Psicoterapeuta. - CRT 42.156

Psicoterapeuta. - CRT 42.156
Fernando Cesar Ferroni de Freitas

segunda-feira, 10 de julho de 2017

CEBRID - Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas

Aspectos históricos

Toda a história da humanidade está permeada pelo consumo de álcool. Registros arqueológicos revelam que os primeiros indícios sobre o consumo de álcool pelo ser humano datam de aproximadamente 6000 A.C., sendo portanto, um costume extremamente antigo e que tem persistido por milhares de anos. A noção de álcool como uma substância divina, por exemplo, pode ser encontrada em inúmeros exemplos na mitologia, sendo talvez um dos fatores responsáveis pela manutenção do hábito de beber ao longo do tempo.

Inicialmente, as bebidas tinham conteúdo alcoólico relativamente baixo, como por exemplo o vinho e a cerveja, já que dependiam exclusivamente do processo de fermentação. Com o advento do processo de destilação, introduzido na Europa pelos árabes na Idade Média, surgiram novos tipos de bebidas alcoólicas, que passaram a ser utilizadas na sua forma destilada. Nesta época, este tipo de bebida passou a ser considerado como um remédio para todas as doenças, pois “dissipavam as preocupações mais rapidamente do que o vinho e a cerveja, além de produzirem um alivio mais eficiente da dor”, surgindo então a palavra whisky (do gálico “usquebaugh”, que significa “água da vida”).

A partir da Revolução Industrial, registrou-se um grande aumento na oferta deste tipo de bebida, contribuindo para um maior consumo e, consequentemente, gerando um aumento no número de pessoas que passaram a apresentar algum tipo de problema devido ao uso excessivo de álcool.

 Aspectos gerais

Apesar do desconhecimento por parte da maioria das pessoas, o álcool também é considerado uma droga psicotrópica, pois ele atua no sistema nervoso central, provocando uma mudança no comportamento de quem o consome, além de ter potencial para desenvolver dependência.

O álcool é uma das poucas drogas psicotrópicas que tem seu consumo admitido e até incentivado pela sociedade. Esse é um dos motivos pelo qual ele é encarado de forma diferenciada, quando comparado com as demais drogas.

Apesar de sua ampla aceitação social, o consumo de bebidas alcoólicas, quando excessivo, passa a ser um problema. Além dos inúmeros acidentes de trânsito e da violência associada a episódios de embriaguez, o consumo de álcool a longo prazo, dependendo da dose, frequência e circunstâncias, pode provocar um quadro de dependência conhecido como alcoolismo. Desta forma, o consumo inadequado do álcool é um importante problema de saúde pública, especialmente nas sociedades ocidentais, acarretando altos custos para sociedade e envolvendo questões médicas, psicológicas, profissionais e familiares.

 Efeitos agudos

A ingestão de álcool provoca diversos efeitos, que aparecem em duas fases distintas: uma estimulante e outra depressora.

Nos primeiros momentos após a ingestão de álcool, podem aparecer os efeitos estimulantes como euforia, desinibição e loquacidade (maior facilidade para falar). Com o passar do tempo, começam a aparecer os efeitos depressores como falta de coordenação motora, descontrole e sono. Quando o consumo é muito exagerado, o efeito depressor fica exacerbado, podendo até mesmo provocar o estado de coma.

Os efeitos do álcool variam de intensidade de acordo com as características pessoais. Por exemplo, uma pessoa acostumada a consumir bebidas álcoólicas sentirá os efeitos do álcool com menor intensidade, quando comparada com uma outra pessoa que não está acostumada a beber. Um outro exemplo está relacionado a estrutura física; uma pessoa com uma estrutura física de grande porte terá uma maior resistência aos efeitos do álcool.

O consumo de bebidas alcoólicas também pode desencadear alguns efeitos desagradáveis, como enrubecimento da face, dor de cabeça e um mal estar geral. Esses efeitos são mais intensos para algumas pessoas cujo organismo tem dificuldade de metabolizar o álcool. Os orientais, em geral, tem uma maior probabilidade de sentir esses efeitos.

Álcool e Trânsito

A ingestão de álcool, mesmo em pequenas quantidades, diminui a coordenação motora e os reflexos, comprometendo a capacidade de dirigir veículos, ou operar outras máquinas. Pesquisas revelam que grande parte dos acidentes são provocados por motoristas que haviam bebido antes de dirigir. Neste sentido, segundo a legislação brasileira (Código Nacional de Trânsito, que passou a vigorar em Janeiro de 1998) deverá ser penalizado todo o motorista que apresentar mais de 0,6 gramas de álcool por litro de sangue. A quantidade de álcool necessária para atingir essa concentração no sangue é equivalente a beber cerca de 600ml de cerveja (duas latas de cerveja ou três copos de chopp), 200 ml de vinho (duas taças) ou 80 ml de destilados (duas doses).

Alcoolismo

Conforme já citado neste texto, a pessoa que consome bebidas alcoólicas de forma excessiva, ao longo do tempo, pode desenvolver dependência do álcool, condição esta conhecida como “alcoolismo”. Os fatores que podem levar ao alcoolismo são variados, podendo ser de origem biológica, psicológica, sociocultural ou ainda ter a contribuição resultante de todos estes fatores. A dependência do álcool é uma condição frequente, atingindo cerca de 5 a 10% da população adulta brasileira.

A transição do beber moderado ao beber problemático ocorre de forma lenta, tendo uma interface que, em geral, leva vários anos. Alguns dos sinais do beber problemático são: desenvolvimento da tolerância, ou seja, a necessidade de beber cada vez maiores quantidades de álcool para obter os mesmos efeitos; o aumento da importância do álcool na vida da pessoa; a percepção do “grande desejo” de beber e da falta de controle em relação a quando parar; síndrome de absitinência (aparecimento de sintomas desagradáveis após ter ficado algumas horas sem beber) e o aumento da ingestão de álcool para aliviar a síndrome de abstinência.

A síndrome de abstinência do álcool é um quadro que aparece pela redução ou parada brusca da ingestão de bebidas alcoólicas após um período de consumo crônico. A síndrome tem início 6-8 horas após a parada da ingestão de álcool, sendo caracterizada pelo tremor das mãos, acompanhado de distúrbios gastrointestinais, distúrbios de sono e um estado de inquietação geral (abstinência leve). Cerca de 5% dos que entram em abstinência leve evoluem para a síndrome de abstinência severa ou “delirium tremens” que, além da acentuação dos sinais e sintomas acima referidos, caracteriza-se por tremores generalizados, agitação intensa e desorientação no tempo e espaço.


 Efeitos no resto do corpo

Os indivíduos dependentes do álcool podem desenvolver várias doenças. As mais frequentes são as doenças do fígado (esteatose hepática, hepatite alcoólica e cirrose). Também são freqüentes problemas do aparelho digestivo (gastrite, síndrome de má absorção e pancreatite), no sistema cardiovascular (hipertensão e problemas no coração). Também são frequentes os casos de polineurite alcoólica, caracterizada por dor, formigamento e câimbras nos membros inferiores.

 Durante a gravidez

O consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação pode trazer consequências para o recém-nascido, sendo que, quanto maior o consumo, maior a chance de prejudicar o feto. Desta forma, é recomendável que toda gestante evite o consumo de bebidas alcoólicas, não só ao longo da gestação como também durante todo o período de amamentação, pois o álcool pode passar para o bebê através do leite materno.

Cerca de um terço dos bebês de mães dependentes do álcool, que fizeram uso excessivo durante a gravidez, são afetadas pela “Síndrome Fetal pelo Álcool”. Os recém-nascidos apresentam sinais de irritação, mamam e dormem pouco, além de apresentarem tremores (sintomas que lembram a síndrome de abstinência). As crianças severamente afetadas e que conseguem sobreviver aos primeiros momentos de vida, podem apresentar problemas físicos e mentais que variam de intensidade de acordo com a gravidade do caso.

Pena: abandono e incerteza sobre a liberdade

Pessoas com transtornos mentais e em conflito com a lei vivem encarceradas por anos, em meio às incertezas sobre a própria condição. População do Manicômio Judiciário cresceu 86,8% em três anos.
Reclusos em celas de uma unidade penitenciária do estado e em pensamentos divagantes, 142 homens cumprem uma pena dura demais: o abandono e a incerteza da liberdade. O Instituto Psiquiátrico Governador Stênio Gomes (IPGSG), conhecido como 'Manicômio Judiciário', localizado em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), reúne detentos de variadas classes sociais, idades, origens e histórias. Todos têm algo em comum: um transtorno mental que levou à prática de um crime.

Carlos (nome fictício) percebe a presença de pessoas que não são os profissionais da saúde e os agentes penitenciários que está acostumado a ver. Aproxima-se da janela, olha e puxa assunto, como se estivesse falando com alguém no meio da rua. Responde sobre sua vida com naturalidade: morava no interior, trabalhava como pedreiro e tem o sonho de sair daquele local, residir em outro estado e construir uma igreja evangélica.

Mas ele não sabe quando vai deixar o presídio. Pede para um agente penitenciário e para uma psicóloga reverem a sua situação, pois, para ele, "não tem por que ficar". Ao ser indagado sobre o porquê de ter sido preso, carlos conta que brigou com a companheira e acabou lesionando a irmã dela.

Justifica que começou a tomar remédios para transtornos mentais porque a esposa disse que ele precisava, a família o obrigou e, agora, sabe que está dependente da medicação e não pode deixar de utilizá-la. Diz ainda que, dentre os familiares, somente o irmão foi visitá-lo, mas muda de assunto rápido. No lugar, prefere enaltecer a ajuda dos profissionais da unidade.

