de sangue. A quantidade de álcool necessária para atingir essa concentração no sangue é equivalente a beber cerca de 600ml de cerveja (duas latas de cerveja ou três copos de chopp), 200 ml de vinho (duas taças) ou 80 ml de destilados (duas doses).

Alcoolismo

Conforme já citado neste texto, a pessoa que consome bebidas alcoólicas de forma excessiva, ao longo do tempo, pode desenvolver dependência do álcool, condição esta conhecida como “alcoolismo”. Os fatores que podem levar ao alcoolismo são variados, podendo ser de origem biológica, psicológica, sociocultural ou ainda ter a contribuição resultante de todos estes fatores. A dependência do álcool é uma condição frequente, atingindo cerca de 5 a 10% da população adulta brasileira.

A transição do beber moderado ao beber problemático ocorre de forma lenta, tendo uma interface que, em geral, leva vários anos. Alguns dos sinais do beber problemático são: desenvolvimento da tolerância, ou seja, a necessidade de beber cada vez maiores quantidades de álcool para obter os mesmos efeitos; o aumento da importância do álcool na vida da pessoa; a percepção do “grande desejo” de beber e da falta de controle em relação a quando parar; síndrome de absitinência (aparecimento de sintomas desagradáveis após ter ficado algumas horas sem beber) e o aumento da ingestão de álcool para aliviar a síndrome de abstinência.

A síndrome de abstinência do álcool é um quadro que aparece pela redução ou parada brusca da ingestão de bebidas alcoólicas após um período de consumo crônico. A síndrome tem início 6-8 horas após a parada da ingestão de álcool, sendo caracterizada pelo tremor das mãos, acompanhado de distúrbios gastrointestinais, distúrbios de sono e um estado de inquietação geral (abstinência leve). Cerca de 5% dos que entram em abstinência leve evoluem para a síndrome de abstinência severa ou “delirium tremens” que, além da acentuação dos sinais e sintomas acima referidos, caracteriza-se por tremores generalizados, agitação intensa e desorientação no tempo e espaço.


 Efeitos no resto do corpo

Os indivíduos dependentes do álcool podem desenvolver várias doenças. As mais frequentes são as doenças do fígado (esteatose hepática, hepatite alcoólica e cirrose). Também são freqüentes problemas do aparelho digestivo (gastrite, síndrome de má absorção e pancreatite), no sistema cardiovascular (hipertensão e problemas no coração). Também são frequentes os casos de polineurite alcoólica, caracterizada por dor, formigamento e câimbras nos membros inferiores.

 Durante a gravidez

O consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação pode trazer consequências para o recém-nascido, sendo que, quanto maior o consumo, maior a chance de prejudicar o feto. Desta forma, é recomendável que toda gestante evite o consumo de bebidas alcoólicas, não só ao longo da gestação como também durante todo o período de amamentação, pois o álcool pode passar para o bebê através do leite materno.

Cerca de um terço dos bebês de mães dependentes do álcool, que fizeram uso excessivo durante a gravidez, são afetadas pela “Síndrome Fetal pelo Álcool”. Os recém-nascidos apresentam sinais de irritação, mamam e dormem pouco, além de apresentarem tremores (sintomas que lembram a síndrome de abstinência). As crianças severamente afetadas e que conseguem sobreviver aos primeiros momentos de vida, podem apresentar problemas físicos e mentais que variam de intensidade de acordo com a gravidade do caso.

Pena: abandono e incerteza sobre a liberdade

Pessoas com transtornos mentais e em conflito com a lei vivem encarceradas por anos, em meio às incertezas sobre a própria condição. População do Manicômio Judiciário cresceu 86,8% em três anos.
Reclusos em celas de uma unidade penitenciária do estado e em pensamentos divagantes, 142 homens cumprem uma pena dura demais: o abandono e a incerteza da liberdade. O Instituto Psiquiátrico Governador Stênio Gomes (IPGSG), conhecido como 'Manicômio Judiciário', localizado em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), reúne detentos de variadas classes sociais, idades, origens e histórias. Todos têm algo em comum: um transtorno mental que levou à prática de um crime.

Carlos (nome fictício) percebe a presença de pessoas que não são os profissionais da saúde e os agentes penitenciários que está acostumado a ver. Aproxima-se da janela, olha e puxa assunto, como se estivesse falando com alguém no meio da rua. Responde sobre sua vida com naturalidade: morava no interior, trabalhava como pedreiro e tem o sonho de sair daquele local, residir em outro estado e construir uma igreja evangélica.

Mas ele não sabe quando vai deixar o presídio. Pede para um agente penitenciário e para uma psicóloga reverem a sua situação, pois, para ele, "não tem por que ficar". Ao ser indagado sobre o porquê de ter sido preso, carlos conta que brigou com a companheira e acabou lesionando a irmã dela.

Justifica que começou a tomar remédios para transtornos mentais porque a esposa disse que ele precisava, a família o obrigou e, agora, sabe que está dependente da medicação e não pode deixar de utilizá-la. Diz ainda que, dentre os familiares, somente o irmão foi visitá-lo, mas muda de assunto rápido. No lugar, prefere enaltecer a ajuda dos profissionais da unidade.

Entre idas e vindas do instituto psiquiátrico para a comarca do interior, carlos está se tratando, com acompanhamento da justiça, há cerca de quatro anos. O bom comportamento e as atividades psicoterapêuticas, não servem como argumentos jurídicos para reduzir o tempo de clausura. Ele precisa provar para um psiquiatra e para um juiz que está em condição clínica de conviver com a sociedade; precisa, também, ser recebido de volta pela família. As condições são verdadeiros entraves para que ele e muitos outros internos possam seguir a vida.

A saga de carlos, em meio às divagações, é a mesma dos outros 141 internos e das outras centenas de pacientes que passaram pelo local, em 49 anos de existência do equipamento da secretaria de justiça e cidadania (sejus). A população da unidade quase que dobrou nos últimos três anos, crescendo 86,8%, já que apenas 76 homens estavam internados no manicômio judiciário em 2014, de acordo com o censo penitenciário do ceará, publicado pela pasta naquele ano.

Situação

"cadê meu laudo?"; "vê como está meu laudo, doutora, por favor", se espalham como gritos de socorro pelos corredores do prédio. Entre os internos, 67 ainda estão aguardando receber um laudo médico sobre a sua condição mental para terem um posicionamento da justiça quanto ao tempo de permanência no cárcere. Resposta que pode durar meses ou anos para ser dada.

A defensora pública maria regina de pontes araújo, que trabalha dentro do manicômio judiciário, conta que os juízes costumam determinar medidas de segurança (análogas à execução de uma pena) de três anos ou por tempo indeterminado aos internos. "o código penal tem um artigo que diz que, a qualquer tempo, desde que cesse a periculosidade, ele (paciente) pode ser desinternado", acrescenta.

Ao todo, 37 internos que cumprem medidas de segurança, precisam provar evolução no quadro clínico, para antecipar a saída do manicômio judiciário. Mesmo quem é sentenciado a passar um tempo determinado pode precisar se tratar por mais tempo, caso seja necessário.

Diante desse cenário de incertezas, ainda surge outro empecilho: a falta de psiquiatras/peritos para acompanhar o quadro de tantos pacientes. São apenas três no instituto psiquiátrico, que também têm a responsabilidade de atender todo o sistema penitenciário do estado.

"aqui, no mínimo, deveriam ser oito psiquiatras. O laudo é um documento que não é fácil de fazer, o médico tem que acompanhar, conversar com o paciente, para, aos poucos, ir sentindo se ele é ou não portador de deficiência mental", argumenta a defensora pública maria regina.