Entre idas e vindas do instituto psiquiátrico para a comarca do interior, carlos está se tratando, com acompanhamento da justiça, há cerca de quatro anos. O bom comportamento e as atividades psicoterapêuticas, não servem como argumentos jurídicos para reduzir o tempo de clausura. Ele precisa provar para um psiquiatra e para um juiz que está em condição clínica de conviver com a sociedade; precisa, também, ser recebido de volta pela família. As condições são verdadeiros entraves para que ele e muitos outros internos possam seguir a vida.

A saga de carlos, em meio às divagações, é a mesma dos outros 141 internos e das outras centenas de pacientes que passaram pelo local, em 49 anos de existência do equipamento da secretaria de justiça e cidadania (sejus). A população da unidade quase que dobrou nos últimos três anos, crescendo 86,8%, já que apenas 76 homens estavam internados no manicômio judiciário em 2014, de acordo com o censo penitenciário do ceará, publicado pela pasta naquele ano.

Situação

"cadê meu laudo?"; "vê como está meu laudo, doutora, por favor", se espalham como gritos de socorro pelos corredores do prédio. Entre os internos, 67 ainda estão aguardando receber um laudo médico sobre a sua condição mental para terem um posicionamento da justiça quanto ao tempo de permanência no cárcere. Resposta que pode durar meses ou anos para ser dada.

A defensora pública maria regina de pontes araújo, que trabalha dentro do manicômio judiciário, conta que os juízes costumam determinar medidas de segurança (análogas à execução de uma pena) de três anos ou por tempo indeterminado aos internos. "o código penal tem um artigo que diz que, a qualquer tempo, desde que cesse a periculosidade, ele (paciente) pode ser desinternado", acrescenta.

Ao todo, 37 internos que cumprem medidas de segurança, precisam provar evolução no quadro clínico, para antecipar a saída do manicômio judiciário. Mesmo quem é sentenciado a passar um tempo determinado pode precisar se tratar por mais tempo, caso seja necessário.

Diante desse cenário de incertezas, ainda surge outro empecilho: a falta de psiquiatras/peritos para acompanhar o quadro de tantos pacientes. São apenas três no instituto psiquiátrico, que também têm a responsabilidade de atender todo o sistema penitenciário do estado.

"aqui, no mínimo, deveriam ser oito psiquiatras. O laudo é um documento que não é fácil de fazer, o médico tem que acompanhar, conversar com o paciente, para, aos poucos, ir sentindo se ele é ou não portador de deficiência mental", argumenta a defensora pública maria regina.

No entanto, a situação mais preocupante, sem dúvidas, é de quem já cumpriu a sentença e não deveria estar no instituto psiquiátrico, mas a família não o aceitou e não existe vaga no serviço residencial terapêutico, vinculado ao sistema único de saúde (sus). Atualmente, cinco internos estão nessa condição, dentro do manicômio judiciário, sendo que um deles aguarda pela liberdade desde o ano de 2004 e outro, desde 2001.

"alguns chamamos de 'órfãos de pais vivos'. Para um preso sair, não é como nas casas de privação provisória de liberdade (cppls), que você pega o alvará, entrega ao preso e ele vai embora. Aqui, não. Quando ele sai daqui, sai com a família se responsabilizando por ele. A responsabilidade da pessoa é medicar, acompanhar, não deixar sair de noite, ver se está ingerindo álcool, cuidar de um doente mental. O doente mental não fica bom, ele sempre vai ficar com uma raiz. Se ele tiver um acompanhamento correto, não volta [para a unidade prisional]", diz maria regina.

Tratamento

Segundo a terapeuta ocupacional do instituto psiquiátrico, priscila freitas, a maioria dos crimes cometidos pelos internos com transtornos mentais é homicídio e tentativa de homicídio, muitas vezes dentro da própria família - contra o pai, a mãe, os filhos - e, em vários casos, provocado pelo uso de drogas.

"quando eles chegam aqui, estão bem comprometidos, até porque, muitas vezes, vêm após algum surto. Passam por toda uma equipe multidisciplinar, têm um acolhimento de enfermeiros e médicos, terapia ocupacional, educador físico, psicólogos. Eles tomam remédio, se for necessário, e esperam o laudo", detalha priscila.

Além da medicação, geralmente composta por antipsicóticos, os pacientes são incentivados a realizarem atividades para ocupar o tempo e capacitá-los, como pintura, confecção de artesanatos e futebol.

Quem consegue driblar todos os adversários do cárcere e é acolhido pela família precisa continuar tomando medicação controlada, sob o risco de ter algum surto e voltar a ser violento. De acordo com a psicóloga da sejus andrea autran, a reincidência de internos no manicômio judiciário "não é grande".

Segundo andrea autran, o preconceito dificulta a reinserção das pessoas com transtornos mentais à sociedade. "já se instalou a cultura, principalmente no interior, que a pessoa com transtorno mental tem que estar no manicômio. Temos uma cultura de segregação tanto para usuário de drogas, como para pessoa com transtorno mental. Às vezes, ela tem casa, mas gosta de ficar andando pela rua e, como cometeu um crime em um momento, o juiz vê e manda voltar para cá", explica.
Manutenção de manicômio judiciário é questionada

Entidades, profissionais da saúde e juristas do Brasil e do Mundo são contra a manutenção de manicômios judiciários, como é o caso do Instituto Psiquiátrico Governador Stênio Gomes (IPGSG), e defendem um tratamento mais humanizado e individualizado para portadores de transtornos mentais em conflito com a lei.

No Ceará, essa bandeira é levantada pelo Fórum Cearense de Luta Antimanicomial (FCLA), que visitou o Manicômio Judiciário, em novembro do ano passado, e constatou uma 'situação degradante', segundo a assistente social e membro do Fórum, Márcia Lustosa. A visita resultou na elaboração de um relatório, que aponta a precariedade da estrutura física do equipamento, a ausência de atividades de terapia ocupacional para os internos e a falta de efetivo especializado para atender a demanda, entre outros problemas.

"A estrutura do manicômio não propicia cuidado, tratamento, e viola os direitos humanos. Falta acompanhamento sistemático e individualizado. É um local de isolamento. Luto por uma sociedade sem manicômio", afirmou Márcia.

O FCLA se baseia na Lei nº 10.216, conhecida como 'Lei Antimanicomial', de 6 de abril de 2001, que "dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental". A assistente social cita o artigo 2º da legislação, que lista direitos da pessoa portadora de transtorno mental, entre eles "ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental", para justificar o que chama de 'desinstitucionalização' de equipamentos como o Manicômio.

Para Márcia Lustosa, os pacientes que estão no Manicômio Judiciário deveriam ser tratados na Rede de Atenção Psicossocial, do Sistema Único de Saúde (SUS), através de um tratamento individualizador, considerando o transtorno mental, o crime cometido e os vínculos familiares de cada paciente.

A assistente social conta que existe um projeto do FCLA, junto de órgãos como o Ministério Público do Ceará (MPCE) e a Defensoria Pública do Ceará, para realizar o diagnóstico de cada interno da unidade prisional, agilizar o laudo e apontar outro destino para a pessoa, como a Rede de Atenção Psicossocial, que trataria o paciente e o devolveria à família. "Esse diagnóstico vai nos dar a dimensão de quem realmente tem a possibilidade de restabelecer os vínculos familiares. Para quem não tem, existe, no Brasil, uma política pública de criação do Serviço de Residências Terapêuticas, para receber essas pessoas", propõe Márcia.

Melhorias

A defensora pública Maria Regina de Pontes Araújo discorda do fim do Manicômio Judiciário, mas afirma que a estrutura e as condições de tratamento ofertadas pelo Estado, aos internos, deveriam ser melhores.

"Nós não podemos acabar com os manicômios. A gente tem que dar é outra feição a eles. O poder público tem que olhar mais para isso aqui como um hospital de custódia, que precisa de cuidados, e não como um depósito de presos. Não pode chegar aqui, botar gente e ficar, deixar as pessoas aqui eternamente. Não é prisão perpétua. Não existe uma vontade política para isso", critica a defensora.

Já a psicóloga da Sejus, Andrea Autran, defendeu o trabalho realizado no Manicômio Judiciário e disse que a Pasta estuda maneiras de melhorar a assistência dos pacientes custodiados na unidade. "Nós só podemos fazer o que nos compete. E nos esbarramos com a falta de assistência que as pessoas com transtorno mental estão vivenciando, na lógica dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), dos leitos em hospitais gerais, da Rede de Saúde como um todo. Acredito que o Instituto Stênio Gomes faz mais do que a legislação determina e sem verba, porque ele funciona como hospital psiquiátrico, mas não recebe como tal", concluiu.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

REBITE UNIVERSITÁRIO

Enquanto as alterações que drogas como Stavigile, Venvanse e Ritalina causam não são claras, nas faculdades de medicina o fácil acesso cria uma cultura de uso indiscriminado


Livros abertos, caneta e papel a postos, um copo d’água e um comprimido. Esse é o ritual de Hélio*, 20 anos, em quase todas as vésperas de prova na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Na última, em um domingo em que já passava da meia-noite (a prova seria na manhã seguinte, às 8 horas), ele sentia a atenção redobrada graças ao Stavigile, um medicamento à base de modafinil, usado para tratar sonolência diurna. "Não senti nenhum poder especial, mas é realmente estimulante, como se tivesse tomado uma droguinha", conta. Adepto de um outro remédio controlado, a Ritalina, era a primeira vez que o estudante experimentava o modafinil, que encontrou entre as coisas do pai. "Achei bem melhor. Ritalina me tira a fome, dá taquicardia e não me parece muito constante."