No entanto, a situação mais preocupante, sem dúvidas, é de quem já cumpriu a sentença e não deveria estar no instituto psiquiátrico, mas a família não o aceitou e não existe vaga no serviço residencial terapêutico, vinculado ao sistema único de saúde (sus). Atualmente, cinco internos estão nessa condição, dentro do manicômio judiciário, sendo que um deles aguarda pela liberdade desde o ano de 2004 e outro, desde 2001.

"alguns chamamos de 'órfãos de pais vivos'. Para um preso sair, não é como nas casas de privação provisória de liberdade (cppls), que você pega o alvará, entrega ao preso e ele vai embora. Aqui, não. Quando ele sai daqui, sai com a família se responsabilizando por ele. A responsabilidade da pessoa é medicar, acompanhar, não deixar sair de noite, ver se está ingerindo álcool, cuidar de um doente mental. O doente mental não fica bom, ele sempre vai ficar com uma raiz. Se ele tiver um acompanhamento correto, não volta [para a unidade prisional]", diz maria regina.

Tratamento

Segundo a terapeuta ocupacional do instituto psiquiátrico, priscila freitas, a maioria dos crimes cometidos pelos internos com transtornos mentais é homicídio e tentativa de homicídio, muitas vezes dentro da própria família - contra o pai, a mãe, os filhos - e, em vários casos, provocado pelo uso de drogas.

"quando eles chegam aqui, estão bem comprometidos, até porque, muitas vezes, vêm após algum surto. Passam por toda uma equipe multidisciplinar, têm um acolhimento de enfermeiros e médicos, terapia ocupacional, educador físico, psicólogos. Eles tomam remédio, se for necessário, e esperam o laudo", detalha priscila.

Além da medicação, geralmente composta por antipsicóticos, os pacientes são incentivados a realizarem atividades para ocupar o tempo e capacitá-los, como pintura, confecção de artesanatos e futebol.

Quem consegue driblar todos os adversários do cárcere e é acolhido pela família precisa continuar tomando medicação controlada, sob o risco de ter algum surto e voltar a ser violento. De acordo com a psicóloga da sejus andrea autran, a reincidência de internos no manicômio judiciário "não é grande".

Segundo andrea autran, o preconceito dificulta a reinserção das pessoas com transtornos mentais à sociedade. "já se instalou a cultura, principalmente no interior, que a pessoa com transtorno mental tem que estar no manicômio. Temos uma cultura de segregação tanto para usuário de drogas, como para pessoa com transtorno mental. Às vezes, ela tem casa, mas gosta de ficar andando pela rua e, como cometeu um crime em um momento, o juiz vê e manda voltar para cá", explica.
Manutenção de manicômio judiciário é questionada

Entidades, profissionais da saúde e juristas do Brasil e do Mundo são contra a manutenção de manicômios judiciários, como é o caso do Instituto Psiquiátrico Governador Stênio Gomes (IPGSG), e defendem um tratamento mais humanizado e individualizado para portadores de transtornos mentais em conflito com a lei.

No Ceará, essa bandeira é levantada pelo Fórum Cearense de Luta Antimanicomial (FCLA), que visitou o Manicômio Judiciário, em novembro do ano passado, e constatou uma 'situação degradante', segundo a assistente social e membro do Fórum, Márcia Lustosa. A visita resultou na elaboração de um relatório, que aponta a precariedade da estrutura física do equipamento, a ausência de atividades de terapia ocupacional para os internos e a falta de efetivo especializado para atender a demanda, entre outros problemas.

"A estrutura do manicômio não propicia cuidado, tratamento, e viola os direitos humanos. Falta acompanhamento sistemático e individualizado. É um local de isolamento. Luto por uma sociedade sem manicômio", afirmou Márcia.

O FCLA se baseia na Lei nº 10.216, conhecida como 'Lei Antimanicomial', de 6 de abril de 2001, que "dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental". A assistente social cita o artigo 2º da legislação, que lista direitos da pessoa portadora de transtorno mental, entre eles "ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental", para justificar o que chama de 'desinstitucionalização' de equipamentos como o Manicômio.

Para Márcia Lustosa, os pacientes que estão no Manicômio Judiciário deveriam ser tratados na Rede de Atenção Psicossocial, do Sistema Único de Saúde (SUS), através de um tratamento individualizador, considerando o transtorno mental, o crime cometido e os vínculos familiares de cada paciente.

A assistente social conta que existe um projeto do FCLA, junto de órgãos como o Ministério Público do Ceará (MPCE) e a Defensoria Pública do Ceará, para realizar o diagnóstico de cada interno da unidade prisional, agilizar o laudo e apontar outro destino para a pessoa, como a Rede de Atenção Psicossocial, que trataria o paciente e o devolveria à família. "Esse diagnóstico vai nos dar a dimensão de quem realmente tem a possibilidade de restabelecer os vínculos familiares. Para quem não tem, existe, no Brasil, uma política pública de criação do Serviço de Residências Terapêuticas, para receber essas pessoas", propõe Márcia.

Melhorias

A defensora pública Maria Regina de Pontes Araújo discorda do fim do Manicômio Judiciário, mas afirma que a estrutura e as condições de tratamento ofertadas pelo Estado, aos internos, deveriam ser melhores.

"Nós não podemos acabar com os manicômios. A gente tem que dar é outra feição a eles. O poder público tem que olhar mais para isso aqui como um hospital de custódia, que precisa de cuidados, e não como um depósito de presos. Não pode chegar aqui, botar gente e ficar, deixar as pessoas aqui eternamente. Não é prisão perpétua. Não existe uma vontade política para isso", critica a defensora.

Já a psicóloga da Sejus, Andrea Autran, defendeu o trabalho realizado no Manicômio Judiciário e disse que a Pasta estuda maneiras de melhorar a assistência dos pacientes custodiados na unidade. "Nós só podemos fazer o que nos compete. E nos esbarramos com a falta de assistência que as pessoas com transtorno mental estão vivenciando, na lógica dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), dos leitos em hospitais gerais, da Rede de Saúde como um todo. Acredito que o Instituto Stênio Gomes faz mais do que a legislação determina e sem verba, porque ele funciona como hospital psiquiátrico, mas não recebe como tal", concluiu.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

REBITE UNIVERSITÁRIO

Enquanto as alterações que drogas como Stavigile, Venvanse e Ritalina causam não são claras, nas faculdades de medicina o fácil acesso cria uma cultura de uso indiscriminado


Livros abertos, caneta e papel a postos, um copo d’água e um comprimido. Esse é o ritual de Hélio*, 20 anos, em quase todas as vésperas de prova na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Na última, em um domingo em que já passava da meia-noite (a prova seria na manhã seguinte, às 8 horas), ele sentia a atenção redobrada graças ao Stavigile, um medicamento à base de modafinil, usado para tratar sonolência diurna. "Não senti nenhum poder especial, mas é realmente estimulante, como se tivesse tomado uma droguinha", conta. Adepto de um outro remédio controlado, a Ritalina, era a primeira vez que o estudante experimentava o modafinil, que encontrou entre as coisas do pai. "Achei bem melhor. Ritalina me tira a fome, dá taquicardia e não me parece muito constante."

Não é a primeira, nem a segunda, nem a última vez que Hélio ou qualquer outro estudante de medicina se sujeita à automedicação e ao uso indiscriminado de substâncias com nomes como modafinil e metilfenidato em busca de uma turbinada no cérebro – prática conhecida pelo termo técnico "neuroaprimoramento". Para quem quer vestir o jaleco branco, os estimulantes surgem como solução muito antes da graduação. Caetano*, 24, que hoje está no quarto ano de medicina na Unicamp, chegou a ingerir um comprimido por dia enquanto estava no cursinho. "Com Ritalina, conseguia estudar por muito mais tempo sem ter fadiga física ou mental. E se queria estudar à noite, tomava mais meio", lembra. Nessa época, Caetano acordava com o remédio, usado para tratar transtorno de déficit de atenção, e só pegava no sono depois de dois ou três comprimidos de Dramin