Não é a primeira, nem a segunda, nem a última vez que Hélio ou qualquer outro estudante de medicina se sujeita à automedicação e ao uso indiscriminado de substâncias com nomes como modafinil e metilfenidato em busca de uma turbinada no cérebro – prática conhecida pelo termo técnico "neuroaprimoramento". Para quem quer vestir o jaleco branco, os estimulantes surgem como solução muito antes da graduação. Caetano*, 24, que hoje está no quarto ano de medicina na Unicamp, chegou a ingerir um comprimido por dia enquanto estava no cursinho. "Com Ritalina, conseguia estudar por muito mais tempo sem ter fadiga física ou mental. E se queria estudar à noite, tomava mais meio", lembra. Nessa época, Caetano acordava com o remédio, usado para tratar transtorno de déficit de atenção, e só pegava no sono depois de dois ou três comprimidos de Dramin

Há uma crença de que remédios como Stavigile, Venvanse, Provigil, Eranz, Concerta ou Ritalina – receitados para pessoas com déficit de atenção, hiperatividade, narcolepsia, entre outros diagnósticos – aumentem a produtividade e a atenção de quem precisa estudar ou trabalhar por horas a fio. Eles atuam no sistema nervoso central acelerando a liberação de hormônios como dopamina, noradrenalina e norepinefrina, que controlam, entre outros fatores, o humor, a ansiedade e o sono. O efeito não é nenhuma novidade. Anfetaminas são usadas com esse propósito há décadas, mas essas outras substâncias, muitas vezes chamadas de "drogas da inteligência", não são associadas diretamente ao "rebite" ou à "bolinha" de alguns anos atrás – embora Concerta e Ritalina, por exemplo, sejam compostos por metilfenidato, que é, exatamente, um tipo de anfetamina.

Venda sob prescrição médica. Atenção:

Pode causar dependência física ou psíquica.

Mulheres jovens são as que mais procuram os serviços de saúde mental

De acordo com o coordenador do Hospital , Anginaldo Ribeiro Mendes, que trabalha há 14 anos na área, a maior parte dos atendimentos em saúde mental envolve hoje pessoas que moram com suas famílias. São geralmente jovens do sexo feminino. Um dos principais desafios é ter o apoio dos parentes para ajudar o usuário durante o tratamento. Anginaldo Ribeiro detalha como os pacientes são atendidos atualmente, principalmente os casos mais graves. “Tem que passar pela anamnese para buscar saber se, além do surto, tem alguma doença. Se tiver só o surto, esse paciente vai para o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial)”. Confira a seguir a entrevista.

Com ocorre esse atendimento especializado aos usuários que apresentam problemas mentais ou têm surtos psicóticos?

Anginaldo Mendes Ribeiro: Temos seis dispositivos de saúde mental, o CAPs III , que é para surtos psicóticos, o CAPs AD, que é álcool e drogas; o CAPs I, que é o infantil, e temos as residências terapêuticas. A residência terapêutica é onde os pacientes que perderam referência familiar e saúde mental residem. Não há mais aquela história de clínicas psiquiátricas, acabamos há muito tempo. Temos a residência terapêutica que faz parte dos dispositivos de saúde mental. É uma casa onde os pacientes têm todas as atividades, como banhar, lavar sua roupa e fazer sua comida. Os residentes podem sair e voltar a hora que quiserem, eles não estão amarrados e nem presos.

Como funciona a entrada para o CAPs?

Anginaldo Mendes Ribeiro: O paciente com surtos psicóticos não pode ir direto para o dispositivo (CAPs). Ele tem que passar por uma avaliação e ser analisado patologicamente para saber se, além do surto, tem alguma doença. Se tiver só o surto, esse paciente vai para o CAPS, dentro de um protocolo que varia de seis a doze horas. Eu costumo estender até 24 horas, às vezes, pela medicação que seda e faz o paciente dormir. Durante a sedação, ele fica em período de observação em que pode desenvolver algum sintoma, como arritmia cardíaca. Quando ele acorda, entramos em contato com o CAPs e o levamos até o dispositivo. Eu questiono o acolhimento desse paciente, na forma que ele chega , porque há um despreparo muito grande de equipe para acolher o paciente. Quando é um caso de algum indivíduo que quer pular da ponte, é chamada a Polícia e o SAMU. Ele é enlaçado e amarrado para evitar que pule da ponte. Lógico que ele poderia pular, mas as abordagens verbais e o diálogo talvez resolvessem a situação. O paciente, quando é amarrado, surta mais.

Podemos afirmar que a depressão pode ser uma das causas dos surtos psicóticos ou há alguns outros fatores externos?

Anginaldo Mendes Ribeiro: Há a depressão sim, mas também tem outros fatores que contribuem como as questões financeiras, problemas relacionados à moradia e à instabilidade.

Há reclamações de que muitas pessoas vão ao CAPs e não conseguem ser atendidas. Você acredita que isso dificulta o interesse da pessoa ir lá e buscar o tratamento?

Anginaldo Mendes Ribeiro: O certo a se fazer é ir na clínica médica ou ao hospital e o paciente em surto tomar sua medicação. Após essa etapa, pode entrar em contato com o CAPs. A demanda é muito grande, os profissionais do CAPs não dão conta realmente.

Qual o perfil dos pacientes que apresentam o surto? É formado em sua maioria por homens ou mulheres? Jovens ou adultos? São pessoas que estão em situação de rua ou moram com familiares?

Anginaldo Mendes Ribeiro: Hoje você quase não vê pacientes em situação de rua, os pacientes têm família e sempre são mais mulheres. Acho impressionante. A maioria são jovens. Entre as mulheres que eu atendi, somente duas eram casadas. Uma que diz que o marido a maltrata, mas é uma história que tem que ser investigada.

Os pacientes voltam com freqüência?

Anginaldo Mendes Ribeiro: A medicação é feita para ter um controle, mas a família não dá esse apoio e eles voltam novamente dando queixa de que não querem tomar remédio. Mas é necessário a família estudar um horário para a medicação, pois dá uma melhora ao paciente.

Sobre a casa terapêutica, são CAPS para pessoas que não têm família para ajudar e pessoas que não condições de viver em sociedade? Como funciona essa entrada?

Anginaldo Mendes Ribeiro: São vagas limitadas, é uma casa pequena, com três quartos e cada um com três beliches. Há uma proposta de que esse ano se alugue uma chácara para que dê mais espaço para eles se sentirem à vontade.


sábado, 1 de julho de 2017

Cracolândia: "Internação compulsória é ineficaz e contraproducente"

Ministério Público de São Paulo iniciou nesta quinta-feira (29) uma investigação para apurar a denúncia de um professor de 32 anos, dependente de álcool, que afirma ter sido internado em um hospital psiquiátrico contra sua vontade.

Vivendo em situação de rua, este homem (cuja identidade será preservada na reportagem) já passou por diversos albergues e centros de acolhida próximos da região conhecida como Cracolândia — local de venda e consumo de drogas, sobretudo o crack, no bairro da Luz, centro de São Paulo. Ele é professor em projetos culturais e esportivos desenvolvidos com usuários de crack e moradores locais.

Na noite de 30 de maio, após passar 18 dias internado no CAPS Prates (Centro de Atenção Psicossocial), ele encontrou fechado o Espaço Luz, albergue onde costumava ser acolhido. Situado em frente à Praça Princesa Isabel, o local foi fechado no mês passado para dar lugar a um novo CAPS. Sem ter onde dormir, ele procurou ajuda na tenda do projeto Redenção, a 400 m dali, na rua Helvétia.

“Eu cheguei na tenda do Redenção para pedir um lugar para dormir. Não me explicaram para onde eu estava indo. O médico fez uma avaliação de caneta. Ele perguntou qual era a droga que eu usava e eu falei que era a bebida. Eu pensava que ia tipo para o Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas, na Luz), onde ia ser avaliado, ou que iam me mandar para um albergue. Quando fui ver me mandaram lá para o São João de Deus”, conta.
A Casa de Saúde São João de Deus é um hospital psiquiátrico localizado na Estrada Turística do Jaraguá, zona norte de São Paulo, a cerca de 20 km da Luz. Essa instituição e o centro Irmãs Hospitaleiras, na Represa de Guarapiranga, são os dois principais endereços escolhidos pela prefeitura de São Paulo para encaminhar os dependentes químicos que solicitam a internação. Desde 21 de maio, data da megaoperação policial que marcou o início do Redenção, já foram realizadas mais de 420 internações voluntárias, segundo a prefeitura.
Documento de internação voluntária foi assinado após exame realizado na LuzReprodução

Ao ter acesso aos documentos de entrada e saída do paciente na São João de Deus, foi constatado que ele deu entrada na madrugada do dia 31 de maio, quando assinou um termo de internação voluntária. A assinatura, portanto, não aconteceu na tenda do Redenção, na Luz, mas já dentro do hospital, no Jaraguá.

O paciente ressalta que, durante seu contato com os funcionários do Redenção, ainda na Cracolândia, ninguém lhe falou de internação nem ele pediu para ser internado. Ele admite ter assinado um documento, mas afirma não conhecer o teor. O professor diz ainda que só decidiu ficar no hospital assim que chegou por causa do horário e também por estar longe do centro da cidade.

“Eu topei [ficar lá] porque já era tarde, ia dar três horas da manhã. Aí pensei, “vou dormir”. Mas eu quis ir embora no outro dia. Tentei conversar com o pessoal, mas foi difícil. Não me liberaram”, diz.