Há uma crença de que remédios como Stavigile, Venvanse, Provigil, Eranz, Concerta ou Ritalina – receitados para pessoas com déficit de atenção, hiperatividade, narcolepsia, entre outros diagnósticos – aumentem a produtividade e a atenção de quem precisa estudar ou trabalhar por horas a fio. Eles atuam no sistema nervoso central acelerando a liberação de hormônios como dopamina, noradrenalina e norepinefrina, que controlam, entre outros fatores, o humor, a ansiedade e o sono. O efeito não é nenhuma novidade. Anfetaminas são usadas com esse propósito há décadas, mas essas outras substâncias, muitas vezes chamadas de "drogas da inteligência", não são associadas diretamente ao "rebite" ou à "bolinha" de alguns anos atrás – embora Concerta e Ritalina, por exemplo, sejam compostos por metilfenidato, que é, exatamente, um tipo de anfetamina.

Venda sob prescrição médica. Atenção:

Pode causar dependência física ou psíquica.

Mulheres jovens são as que mais procuram os serviços de saúde mental

De acordo com o coordenador do Hospital , Anginaldo Ribeiro Mendes, que trabalha há 14 anos na área, a maior parte dos atendimentos em saúde mental envolve hoje pessoas que moram com suas famílias. São geralmente jovens do sexo feminino. Um dos principais desafios é ter o apoio dos parentes para ajudar o usuário durante o tratamento. Anginaldo Ribeiro detalha como os pacientes são atendidos atualmente, principalmente os casos mais graves. “Tem que passar pela anamnese para buscar saber se, além do surto, tem alguma doença. Se tiver só o surto, esse paciente vai para o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial)”. Confira a seguir a entrevista.

Com ocorre esse atendimento especializado aos usuários que apresentam problemas mentais ou têm surtos psicóticos?

Anginaldo Mendes Ribeiro: Temos seis dispositivos de saúde mental, o CAPs III , que é para surtos psicóticos, o CAPs AD, que é álcool e drogas; o CAPs I, que é o infantil, e temos as residências terapêuticas. A residência terapêutica é onde os pacientes que perderam referência familiar e saúde mental residem. Não há mais aquela história de clínicas psiquiátricas, acabamos há muito tempo. Temos a residência terapêutica que faz parte dos dispositivos de saúde mental. É uma casa onde os pacientes têm todas as atividades, como banhar, lavar sua roupa e fazer sua comida. Os residentes podem sair e voltar a hora que quiserem, eles não estão amarrados e nem presos.

Como funciona a entrada para o CAPs?

Anginaldo Mendes Ribeiro: O paciente com surtos psicóticos não pode ir direto para o dispositivo (CAPs). Ele tem que passar por uma avaliação e ser analisado patologicamente para saber se, além do surto, tem alguma doença. Se tiver só o surto, esse paciente vai para o CAPS, dentro de um protocolo que varia de seis a doze horas. Eu costumo estender até 24 horas, às vezes, pela medicação que seda e faz o paciente dormir. Durante a sedação, ele fica em período de observação em que pode desenvolver algum sintoma, como arritmia cardíaca. Quando ele acorda, entramos em contato com o CAPs e o levamos até o dispositivo. Eu questiono o acolhimento desse paciente, na forma que ele chega , porque há um despreparo muito grande de equipe para acolher o paciente. Quando é um caso de algum indivíduo que quer pular da ponte, é chamada a Polícia e o SAMU. Ele é enlaçado e amarrado para evitar que pule da ponte. Lógico que ele poderia pular, mas as abordagens verbais e o diálogo talvez resolvessem a situação. O paciente, quando é amarrado, surta mais.

Podemos afirmar que a depressão pode ser uma das causas dos surtos psicóticos ou há alguns outros fatores externos?

Anginaldo Mendes Ribeiro: Há a depressão sim, mas também tem outros fatores que contribuem como as questões financeiras, problemas relacionados à moradia e à instabilidade.