O promotor Arthur Pinto Filho, da área de saúde pública do MP de São Paulo e um dos responsáveis pela investigação, afirma ser “muito grave” o fato de o paciente ter sido impedido de deixar o hospital, já que isso configura uma internação compulsória (contra a vontade) sem autorização judical, o que é obrigatório nessa situação.

— A nossa preocupação é que essa situação tenha se passado com outras pessoas, porque ele fala que foi levado sem saber exatamente aonde ia, e lá ficou sem contato com psicólogo, ficou praticamente isolado, querendo sair sem poder. Isso é o que a gente precisa verificar.
Questionada a SMS (Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo) afirma que o paciente passou por avaliação médica na tenda do Redenção e que só depois foi encaminhado para internação voluntária (leia nota completa ao final). Procurada, a Casa de Saúde São João de Deus não quis se manifestar.

Segundo documento da Casa de Saúde São João de Deus, o paciente passou pelos tratamentos CID 10 F32.1, código usado para "episódio depressivo moderado". Ele tomava três tipos de medicação, repetidos em três horários diferentes: um calmante, um ansiolítico e um para dormirR7

Impedido de sair

Embora tenha solicitado liberação no dia seguinte à internação, o professor só recebeu alta quatro dias depois. Ele afirma que não foi autorizado a comunicar familiares e amigos sobre a internação. Ele só conseguiu deixar o local após conseguir usar um celular emprestado e um computador com acesso à internet. Isso aconteceu somente no terceiro dos cinco dias de internação, relata.

Como enfrenta problemas com álcool, o professor já passa por atendimento médico nos serviços de saúde da prefeitura e do Estado. Ele formou vínculo com psicólogas, enfermeiras, assistentes sociais e conselheiras que atuam em AMAs (Assistência Médica Ambulatorial), CAPS e nas tendas dos projetos Recomeço e De Braços Abertos.

Pelo telefone, ele avisou uma assistente social que o atende. Pelo Facebook, mandou mensagem para uma amiga, que por sua vez comunicou a psicóloga que o acompanha. Foi a partir dessa rede de contatos que ele conseguiu a liberação. Levaria ainda dois dias até sua vontade ser atendida e deixar a casa psiquiátrica.

— Eles não me deram passagem, não me deram nada. Me soltaram e uma auxiliar de enfermagem me deu 4 reais para ir embora. Peguei o trem e desci na Luz.

Segundo o promotor, ele não poderia ter sido impedido de sair do hospital, principalmente por ter assinado o termo de internação voluntária.

— Numa internação voluntária, ele pode se arrepender e ir embora. Ele tem direito de ir embora. Ali não é um hospital psiquiátrico fechado. Uma internação voluntária depende da vontade da pessoa. A pessoa não está presa.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o paciente solicitou alta somente no quinto dia, sendo “prontamente atendido”.

Estrutura de manicômio

O Comuda (Conselho Municipal de Políticas Sobre Drogas e Álcool), órgão que reúne membros do Executivo, Legislativo e organizações da sociedade civil, também está acompanhando o caso.

"Acompanhei o depoimento dele para a promotoria, e o que ele informa é que ficou lá todos os dias sem nenhum tipo de atividade terapêutica para fazer. Ele ficava no pátio, almoçava, jantava, e depois era chamado pra enfermaria para tomar os medicamentos", diz Nathália Oliveira, presidente do conselho. 

O professor relata que tomava três medicações diferentes por dia, em três horários diferentes. Um deles o deixava em estado "dopado".

— Tomava nove remédios por dia, de manhã, tarde e à noite. Um pra ansiedade, um calmante e um pra dormir. Um eles falavam que era pra ansiedade, então não me afetava em nada. Mas esse que era um relaxante muscular, um laranja, eles me davam dose de 100 ml. Eu ficava dopado. Você fica sem força.
Entrada da Casa de Saúde São João de DeusReprodução/Google

O Comuda vai iniciar agora uma busca por outras pessoas que passaram por internação desde o início do programa Redenção para fazer "escutas individuais".

— Queremos saber se o caso foi exceção ou se isso é uma repetição do tipo de política que está sendo aplicada em nossa cidade.

O objetivo, diz, é ajustar a política e informar tanto o poder Executivo quanto o Judiciário. “Que tipo de política pública e que tipo de processo terapêutico e de tratamento a cidade de São Paulo está oferecendo para as pessoas?”, questiona Nathália.

Para o promotor, a situação relatada pelo paciente se assemelha a um “manicômio”.

— Ele traz pra gente uma situação em que a casa em que ele esteve é um manicômio, o que é proibido pela legislação. Ele fala que não tinha enfermeiro suficiente, eram 2 para 60 pessoas, disse que nunca falou com um médico, que tomava remédio sem muito controle. O retrato mostra que ali é um manicômio, o que é proibido.

A Secretaria Municipal de Saúde diz “estranhar a versão apresentada à reportagem”, mas que está à disposição do Ministério Público para esclarecer os fatos.

Leia o posicionamento da prefeitura:

“A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo informa que o paciente XXX procurou o Caps Redenção em 31 de maio, relatando uso abusivo de álcool e outras drogas. Após avaliação médica, foi encaminhado para internação voluntária na Casa de Saúde São João de Deus, conforme documentos apresentados pela unidade com a devida assinatura concedente do paciente.
Ministério Público investiga denúncia de internação forçada na Cracolândia.

Após cinco dias de internação, o paciente solicitou alta, sendo prontamente atendido, conforme preconizado pela Política Nacional de Saúde Mental, ainda que não tenha concluído o tratamento, para casos em que a internação é voluntária.

Apesar de estranhar a versão apresentada à reportagem, a SMS está à disposição do Ministério Público para colaborar com a devida apuração dos fatos”.
OBS:

A questão da internação do paciente acometido de transtorno mental é regida pela Lei 10.216/2001, que representou um março no processo de valorização da vontade do paciente, mesmo tendo reconhecido que, momentaneamente, a expressão da vontade pode não ser possível. Prevê o parágrafo único do artigo 6º da mencionada Lei que há três tipos de internação psiquiátrica: 1)-voluntária, solicitada pelo paciente; 2)- involuntária, pedida por terceiro; e 3)-compulsória, “aquela determinada pela Justiça”. Obviamente, a necessidade de internação, em qualquer modalidade, será sempre avaliada por médico.

A lei citada acima afirma que a internação involuntária pode ser pedida por “terceiro”. Penso que as pessoas habilitadas a formularem o requerimento são, por analogia, as mesmas previstas no Art. 1.768 do CC, a saber: pais ou tutores, cônjuge (ou companheiro), ou por qualquer parente.

Sem adentrar na questão de haver ou não um problema epidêmico relativo ao uso do crack, o certo é que para que haja a internação involuntária, basta que um familiar formule o requerimento na unidade hospitalar e que o médico a autorize (Art. da Lei 10.216/2001).

Uso indiscriminado de calmantes e remédios para emagrecer pode afetar a saúde física e mental

O Brasil é o maior consumidor de anfetaminas do mundo.
O consumo de drogas é considerado um problema de Saúde Pública. No caso específico das mulheres, um dos agravantes é o uso abusivo e indiscriminado de calmantes e remédios para emagrecimento, que podem comprometer a saúde física e mental. Mundialmente, o consumo de substâncias psicoativas – SPA – ainda é maior entre os homens. Entretanto, a diminuição da proporção entre homens e mulheres para as drogas de modo geral e a predominância do uso de medicamentos, mais especificamente benzodiazepínicos (calmantes), e anfetaminas (estimulantes) e anorexígenos por mulheres, vêm sendo registradas em muitos países.

Padrões estéticos rígidos, falsas promessas de emagrecimentos rápidos e mágicos, culto excessivo ao corpo magro estão entre os principais responsáveis pelo seu uso exagerado e, muitas vezes, sem acompanhamento médico adequado.

O uso de anfetaminas, além de poder gerar dependência, tremores, suores intensos, taquicardia, pode causar ou desencadear transtornos ou sintomas psiquiátricos como depressão, irritabilidade, agitação psicomotora e psicose (alucinações e delírios). Há até risco de morte.

No Brasil, o álcool e o tabaco são apontados como os problemas de saúde pública proeminentes, com maior percentual de uso entre pessoas do sexo masculino. O uso de maconha e solvente também prevalece entre os homens.

O uso de benzodiazepínicos e anfetamínicos mostrou-se, porém, três vezes maior entre as mulheres. Algumas das fórmulas de regime contêm a associação de doses excessivas de antidepressivos, tranquilizantes e anfetaminas. Emagrecimento, sem um suporte psicológico adequado, não significa melhora da qualidade de vida e da autoestima.

Preconceito e discriminação são apontados como as principais barreiras para que pacientes procurem ajuda médica especializada em saúde mental.

Consequências do uso de drogas para emagrecer

Geralmente, depois da interrupção do tratamento com esse tipo de composição de fórmulas para emagrecimento, que muitas vezes são prescritas como sendo naturais, é preciso cuidado redobrado.

Quem consumiu remédios para emagrecer costuma engordar mais do que antes e apresenta mais dificuldade para perder peso, já que, depois de uso continuado da anfetamina, o metabolismo fica lento e a capacidade de queimar gordura diminui. Inibidores de apetite em conjunto com medidas de reeducação alimentar e atividades físicas podem ter papel importante no tratamento da obesidade, mas seu uso não pode ser vulgarizado.
Quem quer emagrecer precisa de acompanhamento médico sério, com enfoque multiprofissional.

A melhor solução para um emagrecimento saudável e definitivo requer a adoção de alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos regulares. Além da mudança de hábitos e, claro, muita persistência.

Você é mais que seu corpo!