Há reclamações de que muitas pessoas vão ao CAPs e não conseguem ser atendidas. Você acredita que isso dificulta o interesse da pessoa ir lá e buscar o tratamento?

Anginaldo Mendes Ribeiro: O certo a se fazer é ir na clínica médica ou ao hospital e o paciente em surto tomar sua medicação. Após essa etapa, pode entrar em contato com o CAPs. A demanda é muito grande, os profissionais do CAPs não dão conta realmente.

Qual o perfil dos pacientes que apresentam o surto? É formado em sua maioria por homens ou mulheres? Jovens ou adultos? São pessoas que estão em situação de rua ou moram com familiares?

Anginaldo Mendes Ribeiro: Hoje você quase não vê pacientes em situação de rua, os pacientes têm família e sempre são mais mulheres. Acho impressionante. A maioria são jovens. Entre as mulheres que eu atendi, somente duas eram casadas. Uma que diz que o marido a maltrata, mas é uma história que tem que ser investigada.

Os pacientes voltam com freqüência?

Anginaldo Mendes Ribeiro: A medicação é feita para ter um controle, mas a família não dá esse apoio e eles voltam novamente dando queixa de que não querem tomar remédio. Mas é necessário a família estudar um horário para a medicação, pois dá uma melhora ao paciente.

Sobre a casa terapêutica, são CAPS para pessoas que não têm família para ajudar e pessoas que não condições de viver em sociedade? Como funciona essa entrada?

Anginaldo Mendes Ribeiro: São vagas limitadas, é uma casa pequena, com três quartos e cada um com três beliches. Há uma proposta de que esse ano se alugue uma chácara para que dê mais espaço para eles se sentirem à vontade.


sábado, 1 de julho de 2017

Cracolândia: "Internação compulsória é ineficaz e contraproducente"

Ministério Público de São Paulo iniciou nesta quinta-feira (29) uma investigação para apurar a denúncia de um professor de 32 anos, dependente de álcool, que afirma ter sido internado em um hospital psiquiátrico contra sua vontade.

Vivendo em situação de rua, este homem (cuja identidade será preservada na reportagem) já passou por diversos albergues e centros de acolhida próximos da região conhecida como Cracolândia — local de venda e consumo de drogas, sobretudo o crack, no bairro da Luz, centro de São Paulo. Ele é professor em projetos culturais e esportivos desenvolvidos com usuários de crack e moradores locais.

Na noite de 30 de maio, após passar 18 dias internado no CAPS Prates (Centro de Atenção Psicossocial), ele encontrou fechado o Espaço Luz, albergue onde costumava ser acolhido. Situado em frente à Praça Princesa Isabel, o local foi fechado no mês passado para dar lugar a um novo CAPS. Sem ter onde dormir, ele procurou ajuda na tenda do projeto Redenção, a 400 m dali, na rua Helvétia.

“Eu cheguei na tenda do Redenção para pedir um lugar para dormir. Não me explicaram para onde eu estava indo. O médico fez uma avaliação de caneta. Ele perguntou qual era a droga que eu usava e eu falei que era a bebida. Eu pensava que ia tipo para o Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas, na Luz), onde ia ser avaliado, ou que iam me mandar para um albergue. Quando fui ver me mandaram lá para o São João de Deus”, conta.
A Casa de Saúde São João de Deus é um hospital psiquiátrico localizado na Estrada Turística do Jaraguá, zona norte de São Paulo, a cerca de 20 km da Luz. Essa instituição e o centro Irmãs Hospitaleiras, na Represa de Guarapiranga, são os dois principais endereços escolhidos pela prefeitura de São Paulo para encaminhar os dependentes químicos que solicitam a internação. Desde 21 de maio, data da megaoperação policial que marcou o início do Redenção, já foram realizadas mais de 420 internações voluntárias, segundo a prefeitura.
Documento de internação voluntária foi assinado após exame realizado na LuzReprodução

Ao ter acesso aos documentos de entrada e saída do paciente na São João de Deus, foi constatado que ele deu entrada na madrugada do dia 31 de maio, quando assinou um termo de internação voluntária. A assinatura, portanto, não aconteceu na tenda do Redenção, na Luz, mas já dentro do hospital, no Jaraguá.

O paciente ressalta que, durante seu contato com os funcionários do Redenção, ainda na Cracolândia, ninguém lhe falou de internação nem ele pediu para ser internado. Ele admite ter assinado um documento, mas afirma não conhecer o teor. O professor diz ainda que só decidiu ficar no hospital assim que chegou por causa do horário e também por estar longe do centro da cidade.

“Eu topei [ficar lá] porque já era tarde, ia dar três horas da manhã. Aí pensei, “vou dormir”. Mas eu quis ir embora no outro dia. Tentei conversar com o pessoal, mas foi difícil. Não me liberaram”, diz.

O promotor Arthur Pinto Filho, da área de saúde pública do MP de São Paulo e um dos responsáveis pela investigação, afirma ser “muito grave” o fato de o paciente ter sido impedido de deixar o hospital, já que isso configura uma internação compulsória (contra a vontade) sem autorização judical, o que é obrigatório nessa situação.

— A nossa preocupação é que essa situação tenha se passado com outras pessoas, porque ele fala que foi levado sem saber exatamente aonde ia, e lá ficou sem contato com psicólogo, ficou praticamente isolado, querendo sair sem poder. Isso é o que a gente precisa verificar.
Questionada a SMS (Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo) afirma que o paciente passou por avaliação médica na tenda do Redenção e que só depois foi encaminhado para internação voluntária (leia nota completa ao final). Procurada, a Casa de Saúde São João de Deus não quis se manifestar.

Segundo documento da Casa de Saúde São João de Deus, o paciente passou pelos tratamentos CID 10 F32.1, código usado para "episódio depressivo moderado". Ele tomava três tipos de medicação, repetidos em três horários diferentes: um calmante, um ansiolítico e um para dormirR7

Impedido de sair

Embora tenha solicitado liberação no dia seguinte à internação, o professor só recebeu alta quatro dias depois. Ele afirma que não foi autorizado a comunicar familiares e amigos sobre a internação. Ele só conseguiu deixar o local após conseguir usar um celular emprestado e um computador com acesso à internet. Isso aconteceu somente no terceiro dos cinco dias de internação, relata.

Como enfrenta problemas com álcool, o professor já passa por atendimento médico nos serviços de saúde da prefeitura e do Estado. Ele formou vínculo com psicólogas, enfermeiras, assistentes sociais e conselheiras que atuam em AMAs (Assistência Médica Ambulatorial), CAPS e nas tendas dos projetos Recomeço e De Braços Abertos.

Pelo telefone, ele avisou uma assistente social que o atende. Pelo Facebook, mandou mensagem para uma amiga, que por sua vez comunicou a psicóloga que o acompanha. Foi a partir dessa rede de contatos que ele conseguiu a liberação. Levaria ainda dois dias até sua vontade ser atendida e deixar a casa psiquiátrica.

— Eles não me deram passagem, não me deram nada. Me soltaram e uma auxiliar de enfermagem me deu 4 reais para ir embora. Peguei o trem e desci na Luz.

Segundo o promotor, ele não poderia ter sido impedido de sair do hospital, principalmente por ter assinado o termo de internação voluntária.

— Numa internação voluntária, ele pode se arrepender e ir embora. Ele tem direito de ir embora. Ali não é um hospital psiquiátrico fechado. Uma internação voluntária depende da vontade da pessoa. A pessoa não está presa.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o paciente solicitou alta somente no quinto dia, sendo “prontamente atendido”.

Estrutura de manicômio

O Comuda (Conselho Municipal de Políticas Sobre Drogas e Álcool), órgão que reúne membros do Executivo, Legislativo e organizações da sociedade civil, também está acompanhando o caso.