O corpo não é apenas um suporte, é a raiz identificadora, nossa comunicação com o mundo. Faz parte da individuação plena. A vaidade não só é necessária como também é um importante recurso de autoestima, desde que não ultrapasse o limite saudável do psiquismo.

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracteriza como sendo um atendimento, portanto consulte um médico.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Quase metade das mortes no trânsito em SP tem relação com álcool, diz estudo

Apesar do consumo de álcool no trânsito ser proibido em todo o país, 42,9% das vítimas de acidentes fatais de trânsito na cidade de São Paulo entre junho de 2014 e dezembro de 2015 haviam ingerido álcool. O dado é parte da conclusão de uma pesquisa de pós-doutorado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), feita por Gabriel Andreuccetti com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O número inclui motoristas, pedestres e passageiros.

Para o pesquisador, apesar da existência da lei que proíbe o consumo de álcool no trânsito ter sido um grande avanço, ainda é preciso melhorar os mecanismos de fiscalização para mudar a cultura brasileira sobre o assunto.

“Se você apenas credita à lei ao que a lei diz, é muito difícil que isso mude a cultura da população. O que a gente sabe, que é um dos fatores primordiais, é a fiscalização. Você tem a lei, que ajuda a ação policial e judicial para colocar em prática aquilo. Mas se a sensação da pessoa ao dirigir é de que ela não será pega, não adianta nada. Sua legislação pode ser a melhor do mundo mas você não vai conseguir pôr aquilo em prática. A fiscalização é o principal fator que precisa ser aprimorado para que a lei seja implementada e a cultura mude.”

Segundo Andreuccetti, não foi possível comparar os dados para dizer se o número cresceu ou diminuiu na comparação com outros períodos. “Essa metodologia é a primeira vez que estamos aplicando no Brasil como um todo, embora a gente só tenha feito em São Paulo. Então não temos um comparativo para dizer se está crescendo, se está maior. No caso de acidentes de trânsito, podemos, com certeza, dizer que é um número alto porque se tem quase metade das vítimas que chegam atropeladas ou de acidentes de trânsito com nível de álcool”, disse o pesquisador em entrevista à Agência BrasSegundo o estudo, em cerca de 30% das mortes violentas ocorridas nesse período foi notado consumo de álcool pelas vítimas, sendo 34,6% entre as vítimas de homicídio e 13,6% entre os casos de suicídio.A pesquisa, feita em parceria com a Escola de Saúde Pública da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, coletou amostras de sangue de 365 vítimas que foram levadas a unidades do Instituto Médico Legal (IML) na capital paulista para avaliação da taxa de alcoolemia em pessoas que morreram em decorrência de mortes violentas ou por causas externas, seja por acidentes de trânsito, homicídio ou suicídio e demais causas, como envenenamento, afogamento e quedas.

Perfil

A maior parte das vítimas de mortes violentas no trânsito associadas ao consumo de álcool, de acordo com o pesquisador, são homens brancos, com mais de 30 anos e baixo nível de escolaridade.

Segundo Andreuccetti, a taxa de alcoolemia observada entre as vítimas de morte violenta foi, em média, 1,10 grama de álcool por litro de sangue, o que corresponde ao consumo de cinco doses-padrão de álcool para um homem de cerca de 70 quilos. Cada dose-padrão, explicou o pesquisador, corresponde a uma latinha de cerveja, uma dose de destilado ou uma taça de vinho. Entre as vítimas de acidentes de trânsito, a maior parte apresentou alcoolemia nos finais de semana e no período noturno.

Para o autor do estudo, a pesquisa pode ajudar a orientar políticas de saúde pública e até ações de fiscalização do trânsito. “A maior contribuição deste estudo não é a prevalência em si, mas sim a cultura do como fazer e de como medir de forma correta, para que um dia a gente possa dizer que tal política está funcionando ou não”, disse. O pós-doutor pretende estender a pesquisa para a análise de uso de drogas e outras substâncias pelas vítimas.

Caminhos da Reportagem mostra como se levar uma vida sem álcool.

O programa Caminhos da Reportagem que vai ao ar hoje (29) às 22h, pela TV Brasil, vai discutir o delicado tema do alcoolismo, doença grave que atinge 12% da população brasileira e, ainda assim, um assunto tabu na sociedade.

Considerado pelo Ministério da Saúde como o maior problema relacionado ao uso de drogas lícitas ou ilícitas no Brasil, a dependência do álcool gera problemas emocionais e financeiros para o doente e perdas econômicas para o país que chega a 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Durante o programa desta noite, o Caminhos da Reportagem vai explicar detalhadamente como o hábito de beber pode se transformar em alcoolismo e, ainda, como levar uma vida sem o álcool.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Pedro Bial discute o alcoolismo no Brasil, que consome 40% a mais de bebida que o mundo

No 'Conversa com Bial', o jornalista Ruy Castro relembra período em que bebia e ainda discute sobre a importância do A. A., há 70 anos no Brasil.


O programa tratou do polemico assunto do "alcoolismo", cercado de preconceitos, visto como coisa de gente sem vergonha, "a doença" do alcoolismo ainda traz discussões e mostra quantas duvidas existem sobre o assunto, num pais onde beber é comum, pois faz parte da nossa cultura, por exemplo quando você pensa em comer aquela feijoada de sábado, qual a primeira coisa que vem a cabeça?
A caipirinha!
Domingo de futebol sem cerveja?
Entre tantos outros exemplos.
90% das famílias tem pelo menos um caso de uso e abuso de substância química , a mais consumida?Bebida alcoólica.

Segundo a OMS ( Organização Mundial de Saúde), o álcool é a droga que mais mata no mundo, por ser uma droga licita e barata, de fácil acesso, onde atualmente existe registros de crianças que tem o primeiro contato com o álcool aos 8/9 anos de idade.
O assunto é complexo e parece não ter fim.

O jornalista Ruy Castro, Jaira Freixiela Adamczyk, presidente do A. A.,e o convidado Luiz Antônio da Cruz, alcoólico que se casou com a dona do bar, participaram do programa e e foi muito importante e interessante.

Assista o programa acessando o link:
http://gshow.globo.com/tv/noticia/pedro-bial-discute-o-alcoolismo-no-brasil-que-consome-40-a-mais-de-bebida-que-o-mundo.ghtml

Em caso de duvidas sobre uso , abuso , dependência, tratamento, entre em contato conosco através do email:
lotustratamentodq@hotmail.com, ou pelo nosso Faceebook:
https://www.facebook.com/lotus.tratamento.3

Fernando Cesar Ferroni de Freitas.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

ÁLCOOL FAZ MAL EM QUALQUER QUANTIDADE, DIZEM PESQUISAS

Muito se fala dos benefícios do álcool, falamos aqui sobre os benefícios da cerveja e aqui sobre os benefícios do vinho, sempre somente se ingerido com moderação, claro. Mas existem também pesquisas que discordam totalmente dos benefícios e ao contrário, revelam que quanto menos álcool se ingere mais saúde e bem-estarse proporciona ao corpo.
Qual é a quantidade segura para se beber álcool?
Segundo pesquisas como as realizadas pelo American Institute for Cancer Research e pela International Agency for Research on Cancer, "a quantidade segura para o consumo do álcool é ZERO."
Além destes, outros estudos independentes também foram analisados por Jennie Conor, pesquisadora da Universidade de Otago responsável por uma meta-análise dos estudos que relacionam o consumo de álcool ao câncer.
Em entrevista para CTV News, Connor relata que “não parece haver nenhuma quantidade que seja realmente segura na ingestão de álcool em sua relação com o câncer. Portanto, a ingestão de qualquer quantidade aumenta o risco de câncer.Diversos tipos de câncer”.
Outro grande estudo realizado no Reino Unido revelou conclusões parecidas. Observou-se um aumento de 5% de desenvolvimento de câncer em mulheres que beberam de 70 a 140 g de álcool por semana, comparadas àquelas que beberam menos de 20 g. E muito mais, observou-se um aumento de incidência de 13% de câncer de mama.
Além disso, outro estudo de 2013 mostrou que mesmo quem bebe álcool moderadamente, aumenta significativamente os ricos de câncer de esôfago, faringe, boca e mama.
Até então, evidentemente não se conhece nenhum nível seguro para o consumo de álcool. Portanto cabem as reflexões adiante, a respeito do porquê continuamos a consumir uma substância tão nociva para o nosso corpo.
Os perigos dos benefícios
Se beber uma taça de vinho ou uma latinha de cerveja relaxa e tira o estresse do trabalho, por que não beber moderadamente? Beber está ligado à socialização, estar em companhia, o que também está relacionado ao bem-estar. O problema é o vício que o álcool causa e suas consequências. Embora beber socialmente seja uma prática aceita pela sociedade, temos de entender os possíveis perigos e causas deste prazer.
Até que ponto se bebe pelo prazer e contemplação da companhia e não como uma mera reprodução de um hábito atribuído a nós pela indústria de bebidas e marketing? Muitas vezes, ou melhor, na maioria dos casos, o hábito de beber, mesmo que socialmente, pode estar ligado à tentativa de fuga da realidade e ao suposto necessário entorpecimento da consciência, “para aguentar” o cotidiano.
Além disso, o alcoolismo também está fortemente relacionado a outras mazelas sociais, como acidentes de trânsito, violência familiar, perda de emprego de gasto exagerado de economias, descontrole comportamental, e, obviamente, problemas de saúde muito sérios. Será que seus prazeres realmente vale a pena?
Os efeitos negativos do álcool são reversíveis
Uma notícia boa para quem pretende abandonar o hábito do consumo cotidiano do álcool é que seus efeitos nocivos são reversíveis. Numa análise recente de casos, foi possível observar redução de riscos de pelo menos 15% no desenvolvimento de cancros assim que o consumo de álcool foi eliminado.
Analisou-se que também houve redução e reversão de inúmeros casos de câncer, como o de fígado. Portanto, o momento de parar é agora. Além disso, não se deve confiar na sorte e acreditar que a qualquer momento o hábito pode ser cessado sem grandes riscos. Quanto antes o hábito for eliminado, maiores serão as chances de recuperação.
O álcool também engorda, incha e envelhece. Com isso, é também possível citar que, além da recuperação interna do organismo, pessoas que abandonaram o consumo de álcool mostraram uma impressionante recuperação de todo o corpo, apresentando aspectos de rejuvenescimento e saúde como podemos ver abaixo, nas fotos de quem parou de beber. Quanta diferença!

Tratamento de crack: especialistas explicam como funcionam abordagem, acompanhamento e redução de danos

Três especialistas falam no assunto para explicar os passos contra o vício.

O primeiro registro do crack no Brasil, publicado pelos jornais, é de 1991. São 26 anos da droga circulando no país, criando dependentes e formando concentrações de usuários nas chamadas cracolândias. Ainda não existe uma unanimidade sobre o tratamento: uso de medicamentos contra recaídas? Política de redução de danos? 

A aproximação

Nem sempre é possível contar com a iniciativa do usuário para sair da situação, de acordo com André Baricela Veras, psiquiatra e professor adjunto do Departamento de Psiquiatria da New York University (NYU). 
A aproximação para começar o tratamento é o primeiro passo e pode ocorrer de várias formas.
“O primeiro passo ocorre por meio de um contato de saúde mais próximo. Ele deve propor a esse indivíduo algum tipo de atenção e iniciar uma compreensão do que está acontecendo, e só depois conseguir algum tipo de avanço na redução do problema”, disse.
Jorge Jaber, médico membro da Academia Americana de Psiquiatria, lembra que é neste momento em que os agentes diários, profissionais da saúde que trabalham junto aos usuários, atuam com mais eficiência. “Então, é preciso primeiro uma abordagem médica, dentro de um ambiente que já seja reconhecido pelo doente como um ambiente carinhoso. É neste momento que está a sabedoria da psicologia, da assistente social.”
Ex-usuário de crack e hoje pós-graduado em psicologia, Fabian Nacer diz que a abordagem precisa levar em conta como cada paciente pensa.
"Não adianta chegar e falar: 'Como você está?', 'Nossa, você está bem magro', 'Você vai morrer'. Nessa hora, eu pensava: 'Então, me ajuda a morrer logo, não estou nem ligando se eu estou sujo'. A única preocupação é como você vai conseguir a próxima pedra."
Sobre uma internação compulsória no momento da abordagem, os psiquiatras concordam: é preciso uma avaliação bem pessoal e, nos casos extremos, fazer um laudo e pedir uma decisão da Justiça. “A internação compulsória pode ser necessária, à luz de uma avaliação individual. É uma situação a se evitar, mas é possível”, disse Veras. Os especialistas acreditam que a ação não deve ser uma política pública generalizada.

Acompanhamento

Jaber defende que, depois do convencimento, o paciente seja levado a um médico, antes de um psiquiatra ou psicólogo. “Não é para o tratamento do crack ainda. A maioria das pessoas que estão envolvidas com o uso do crack tem doenças muito importantes, como DSTs, como o HIV, que é muito comum, e estão com doenças infecciosas secundárias. Tuberculose é muito comum, assim como pneumonia”, disse.
Depois, os três especialistas defendem uma avaliação mais pessoal e particular do estado mental para tentar entender qual é o acompanhamento necessário do paciente.
“Quanto mais grave, maior a especialização que a equipe precisará ter para lidar com esses indivíduos”, disse Veras. “Já em casos com menos gravidade, uma conexão com ex-usuários, ou assistentes sociais, já pode ser uma base para seguir sem o uso."
Na maior parte do tempo, para se manter longe da droga e nos casos mais graves, o paciente é acompanhado por alguns meses, ou até durante um ano, por um psiquiatra, um psicólogo, um assistente social e um terapeuta ocupacional.
“É preciso aproximar o usuário das estratégias de tratamento. O psiquiatra pode propor uma medicação, se necessário, e o psicólogo mostra o problema para o paciente e ajuda a encontrar a solução, por exemplo”, explica Veras.
Jaber afirma que a religião também pode ter um papel importante na recuperação do usuário. "A Associação Mundial de Psiquiatria já tem o departamento de psiquiatria e espiritualidade", exemplifica. "Ou seja: não é bem só religião, mas é o desenvolvimento da espiritualidade. Entram práticas indianas, e outras práticas. Essas abordagens que não são químicas é que devem conduzir o paciente até uma vida normal", explica.

Recaída e redução de danos

Durante o processo, a recaída é comum. E, por isso, há a defesa de um acompanhamento próximo, seja em uma clínica e/ou em um hospital pelo tempo que for necessário.
Veras lembra e defende outra forma de combate ao crack. “O tratamento para qualquer substância, apesar de ter no horizonte a intenção de parar, pode não ocorrer só através da interrupção do uso."
“Uma das estratégias norteadoras é o que a gente chama de política de redução do danos. O indivíduo que usa crack reduz os danos quando encontra um lugar protegido para o uso da droga, com o fornecimento de uma alimentação básica e o acompanhamento dos profissionais de saúde."
Essa estratégia de manter o uso, ou trocar por uma droga mais suave, em um ambiente controlado, seguro e com acompanhamento é apoiada por mais de 90 países e uma das estratégias recomendadas pela Organização Mundial da Saúde.
Para Nacer, é preciso avaliar o perfil de cada usuário: “Em muitos casos não há como você tratar as pessoas sem a abstinência. Redução de danos funciona pra uma parte, outros saem das drogas até pelo esporte”, explica.

Medicação

Há medicamentos competentes no controle da fissura, a vontade extrema de recorrer à droga. O que os médicos pedem é um uso muito controlado para que um vício não seja trocado por outro e que, em algum momento, a pessoa consiga “caminhar com as próprias pernas” contra o crack.
Jaber é um dos psiquiatras que defende um uso muito controlado de remédios: 

"Sempre procuramos tirar o máximo o possível porque eu tenho um paciente que já é adicto. Ele já se acostumou metabolicamente a ficar dependente de uma substância."

Veras e Nacer acreditam no uso como uma das vertentes, mas sem “dopar” a pessoa para evitar a abstinência.

Nesta segunda-feira (26) é o Dia Internacional de Combate às Drogas. Atividades terminam no dia 1º de julho. Campinas ( SP )

Semana de combate ao uso de drogas tem palestras e apresentações artísticas; veja programação completa.

Começa nesta segunda-feira (26) a 12ª Semana de Prevenção ao Uso de Drogas de Campinas (SP), que vai contar com uma programação de palestras e apresentações artísticas para alertar sobre o risco do consumo de drogas lícitas e ilícitas. As atividades vão até o dia 1º de julho.

"De acordo com a coordenadoria de prevenção da Prefeitura, o álcool é o tipo mais consumido na cidade, seguido por maconha, crack e cocaína."

Participarão das palestras, a partir desta segunda - Dia Internacional de Combate às Drogas -, médicos e especialistas em saúde mental e uso de substâncias químicas, coordenadores de grupos de auxílio a adictos e de comunidades terapêuticas. O coral infantil do projeto “Cantando na Escola" abre a programação, às 9h, no Salão Vermelho da administração municipal.

Na cidade, 36% dos usuários de drogas têm entre 18 e 30 anos de idade e 25% têm entre 31 e 40 anos. Os homens são maioria do total de atendidos pela Coordenadoria de Prevenção ao Uso de Drogas da Prefeitura.

Confira a programação completa

Dia Internacional de Combate às Drogas

1° Dia 26/06 (segunda-feira)

9h – Abertura e Apresentação do Coral – Projeto Cantando na Escola
10h - Palestra: "A Comunidade Terapêutica como estratégia de cuidado para a Dependência Química". Palestrante: Juliano Pereira dos Santos (Psicólogo, especialista em Saúde Mental e gestor técnico do Programa Despertar para a Vida Instituto Pe. Haroldo).
Local: Salão Vermelho da Prefeitura
15h30 – Posse do Comen (Conselho Municipal de Entorpecentes)
Local: Sala Azul


2° Dia 27/06 (terça-feira)

14h às 15h - Palestra: "O Papel da Família no Tratamento do Dependente Químico" Palestrantes: Lusimar Monteiro Alvares (coordenadora do Grupo do Cambuí de Amor Exigente) e Carlos Alberto Ribaldo (coordenador da regional Campinas do Grupo)
Local: Câmara Municipal de Campinas (Plenarinho)
15h às16h - Palestra: "Os 12 Passos e as Tradições: Programa e Método de Tratamento". Palestrante: grupo Narcóticos Anônimos (NA)


3° Dia 28/06 (quarta-feira)

19h30 às 21h - Palestra: "Fé no tratamento da Dependência Química". Palestrante: Andreza Russo (Grupo de Apoio Nova Vida)
Local: Igreja Bola de Neve Taquaral (Av. Nossa Sra. de Fátima, 697 – Taquaral)


4° Dia 29/06 (quinta-feira)

14h - Palestra do Projeto P.A.R.T.Y (Prevent Alcohol and Risk- Related Trauma in youth). Dr. Joaquim Simões Neto e Dr. José Gonzaga Teixeira Camargo
Local: Hospital da PUC-Campinas (Av. John Boyd Dunlop, s/nº, Jardim Ipaussurama)


5° Dia 30/06 (sexta-feira)

Ciclo de Palestras sobre Dependência Química – da Prevenção ao Tratamento
Local: Câmara Municipal de Campinas (Plenarinho)
9h30 - Abertura – Padre Haroldo Rahm
10h - Palestra: "A importância da prevenção e os desafios enfrentados". Palestrantes: Proerd e Proin
11h - Palestra: "A biologia das substâncias psicoativas e a redução de danos". Palestrante: Silvia Cazenave (Doutora em Toxicologia e Mestre Análise Toxicológica, Perito Criminal Toxicologista do Instituto de Criminalística de Campinas, Professora da PUC-Campinas, Superintendente de Toxicologia da ANVISA (2014-2016) e Especialista em Drogas de Abuso – título conferido pela ONU)


6° Dia 01/07 (Sábado)- Encerramento Semana

9h às 13h - Prevenção Através do Esporte
Ringue de Patinação (Móvel)
Apresentações Musicais (Rapper Gabriel Rodrigues, Batucada Abençoada)
Apresentações Culturais (Negão Mos Crew, Teatro Grupo Bola de Neve)
Projeto Doka
Terra das Andorinhas (DST/Aids)
Ônibus Crack é Possível Vencer
Caminhão da Prevenção
Local: Largo do Rosário (Praça Visconde de Indaiatuba)

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Projeto na Cracolândia trouxe maior procura, diz prefeitura.