"Acompanhei o depoimento dele para a promotoria, e o que ele informa é que ficou lá todos os dias sem nenhum tipo de atividade terapêutica para fazer. Ele ficava no pátio, almoçava, jantava, e depois era chamado pra enfermaria para tomar os medicamentos", diz Nathália Oliveira, presidente do conselho. 

O professor relata que tomava três medicações diferentes por dia, em três horários diferentes. Um deles o deixava em estado "dopado".

— Tomava nove remédios por dia, de manhã, tarde e à noite. Um pra ansiedade, um calmante e um pra dormir. Um eles falavam que era pra ansiedade, então não me afetava em nada. Mas esse que era um relaxante muscular, um laranja, eles me davam dose de 100 ml. Eu ficava dopado. Você fica sem força.
Entrada da Casa de Saúde São João de DeusReprodução/Google

O Comuda vai iniciar agora uma busca por outras pessoas que passaram por internação desde o início do programa Redenção para fazer "escutas individuais".

— Queremos saber se o caso foi exceção ou se isso é uma repetição do tipo de política que está sendo aplicada em nossa cidade.

O objetivo, diz, é ajustar a política e informar tanto o poder Executivo quanto o Judiciário. “Que tipo de política pública e que tipo de processo terapêutico e de tratamento a cidade de São Paulo está oferecendo para as pessoas?”, questiona Nathália.

Para o promotor, a situação relatada pelo paciente se assemelha a um “manicômio”.

— Ele traz pra gente uma situação em que a casa em que ele esteve é um manicômio, o que é proibido pela legislação. Ele fala que não tinha enfermeiro suficiente, eram 2 para 60 pessoas, disse que nunca falou com um médico, que tomava remédio sem muito controle. O retrato mostra que ali é um manicômio, o que é proibido.

A Secretaria Municipal de Saúde diz “estranhar a versão apresentada à reportagem”, mas que está à disposição do Ministério Público para esclarecer os fatos.

Leia o posicionamento da prefeitura:

“A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo informa que o paciente XXX procurou o Caps Redenção em 31 de maio, relatando uso abusivo de álcool e outras drogas. Após avaliação médica, foi encaminhado para internação voluntária na Casa de Saúde São João de Deus, conforme documentos apresentados pela unidade com a devida assinatura concedente do paciente.
Ministério Público investiga denúncia de internação forçada na Cracolândia.

Após cinco dias de internação, o paciente solicitou alta, sendo prontamente atendido, conforme preconizado pela Política Nacional de Saúde Mental, ainda que não tenha concluído o tratamento, para casos em que a internação é voluntária.

Apesar de estranhar a versão apresentada à reportagem, a SMS está à disposição do Ministério Público para colaborar com a devida apuração dos fatos”.
OBS:

A questão da internação do paciente acometido de transtorno mental é regida pela Lei 10.216/2001, que representou um março no processo de valorização da vontade do paciente, mesmo tendo reconhecido que, momentaneamente, a expressão da vontade pode não ser possível. Prevê o parágrafo único do artigo 6º da mencionada Lei que há três tipos de internação psiquiátrica: 1)-voluntária, solicitada pelo paciente; 2)- involuntária, pedida por terceiro; e 3)-compulsória, “aquela determinada pela Justiça”. Obviamente, a necessidade de internação, em qualquer modalidade, será sempre avaliada por médico.

A lei citada acima afirma que a internação involuntária pode ser pedida por “terceiro”. Penso que as pessoas habilitadas a formularem o requerimento são, por analogia, as mesmas previstas no Art. 1.768 do CC, a saber: pais ou tutores, cônjuge (ou companheiro), ou por qualquer parente.

Sem adentrar na questão de haver ou não um problema epidêmico relativo ao uso do crack, o certo é que para que haja a internação involuntária, basta que um familiar formule o requerimento na unidade hospitalar e que o médico a autorize (Art. da Lei 10.216/2001).