A gestão João Doria (PSDB) diz que desde o começo do Redenção, seu programa para a cracolândia, no centro de São Paulo, "houve um aumento substancial na procura por internação voluntária". "De 21 de maio a 19 de junho, 427 pessoas foram encaminhadas para a internação. Antes da ação, as internações se davam apenas por curtos períodos de 72 horas nos Caps-Ad III [Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas] Prates e Sé", diz a nota, que não responde sobre o tempo que os usuários passam esperando pela internação nem sobre a desistência de parte deles. Sobre a falta de alimentação no Caps Redenção, tenda onde usuários da cracolândia procuram internação, a prefeitura diz que "do outro lado da rua, existe a tenda Helvétia, que oferece sopa, água e é um espaço de suporte às equipes de assistência e saúde na área". A gestão diz que "a região conta, ainda, com a Unidade de Acolhimento Emergencial, a 800 metros do Caps Redenção, com serviços de higiene e alimentação". "Ao lado do CAPS Redenção também há a unidade estadual Recomeço Helvetia", que oferece serviços "como centro de convivência, enfermaria de desintoxicação e moradia monitorada, além de ações do programa Recomeço Família". A gestão Doria diz que há, no Caps Redenção, "dois psiquiatras plantonistas para atendimento 24 horas, sete dias por semana. Há também dois enfermeiros, quatro técnicos e um coordenador". Quanto ao uso do Samu para transporte de usuários de drogas, a prefeitura diz que o serviço "tem protocolo de atendimento aos quadros agudos relacionados ao uso de drogas, bem como a outras patologias de saúde mental, que deve ser individualizado". "As equipes de saúde mental qualificam e priorizam o atendimento de acordo com a necessidade clínica de cada paciente." Diz, por fim, que "inicialmente foi montada uma tenda em caráter emergencial" para o Caps Redenção "até que ocorresse a contratação de nova estrutura por meio de ata de registro de preço". "A troca ocorreu na quarta-feira, sem prejuízo aos atendimentos."
Possível fim de convênio com o Cândido Ferreira provoca manifestação.
Manifestantes foram às ruas de Campinas, ontem, devido ao possível fim do convênio da prefeitura com o Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, que atua no setor de saúde mental. Segundo a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Haydée Lima, a prefeitura pretende estabelecer parceria com outra instituição, através de chamamento público. Grupo também acusa outros problemas no setor.
O protesto contou com trabalhadores e usuários do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira. De acordo com Haydée, em Campinas não há outra instituição que atua na área. "Isso irá prejudicar o atendimento de mais de cinco mil usuários desses serviços", comunicou a organização do ato, em nota.
Os manifestantes também são contrários ao fechamento da UAA (Unidade de Acolhimento Adulto), que serve para reabilitação de usuários de drogas. Eles ainda apontaram precariedade nos serviços geridos pelo Executivo.
"Os três CAPs (Centros de Atenção Psicossocial) sob gestão municipal contam com menos da metade da equipe e um deles sequer tem sede. Além disso faltam leitos psiquiátricos em hospitais gerais", ressaltou a organização.
No protesto, os participantes se concentraram no Largo do Rosário e caminharam até o Paço Municipal.
OUTRO LADO
Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Saúde informou que a UAA será transformada em CAP AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas), que passará a prestar atendimento durante 24 horas. A pasta não comentou sobre as demais questões.

 Atualizado em 22/06/2017-23:53:47.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Drogas legais que ameaçam a saúde mental das crianças hiperativas

É uma situação comum. A criança dá trabalho, questiona muito, viaja nas suas fantasias, se desliga da realidade. Os pais se incomodam e levam ao médico, um psiquiatra talvez. Ele não hesita: o diagnóstico é déficit de atenção (ou Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH) e indica drogas para a criança. Neste artigo, você lerá sobre a opinião de pesquisadora sobre a droga mais usada em casos de TDAH, a ritalina que segundo a pesquisadora trata-se de uma bomba. Como contrapartida, inserimos opções de atividades físicas e artísticas como substitutivos ao uso das drogas.
Exemplo:

Ritalina

A pediatra professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, fez uma declaração bombástica: 
“A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro”, disse ela em entrevista ao Portal Unicamp. “Quem está sendo medicado são as crianças questionadoras, que não se submetem facilmente às regras, e aquelas que sonham, têm fantasias, utopias e que ‘viajam’. Com isso, o que está se abortando? São os questionamentos e as utopias. Só vivemos hoje num mundo diferente de mil anos atrás porque muita gente questionou, sonhou e lutou por um mundo diferente e pelas utopias. Estamos dificultando, senão impedindo, a construção de futuros diferentes e mundos diferentes. E isso é terrível”, diz ela.

Da família das anfetaminas, a ritalina, ou metilfenidato, tem o mesmo mecanismo de qualquer estimulante, inclusive a cocaína, aumentando a concentração de dopamina nas sinapses. Segundo a pesquisadora, a criança “sossega”: pára de viajar, de questionar e tem o comportamento zombie like, como a própria medicina define. Ou seja, vira zumbi — um robozinho sem emoções. É um alívio para os pais, claro, e também para os médicos. Por esse motivo a droga tem sido indicada indiscriminadamente nos consultórios da vida. A ponto de o Brasil ser o segundo país que mais consome ritalina no mundo, só perdendo para os EUA.
O fato, no entanto, é que o uso da ritalina reflete muito mais um problema cultural e social do que médico. A vida contemporânea, que envolve pais e mães num turbilhão de exigências profissionais, sociais e financeiras, não deixa espaço para a livre manifestação das crianças. Elas viram um problema até que cresçam. É preciso colocá-las na escola logo no primeiro ano de vida, preencher seus horários com “atividades”, diminuir ao máximo o tempo ocioso, e compensar de alguma forma a lacuna provocada pela ausência de espaços sociais e públicos. Já não há mais a rua para a criança conviver e exercer sua “criancice.
E se nada disso funcionar, a solução é enfiar ritalina goela abaixo. “Isso não quer dizer que a família seja culpada. É preciso orientá-la a lidar com essa criança. Fala-se muito que, se a criança não for tratada, vai se tornar uma dependente química ou delinquente. Nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona. E o que está acontecendo é que o diagnóstico de TDAH está sendo feito em uma porcentagem muito grande de crianças, de forma indiscriminada”, diz a médica.
“Se a criança já desenvolveu dependência química, ela pode enfrentar a crise de abstinência. Também pode apresentar surtos de insônia, sonolência, piora na atenção e na cognição, surtos psicóticos, alucinações e correm o risco de cometer até o suicídio. São dados registrados no Food and Drug Administration (FDA)”. Extraído de Outras Mídias – Fontes pesquisadas: Ritalina Bula; Unicamp; Carta Capital; Mundo das drogas.
Atividades física /ou artísticas para crianças com déficit são melhores do que qualquer medicação
Como a criança hiperativa tende a ser mais impulsiva, agitada e apresentar dificuldade para se concentrar, há algumas atividades recreativas e exercícios para déficit de atenção que além de estimular o foco, ajudam a acalmar.
Jogos de tabuleiro e de montar, assim como quebra-cabeças, são boas opções de atividades para crianças agitadas, pois normalmente envolvem o exercício do raciocino lógico e a criação de estratégias com base em regras. Durante essas brincadeiras, procure encontrar soluções junto com a criança para mantê-la motivada e interessada.
Entre as atividades para crianças com hiperatividade destacam-se as brincadeiras dinâmicas e visuais, como teatro de fantoches ou brincadeiras que envolvem a pintura e o faz de conta. Através delas, os pequenos podem se expressar sem medo de errar, estimulando suas habilidades e autoconfiança. Então, por que não experimentá-las em casa?
As modalidades esportivas também são recomendadas como atividades para crianças agitadas. Os esportes são ótimos para gastar a energia do hiperativo, e têm a vantagem de serem excelentes meios para trabalhar a motivação e incentivar a socialização com outras crianças. Futebol, vôlei ou atividades junto à natureza, como arvorismo e surf, podem trazer benefícios imediatos. Mas, é bom escolher uma prática que a criança já demonstre um certo interesse para evitar a desistência.
Atividades físicas que trabalham com a respiração podem tanto acalmar, quanto ajudar na concentração. Além das práticas alternativas, como yoga e meditação, a natação e caminhada são boas sugestões de atividades para crianças com hiperatividade. Fonte
A música como recurso para a criança com déficit de atenção
A Musicoterapia é uma nova modalidade de tratamento que tem mostrado sua eficácia com crianças e adolescentes com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Uma atividade musical pode ativar todas as áreas do cérebro, estimulando áreas responsáveis pela atenção, memória, concentração, relaxamento, atividade motora, emoções, entre outras. Quanto mais prazerosa a atividade, mais é ativado o cérebro e maior é a atenção. A música, por despertar grande interesse e curiosidade e provocar prazer e satisfação, faz a criança ou adolescente se engajar na atividade, aumentando a atenção e participação.
Muitas vezes é na música que se consegue manter por mais tempo a atenção de uma criança com TDAH, mais tempo do que se conseguiria em outras atividades, e esse período de atenção vai aumentando na Musicoterapia e refletindo nas atividades do dia a dia.
Muitas pesquisas mostram que através da Musicoterapia, os sintomas do déficit de atenção diminuíram. Tocar um instrumento, cantar, realizar uma percussão corporal, um movimento corporal em determinado momento da música (atenção seletiva) ou jogo musical (diferenciar timbres) requer atenção, onde precisa-se estar focado para saber o momento preciso de se colocar na atividade musical. Uma atividade musical permite variações, inserir uma grande gama de estímulos, e quanto mais estímulos, maior a atenção. Em uma mesma atividade pode-se modificar a velocidade, a intensidade (forte x fraco), os instrumentos, inserir percussão corporal, dança, cantar, modificar a música, trabalhar só com o ritmo, só com a melodia, juntar tudo… possibilitando diferentes maneiras manter a atenção. Tendo assim, a música o poder de aumentar a capacidade de atenção por sua variedade de estímulos (auditivos, visuais, táteis) e mantendo os neurônios em atividade.
Crianças com TDAH têm dificuldade em terminar tarefas, ficar sentadas, dificilmente conseguem cantar uma música do início ao fim, por exemplo. A Musicoterapia trabalha além da concentração e organização, essa instabilidade corporal, o corpo em movimento, o domínio e a consciência do corpo e a coordenação motora através das atividades musicais, pois todas envolvem o corpo. É oferecido uma ocupação para o corpo que está inquieto ao tocar um instrumento, ao cantar. É oferecido um espaço de movimentação, de expressão corporal na Musicoterapia.
Através do ritmo na Musicoterapia trabalha-se o corpo. Além de dar energia, o ritmo organiza, trabalha a organização espaço temporal, diminuindo os sintomas de hiperatividade e impulsividade. A percepção temporal está alterada nas pessoas com TDAH. O ritmo é uma organização no tempo e no espaço, que obriga a realizar determinada tarefa musical em determinado tempo e em determinado espaço, não em um tempo maior ou menor. A música é feita de início, meio e fim, há uma ordem temporal, uma sequência a ser respeitada, que é trabalhada incentivando o paciente a entoar e tocar as músicas do início ao fim, respeitando sua estrutura. O ritmo é feito de som e silêncio (pausas). Atividades de corte como parar em determinado momento da música ou seguir uma demanda em determinado momento, trabalham o freio inibitório, permitindo uma organização no tempo e deparando-se com os limites do corpo.
A música também trabalha as emoções, a ansiedade, sendo um dos objetivos terapêuticos da Musicoterapia no TDAH acalmar, tanto diminuindo a ansiedade, quanto relaxando a musculatura. É mais que comprovada a capacidade que a música tem de relaxar e acalmar, o que vai auxiliar na concentração e atenção. Deve-se começar com atividades mais rápidas e após ir diminuindo a velocidade, a fim de tranquilizar, de aumentar o foco e ir inserindo outras atividades, atividades mais calmas, atividades que exijam maior capacidade de atenção.
A autoestima também é aumentada através da autorrealização que uma atividade musical pode oferecer e a música é também um meio de comunicação capaz de expressar mais intimamente as emoções que as palavras, auxiliando no desenvolvimento emocional e também na comunicação (verbal e não verbal). É uma forma de comunicação não verbal, que faz a criança se sentir muito à vontade para trabalhar suas questões emocionais e sociais. Assim, aumenta-se a segurança para se expressar e se comunicar e os comportamentos tornam-se mais saudáveis na comunicação, aprendendo a esperar sua vez, ouvir o outro e cooperar, comportamentos que são estimulados por aparecerem nas atividades musicoterápicas. Todas essas questões vão melhorar a socialização, trazendo segurança para se colocar, se expor, tendo um maior equilíbrio emocional e maior autoestima, além da capacidade de se focar.
Assim, as atividades musicoterápicas como jogos musicais, atividades rítmicas, cantar, música e movimento, tocar instrumentos musicais e composição requerem todo o trabalho cognitivo de raciocínio, organização, atenção, memória, criatividade, a atividade motora, além da troca de ideias (interação social), comunicação (expressar o que se quer de forma adequada), tranquilidade, ouvir o outro, seguir instruções e de fortalecer o emocional e a autoestima, diminuindo a ansiedade, aprendendo a lidar com frustrações, melhorando comportamentos e oferecendo maior autonomia e segurança, além de aumentar a qualidade de vida. Tornando-se assim uma criança ou adolescente mais saudável na escola, na família e no trabalho. 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Atibaia e outras 12 cidades da região têm alta incidência de problemas relacionados ao uso de crack

Treze cidades do Vale e regiãobragantina têm índice considerado alto de problemas relacionados ao uso de crack. Isso é o que aponta o "Mapa do Crack", elaborado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) e que traz informações de municípios de todo país.
O órgão traça a classificação com base em dados fornecidos pelos próprios municípios em um questionário - entre as informações fornecidas estão estimativa de usuários, apreensões da droga, uso em escolas e aglomerações urbanas de usuários.
Aparecida, Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Bragança Paulista, Caraguatatuba, Caçapava, Cunha, Guaratinguetá, Ilhabela, Lorena, Pindamonhangaba, Santa Branca e Taubaté figuram no mapa com classificação de alta incidência. A escala varia de alta a sem problemas.
Com nível médio de alerta estão Bananal, Cachoeira Paulista, Igaratá, Lavrinhas, Natividade da Serra, Nazaré Paulista, Potim, Queluz, Silveiras, São José do Barreiro, São Sebastião e Tremembé.
Na região, não forneceram dados para o estudo apenas Canas, Cruzeiro, Jacareí, Joanópolis, Piquete, Jambeiro, Lagoinha, Roseira, São Bento do Sapucaí, Ubatuba e Vargem.
O objetivo do mapa é trazer ao debate a necessidade de medidas públicas para o atendimento ao usuário e combate ao tráfico.
“Com a alimentação da base de dados as cidades podem identificar os problemas e fazer uma análise do impacto disso no município. Isso traz para o debate o uso do crack. Muito se fala em cracolândias agora, mas esse é um problema antigo e que precisa da atenção pública. E não está restrito apenas às capitais“, explica Pauli Zilcoski, presidente da confederação.

Outro lado
O G1 procurou as 13 prefeituras com índice de alerta alto, segundo o mapa. Quatro informaram as ações que têm adotado para enfrentar o avanço do crack.
Segundo a prefeitura de Taubaté, foram cadastrados pela prefeitura 325 usuários de drogas neste ano. Destes, em torno de 40% são usuários de crack.
O governo informou que tem feito o atendimento aos usuários pelo Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial, Álcool e outras Drogas) e trabalho preventivo com a orientação sobre drogas em escolas e ampliação de programas aos jovens e adolescentes com a Secretaria de Esportes.
Caraguá informou que o mapa divulgado pela CNM não representa o quadro atual da cidade. A prefeitura destacou que a cidade investe cerca de R$ 2 milhões em programas e ações para atendimento dos dependentes - um deles é o programa de Saúde Mental, em que o usuário é acompanhado por psicólogos e psiquiatras. A cidade conta ainda com o trabalho de uma casa de recuperação.
Quatro dias por semana são feitas abordagens nas ruas. De janeiro a maio de 2017, foram cadastradas 527 pessoas em situação de rua, detectando-se 57 pessoas usuárias de drogas.
A Prefeitura de Aparecida informou que vem adotando medidas de conscientização, atenção e apoio aos dependentes químicos, em especial aos dependentes de crack por meio do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Informou ainda que atua nas escolas com orientação para o combate ao uso de drogas.
Apesar do mapa ser alimentado com informações fornecidas pela prefeitura, Cunha informou que não há casos na cidade. Disse que há 19 depentes químicos em atendimento pela Assistência Social da cidade, mas nenhum deles é usuário de crack.
A prefeitura de Lorena informou que tem desenvolvido ações junto às secretarias de Assistência Social, Saúde e Segurança. A ação faz abordagens na rua e acolhe os usuários que optem pelo tratamento para a Casa da Acolhida ou Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Informou ainda que tem feito orientação contra o uso de entorpecentes nas escolas.
Atibaia informou que criou, em março, um gabinete para gestão integrada da segurança pública e que tem discutido ações de combate e conscientização contra as drogas. Sobre o combate nas ruas, o município informou que faz ações pontuais e que elas estão sendo intensificadas em locais considerados estratégicos, como praças. Disse ainda que faz ações em escolas com orientação sobre drogas para adolescentes.
O G1 procurou, por mail e telefone, entre segunda (29) e quarta-feira (31) as prefeituras de Bom Jesus dos Perdões, Bragança Paulista, Caçapava, Guaratinguetá, Ilhabela, Pindamonhangaba e Santa Branca. As administrações não retornaram o pedido de informações sobre as ações anticrack.